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A Acácia na Lenda de Hiram Abif



“..., conduziram-no, ao cair da noite, para o Monte Moriah, onde o enterraram, assinalando a sepultura com um ramo de acácia.” (Ritual de Mest.`.).
 
“Quando, extenuados, os exploradores chegaram ao local de encontro, seus semblantes desencorajados só expressaram a inutilidade de seus esforços. ....Caindo literalmente de fadiga, (um) .... Mestre tentava agarrar-se a um ramo de acácia. Ora, para sua grande surpresa, o ramo soltou-se em sua mão, pois havia sido enterrado numa terra há pouco removida.” (Oswald Wirth).
 
“Os Mestres que foram na procura do Mestre Hiram Abif, encontraram um monte de terra que parecia cobrir um cadáver, e terra recentemente removida; plantaram ali um ramo de acácia para reconhecer o local. Conforme outra versão, a acácia teria brotado do corpo do Respeitável Mestre morto, anunciando a ressurreição de Hiram”. (Manual de Instrução para o Grau de M.`. M.`. da Gr.`.L.`. de Chile).
 
Mesmo que a morte de Hiram Abif seja um dos fatos mais importantes dentro da ritualística do 3º Grau, não resulta estranho que existam diferentes versões derivadas de diferenças nas  traduções tanto da Bíblia como de antigos Rituais maçônicos. Mas todos eles coincidem com que na sua sepultura surge um ramo de acácia.
 
 
A Acácia na Botânica. 
 
A acácia é uma árvore leguminosa de madeira dura; muitas espécies produzem goma-arábica e outras fornecem caucho, guaxe (fruto comestível), tanino e madeiras de grande valor. Todas as espécies produzem flores perfumadas brancas ou amarelas, sendo muito usadas como adorno. A acácia, com suas quase 400 variedades, existe praticamente no mundo todo: América do Norte, Ásia, Índia, Egito, Norte da África, China, Austrália, etc. A acácia é universal. No Brasil a espécie acácia negra constitui uma das riquezas de Rio Grande do Sul.
 
A acácia de Egito tem a particularidade de ser uma árvore espinhosa e autores maçônicos especulam que a coroa de espinhos colocada na cabeça de Jesus era de este tipo de acácia. No hebraico antigo o termo shittah é usado para acácia sendo seu plural shittin. No texto original grego do Novo Testamento o termo usado é akanqwn (akanthon) que foi traduzido ao português tanto como acácia e como acanto, e que também pode significar espinho, espinhoso, etc. Esta palavra grega aparece em várias passagens da Bíblia mencionando a coroa de espinhos e também a árvore shittah. O Irmão Olintho de Almeida declara que “a coroa de acácia espinhosa na cabeça de Jesus, é símbolo de sabedoria”. Mas como devemos interpretar o gesto dos soldados romanos quando coroam a Jesus com espinhos? Podemos entender como mais um ato de crueldade com um sentido unicamente burlesco ou será que, aparentemente, houve alguém que conhecendo a simbologia encetada no ramo de acácia induziu à soldadesca a usar este tipo de coroa?
 
 
A Acácia na Antigüidade 
 
Os povos antigos tiveram um respeito extremado pela acácia chegando a ser considerado um emblema solar porque suas folhas se abrem com a luz do sol do amanhecer e se fecham ao desaparecer o sol no fim do dia; sua flor imita o disco solar. Para os egípcios era uma árvore sagrada como, igualmente para antigas tribos árabes. O sentimento dos israelitas pela acácia começa com Moisés, quando na construção dos elementos mais sagrados é utilizada á acácia (Arca, Mesa, Altar) pélas suas características de resistência á putrefação.
 
 
A Acácia na Bíblia 
 
“Plantarei no deserto o cedro, a árvore da sita, e a murta e a oliveira...” (Isaias 41:19). Como já temos visto no hebraico, shitat é o singular de acácia, mas na versão da Bíblia de João Ferreira de Almeida é traduzido como sita. Aliás, sita não aparece no Dicionário Brasileiro da Mirador.
 
“Também farão uma arca de madeira de cetim...” (Êxodo 25:10)
“Também farás uma mesa (dos pães da proposição) de madeira de cetim...” (Êxodo 25:23)
“Farás estes varais (para transportar a mesa) de madeira de cetim...” (Êxodo 25:28)
“Farás também as tábuas para o Tabernáculo de madeira de cetim...” (Êxodo 26:15)
“Farás também cinco barras de madeira de cetim ...” (Êxodo 26:26)
“E o porás sobre quatro colunas de madeira de cetim ...” Êxodo 26:31)
“E farás para esta coberta (do Tabernáculo) cinco colunas de madeira de cetim ...” (Êxodo 26:37)
“Farás também o altar de madeira de cetim ...” (Êxodo 27:1)
“Farás também varais para o altar, varais de madeira de cetim ...”(Êxodo 27:6)
Aqui João Ferreira de Almeida usa a expressão madeira de cetim e, conforme o Dicionário Brasileiro da Mirador cetim deriva do árabe zaituni e serve para designar um tecido de seda ou algodão macio e lustroso. Considerando que os estudiosos concordam que a Arca, a Mesa e o  Tabernáculo foram construídos com acácia que existia no deserto (Isaias) por ser imputrescível, incorruptível e inatacável pelos predadores naturais, acreditamos que madeira de cetim é, no significado correto, madeira de acácia. Não poder-iam elementos de sustentação ou de transporte serem construídos com seda.
 
