quarta-feira, 10 de abril de 2013

A Estrela Flamejante ou Pentagrama


Desde os primórdios da humanidade, o ser humano sempre se sentiu envolto por forças superiores e trocas energéticas que nem sempre soube identificar. Sujeito a perigos e riscos, teve a necessidade de captar forças benéficas para se proteger de seus inimigos e das vibrações maléficas. Foi em busca de imagens, objetos, e criou símbolos para poder entrar em sintonia com energias superiores e ir ao encontro de alguma forma de proteção.

Dentre estes inúmeros símbolos criados pelo homem, se destaca o pentagrama, que evoca uma simbologia múltipla, sempre fundamentada no número 5, que exprime a união dos desiguais. As cinco pontas do pentagrama põem em acordo, numa união fecunda, o 3, que significa o principio masculino, e o 2, que corresponde ao princípio feminino. Ele simboliza, então, o andrógino.

O pentagrama sempre esteve associado com o mistério e a magia. Ele é a forma mais simples de estrela, que deve ser traçada com uma única linha, sendo conseqüentemente chamado de "Laço Infinito".

ORIGENS, RITOS E CRENÇAS:

Um de seus mais antigos usos se encontra na Mesopotâmia, onde a figura do pentagrama aparecia em inscrições reais e simbolizava o poder imperial que se estendia "aos quatro cantos do mundo". Entre os Hebreus, o símbolo foi designado como a Verdade, para os cinco livros do Pentateuco (os cinco livros do Velho Testamento, atribuídos a Moisés). Às vezes é incorretamente chamado de "Selo de Salomão", sendo, entretanto, usado em paralelo com o Hexagrama.

Na Grécia Antiga, era conhecido como Pentalpha, geometricamente composto de cinco letras “As”. Pitágoras, filósofo e matemático grego, grande místico e moralista, iniciado nos grandes mistérios, percorreu o mundo nas suas viagens e, em decorrência, se encontram possíveis explicações para a presença do pentagrama, no Egito, na Caldéia e nas terras ao redor da Índia. A geometria do pentagrama e suas associações metafísicas foram exploradas pelos pitagóricos, que o consideravam um emblema de perfeição. A geometria do pentagrama ficou conhecida como "A Proporção Dourada", que ao longo da arte pós-helênica, pôde ser observada nos projetos de alguns templos.

Para os agnósticos, era o pentagrama a "Estrela Ardente" e, como a Lua crescente, um símbolo relacionado à magia e aos mistérios do céu noturno. Para os druidas, era um símbolo divino e, no Egito, era o símbolo do útero da terra, guardando uma relação simbólica com o conceito da forma da pirâmide.

Os primeiros cristãos relacionavam o pentagrama às cinco chagas de Cristo e, desde então, até os tempos medievais, era um símbolo cristão. Antes da Inquisição não havia nenhuma associação maligna ao pentagrama; pelo contrário, era a representação da verdade implícita, do misticismo religioso e do trabalho do Criador.
O imperador Constantino I, depois de ganhar a ajuda da Igreja Cristã na posse militar e religiosa do Império Romano em 312 d.C., usou o pentagrama junto com o símbolo de chi-rho (uma forma simbólica da cruz), como seu selo e amuleto. Tanto na celebração anual da Epifania, que comemora a visita dos três Reis Magos ao menino Jesus, assim como também a missão da Igreja de levar a verdade aos gentios, tiveram como símbolo o pentagrama, embora em tempos mais recentes este símbolo tenha sido mudado, como reação ao uso neo-pagão do pentagrama.

Em tempos medievais, o "Laço Infinito" era o símbolo da verdade e da proteção contra demônios. Era usado como um amuleto de proteção pessoal e guardião de portas e janelas.

Os Templários, uma ordem militar de monges formada durante as Cruzadas, ganharam grande riqueza e proeminência através das doações de todos aqueles que se juntavam à ordem, e amealhou também grandes tesouros trazidos da Terra Santa. Na localização do centro da "Ordem dos Templários", ao redor de Rennes du Chatres, na França, é notável observar um pentagrama natural, quase perfeito, formado pelas montanhas que medem vários quilômetros ao redor do centro. Há grande evidência da criação de outros alinhamentos geométricos exatos de Pentagramas como também de um Hexagrama, centrados nesse pentagrama natural, na localização de numerosas capelas e santuários nessa área.

Está claro, no que sobrou das construções dos Templários, que os arquitetos e pedreiros associados à poderosa ordem conheciam muito bem a geometria do pentagrama e a "Proporção Dourada", incorporando aquele misticismo aos seus projetos.

Entretanto, a "Ordem dos Templários" foi inteiramente dizimada, vítima da avareza da Igreja e de Luiz IX, religioso fanático da França, em 1.303. Se iniciaram os tempos negros da Inquisição, das torturas e falsos-testemunhos, de purgar e queimar, esparramando-se como a repetição em câmara-lenta da peste negra, por toda a Europa.

Durante o longo período da Inquisição, havia a promulgação de muitas mentiras e acusações em decorrência dos "interesses" da ortodoxia e eliminação de heresias. A Igreja mergulhou por um longo período no mesmo diabolismo ao qual buscou se opor. O pentagrama foi visto, então, como simbolizando a cabeça de um bode ou o diabo, na forma de Baphomet, e era Baphomet quem a Inquisição acusou os Templários de adorar.

Durante a purgação das bruxas, outro deus cornudo, Pan, chegou a ser comparado com o diabo (um conceito cristão) e o pentagrama - popular símbolo de segurança - pela primeira vez na história, foi associado ao mal e chamado "Pé da Bruxa". As velhas religiões e seus símbolos caíram na clandestinidade por medo da perseguição da Igreja e lá ficaram definhando gradualmente, durante séculos.

