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A Câmara de Reflexão
V.’. M.’., Ir.’. 1.º Vig.’., Ir.’. 2.º Vig.’., demais IIr.’.:
Antes de sua iniciação, o profano é introduzido no Gabinete de Reflexão ou Câmara de Reflexão. Preliminarmente, cabe esclarecer que este é o nome correto, devendo-se evitar chamá-la de Câmara de “Reflexões”, que parece mais adequado a uma câmara forrada de espelhos e reflexos. O Gabinete de Reflexão é um pequeno reduto, pintado interiormente de preto, no qual são colocados ossos, um crânio humano, uma pequena mesa, um banquinho, ou um tamborete e uma escrivaninha; sobre a mesa, pão, uma bilha d’água, uma taça de sal e uma contendo enxofre. Nas paredes figuram sentenças como estas: “Se a curiosidade te trouxe, vai embora!” – “Se tua alma sentiu medo, não vás adiante!” – “Se perseverares, serás purificado pelos Elementos, sairás do abismo das Trevas, verás a Luz!”.
Desenhos simbólicos ornam as paredes; um galo encimando uma bandeirola com as palavras “Vigilância e Perseverança”, uma foice ou alfanje, uma ampulheta, a palavra “Vitriol” ou “Vitriolum”. A iluminação é escassa, fornecida por uma lanterna ou por um archote.
É nesse “calabouço” que o profano deve responder por escrito às perguntas que lhe serão feitas e redigir seu “testamento”.
No Rito de York a Câmara de Reflexão é muito simples, contendo apenas material de escrita, uma campainha, um crânio humano e as frases de advertência.
No Rito Escocês Antigo e Aceito ela é bastante complexa, contendo, além do material de escrita e do foco de luz, uma ampulheta, um esqueleto humano ou pelo menos um crânio, um pedaço de pão de trigo, uma jarra de água, os três elementos necessários à Grande Obra da Alquimia, sal, enxofre e mercúrio, a pintura de um galo no ato de cantar, despertando, duas taças, sendo uma com um liquido doce e outra com um amargo, símbolos dos opostos, na vida humana: o bem e o mal, o vício e a virtude, a boa e a má sorte, o espírito e a matéria, etc...; o tradicional, no Rito, é que os dois líquidos estejam na Câmara e não fazendo parte da “Prova da Taça Sagrada” que é pratica do Rito Adoniramita; além das frases de advertência.
No Rito Schroeder ou Alemão, que trabalha apenas nos três primeiros graus, como o de York, o candidato passa por duas salas: a Sala de Preparação, onde é introduzido por seu padrinho sem paramentos, contendo apenas material de escrita, uma campainha, um crânio e as frases de advertência. A outra câmara é escura, onde o candidato é colocado após responder oralmente algumas perguntas, feitas pelo Irmão Preparador acompanhado pelo membro mais novo da Loja. Nessa câmara mal iluminada o candidato preenche, a sós, o questionário que lhe foi entregue.
No Rito Moderno, ou Francês, a câmara é mais simples, contendo uma cadeira, uma mesa, sobre esta um foco de luz, material de escrita, um crânio humano, uma ampulheta e uma campainha, que o candidato tocará quando terminar de preencher os papéis necessários, além de frases de advertência.
No Rito Adoniramita, ela é complexa como no Rito Escocês: sobre a mesa, além de um foco de luz e do material de escrita, há uma crânio humano, uma jarra d’água, um pedaço de pão, sal, enxofre e mercúrio, e nas paredes, além das frases de advertência, há a figura de um galo cantando.
No Rito Brasileiro a câmara contém além do foco de luz, do material de escrita e da campainha, um crânio ou um esqueleto completo, uma ampulheta e a representação de um galo na parede, além de frases de advertência. A palavra Vitriol é considerada dispensável, assim como no Rito Escocês, por ser considerada uma adição de hermetistas ( do culto a Hermes )
Cada um dos símbolos tem, em particular, um significado esotérico, sendo o período em que o candidato permanece na Câmara de Reflexão repleto da mais profunda significação, pelo seu caráter propiciatório, alquimico, iniciático, onde o profano deve realmente refletir sobre o abandono de uma vida, acordando para uma nova realidade.
O Pão e a Bilha D’água parecem comparar o Gabinete com um “in-pace” ( em paz ), local de retiro, onde o profano deve se recolher, mas é também a imagem do Ovo no qual o germe se desenvolve e, por conseqüência, o Pão e a Água são os emblemas da simplicidade que deverá orientar a vida do futuro iniciado; enfim, o Pão é feito de trigo, cujo simbolismo está intimamente ligado ao de Ísis e de Deméter e que, em muitas religiões, representou e ainda representa a própria carne do Deus sacrificado. O Pão e Água simbolizam os alimentos do corpo e do espirito, necessários ao homem. e constituem a reserva alimentar do germe ainda em desenvolvimento. Nas Escrituras, o profeta Elias, adormecido sob uma árvore, é desperto por um anjo, de quem recebe Pão e Água, antes de subir ao monte Oreb. O profano também recebe, simbolicamente, as forças que lhe serão necessárias para suportar as provas a que será submetido.
Os três princípios herméticos figuram na Câmara de Reflexão, representados pelo Enxofre, símbolo do Espírito, e o Sal, símbolo da Sabedoria e da Ciência, cada um numa Taça. O mercúrio, atributo próprio de Hermes, é também representado pelo Galo, símbolo da ousadia e da vigilância, que anuncia o nascer do dia, portanto, reverenciando o Sol nascendo no Oriente. Costume generalizado na Idade Média, o Galo era colocado no ponto mais alto das igrejas, sobre a cruz mais alta, ora por representar Pedro e a Penitencia, ora representando o costume das primeiras assembléias reunirem-se ao primeiro cantar do Galo. Em terceiro lugar, ele recomenda a vigilância aos leigos. Na maçonaria, o Galo anuncia a Luz que o Recipiendário vai receber.
A bandeirola com as pontas enroladas, com uma inscrição ou lema é um “filactério”, aparecendo desde a antigüidade a marcar um pensamento em estatuas ou fachadas e pedestais. As duas palavras “vigilância e perseverança” exprimem a idéia de “velar severamente” e indicam ao futuro maçom que desde agora ele deve ser atento e perscrutar os diversos significados que os símbolos podem oferecer, mas cujo entendimento ele só conseguirá por inteiro com uma paciente perseverança.
Os Ossos, a Caveira, a Foice e a Ampulheta são emblemas dos monges Trapistas, referem-se a Saturno e por isso ao chumbo e são todos emblemas da morte do profano que vai renascer para a vida espiritual, transmutando o chumbo em ouro. Não se trata de assustar o candidato, mas de prepará-lo a se despojar do velho homem, preparando-se para um novo nascimento. Quando ele sair desse “túmulo” que representa a putrefação alquimica, estará apto a começar um ciclo de transmutações.