“E acamparam-se junto ao Jordão, desde Bete-Jesimote até Abel-Sitim ...” (Números 33:49)
Abel-Sitim no hebraico significa Vale das Acácias lugar que ficava 40 kms ao sul de Bete-Sita, mas não aparece nos Atlas modernos.
 
“... e o exército fugiu para Zererá, até Bete-Sita ...” (juizes 7:22)
Bete-Sita no hebraico significa Lugar da Acácia que no Atlas moderno aparece localizado no paralelo 32 e 30’ ao lado do rio Jordão.
 
A Bíblia é rica em alusões da madeira de acácia dando para ela usos sagrados o que, por sua vez, a converte em uma árvore sagrada.
 
 
A Acácia na Maçonaria 
 
Na parte final da cerimônia de Exaltação, o Orador dirigindo-se ao novo Mestre convida-o a “... não parar na senda do progresso e da perfeição, porque A A.`. M.`. É C.`.”. Estas palavras lembram que a acácia tem sido consagrada como um importante símbolo no 3º Grau, mantendo uma tradição dos tempos antigos porque por sua característica de imputrescível simboliza a imortalidade da alma.
 
Também quando o Resp.`. Mest.`. pergunta ao Ven.`. Ir.`. 1er Vig.`.: “Sois M.`. M.`.” e o interpelado responde: “A A.`. M.`. É C.`.” ele estabelece de imediato sua qualidade de M.`. o que, conforme Oliver, equivale a dizer “tendo estado na tomba, he triunfado levantando-me dentre os mortos e, estando regenerado, tenho direto a vida eterna”.
 
A interpretação simbólica e filosófica da planta sagrada é riquíssima e lembra a parte espiritual que existe dentro de nós que, como uma emanação de Deus, jamais pode morrer. A acácia é, simplesmente, a representação da alma e nos leva a estudar seriamente nosso espírito, nosso eu interior e a parte imaterial da nossa personalidade.
 
Outra importante significação simbólica da acácia foi dada por Albert Gallatin Mackey (1807 – 1881) e por Bernard E. Jones (falecido em 1965) e que ressalta a Inocência; o grego akakia é usado para definir qualidade moral, inocência e pureza de vida. E do maçom, que já conhece a acácia, é esperada uma conduta pura e sem máculas.
 
Quando a Mac adotou a acácia em seus rituais? Certos rituais do séc. XVIII não fazem nenhuma alusão a ela e, menos ainda, a fórmula acima citada e tão conhecida de todos nós. A obra “Regulateur du Maçom” (Heredom) de 1801 transcreve a fórmula e em alguns rituais aparecem reproduções do quadro da Loja de Mestre, onde a acácia pode estar representada sobre um montículo ou sobre o esquife do Mestre Hiram Abif. É muito mais tarde que começam a aparecer explicações sobre a acácia, por exemplo, no “Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramita” de 1787. Também na obra “L’Ordre dês Franc-Maçons Trahi e Leur Sécret Revele” do Abade Péréau (1742) a acácia é mencionada amplamente e reproduzida no Painel. Resumindo, F. Chapius (1937) estima que a acácia nasce em nosso simbolismo junto com a Maçonaria especulativa.
 
Para terminar, das quase 600 espécies de acácia que existem a maçonaria tem incorporado em seus rituais a Robinia (ou Robinier) mais conhecida como falsa acácia, mas qualquer variedade que for usada não tira em absoluto o simbolismo do ritual.
 
 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
Siete e más .... Juan Agustín González M.(1955)
Manual do Gr.`. de M.`. G L de Chile (1970)
Ritual do Terc.`. Gr.`.  Mac.`. Simb.`. do Brasil


LENDA DOS TRÊS MAGOS QUE VISITARAM A GRANDE ABÓBADA E DESCOBRIRAM O CENTRO DA IDÉIA



Muito tempo depois da morte de Hiram e de Salomão e de todos os seus contemporâneos, depois que os exércitos de Nabucodonosor destruiram o reino de Judá, arrasaram a cidade de Jerusalém, derrubaram o Templo, levaram em cativeiro o resto da população que não havia sido massacrada, quando a montanha de Sião nada mais era que um deserto árido onde pastavam algumas cabras magras guardadas por beduinos famélicos e saqueadores, certa manhã, três viajantes chegaram ao passo de seus camelos.

Eram Magos, iniciados de Babilônia, membros do Sacerdócio Universal, que vinham em peregrinação e para explorar as ruínas do antigo santuário.

Depois de uma refeição frugal, puseram-se a percorrer o recinto em ruínas. A destruição das paredes e os fustes (a parte principal da coluna entre o capitel e a base) das colunas permitiram-lhes determinar os limites do Templo. Eles se puseram depois a examinar os capitéis jogados por terra, a recolher as pedras para nelas descobrirem inscrições e símbolos.

Enquanto procediam a essa exploraçãp, sobre um pedaço de parede em ruínas e no meio das sarças (vegetação), eles descobriram uma escavação.

Tratava-se de um poço situado no ângulo sudeste do Templo. Eles cuidaram de limpar o orifício, depois do que um deles, o mais idoso, o que parecia ser o chefe, deitando-se à borda do mesmo, examinou o seu interior.