As proporções geométricas de um pentagrama simétrico são aquelas da "Proporção Dourada". A Proporção Dourada é amada pelos artistas desde os tempos da Renascença e também é encontrado na arte pós-Helênica e nos projetos de templos geomânticos, sendo aquelas proporções do retângulo consideradas as mais prazerosas aos olhos.
 
A divisão da distância entre duas pontas de um pentagrama pelo seu perímetro, a divisão da altura da linha horizontal até a base de um pentagrama pela linha horizontal e a divisão da parte central de uma linha de um pentagrama pela parte externa da linha também estão em proporção dourada.
 
Sobre a Estrela ainda se pode dizer que representa os 5 elementos, 4 materiais (terra, ar, fogo e água) e um elemento quintessencial o éter. Estes podem ser dispostos em volta dos pontos do pentagrama. A palavra quintessência deriva desse quinto elemento, o éter e é a essência de tudo, em se tratando do Homem é o Espírito, o sopro divino.
 
Traçando um caminho em volta do pentagrama, os elementos são colocados em ordem de densidade: espírito ou éter, fogo, ar, água e terra. Terra e fogo são basais, fixos; ar e água são livres, flutuando. Uma única ponta acima significa o espírito dominando a matéria (mente dominando os membros); é um símbolo de retidão. A atribuição desses pontos é usada em rituais, descritas com o movimento das mãos. São usadas diferentes formas de pentagrama para invocar ou banir cada elemental, de acordo com a natureza do ritual.
 
Outra maneira de ver esse caminho é a jornada espiritual do homem através da evolução, A Centelha de vida descida de Deus; A Divina fonte de vida até a simples forma embrionária (terra), elevando-se para flutuar no nosso plano de existência (água e ar), então novamente descendo ao fogo da purificação depois novamente subindo como uma centelha divina para encontrar novamente sua fonte espiritual.

            Agora, maçonicamente o pentagrama é a Estrela flamejante, a qual tem um simbolismo rico e muito importante para o desenvolvimento do Maçom. Para os Maçons ela é o emblema do Gênio, que eleva a alma a grandes coisas; ela é iluminada, porque um ilustre iniciado, Pitágoras, recomendou que não se falasse de coisas divinas sem uma tocha acesa.
 
            Como anteriormente dito, a Estrela com uma única ponta para cima, é considerada ativa e benéfica e o homem pode ser inscrito dentro dela com a cabeça e os quatro membros preenchendo cada uma de suas extremidades. A estrela invertida, com duas pontas para cima, é considerada passiva e maléfica e alguns ocultistas, que sofrem de demonismo, inscreveram dentro dela uma cabeça de bode, emblema dos instintos e da animalidade. Mas, na Maçonaria, o Pentagrama tem um significado completamente diferente: ele é o cânone do Numero de Ouro. O Numero de Ouro ou Proporção Dourada é uma relação particular tal que a parte menor esteja em relação à maior assim como a maior em relação ao todo.
 
            Diz-se também que o “Brilho” da Estrela Flamejante não esta na representação das chamas que a rodeiam. Esse “Brilho” está nela própria, como conseqüência de sua universalidade. Por outro lado, ao representarem a Estrela sem os traços do Pentagrama, fizeram desaparecer ao mesmo tempo a continuidade de seu traçado recruzado e seu valor esotérico. Pode-se até dizer, sem exagero, que quanto mais ela brilhava, mais perdia seu brilho real, e quando atribuíram os cinco sentidos as suas cinco pontas, a infeliz estrela não teve mais sentido nenhum.
 
            Existem ainda algumas outras definições maçônicas a respeito da Estrela Flamejante:
 
-          “A Estrela Flamejante é o centro de onde parte a verdadeira Luz”
“A Estrela Flamejante representa a luz, iluminando o discípulo dos Mestres, o operário capaz de servi-los utilmente; ela é, portanto, o signo da Inteligência e da Ciência”
 
“A Estrela Flamejante é o emblema de um pensamento livre, do fogo sagrado do gênio, que eleva o homem às grandes coisas”

 
 
Existe ainda, no centro da Estrela Flamejante, inscrita a letra “G”. Essa letra é incontestavelmente um enigma maçônico, e sobre qual paira um grande mistério que provocou um número infinito de interpretações e comentários, às vezes judiciosos, mas muitas vezes também muitos fantasiosos.

A letra G, em sua grafia atual é de origem recente. Primitivamente, o G tinha o mesmo valor fonético do C; é assim que, no latim, encontramos indiferentemente as formas Caius ou Gaius, Cnoeus ou Gnoeus, etc. Quando o C se tornou quase que absolutamente um homófono do K, fez-se sentir a necessidade de representar o som G por uma nova letra. Foi na segunda metade do século V de Roma que se inventou essa letra que, visivelmente, é uma simples modificação do C. Entre diversos povos do Norte, G é a inicial do G.´.A.´.D.´.U.´. como o sírio Gad, o sueco Gud, o alemão Gott, o inglês God, o persa Goda, etc. É ainda a letra G, a quinta consoante do alfabeto e a inicial da quinta ciência: a Geometria. É nela e nas matemáticas que vamos buscar o brilho dessa verdade luminosa que deve espalhar-se sobre todas as operações do espírito.
 
 Luiz Alberto Beraldi - C.´.M.´.
Or.´.de São Paulo 22 de dezembro de 2005 . E.´.V.´.


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