As letras da palavra VITRIOL, usada como uma das divisas dos antigos Rosa-Cruzes, significam, na grafia original em latim “Visita o interior da Terra e, retificando, encontrarás a Pedra Oculta” (Visita Interiora Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem). Trata-se de um convite à procura do eu mais profundo, da própria alma humana, no silêncio e na meditação.
Todo o simbolismo do Gabinete de Reflexão está relacionado com o culto a Hermes, o culto solar, compreendendo a primeira fase da Grande Obra, a da putrefação, representada por “Ovo Filosofal” ou pelo casulo contendo uma crisálida em transformação.
Nesse ambiente são propostas as três perguntas, com múltiplos significados e conseqüências a serem observadas, mas que exigem basicamente do candidato para serem respondidas, simplicidade e sinceridade, condições primordiais para tornar válida sua Iniciação, despido dos artificialismos da sociedade profana.
O Testamento, conseqüência lógica deste processo simbólico de morte e renascimento, constitui na verdade o “Testamento filosófico” do profano prestes a nascer para uma nova vida.
Ao sair da Câmara de Reflexão, continuando o processo de transmutação, o iniciando é despojado de “seus metais”, entregando tudo o que possui sobre si, como dinheiro, jóias ou objetos metálicos, simbolizando o abandono ao apego às idéias preconcebidas, a renuncia aos bens materiais, o domínio das paixões, dos sentimentos de posse, poder e vaidade. Do candidato são retiradas suas “armas”, incluindo a arma maior representada pelo dinheiro enquanto “corruptor das consciências”.
A seguir, o candidato é despojado de parte de suas roupas, permanecendo “ nem nu, nem vestido”, com o coração descoberto, estando então finalmente preparado para entrar no Templo. Este despojamento que na Iniciação é imposto ao candidato, deve tornar-se voluntário e habitual aos Maçons, antes de entrarem no Templo
Or.’. de São Sebastião – SP, 22 de novembro de 1999, E.’. V.’.
Ir.’. José Henrique Lobo de Siqueira, M.’. M.’.
Cadeia de União
O Termo Cadeia de União só se tornou conhecido internacionalmente após a fundação do Escritório Universal da Maçonaria, escritório este que inicialmente era uma entidade privada do Irmão Eduard Quartier La Tenti, Grão_mestre suíço em 1902.
O termo cadeia e prisão são sinônimos e portanto "Cadeia de União" quer dizer "prisioneiros de um amor fraterno universal", lembrando que os maçons encontram-se presos aos seus Irmãos na solidariedade do bem comum e do crescimento espiritual. Quando da formação da Cadeia de União, o contato mental é instantâneo, o que quer dizer, nenhum "elo" permanecerá isolado e fora do todo, tendo esta formação mental e a Palavra Semestral o dom mágico de unir elos esparsos. A palavra união encontra o seu sentido no Salmo 133: Oh! Quão bom e quão suave é que os Irmãos vivam em união.
Na era nuclear em que vivemos fica claro que uma série de átomos ligados entre si formam uma cadeia. Dentro de nossa Ordem, a Maçonaria representa esse átomo e os maçons a cadeia de elementos, formando um só símbolo "O Homem Universal". Os elos da Cadeia de União são os mesmos de uma cadeia comum mental, isto é, os elos interligados entre si embora individualmente soltos, procedendo como os elementos do próprio átomo que conservam sua individualidade e personalidade, mas, quando em cadeia estão unidos sem estarem soldados entre si.
O objetivo primário da Maçonaria é unir os Irmãos de tal forma que possam parecer um só corpo, uma só vontade, um só espírito, formando um Templo coeso, compacto, uma massa só, de partes teregogêneas formando um todo, uma só instituição. Deste modo não diminui nem absorve personalidades isoladas, como o Universo que também subsiste como um todo, tem perfeitamente individualizado cada átomo, cada parte de que é composto. Os maçons, portanto, quando estão unidos pela Cadeia de União, não estão absorvidos nem diluídos, mas ligados através da soma das forças físicas e mentais, existindo individualmente no todo.
O corpo humano através de seu sistema nervoso registra excitações que vêm do mundo externo e seus órgãos e músculos dão a estes estímulos as repostas apropriadas. Por isso tem o homem grande capacidade receptiva e esta só existe desde que ao seu lado exista um corpo doado, pois não existe receptividade sem que haja doação. A união destas duas "forças" completam o ciclo da natureza durante a Cadeia de União, onde as trocas são realizadas através dos nervos periféricos, também chamados de nervos sensitivos, que ao receberem as mensagens pela superfície do corpo e dos órgãos dos sentidos são enviadas para os demais órgãos pelo sistema simpático. é desta forma que os Irmãos quando unidos pelo corpo em "CAdeia", coloca-se submetidos a uma constante troca de excitações provocadas pelo toques mentais que as células nervosas têm condições de captar. Como podemos ver, recepções e doações de energia não passam de simples permuta, havendo, após determinado lapso de tempo, perfeito equilíbrio onde ninguém mais terá a dar ou receber. Haverá neste instante uma só identidade que denominamos de a "Vida em União", que pode ser compreendido com exatidão na palavra do Divino Mestre: "Eu e o Pai somos um". As permutas não são meramente psicológicas mas de conteúdo físico, pois a "energia" que se desprende de um pode passar para outro e vice-versa, como verdadeira corrente.
Portanto, formar a Cadeia de União apenas semestralmente com a finalidade de transmitir a Palavra Semestral, seria proporcionar aos membros de uma Loja escassa atividade espiritual.
Ir Francisco Alberto Matias
Loja Acácia de Taboão da Serra 309
Taboão da Serra-SP
1ª instrução do Aprendiz
O trabalho do aprendiz
• Bat.•. do gr.•.
• mar.•. do ap.•.
• 1º inimigo: a hipocrisia
• progresso maçônico
• espirito maçónico
• P.•. B.•.
• o ideal iniciático
Participantes do diálogo
• Venerável
• P. Vigilante
• S. Vigilante
• Orador
V.•.M.•.
- IIr.•. Vvig.•. e demais MM.•. Mm.•. que aqui fazeis brilhar as vossas luzes, associai-vos a mim para darmos aos AAp.•. a primeira instrução, ensinando-os a trabalhar na P.•. B.•.
- Ir.•. M.•. CCer.•., conduzi os A.Apr.•. ao Ir.•. 1º Vig.•. para que aprendam a trabalhar na P.•. B.•.
(o Ir.•. M.•. CCer.•. convida os aprendizes e os leva até o 1º Vig.•. que os faz praticar a Bat.•. do Gr.•. e a marc.•. do aprendiz. Em seguida, manda-os ajoelhar-se com o joelho esquerdo e trabalhar na P.•. B.•., após o que , serão levados pelo M.•. CCer.•. ao seu lugar).
(Obs.: As movimentações em loja de instrução não apresentam conotação ritualística, mas instrucional)
V.•. M.•.
- Ir.•. 1º Vig.•., o que significa a bat.•. do gr.•.?