Era meio dia, o Sol brilhava em seu zênite e seus raios mergulhavam quase que verticalmente no interior do poço. Um objeto brilhante feriu os olhos do Mago. Ele chamou pelos companheiros, que se colocaram na mesma posição que ele e olharam.. Evidentemente, havia ali um objeto digno de atenção, sem dúvida uma jóia sagrada. Os três peregrinos resolveram apoderar-se dela. Desamarraram os cintos que lhes cingia os rins, ataram-nos uns aos outros e lançaram uma de suas extremidades no poço. Então, dois entre eles, inclinando-se, encarregaram-se de suster o peso do que descia. Este, o Chefe, empunhando a corda, desapareceu pelo orifício. Enquanto efetua sua descida, veremos qual era o objeto que havia atraído a atenção dos peregrinos. Para tanto, devemos remontar vários séculos atrás, até a cena da morte de Hiram.

Quando o Mestre Hiram, diante da porta do Oriente, recebeu o golpe de alavanca do segundo mau Companheiro, ele fugiu para alcançar a porta do Sul; mas, enquanto corria para lá, teve medo, quer de ser perseguido, quer, como aconteceu, de encontrar um terceiro mau Companheiro. Ele tirou de seu pescoço uma jóia que dele pendia segura por uma corrente de setenta e sete anéis, e lançou-a no poço que se abria no Templo, no canto dos lados Este e Sul.

Esta jóia era um delta de um palmo de lado, feito do mais puro metal, sobre o qual Hiram, que era um iniciado perfeito, havia gravado o nome inefável que carregava sob si, na face interna, ficando à vista apenas uma face lisa.

Enquanto, ajudando-se com os pés e as mãos, o Mago descia até as profundezas do poço, ele constatou que a parede deste estava dividida em zonas ou anéis feitos de pedra de cores diferentes de cerca de um côvado de altura cada um. Quando chegou ao fundo, ele contou essas zonas e viu que elas eram em número de dez. Abaixou então os olhos para o chão, viu a jóia de Hiram, recolheu-a, observou-a e constatou com emoção que nela estava escrita a palavra inefável que ele conhecia porque também era um iniciado perfeito. Para que seus companheiros, que não tinham, como ele, a plenitude da iniciação, não pudessem ler, ele pendurou a jóia no seu pescoço pela pequena corrente, deixando voltada para a frente a face lisa, assim como fizera o Mestre Hiram.

Olhou, depois, a seu redor e constatou a existência, na muralha, de uma abertura pela qual podia penetrar um homem. Entrou por ela, caminhando às apalpadelas na escuridão. Suas mãos encontraram uma superfície que, por tato, julgou ser de bronze. Então, ele recuou, voltou ao fundo do poço, avisou para que seus companheiros mantivessem firma a corda e subiu.

Vendo a jóia que ornava o peito do chefe, os dois Magos inclinaram-se diante dele, percebendo que ele acabava de ser submetido a uma nova consagração. Ele revelou-lhes o que vira, falou-lhes da porta de bronze. Eles pensaram que ali devia haver um mistério, deliberaram então fazer juntos a descoberta.

Colocaram uma extremidade da corda feita em três cintos sobre uma pedra chata que havia junto do poço e sobre a qual lia-se ainda a palavra “Jackin”. Rolaram para cima dela um fuste de coluna em que se via a palavra “Boaz”; assegurando-se depois que, assim fixada, a corda podia suportar o peso de um homem.

Dois deles fizeram em seguida o Fogo Sagrado com a ajuda de um bastonete de madeira dura rolado entre as mãos no interior da cavidade de um pedaço de madeira tenra. Quando a madeira tenra se incendiou, eles sopraram sobre ela para provocar uma chama. Enquanto isso, o terceiro Mago havia ido buscar, nos fardos amarrados na corcova dos camelos, três tochas de resina que eles haviam levado para afastar os animais selvagens de seus acampamentos noturnos. As tochas foram sucessivamente aproximadas da madeira em chama e elas próprias se inflamaram do Fogo Sagrado. Cada Mago, segurando sua tocha com uma mão, deixaram-se deslisar ao longo da corda até o fundo do poço.

Uma vez aí, eles se introduziram, sob a orientação do chefe, no corredor que levava à porta de bronze, Chegados à frente dela, o velho Mago examinou-a detidamente sob a luz de sua tocha. E constatou, no meio, a existência de um ornato em relevo com a forma de uma coroa real, em torno da qual havia um círculo composto de pontos e números devinte e dois.

O Mago absorveu-se numa meditação profunda, pronunciou depois a palavra “Malkuth” e, de repente, a porta se abriu.

Os exploradores viram-se então diante de uma escada que mergulhava no solo; entraram por ela, sempre empunhando as tochas, contando os degraus. Após terem descido três degraus, encontraram um patamar triangular, a cujolado esquerdo começava outra escada. Seguiram por ela e, depois de cinco degraus, encontraram outro patamar com a mesma forma e as mesmas dimensões. Desta vez, a escada continuava pelo lado direito e se compunha de sete degraus. Depois de passar por um terceiro patamar, eles desceram nove degraus e se encontraram diante de uma Segunda porta de bronze.

O velho Mago examinou-a como a precedente, e constatou a existência de outro ornamento em relevo, representando uma pedra angular, também rodeada de um círculo de vinte e dois pontos. Pronunciou a palavra “Iesod” e por sua vez, esta porta se abriu.

Os Magos entraram numa vasta sala abobadada e circular, cuja parede estava ornada com nove fortes nervuras que partiam do solo e se encontravam num ponto central no vértice.

Eles examinaram à luz de suas tochas, deram a volta para ver se não havia outra saída além daquela pela qual haviam entrado. Como nada encontrassem, pensavam em se retirar, mas seu chefe voltou atrás, examinou uma a uma as nervuras, procurou um ponto de referência, contou as nervuras e, de repente, chamou. Num canto escuro, ele encontrou outra porta de bronze. Esta tinha como símbolo um Sol radiante, sempre inscrito num círculo de vinte e dois pontos. Tendo o chefe dos Magos pronunciado a palavra “Netzah”, ela se abriu ainda e deu acesso a uma Segunda sala.

Sucessivamente, os exploradores franquearam cinco outras salas igualmente dissimuladas e passaram por novas criptas. Sobre uma dessas portas, havia uma Lua resplandecente, uma cabeça de leão, uma curva doce e graciosa, uma régua, um rolo (pergaminho) da lei, um olho e, enfim, uma coroa real.

As palavras pronunciadas foram, sucessivamente, Hod, Tiphereth, Chesed, Geburah, Chochmah, Binah eKether.

Quando eles entraram sob nova abóbada, os Magos pararam surpresos, deslumbrados, amedrontados. Essa ala não estava mergulhada na escuridão; pelo contrário, estava brilhantemente iluminada. No meio, estavam colocados três lampadários de uma altura de onze côvados, cada um com três ramos. Essas lâmpadas, que queimavam há séculos, cuja extinção não pôde ser provocada nem pelo extermínio do reino de Judá, nem pela destruição de Jerusalém ou pelo desmoronamento do Templo, brilhavam vivamente, iluminando com sua luz ao mesmo tempo doce e intensamente todos os recantos, todos os detalhes de maravilhosa arquitetura daquela cúpula sem igual talhada na rocha viva.

Os peregrinos apagaram suas tochas, pois não tinham mais necessidade delas, colocaram-nas junto à porta, tiraram suas sandálias e ajustaram seus chapéus como num lugar sagrado, e depois, avançaram, inclinando-se por nove vezes na direção dos gigantescos lampadários.

Na base do triângulo formado por estes, levantava-se um altar de mármore branco de forma cúbica de dois côvados de altura. Numa das faces, a que estava voltada para o vértice do triângulo, estavam representadas, em ouro, os instrumentos da Maçonaria: a Régua, o Compasso, o Esquadro, o Nível, a Trolha, o Malhete. Sobre a face lateral esquerda, viam-se figuras geométricas: o Triângulo, o Quadrado, a Estrela de Cinco Pontas, o Cubo. Sobre a face lateral direita, liam-se os números: 27, 125, 343, 729, 1331. Enfim, à face posterior, estava representada a Acácia simbólica. Sobre esse altar estava colocada uma pedra de ágata de três palmos de lado, acima, lia-se, escrita em letras de ouro, a palavra “Adonai”.

Os dois Magos discípulos, inclinaram-se, adoraram o nome de Deus; mas seu chefe, levantando ao contrário a cabeça, disse-lhes:

“Já é tempo de saberdes o último ensinamento que fará de vós iniciados perfeitos. Esse nome passa de um símbolo que não exprime de forma real a idéia da Concepção Suprema”.

Ele segurou então com as duas mãos a pedra de ágata, voltou-se para seus discípulos dizendo-lhes: “Olhai a Concepção Suprema: ei-la. Estais no Centro da Idéia”.

Os discípulos soletraram as letras Iod, Hé, Vau, Hé e abriram a boca para pronunciar a palavra inefável que não deve sair de nenhum lábio.

Em seguida, repousou a pedra de ágata sobre o altar, tomou a jóia do Mestre Hiram que pendia de seu pescoço e mostrou-lhes como as mesmas letras estavam gravadas ali.

“Aprendei, agora, disse-lhes, que não foi Salomão quem mandou cavar esta abóbada hipogéia (escavação subterrânea em que os antigos depositavam os seus mortos), nem construir as oito que a precedem, nem foi ele quem escondeu aqui a pedra de ágata. A pedra foi colocada por Henoch, o primeiro de todos os Iniciados, o Iniciado Iniciante, que não morreu, mas sobrevive em todos os seus filhos espirituais. Henoch viveu muito tempo antes de Salomão, antes mesmo do dilúvio. Não se sabe em que época foram construídas as oito primeiras abóbadas e esta, cavada na rocha viva”. Contudo, os novos grandes Iniciados desviaram sua atenção do altar e da pedra de ágata, contemplaram o céu da Sala, que se perdia numa altura prodigiosa, percorreram a vasta nave, na qual suas vozes despertavam ecos repetidos. Chegaram, assim, diante de uma porta, cuidadosamente dissimulada, e cujo símbolo era um vaso quebrado. Chamaram seu Mestre e lhe disseram: “Abre também esta porta; deve haver um novo mistério por trás dela. – Não, respondeu-lhes ele, não se deve abrir esta porta. Há por trás dela um mistério terrível, um mistério de morte. – Ho, queres esconder de nós alguma coisa, reservando-a para ti; mas queremos saber tudo; nós mesmos abriremos essa porta”.

Eles então puseram-se a pronunciar todas as palavras que haviam ouvido da boca do Mestre; depois, como essas palavras não produzissem nenhum efeito, eles disseram todas que lhes passaram pela cabeça. E já iam desistir, quando um deles pronunciou: “Não podemos, contudo, continuar até o infinito”. A essa palavra: En Soph, a porta se abriu com violência, os dois imprudentes foram derrubados ao chão, um vento furioso soprou pela abóbada, as lâmpadas mágicas se apagaram.