1º Vig.•.
- É o sinal que informa ao cobridor a presença de um maçom regular devidamente preparado e desejoso de participar dos trabalhos da loja. É um importante elo de integração da maçonaria universal, pois, através deste sin.•. realiza-se o tradicional direito sagrado de visitação, por toda a face da terra. A sua aplicação à por.•. do T. exigirá da loja uma resposta e uma atenção fraterna, porquanto o sinal evoca a promessa contida no L.•. da L.•., que diz "buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; pedis e recebereis".
V.•. M.•.
- O que simboliza a mar.•. de ap.•.?
- Simboliza os estágios necessários de preparação e progresso visando o acesso à luz e à compreensão de sua verdade, O avanço do p.•.e.•. acompanhado do imediato avanço do p.•.d.•., em esquadria com o primeiro, simboliza o caráter especulativo-operativo que deve assumir a busca da verdade e do auto aperfeiçoamento.
V.•.M.•.
- Queira precisar-nos este caráter "especulativo-operativo".
- Devido à finalidade da instrução maçônica, o progresso de cada iniciado deverá ser eminentemente aplicativo. A cada descoberta ou compreensão da verdade deverá corresponder o esforço de sua aplicação prática. Somente após a avaliação dos resultados operativos de sua primeira compreensão, poderá o iniciado proceder a um novo esforço especulativo em sua caminhada.
V.•. M.•.
- Ir.•. Orador, queira dar-nos a conotação moral desta verdade.
Orador:
- Especulação sem operação é inócua e. portanto, conflitante com a missão maçônica. A operação sem base na especulação torna-se desastrosa, desordenada, sem rumo. No primeiro caso, a reflexão é improdutiva; no segundo, o trabalho é ineficaz, não produz o bem. O vácuo entre a especulação e a operação na busca individual ou coletiva da verdade, constitui espaço fértil onde medra a hipocrisia.
V.•. M.•.
- Ir 1º Vig.•., Quais são os ensinamentos desta simbologia?
- A hipocrisia é o descompasso entre aquilo que se conhece e aquilo que se pratica; entre a virtude que se apregoa e aquilo que se vivencia. Constitui a poderosa arma com que os inimigos da humanidade a enganam. Mas, a principal luta do maçom é contra si mesmo, buscando antes de tudo, "ser" e não "parecer" virtuoso. O maçom que aprende a essência do dever e apesar disso não a pratica no cotidiano de suas ações, e um hipócrita, inimigo de si próprio e desarmonizado com o princípio do bem.
V.•. M.•.
- A marcha do aprendiz em t.•. pp.•. subsequente teria algum significado simbólico?
1º Vig.•.
- Tem um significado de real importância para o entendimento do método maçônico de instrução simbólica. O primeiro p.•. do ap.•. simboliza aquele estado de consciência que caracteriza o iniciando e já o diferencia do profano: a consciência intuitiva da existência da luz; a consciência de ainda não a possuir, e finalmente, o desejo veemente de recebê-la. Nesta interpretação, representa o desabrochar do primeiro atributo do espírito maçônico - o espírito de busca. Representa, também, o primeiro estágio do progresso iniciático - o progresso moral.
O segundo p.•. da mar.•. do Ap.•. simboliza a dedicação à causa, a perseverança no trabalho aplicativo materializador de todo ideal acalentado em função do progresso alcançado no estágio anterior: aperfeiçoamento na arte de manejar o cinzel da razão e o maço da vontade.
Tais conquistas interiores condicionam o desabrochar do segundo atributo do espirito maçônico - o espirito de luta. Representa, também, o desabrochar do segundo estágio do progresso iniciático - o progresso intelectual.
O terceiro p.•. da mar.•. simboliza a consciência do ideal coletivo, a sua identificação com o ideal iniciático de cada obreiro. É o desabrochar da sensibilidade esotérica que descobre o sentido do eterno e do infinito, assim como os mistérios que unem os maçons no seio da sublime instituição. É o desabrochar do terceiro atributo do espirito maçônico - o espirito fraterno. Representa, também, o terceiro e decisivo estágio do progresso maçônico - o progresso espiritual.
V.•. M.•.
- Ir.•. 1º Vig.•., o que mais nos ensina a mar.•. do Ap.•.?
- A alternância dos pp.•. e.•. e d.•. mostra, também, que o progresso maçônico se efetiva através da constante associação entre os vários aspectos que representam o auto-aperfeiçoamento do iniciado. Mostra que deve haver um crescimento associado e harmonizado entre: conhecimento e sentimento; busca da verdade e prática da virtude.
V.•. M.•.
- Ir.•., o que significa a P.•. B.•.?
1º Vig.•.
- É o emblema do aprendiz. Representa a sua imperfeição inicial manifestada pelas reentrâncias das virtudes não desabrochadas; pelas deformações da educação defeituosa; pelas protuberâncias dos vícios acumulados e pelo desalinhamento das paixões e dos conflitos.
V.•. M.•.
- Ir.•. 2º Vig.•., como trabalhastes na P.•. B.•. ?
- De joelhos, com a perna direita formando uma esq.•.. Assim, especulei
cuidadosamente com o cinzel e, após estar certo de cada ponto a ser
trabalhado, acionei confiantemente o maço, p.•. tr.•. vv.•.
V.•. M.•.
- Ir.•. 1º Vig.•., o que representa o cinzel?
- É uma das "ferramentas" do aprendiz franco-maçom. Seu manejo só é aperfeiçoado em função do processo educativo maçônico. Representa a razão
V.•.M.•.
- Ir.•. 2º Vig.•. , o que representa o maço?
2º Vig.•.:
- É a outra ferramenta do aprendiz para o trabalho sobre a P.•. B.•., sob a orientação do cinzel.
Representa a vontade - força realizadora das decisões da razão.
V.•. M.•.
- Ir.•. 1º Vig.•., o que significa a perna direita em esq.•.?
- Representa o ideal iniciático. Aquela forma ideal que orienta o desbaste e motiva o obreiro para o trabalho sobre a P.•. B.•.. Representa, também a meta do aprendiz - a retidão moral, o que tenta alcançar transformando a P.•. B.•. P.•. P.•..
V.•. M.•.
• Ir 2º Vig.•., como devemos conceber o ideal iniciático?
2º Vjg.•.
- Pode ser definido como uma aspiração de se adquirir a ciência e a arte da vida como obreiro dedicado e com participação ativa na magna obra.
V.I.T.R.I.O.L.
As letras da palavra VITRIOL(O), era também atribuída como divisa dos antigos Rosa-Cruzes, e seu significado é:
VISITA INTERIORÆ TERRÆ, RECTIFICANDO INVENNIES OCCVLTVM LAPIDEM
VISITA O INTERIOR DA TERRA, RETIFICANDO (POLINDO, DESBASTANDO) ENCONTRARÁS A PEDRA OCULTA.
O plural de VITRIOL é VITRIOLVM, que leva a outro acróstico (VERVM MEDICINAM) remontando à verdade, a verdade absoluta.
Vitriol se trata de uma antiga fórmula alquímica e hermética, é um acróstico ( que é a composição poética que as letras iniciais, mediais ou finais de cada verso formam uma palavra ou frase) é um composto utilizado pelos alquimistas com designação atual a qualquer sulfato, especialmente o ácido sulfúrico que pelos alquimistas era utilizado como CATALISADOR (acelerador de uma reação química).
Trata-se de descobertas das forças maiores, de poderes do homem, chegando à percepção do EU real como matéria e como espírito. Este princípio nos leva a expressar os reflexos mais íntimos dos nossos pensamentos e das nossas atitudes sendo uma propriedade exclusiva do espírito onde a sua essência guia a razão, regulando as ações. É pela qual podemos através da união como um todo, sermos no mundo onde nos relacionamos melhores e verdadeiros.
Para se apreender a pensar e preciso exercitar . Tal processo antigamente era considerado como descer ao inferno (centro da terra), para nós maçons deve significar "conhecer a si mesmo" na razão da palavra, deve-se conhecer a sua essência mais íntima e será nessa escuridão interna que nascerá a luz tênue da nossa consciência.
Tudo na realidade pela minha percepção começou quando fui escolhido pelo meu padrinho que neste momento se mostra como um garimpeiro e retorna ao centro da terra me chamando para Maçonaria por ter a certeza de ter encontrado a pedra bruta ainda oculta que se transformará em cúbica quando terminar de ser lapidada. Ao ser escolhido sou sim levado a encontrar o meu próprio EU, onde deverei vencer minhas paixões, submeter minhas vontades, pois somente assim farei enormes progressos na procura do meu Eu da minha reforma íntima, olhando a minha auto-estima meus anseios, desejos e defeitos, fazendo enormes progressos no meu âmago e na maçonaria.
Esta viagem quando descemos ao centro da terra e somos levados ao nosso eu interior, nada mais é do que permitir ao profano poder codificar tudo novamente o que somos e para que servimos, onde estamos e no que ajudamos, de onde viemos e para onde vamos, neste momento começamos a enxergar que temos como objetivo retificar nossos pensamentos, vigiar nossas atitudes, analisar nossos costumes romper os nossos vícios e enaltecer a nossa moral, pois para os nossos familiares aparentemente nada mudou pois somos aparentemente os mesmos após sermos iniciados, no entanto a mudança e realmente interior pois no momento em que estamos em reflexão e após assistir uma nova iniciação você realmente enxerga que somente na sua iniciação você começou naquele momento a ver a luz.
Mesmo sendo uma pedra preciosa cheia de imperfeições, que foi garimpada por um padrinho, tirada do centro da terra para poder enxergar a luz quando foi indicado, no momento da nossa reflexão na câmara de reflexões, mesmo sem saber o significado do V.I.T.R.I.O.L. tudo te leva a meditar a pensar a rever o seu filme de vida e ver como o diretor em certos pontos errou e em outros também se orgulha de ter acertado, hoje defino sim como uma infinita reforma íntima, uma infinita busca do seu verdadeiro Eu e uma enorme satisfação em poder ser melhor e poder servir a todos os dias mesmo que o servir seja um simples sorrir.
E esta pedra ainda cheia de arestas quando se tornar Cúbica deverá permitir ao verdadeiro Maçom saber que encontrou o seu verdadeiro EU, onde a partir deste instante nos tornamos enormes como corpo, gigantes como Espírito e infinitos como Alma.
Sendo verdadeiramente Maçom
IR Wladir Eduardo Primerano - AM
Bibliografia;
A SIMBÓLICA MAÇONICA - JULES BOUCHER
Os segredos da Maçonaria
Quando se afirma que algo ou alguém tem um grande segredo, logo surgem as lendas, supertições e boatos. Assim ocorre com os segredos do Vaticano e do Governo Americano com relação aos OVNIs. Embora os segredos possam realmente existir, talvez eles não sejam tão interessantes quanto o público espera que eles sejam. Assim ocorre com os segredos da Maçonaria. Tirando as decisões políticas que são tomadas em momentos críticos da História de determinadas nações, como ocorreu, por exemplo, no Brasil, na época da Inconfidência Mineira, restam os considerados "Altos Segredos", que normalmente se resumem em ritos, dogmas e mistérios tirados do judaísmo e do paganismo babilônico e egípcio, de forma bem semelhante às crenças de sociedades espiritualistas. Alguns dizem que o maior segredo do qual o neófito toma conhecimento ao ingressar na Maçonaria é o fato de que a Maçonaria não tem segredos tão incríveis ou surpreendentes quanto se diz. Muitos maçons afirmam até mesmo que a Maçonaria não é uma sociedade secreta e sim apenas uma sociedade discreta, havendo grande diferença entre estes dois conceitos, porém, apesar desta afirmação se adequar perfeitamente às coisas ligadas à Maçonaria, ela é desmentida pelo Juramento iniciático da maçonaria, que diz:
"Eu (cita o seu nome), juro e prometo, de minha livre vontade e por minha honra e pela minha fé, em presença do Grande Arquiteto do Universo e perante esta assembléia de maçons, solene e sinceramente, nunca revelar qualquer dos mistérios da maçonaria que me vão ser confiados, senão a um legítimo irmão ou em loja regularmente constituída; nunca os escrever, gravar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los. Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado e meu corpo enterrado na areia do mar, onde o fluxo e o refluxo das ondas me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrilégio para com Deus e desonrado para os homens, Amém"
(Ritual do Simbolismo Aprendiz Maçom, 2ª edição - Rito Escocês Antigo e Aceito, julho de 1979, pp. 51,54).
A seguir são apresentados alguns símbolos, características e crenças da Maçonaria. Muitas destas coisas são consideradas os "segredos" da Maçonaria, embora se tratam apenas de coisas pouco conhecidas.
A Estrutura da Maçonaria
A Maçonaria é organizada em ritos, sendo estes divididos em graus. O rito escocês tem 33 graus, sendo que o grau 33 é honorário. Os 33 graus do rito escocês equivalem aos 10 graus do rito York. Os graus 1 a 3 são os mesmos nos dois ritos aqui mencionados e são chamados de graus da Loja Azul, pois são comuns a qualquer rito maçônico. Ao atingir o grau 3, o maçom tem que escolher entre estes dois ritos, se pretender subir na escala hierárquica. Apenas após passar pelos três primeiros graus é que o aprendiz é considerado maçom.