O Mestre correu para a porta, abaixou-se, chamou os discípulos em seu socorro; eles acorreram à sua voz, inclinaram-se com ele, e seus esforços reunidos chegaram afinal a fechar a porta.

Mas a luzes não tornaram a se acender e os Magos foram mergulhados na mais profunda treva. Então eles se reuniram à voz de seu Mestre. Este lhes disse: “Ai, este acontecimento terrível era de se prever. Estava escrito que cometeríeis essa imprudência. Eis-nos agora em grande perigo nestes lugares subterrâneos ignorados pelos homens. Tentemos, contudo, sair daqui, atravessar as oito abóbadas e chegar ao poço pelo qual descemos. Daremos as mãos uns aos outros e caminharemos até encontrar a porta de saída. Recomeçaremos em todas as salas até o pé da escada de vinte e quatro degraus. Esperemos chegar até lá”.

Assim fizeram. Passaram horas de angústias, mas não se desesperaram. Chegaram até o pé da escada de vinte e quatro degraus. Subiram, contando 9, 7, 5, 3, e se viram de novo no fundo do poço. Era meia-noite, as estrelas brilhavam no firmamento; a corda feita de cintos pendia lá ainda.

Antes de deixar que seus Companheiros subissem, o Mestre mostrou-lhas o círculo: recortado no céu pela boca do poço e lhes disse: “Os dez círculos que vimos ao descer representam também as abóbadas ou arcos da escadaria; o último corresponde ao número onze, aquele de onde soprou o vento do desastre: é o céu infinito, com luminárias fora de nosso alcance que o povoam”.

Os três Iniciados voltaram ao recinto do Templo em ruínas; rolaram de novo o fuste de coluna sem perceber nele a palavra “Boaz”; desamarraram seus cintos, cingiram-nos, montaram em seus camelos; depois, sem trocar uma só palavra, mergulhados em profunda meditação sob o céu estrelado, no meio do silêncio noturno, afastaram-se ao passo lento de seus camelos na direção de Babilônia.



(Bibliografia: “A SIMBÓLICA MAÇÔNICA”, Jules Boucher – 1984).

BRINCANDO COM A HISTÓRIA DA MATEMÁTICA



Segundo dizem, um dia será possível viajar através do tempo. Bastará, para isso, que encontremos umadobra do espaço-tempo e nos introduzamos nela. O bem-humorado matemático inglês, contemporâneo de Ian Stewart, em um dos seus muitos livros insinua ter uma dessas no fundo do quintal, atrás de uma framboeseira e, não raro, viaja através dela pela história da Matemática. Ao vê-lo falar com tanta desenvoltura sobre a terra do “faz-de-conta”, não resisti: lembrei-me dos meus anos de criança quando andar no tempo era tão natural como viver e, tal como bolso de calças curtas de menino feliz, onde se encontra de tudo: pião, bola de gude, soldadinho de chumbo e, é claro, uma “dobra do espaço-tempo”, preparei um recheado caderno de perguntas e lá fui eu para minha primeira visita aos meus matemáticos preferidos. Quando andava lá pelos séculos V-VI a. C., encontrei Pitágoras, filósofo grego que teria emigrado para a Sicília, para ali fundar uma espécie de Ordem (escola) filosófica e política. Alguns dos seus discípulos, os “matemáticos”, estabeleceram numerosos teoremas, postos em ordem por Euclides por volta do séc. III a. C. Ele andava preocupado com o novo piso da escola dos “pitagóricos” (foi assim que ficaram conhecidos seus alunos e seguidores). Havia internamente uma praça triangular, com um dos seus ângulos reto, assim:

ângulo reto

Em cada um dos seus lados foi construída uma sala quadrada, assim:



E o problema enfrentado por ele correspondia a ladrilhar o piso das três salas e perceber que a quantidade de ladrilhos da sala I correspondia à soma dos ladrilhos das salas II e III.

Por certo, ele considerou-me um maluco quando contei que viajei por quase 26 séculos através do tempo para visitá-lo, mas ficou mesmo estarrecido quando eu disse que esse tal problema chegaria até os nossos dias e seria conhecido por “teorema de Pitágoras”. Ele riu muito e a seguir brincou com o nosso modo de formar historiadores das ciências pois, segundo ele, a relação entre os lados de um triângulo retângulo, e que leva o seu nome, já era conhecida dos babilônicos e dos egípcios há pelo menos 4 séculos.

Diante de tal crítica, passei às suas mãos o meu caderno de anotações e ele admirou-se daquele instrumento tão formidável para guardar e recuperar informações. Não resisti e falei-lhe sobre os nossos computadores e nossas enciclopédias em multimídia; porém, quando o observei bem, ele estava com um sorriso nos lábios. Nada disse, mas tive a nítida sensação de que pensava algo assim: Com esses instrumentos tão poderosos, talvez façam besteiras ainda maiores! – E se de fato pensou, acho que acertou.

Enquanto eu andava pensando na musicalidade, filosofia e sabedoria que aquele homem representa e por quantos séculos seu nome seria ainda repetido e cultuado, ele aproximou-se de mim, brandindo o meu caderno de notas, e disse:

- Eureka! Eureka! (opa – pensei – isto me faz lembrar de Arquimedes). Ele continuou: - Olha o que eu encontrei! – Pude ver que ele estava com a página sobre Diofanto (matemático grego da escola de Alexandria, que viveu de 325 d.C até 410 d.C., cuja obra, parcialmente conhecida, influenciou os árabes e depois os geômetras da Renascença).