Graus do Rito Escocês
Loja Azul ou Graus Simbólicos
1. Aprendiz
2. Companheiro
3. Mestre
Graus Capitulares
4. Mestre Secreto
5. Mestre Perfeito
6. Secretário Íntimo
7. Chefe e Juiz
8. Superintendente do Edifício
9. Mestre Eleito dos Nove
10. Ilustre Eleito dos Quinze
11. Sublime Mestre Eleito
12. Grande Mestre Arquiteto
13. Mestre do Arco Real de Salomão
14. Grande Eleito Maçom
15. Cavaleiro do Oriente ou da Espada
16. Príncipe de Jerusalém
17. Cavaleiro do Leste e Oeste
18. Cavaleiro da Ordem Rosa Cruz
Graus Filosóficos
19. Grande Pontífice
20. Grande Ad-Vitam
21. Patriarca Noachita ou Prussiano
22. Cavaleiro do Machado Real (Príncipe do Líbano)
23. Chefe do Tabernáculo
24. Príncipe do Tabernáculo
25. Cavaleiro da Serpente de Bronze
26. Príncipe da Misericórdia
27. Comandante do Templo
28. Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto
29. Cavaleiro de Santo André
30. Cavaleiro Cadosh
Graus Superiores
31. Inspetor Inquisidor
32. Mestre do Segredo Real
33. Grande Soberano Inspetor Geral
Confissão do primeiro grau
No primeiro grau da maçonaria o candidato admite que é profano, que está em trevas em busca de luz, pois a maçonaria afirma que todos os que não são maçons estão em trevas.
Alguns Símbolos Maçônicos
Avental
Usado por todos os maçons durante as sessões. É o símbolo do trabalho. É a parte principal do vestuário maçônico, constituindo-se um dos símbolos mais importantes da Maçonaria. Tem a forma de um retângulo, encimado por um triângulo; nos dois primeiros graus são simples, sem enfeites ou adornos, e de tecido branco. Os aventais dos demais graus, tem cor e desenhos variados, conforme os graus que representa e conforme o rito adotado. O fundo porém é sempre branco.
Cinzel
Sugere o trabalho inteligente. É manejado pelo aprendiz com a mão esquerda. Como o cinzel é uma ferramenta que exige o auxílio de outra ferramenta, o malho, representa a inteligência humana, que isolada nada constrói.
Colunas
São três as colunas no templo maçônico. Elas representam o masculino (força), o feminino (beleza) e a sabedoria.
Compasso
O Compasso é considerado um símbolo da espiritualidade e do conhecimento humano. Sendo visto como símbolo da espiritualidade, sua posição sobre o Livro da Lei varia conforme o Grau. No Grau de Aprendiz, ele está embaixo do esquadro, indicando que existe, por enquanto, a predominância da matéria sobre o espírito . A abertura indica o nível do conhecimento humano, sendo esta limitada ao máximo de 90º, isto é ¼ do conhecimento. A sua Simbologia ainda é muito mais variada, podendo ser entendido como Símbolo da justiça, com a qual devam ser medidos os atos humanos. Simboliza a exatidão da pesquisa e ainda pode ser visto como Símbolo da imparcialidade e infalibilidade do Todo-Poderoso.
Delta Luminoso
Também chamado de Triângulo Fulgurante, representa a presença de Deus, demonstrando a sua onisciência. É um triângulo com um olho no centro.
Espada
É o símbolo da igualdade, da justiça e da honra. Corresponde à consciência e à presença divina na construção do templo.
Esquadro
Significa a retidão, limitada por duas linhas: uma horizontal, que representa a trajetória a percorrer na Terra, ou seja, O determinismo, o destino; e outra vertical, o caminho para cima, dirigindo-se ao cosmo, ao universo, ao infinito, a Deus. É instrumento passivo e auxiliado pelo compasso.. Seu desenho permite traçar o ângulo reto e, por tanto, esquadrejar todas as formas. Deste modo, é visto como símbolo, por excelência, da retidão. É também a primeira das chamadas Jóias Móveis de uma Loja, constituindo-se na Jóia do Venerável, pois, dentre todos, este deve ser o mais justo e eqüitativo dos Maçons. O Esquadro, ao contrário do Compasso, representa a matéria; por isso é que, em Loja de Aprendiz, ele se apresenta sobre o Compasso. Predominância da Matéria sobre o espírito.
G
A letra "G" representa o Grande (ou Divino) Geômetra, que é Deus. Uma das razões de ser tomada como símbolo sagrado da Divindade, é que, com ela, a palavra Deus, se inicia em vários idiomas. GAS, em Siríaco; GADA, em persa; GUD, em sueco; GOTT, em alemão; GOD, em inglês, etc.
Malho
É a representação da força, da vontade, da iniciativa e da perseverança. o malhete é manejado pelo venerável mestre (chefe da loja).
Nível
Representa a igualdade - todos os homens devem ser nivelados no mesmo plano.
Pentagrama
Representa um homem de pé, com as pernas abertas e braços esticados. Indica o ser humano e a sua necessidade de ascensão.
Prumo
Indica que o maçom deve ser reto no julgamento, sem se deixar dominar pelo interesse, nem pela afeição.
Sol
É a fonte da vida, a positividade da existência do homem.
Trolha
Ou colher de pedreiro. Trata-se de uma espécie de pá achatada com a qual os Pedreiros assentam e alisam a argamassa. Sendo um instrumento neutro, deve ser visto como um Símbolo da tolerância, com que o maçom deve aceitar as possíveis falhas e defeitos dos demais Irmãos. Pode ser vista, também, como um Símbolo do amor fraternal que será, então, o único cimento que uniria toda a Maçonaria. Desta forma, passar a Trolha, significa perdoar, desculpar, esquecer as diferenças. Entendida desta forma, pode ser vista como símbolo da paz que deve reinar entre os maçons.
O compasso e o esquadro reunidos tem sido mais antiga, bem como a mais comum representação da Instituição Maçônica. Tanto se apresentou este símbolo compasso-esquadro, que ele é prontamente reconhecido, até mesmo pelos profanos (pessoas não iniciadas na Maçonaria). É o sinal distintivo do Venerável Mestre (Presidente da Loja) uma vez que esotericamente representa a "Justa Medida".
A Justa Medida quer dizer em última análise a Retidão. Faz lembrar aos maçons em geral e a cada instante que todo as suas ações deverão ser plantadas com serenidade, bom senso e espírito de justiça. Faz recordar o compromisso solene assumido pelo iniciado, de sempre agir dentro de uma escola de perfeita honestidade e retidão.
O Tempo Maçônico
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A - Altar dos Perf.·.
C - Altar dos Juram.·. D - P.·.B.·. E - P.·.C.·. (ou polida) M - Mar de Bronze P - Pira B e J - CCol.·. Papiriformes R e S - CCol.·. Toscanas | ||||
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A TÁBUA DE DELINEAR
LOJA FRATERNIDADE Nº 3376RITO DE YORK – “Emulation Ritual”
A TÁBUA DE DELINEAR – “The Tracing Board”
DO GRAU APRENDIZ FRANCO-MAÇOM
Agradecemos:
· Ao G.A.D.U. por nos propiciar o “fio da vida” sem a qual não estaríamos onde estamos;
· Às nossas esposas, filhos e demais entes queridos por nos apoiarem nas inúmeras “fugas do lar” em virtude das reuniões para a confecção deste.