- Veja - disse-me ele - esse jovem (Diophantos, em grego) tentou e conseguiu construir modos para encontrar soluções para a (corou um instante, e prosseguiu) minha relação e também para várias outras, com a condição de que sejam todas números inteiros.

- Ah! - disse eu - mais tarde essas equações serão chamadas de diofantinas (em homenagem a Diofanto) e terão grande aplicação num ramo da Matemática que será conhecido por Teoria dos Números.

- Ora – disse ele – mas isto é como encontrar tamanhos de ladrilhos que devam ser usados sem recortes, isto é, inteiros!

Pensei: acho que a sabedoria é enxergar o lado singelo, romântico, e às vezes ingênuo das coisas. Não é à toa que este homem vai influenciar o homem comum, como os jardineiros e os tocadores de flauta e, curiosamente, também os cientistas, os músicos, os arquitetos e por muito, muito tempo!

Achei uma beleza aquela dica e fui tratando de preparar-me para, voltando à dobra do espaço-tempo, ir ter com Diofanto, e antes, como para provocar o agora meu amigo Pitágoras, contei-lhe que, quase 14 séculos depois de Diofanto, alguém chamado Pierre de Fermat leria o livro Arithmética e, às margens daquele exemplar, faria uma conjectura que iria ainda alimentar o imaginário dos poetas, dos loucos e dos matemáticos de quase 4 séculos. Mas isto é uma outra história que eu vou contar uma outra vez. Houve ainda tempo para que o sábio me pedisse um problema diofantino para ele propor aos seus discípulos. Lembrei-me de um que aparece num livro de Martin Gardner e que, segundo o meu critério, tem a cara do nosso Almanaque, e assim passei a ele com a esperança de que nossos leitores também o resolvam:

Quantos são os animais que tenho, uma vez que são todos cães, exceto dois; também são todos peixes, exceto dois; e igualmente são todos papagaios, exceto dois ?

Enquanto regressava pela dobra do espaço-tempo, pensava que os alunos do mestre Pitágoras iriam resolver esse problema tanto como os nossos leitores, exercitando, porém, mais e melhor o raciocínio, pois naquela época a cabeça dos jovens ainda não havia sido algebrizada!

Ah, em tempo: tente resolver sem usar x, y, z, ou qualquer outra letra e, se não conseguir, faça como puder ou veja a solução a seguir.

Solução:

Existem três espécies de animais no total (cães, peixes e papagaios), e como são todos cães exceto dois, então nesses dois estão todos os peixes e todos os papagaios; logo há um peixe e um papagaio. Se do mesmo modo tomarmos quaisquer das outras hipóteses, veremos que também há um cão somente; logo, o total de animais é três e há um de cada espécie

O SIGNIFICADO ESOTÉRICO DA LENDA HIRAMÍTICA



Segundo o mestre historiador Rizzardo da Caminho, em sua obra “Catecismo Maçônico”, que recomendo, absorvemos os seguintes ensinamentos sobre o tema em questão:

“A busca da Palavra Perdida criou a Liturgia; os Maçons vêem no ato o seu Grande Trabalho. O primeiro passo que é dado diz respeito à meditação profunda que o Rito orienta, e que o Grau de Mestre se fixa nos Cinco Pontos.

Adentrando na alegoria da lenda iremos nos encontrar em plena função, em uma Câmara do Meio onde se desenvolve, no luto e na consternação, o trabalho maçônico, conseqüências do assassinato de Hiram; a história cede lugar aosimbolismo.

No Rito, Hiram se identifica como sendo o Mestre Perfeito, e na lenda ele personifica a própria Tradição Maçônica.

Nos três Companheiros trucidadores vemos o tríplice flagelo da ignorância, do fanatismo e da ambição.

A Lenda restringe a três o número dos malfeitores; não devemos, porém, ignorar que cada um deles personifica um “estado de espírito”, muito presente em nossos dias.

A Tradição Maçônica encontra-se em constante perigo, porque, se justiçados os três maus Companheiros, desaparecem, apenas, seus sentidos materialistas, mas os efeitos perduram. Sabemos que em cada um de nós há traços indeléveis desses assassinos.

No conjunto sempre crescente de Maçons, há aqueles que não compreendem que, da Iniciação, surgiram obrigações a cumprir.

Maçons que tiveram as suas arestas atingidas e caídas do bloco, mas que, “juntaram-nas” e as guardam como relíquias, não querem se desfazer desses supérfluos. São os aproveitadores, os ambiciosos, os portadores dos mesmos defeitos encontrados nos Companheiros Jubelos.

São os caçadores de Graus.

Uma vez que não se tem mais fé na Tradição, essa desvanece e tem vida transitória; é o braseiro cujas brasas estão cobertas e quando o sopro vital vem. Quando surge é tarde, porque só restam cinzas.

A Maçonaria não morre, porque é uma Instituição que tem o poder de resistir, porque o seu trabalho se dirige ao aperfeiçoamento do homem; é um trabalho autorizado por Deus, e Ele o protege.

Os seus inimigos não se encontram fora da Instituição; os pequenos temporais são previstos e a Instituição encontra o caminho da resistência e planifica a vitória; mas as infiltrações, aquelas que trazem consigo os “vírus”, as “infecções”, os “nocivos”, esses continuam sendo o espírito negativo dos maus Companheiros.

A Igreja, em tempos passados, desejou destruir a Maçonaria como fez com a Ordem dos Templários. Havia um inimigo visível, muito diferente daqueles três maus Companheiros.

Hoje, nas portas principais do Templo, estão os “terroristas” da Instituição, prontos a golpear.

A Maçonaria não faz mistério quanto ao perigo interno que ameaça não só a si, mas a toda a Humanidade, porque os Jubelos trazem consigo o germe da morte e da decomposição.

Os inimigos externos, talvez, possam obstaculizar ou paralisar as atividades maçônicas, mas não matam. O inimigo interno atua como uma enfermidade: mina a saúde e arrasta ao túmulo.

Não devemos esquecer que os três Companheiros foram bons Aprendizes, que colaboraram com eficiência na construção do Templo, que estavam prestes a alcançar o mestrado!

Os Jubelos podem ser considerados inimigos impessoais, que não se dirigiram exclusivamente contra Hiram, mas contra a Humanidade e que a finalidade da Maçonaria é, justamente preservar essa Humanidade da qual todos fazemos parte.

Mas antes de dirigirmos os nossos olhares para fora da Instituição, cumpre sanear as nossas próprias searas, combatendo a praga perigosa, curar a nós próprios, buscando cada um encontrar dentro de si o mau Companheiro, para eliminá-lo.

Os germes proliferam, quando encontram ambiente propício, assim é, na Maçonaria; quando surgem os períodos críticos, os maus Maçons proliferam; os dirigentes, os Mestres cônscios de sua responsabilidade, devem prevenir, na fase crítica, a tomada pelos germes do campo e, rapidamente, introduzir o medicamento apropriado.

Essas crises periódicas coincidem com a crise social e econômica de um país; assim, quando externamente aparecem os sintomas, fácil será planejar para que os germes não ingressem no Templo.

O trabalho maçônico seria de grande utilidade e poderia influenciar nesses períodos críticos, se os Maçons fossem todos instruídos, tolerantes, desinteressados; a influência moral, o exemplo, seriam fatores irresistíveis para contornar a ação dos maus.

Embora os assassinos de Hiram tenham surgido de dentro da Instituição, sem dúvida, receberam a influência negativa de seu meio ambiente externo.

Não basta uma ação higiênica, mas sim uma profilaxia enérgica, constante e sempre presente para que haja uma real e necessária “imunização”. Sim, o Maçom deveria estar imune às crises periódicas.

Os assassinos de Hiram foram três, porém esse número é simbólico, pois, antes de terem sido eliminados, proliferaram junto àqueles que lhes deram abrigo e proteção. Hoje são em número incontável. São os que desconhecem a Maçonaria a quem criticam e censuram, invocando a necessidade de uma “modernização” para ajustarem-se aos tempos modernos de tecnologia e progresso social.

Em nome do progresso, procuram destruir tudo o que seja tradição; aplicam o primeiro golpe com a Régua sobre o ombro de Hiram, paralisando seu braço direito e impedindo-o de uma reação defensiva.

É a “simplificação”, o intuito de “tirar uma pretensa monotonia” e de simplificar o Ritual com atos de liturgia “desnecessária”. A conservação íntegra do Ritual é a garantia da sobrevivência; perdida a tradição, torna-se presa fácil dos assassinos.

São os Maçons “donos da verdade” que obstaculizam aqueles que não seguem a sua vontade; são os infalíveis e criadores de dogmas sem poderem apresentar a origem de suas idéias, fruto de intolerância.

Os maus nem sempre são os piores! Podem ser os ex-dirigentes que, vencidos em um pleito, para se manterem perpetuamente, no poder, transformam-se em desagregadores. São os que dão o segundo golpe em Hiram, agora com o Esquadro e sobre o coração.

Golpeado com a Régua e com o Esquadro, evidentemente, Hiram vacila, cambaleia, enfraquece e se torna presa fácil.

Assim débil, quem aplicará o golpe final será um membro dos mais modestos, que sozinho não teria capacidade de destruição.

É o golpe mortal. Vemos, então, uma Loja Abater Colunas, exigindo grande esforço para reerguê-las. Freqüentemente, apesar de não ser regra geral, os maus juntam-se e fundam uma nova Loja!

Aparentemente, o trabalho é elogiado, mas ninguém se dá conta de que é obra de dissensão, dissidência, e quem sofre é a própria Instituição. Ao invés de uma Loja pujante, surgem várias cambaleantes e inexpressivas; fáceis, porém, de serem tomadas de assalto por aqueles que foram os inspiradores, permanecendo ocultos, mas ativos.

A Maçonaria, nas mãos desses, é desviada de seus elevados fins; Hiram morre; a tradição se apaga; a Palavra está perdida; o maçonismo perece. O seu cadáver putrefica-se.

Os verdadeiros discípulos choram, se reúnem, providenciam as exéquias, descobrem os assassinos, punem-nos e por serem verdadeiros iniciados, os verdadeiros operários, buscam a ressurreição de Hiram, e, rejuvenescidos, reiniciam o trabalho.

Para a ressurreição, se faz necessário reconstruir a tradição; juntar os membros dispersos do cadáver para a recomposição.

A iniciação é reexaminada em todos os seus aspectos e é adequada aos tempos atuais, à personalidade dos remanescentes e dos novos; retiram-se dela os vícios e as falhas; a substância da regeneração é alimentada; evolui, fermenta e cresce com toda a pureza da matriz.

Eis o porquê das viagens dos Maçons remanescentes, para todas as direções, com a finalidade de encontrar os restos de Hiram.

A dificuldade inicial encontra oposição na busca, porque o primeiro túmulo que os assassinos, provisoriamente, criaram foi sob os escombros da construção; sob os materiais imprestáveis, onde ninguém suspeitaria que pudessem abrigar o Mestre.