Dedicamos o presente trabalho:
· A todos os irmãos da nossa e de outras oficinas que nos auxiliaram nas pesquisas e nos forneceram conteúdo para estudo;
· Aos nossos queridos Mestres pelas inúmeras “aulas” de vivência maçônica;
· Aos nossos Padrinhos que tiveram a “coragem” e a “audácia” de nos dar seu voto de confiança para nos tornarmos “obreiros” desta “oficina”.
Que o G.A.D.U. nos ampare e proteja, hoje e sempre!
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
AS JÓIAS MÓVEIS
O ESQUADRO
O NÍVEL E O PRUMO
AS JÓIAS FIXAS
A PEDRA BRUTA E A PEDRA ESQUADRADA OU POLIDA
A TÁBUA DE DELINEAR OU PRANCHETA
O MOBILIÁRIO OU PARAMENTOS
O VOLUME DA LEI SAGRADA
O ESQUADRO E O COMPASSO
OS ORNAMENTOS
O PAVIMENTO MOSAICO
A MOLDURA DENTEADA OU MARCHETADA
A ESTRELA BRILHANTE
O SOL E A LUA
AS ESTRELAS
AS NUVENS
O ALTAR DOS JURAMENTOS E O CÍRCULO
A ESCADA DE JACÓ: A CRUZ, A ÂNCORA, O CÁLICE E A CHAVE OCULTA
AS TRÊS GRANDES COLUNAS
O MAÇO E O CINZEL
O LEWIS
A RÉGUA DE 24 POLEGADAS
A ESPADA
AS QUATRO BORLAS.
CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA
INTRODUÇÃO
Falar sobre a maçonaria nos seus conceitos históricos, primitivos e filosóficos cabe-nos inundar o presente trabalho com conteúdo talvez inapropriado para o presente momento, haja vista que o que importa para nós, iniciados aprendizes, é possuirmos uma visão mais ampla e conceitual, a princípio, devido ao nosso grau de maturidade de interpretação.
A TÁBUA DE DELINEAR – “The Tracing Board”
DO GRAU APRENDIZ FRANCO-MAÇOM
Agradecemos:
· Ao G.A.D.U. por nos propiciar o “fio da vida” sem a qual não estaríamos onde estamos;
· Às nossas esposas, filhos e demais entes queridos por nos apoiarem nas inúmeras “fugas do lar” em virtude das reuniões para a confecção deste.
Dedicamos o presente trabalho:
· A todos os irmãos da nossa e de outras oficinas que nos auxiliaram nas pesquisas e nos forneceram conteúdo para estudo;
· Aos nossos queridos Mestres pelas inúmeras “aulas” de vivência maçônica;
· Aos nossos Padrinhos que tiveram a “coragem” e a “audácia” de nos dar seu voto de confiança para nos tornarmos “obreiros” desta “oficina”.
Que o G.A.D.U. nos ampare e proteja, hoje e sempre!
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
AS JÓIAS MÓVEIS
O ESQUADRO
O NÍVEL E O PRUMO
AS JÓIAS FIXAS
A PEDRA BRUTA E A PEDRA ESQUADRADA OU POLIDA
A TÁBUA DE DELINEAR OU PRANCHETA
O MOBILIÁRIO OU PARAMENTOS
O VOLUME DA LEI SAGRADA
O ESQUADRO E O COMPASSO
OS ORNAMENTOS
O PAVIMENTO MOSAICO
A MOLDURA DENTEADA OU MARCHETADA
A ESTRELA BRILHANTE
O SOL E A LUA
AS ESTRELAS
AS NUVENS
O ALTAR DOS JURAMENTOS E O CÍRCULO
A ESCADA DE JACÓ: A CRUZ, A ÂNCORA, O CÁLICE E A CHAVE OCULTA
AS TRÊS GRANDES COLUNAS
O MAÇO E O CINZEL
O LEWIS
A RÉGUA DE 24 POLEGADAS
A ESPADA
AS QUATRO BORLAS.
CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA
INTRODUÇÃO
Falar sobre a maçonaria nos seus conceitos históricos, primitivos e filosóficos cabe-nos inundar o presente trabalho com conteúdo talvez inapropriado para o presente momento, haja vista que o que importa para nós, iniciados aprendizes, é possuirmos uma visão mais ampla e conceitual, a princípio, devido ao nosso grau de maturidade de interpretação.
Antes de ser convidado a entrar na ordem, o profano tem uma visão exotérica da entidade e do mundo, e quando adentra, sua visão se alterna de acordo com o seu grau de evolução para uma visão esotérica, de interior, do coração.
Como nosso trabalho retrata a tábua de delinear do primeiro grau - ou painel do primeiro grau em outros ritos – também denominada de “The Tracing Board” pelo “Rito de York” ou “Emulation Ritual”, o estudo dos simbologismos ocultos e sua devida interpretação nos conduzirão de uma visão exotérica do mundo profano para uma visão esotérica do mundo iniciático maçônico.
A tábua de delinear retrata o templo interno da nossa loja, seus símbolos e seus significados operativos na pura arte de edificar, de construir. Cabe a nós maçons, interpretarmos e transportarmos tais símbolos para nossa vida cotidiana com vistas a construção do nosso “Templo Interior”, trabalhando as nossas virtudes, desbastando as nossas arestas mundanas com vistas a galgar os degraus da perfeição.
Mesmo que seja utópico e fantasioso esse é o propósito do nosso trabalho.
JÓIAS MÓVEIS
São símbolos que merecem tal denominação em virtude de seu alto e precioso conteúdo simbólico na Maçonaria, acrescido ao fato de serem insígnias dos três Principais Oficiais de uma Loja praticante do Rito de Emulação, ou seja: Mestre da Loja (Esquadro); 1º Vigilante (Nível) e 2º Vigilante (Prumo). Denomina-se de jóias móveis porque elas são transmissíveis na cadeia sucessória dos Principais Oficiais, ou seja, elas mudam de mãos na oxigenação da Loja, mas não perdem a sua essência.
Alguns autores ilustram que as três jóias na seqüência do Prumo, do Nível e do Esquadro formam a trilogia maçônica da Liberdade (justa, ereta), Igualdade (todos têm os mesmos direitos) e Fraternidade (sentido de união).
JÓIAS MÓVEIS
São símbolos que merecem tal denominação em virtude de seu alto e precioso conteúdo simbólico na Maçonaria, acrescido ao fato de serem insígnias dos três Principais Oficiais de uma Loja praticante do Rito de Emulação, ou seja: Mestre da Loja (Esquadro); 1º Vigilante (Nível) e 2º Vigilante (Prumo). Denomina-se de jóias móveis porque elas são transmissíveis na cadeia sucessória dos Principais Oficiais, ou seja, elas mudam de mãos na oxigenação da Loja, mas não perdem a sua essência.
Alguns autores ilustram que as três jóias na seqüência do Prumo, do Nível e do Esquadro formam a trilogia maçônica da Liberdade (justa, ereta), Igualdade (todos têm os mesmos direitos) e Fraternidade (sentido de união).
O esquadro
No simbolismo operativo, o Esquadro (do latim exquadra e exquadrare, esquadrar) é um instrumento cuja propriedade é tornar os corpos quadrados; com ele seria impossível fazer um corpo redondo. Ajusta os lados verticais em consonância com os horizontais para que o fruto final se torne firme e seguro, podendo-se dizer que é a união do Prumo com o Nível.
Na simbologia especulativa, ele retrata que o Maçom deve ser o exemplo de conduta a ser seguido, não pendendo para nem um dos lados e nem sendo desnivelado para com os outros. A vida é traçada no plano horizontal para com o próximo e no plano vertical para com Deus, formando uma união constante, justa e ereta.
A jóia do Mestre de Loja possui dois braços que podem não são iguais. Em geral, ele é adornado em seu anverso, o que implica um sentido bem definido. Se o braço mais longo ficar do lado direito; assimila-se assim a preponderância do ativo (lado direito) sobre o passivo (lado esquerdo); também significa que a vontade de um Mestre de Loja só pode ter um sentido, o dos estatutos da Ordem, e que ela só deve agir de uma maneira: a do bem.
O Esquadro tem o sentido de eqüidade, é formado pela reunião da horizontal e da vertical. Ele simboliza o equilíbrio resultante da união do ativo com o passivo é um dos símbolos maçônicos mais usuais e presentes em todos os graus, com o seu simbolismo próprio.
Segundo o comentário de Oswald Wirth, a Cruz e o Quadrado podem ser considerados como formados por dois ou quatro Esquadros de braços desiguais, que seriam reunidos por seus vértices ou por suas extremidades.
O Nível e o Prumo
O Nível e o Prumo são jóias móveis utilizadas pelo Primeiro e Segundo Vigilantes representando a igualdade social e a retidão de julgamento que devem sempre ser observados pelo verdadeiro Maçom para jamais oprimir seu semelhante.
Sob o ponto de vista operativo, com o Nível é possível verificar se uma superfície está livre de arestas, pois, a planificação do alicerce de uma obra é fundamental para sua correta sustentação.
O Prumo permite aferir a retidão de uma parede que está sendo construída, de forma a garantir sua estabilidade.
Na Maçonaria, os homens são considerados iguais perante as leis naturais e sociais, sendo que, simbolicamente, é através do Nível que esta igualdade é verificada.
É somente através da igualdade proporcionada pela tolerância e pela aplicação das leis morais que a fraternidade torna-se possível de ser alcançada. Em suma, o papel do Nível é controlar a força criadora do homem, direcionando sua vontade para propósitos úteis.
Simbolicamente, o Prumo possibilita verificar a correta fundamentação do crescimento intelectual, trazendo o conhecimento necessário para possibilitar a aplicação precisa da força através da razão, denotando a profundidade exigida para nossas observações e estudos, de forma a garantir a estabilidade da obra.
Em suma, o papel do Prumo é controlar a intelectualidade do homem, fundamentando-a a luz da razão.
A horizontalidade do Nível e a verticalidade do Prumo são unidas através de um ponto, o que determina o ângulo reto.
Desta união surge o Esquadro, jóia do Mestre de Loja, instrumento que representa o equilíbrio entre a vontade e a razão, descrevendo aí o papel da Sabedoria, o de aferir a retidão.
JÓIAS FIXAS
São símbolos que merecem tal denominação pelo fato de não serem móveis ou transmissíveis, se achando sempre presentes na Loja, para refletir a divina natureza e atuando como código moral aberto à compreensão de todos os Maçons. Representam o Aprendiz (A Pedra Bruta), o Companheiro (A Pedra Esquadrada, Polida ou Cúbica) e o Mestre de Loja (Tábua de Delinear ou Prancheta).
A Pedra Bruta e A Pedra Esquadrada ou Polida
Na simbologia maçônica, a Pedra Bruta representa os Aprendizes e a Pedra Esquadrada ou Polida, os Companheiros.
Devemos tomar como exemplo de interpretação, a “transformação” que o mineiro artista barroco Antônio Francisco Lisboa, oAleijadinho, transformava uma pedra sabão, numa escultura suntuosa e elevada.
A lapidação da Pedra Bruta na construção de nosso Templo Interior nos torna capazes de desempenhar o papel da pedra talhada em nossa comunidade, aquela em que vivemos, podendo assim contribuir na construção do Templo Exterior, qual seja, a sociedade humana mais ética, mais justa e mais solidária.
As leis do homem nada significam sem Princípios Morais, pois não se faz uma sociedade mais justa e fraterna sem nela haver homens mais justos e mais fraternos. Deve-se adquirir através de uma postura pautada nessa filosofia, o Hábito da Virtude e da interligação direta e íntima do homem e sua alma: a comunicação da Luz Divina em seu interior para que a inteligência seja capaz de atingir um conhecimento verdadeiro, bom e sincero.
Os diversos formatos da pedra bruta são em sua essência o início de nosso desenvolvimento, as várias formas da pedra bruta representam as virtudes pelas quais nós neófitos temos que aprimorar e desenvolver, cabendo a cada um trabalhar com mais afinco as suas imperfeições sempre buscando o formato da pedra polida ou esquadrada. Analisando a pedra bruta podemos considerar que cada um de nós pode trabalhar seu formato, mas os estudos maçônicos possibilitam que haja uniformidade em nosso desenvolvimento e todos possam desbastar a pedra para um único ideal, 60
60refletindo o sentimento de igualdade. Consideramos importante que apesar do desenvolvimento das virtudes sempre temos sempre que refletir, pois em nossa essência continuamos sendo a mesma pedra bruta, em constante desenvolvimento das retidões e dos sentimentos nobres ou não, dependendo do nosso nível de conhecimento e vivência do mesmo.
A Tábua de Delinear ou Prancheta
A Tábua de Delinear ou Prancheta simboliza o Mestre da Loja e serve para traçar os planos e projetos das obras, ou seja, é com ela que os Mestres trabalham para guiar os aprendizes e os companheiros nos trabalhos por ela indicada, revelando-lhes o significado dos símbolos essenciais figurados no painel e delineando o caminho que eles devem seguir para o aperfeiçoamento, a fim de progredirem nos trabalhos da arte real.
Com a Tábua, o Mestre de Loja transforma a mente tosca e ignorante do Aprendiz, a Pedra Bruta, num homem instruído, o Companheiro, já em estágio mais avançado em Pedra Polida, o qual poderá transmutar-se num homem perfeito, num verdadeiro Mestre Maçom capaz de atuar como Construtor Social na edificação de um mundo justo, perfeito e melhor.