Esse primeiro túmulo não é descoberto e os próprios assassinos exumam o cadáver e na calada da noite o conduzem para a alta montanha; cavam uma nova cova profunda; despem Hiram e o soterram entregando o pó ao pó, a terra à terra e as cinzas às cinzas. Marcam o local com um ramo de Acácia.

É a primeira manifestação do arrependimento tardio. A homenagem à sua indefesa Vítima.

Escolhem uma planta que não apodrece, cuja resina conservará o lenho, num confronto com a matéria que se putrefará.

É o dualismo e o resultado das lições que o próprio Mestre lhes havia ministrado.

E são os assassinos que transformam a Acácia em um símbolo, numa comprovação de que do mal pode surgir o bem;as raízes eram boas, mas a insatisfação, a pressa, a ambição sufocam a bondade.

A lenda apresenta um fato curioso: não há lugar para o perdão aos assassinos!

É uma situação muito triste, mas real. Mais tarde, o Nazareno, já crucificado, diria contra os seus algozes: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Mas os assassinos tinham sido iniciados; tinham passado pelo Aprendizado, conheciam a Régua das 24 Polegadas e o Esquadro; não podiam repudiar o convívio com os Irmãos. O castigo, embora escolhido por eles próprios, foi incisivo; a Justiça de Salomão era diferente de justiça do Cristo.

O Rito Escocês Antigo e Aceito comporta as duas Justiças: a Salomônica e a Cristã. Como devemos agir com os assassinos? Esses que ressurgem como as cabeças da mitológica Hidra?

Ao ser colocado o ramo de Acácia, os assassinos quiseram simbolizar que Hiram jamais morreria.

O cadáver é encontrado, recomposto e conduzido, novamente, ao Templo para ser, carinhosamente, colocado em um local sagrado; não mais sob os escombros, mas em local de honra e glória.

Embora essa glória não tenha sido permanente; eis que Nabucodonosor destrói o Templo, não deixando pedra sobre pedra. Mas... Hiram ressuscita; apenas seu corpo putrefato foi deposto. Porém, Hiram não ressuscita por si só; não responde ao primeiro chamado feito à vitalidade que poderia ter conservado, a força que “Boaz” simboliza.

Em vão tenta-se acordá-lo com o estímulo de um ardor amoroso, “Jaquim”.

A sua vida anterior não revive; é preciso dar-lhe um novo alento: o sopro do ideal que provém da Iniciação. É o símbolo da “Cadeia Regeneradora”; aqueles que a formam não ficam apenas na contemplação; reúnem forças, amor e com os mais fervorosos ideais espargem energia psíquica, espiritual e física que reanimam o cadáver, que é erguido e se liga aos cinco pontos do Mestrado. É o resultado do culto do trabalho, dos esforços, da reciprocidade, enfim, da fraternidade.

Nem todos, porém, podem unir-se ao cadáver pelos cinco pontos; um só é destinado àquela missão; é um trabalho de um só, mas sob os fluidos de todos; é a soma das forças. O escolhido é o sábio Mestre remanescente.

Mas, a Palavra continua perdida e urge encontrar uma substituta e essa é composta, tornando-se um grande símbolo.

“A carne se desprende dos ossos”. Não há a compressão das células; cessou a força centrípeta.

Os ossos, por sua composição química, são imputrescíveis; o cálcio é um mineral que se eterniza; a carne é volátil; é o espírito que se afasta da matéria, e a única forma de reuni-los é usar a Palavra Sagrada; se a original se perdeu, uma nova surge. Sempre surge um novo meio quando houver a necessidade de uma união!

O segredo de tudo (maçônico) é, sempre, buscar e encontrar um meio de unir, pois, para a desunião, sobram meios!

A Palavra Perdida, ao final, será encontrada; o Rito é sábio e dá a Palavra Perdida como prêmio àqueles que perseveram até o fim.

A ressurreição é um mito antigo; vamos encontrá-lo nos mistérios Védicos, quando o Ser Supremo imola a si mesmo para produzir tudo o que existe; vamos encontrá-lo em Hermes, em Orfeu, em Osíris e, finalmente, em Cristo.

O renascimento é produzido ao ar livre; nos lugares mais elevados, em contato com a Natureza, porém, é consagrado em Templo.

Nós somos Túmulo e Templo. Hiram apodrece em nós e ressurge em nós. Dentro de nosso Templo Espiritual, temos, maçonicamente, a presença permanente de Hiram.

Espiritualmente, temos o Cristo em nós. Somos, sempre, uma “morada”.

A diferença do conteúdo está no continente: ou temos Hiram dentro de nós, no Túmulo, ou dentro de nós, no Templo.

É preferível tê-lo no Templo!

Os Maçons que não se instruem o têm no Túmulo.

E cada vez mais apodrecido!

Isso reflete em seu comportamento.

Há uma simbiose de Maçonaria e Igreja.

Socialmente temos, como cristãos, em nosso Templo, o Cristo, com as conseqüências litúrgicas religiosas.

Maçonicamente, temos Hiram em nosso Templo.

O Templo é suficientemente amplo para conter os dois símbolos, compatível isso, com o dualismo das coisas.

Como Igreja, aspiramos ao Reino de Deus na Terra; como Maçonaria, à Fraternidade Universal.

Ambos, com sólido fundamento: o Amor fraterno!

Esse amor, felizmente, perdura!”.



Fonte: A obra acima citada.