Alguns autores retratam que o Volume da Lei Sagrada é a Tabua de Delinear do G.A.D.U., onde ele relata todo o conteúdo moral para o homem seguir firme no caminho da sua ascensão aos mundos superiores e felizes.
MOBILIÁRIO OU PARAMENTOS
O Mobiliário representa as três grandes Luzes Emblemáticas da Maçonaria e sua presença no Templo é imprescindível para a realização dos trabalhos litúrgicos, sendo definidas pelo Volume da Lei Sagrada, o Esquadro e o Compasso.
O Volume da Lei Sagrada
Representa o Código Moral que cada indivíduo deve respeitar e seguir; a filosofia que cada qual deve adotar; é a Lei Sagrada de cada Maçom; enfim, a Fé que nos governa e anima, o norte das nossas vidas, independente de qualquer religião que seja, pois a princípio e até que provem o contrário, o G.A.D.U. é onipresente, oniciente e onipotente.
Assim da mesma forma que a Tábua de Delinear serve para o Mestre traçar objetivamente os trabalhos dos irmãos para o seu aprimoramento, o Volume da Lei Sagrada pode ser considerado como sendo a Tábua de Delinear do G.A.D.U., na qual são traçadas espiritualmente as Leis Divinas e Morais para o Maçom e para a humanidade.
O Volume da Lei Sagrada deve ser aberto sobre o Altar dos Juramentos (que no caso do Rito de Emulação está representado subjetivamente, apenas na Tábua de Delinear e não materialmente dentro do Templo) durante os trabalhos da Loja, como símbolo de espiritualidade e representando a Verdade. Constitui a tração Espiritual ligando o homem a divindade, contém as palavras sagradas e serve para que os candidatos a Franco-Maçonaria façam o seu juramento de obediência e fortaleça a sua fé, sendo também o local onde a Escada de Jacó está apoiada, como veremos mais adiante.
O Esquadro e O Compasso
O Esquadro e o Compasso formando um único emblema é certamente o distintivo mais conhecido da Maçonaria no mundo profano, e o símbolo mais representativo da filosofia maçônica, especialmente quando a eles se agrega a letra “G”, inicial de Geometria, representando o Grande Geômetra que é Deus ou o G.A.D.U.
Como parâmetros especulativos, o Esquadro e o Compasso representam a aspiração do homem pela Justiça e pela Retidão. Eles simbolizam a medida justa que deve presidir todos os atos e ações do verdadeiro Maçom, não podendo se afastar nem da Justiça, nem da Retidão, regulando as nossas vidas e as nossas ações.
O Esquadro, com seu único ângulo reto, e sua escala de medidas fixas, é aplicado às superfícies e aos sólidos, e relaciona-se aos estados aparentemente fixos da matéria (a exemplo na checagem da Pedra Esquadrada ou Cúbica), enquanto que o Compasso, com seu ângulo variável, traçam-se círculos, que representa o todo, o infinito, a perfeição, e relaciona-se aos movimentos e revoluções. Dessa forma, o Esquadro simboliza a Matéria, a Terra e o Compasso, o Espírito e o Céu.
O Esquadro é o símbolo da Retidão que regula nossas ações e que nos ensina a permanecermos fiéis para com os nossos semelhantes; já o Compasso representa a justiça, nos mantém nos devidos limites das nossas relações com todos os homens e especialmente com os nossos irmãos, ensinando-nos onde começam e onde terminam os nossos direitos.
No Grau de Aprendiz, o Esquadro é colocado sobre o Compasso, simbolizando que a Matéria ainda domina o espírito.
Assim, o aprendiz não pode usar o Compasso, pois deverá trabalhar exclusivamente na Pedra Bruta até que sua obra esteja perfeitamente acabada, polida e esquadrejada. O Aprendiz ainda tem a mente nublada por preconceitos e convenções que o impedem de livremente pesquisar e procurar a verdade.
ORNAMENTOS
Os Ornamentos são todos aqueles símbolos que decoram ou ornamentam uma Loja Maçônica e que não estão classificados nem como Jóias e nem com como Mobiliário ou Paramentos, sendo constituídos do Pavimento Mosaico, a Moldura Denteada ou Marchetada e Estrela Brilhante.
O Pavimento Mosaico
Simbolizam a Harmonia que sempre deve haver entre todos os Maçons, independentemente de suas diferenças étnicas, religiosas, políticas, sociais, etc.
O Pavimento Mosaico ou piso mosaico é composto de quadros pretos e brancos, alternando as suas cores nos demonstrando a superação via contraste, via dualidade e simbolizando a união e a igualdade entre os irmãos, assinalando a superação de suas divergências conceituais variadas, mostrando-nos a humildade, o desapego a preconceitos do mundo profano e nos leva a busca da harmonia universal.
O piso tem origem na cultura sumeriana, povo oriundo da antiga mesopotâmia, deve rigorosamente ocupar todo o piso do templo, simbolizando os opostos encontrados na vida do homem.
No antigo Egito, o pavimento mosaico era um lugar sagrado proibido de ser pisado com forte apelo religioso.
Segundo Ruben Schechter, “ao nos depararmos frente ao pavimento mosaico, nos lembramos dos nossos piores defeitos: a ambição e a vaidade. A ambição de queremos alcançar todos os graus, a ambição de nos tornarmos veneráveis, alguns pela capacidade e pela democracia, e outros por imposição e totalitarismo, a ambição de termo e sermos ou nos consideramos melhor que o próximo. A vaidade é o combustível da ambição. São como dois demônios, vivendo em bizarro concubinato nos corações dos homens desprezíveis”.
O pavimento mosaico nos ensina a nos afastar destes sentimentos abjetos, pois representa o porto seguro de todo o homem virtuoso.
É imperioso destacar que os ladrilhos do pavimento mosaico são assentados niveladamente sobre um “único cimento”, ou seja, nos mostrando que vivemos em harmonia num único mundo, independente dos nossos conceitos, das nossas crenças e de nossas posições sociais.
A Moldura Denteada ou Marchetada
Simboliza os Maçons unidos e reunidos em Loja, significando a família Maçônica Universal.
A Moldura Denteada ou Marchetada, também sendo denominada de Orla ou Borla são os nomes atribuídos à representação existente na tábua que serve para demarcar os limites ao redor dos símbolos a primeira vista, mas se observarmos com atenção iremos notar que ela representa a luz em expansão indo de encontro às trevas, luz esta que significa os ensinamentos, a moral maçônica, o amor, a fraternidade se expandido e ocupando o lugar da ignorância, da inimizade, da incompreensão, da desarmonia que é o significado das trevas. A Moldura Denteada serve também como uma muralha para nos proteger da falsidade e do desequilíbrio do mundo profano, não permitindo que isso nos afete.
Também esta muralha composta por inúmeros dentes representa a união dos obreiros em comunhão para aprimorar seus conhecimentos, para adquirir aquilo que é justo e perfeito, compartilhando tais ensinamentos com o mundo profano.
Esotericamente podemos dizer que a Moldura Denteada simboliza a fraternidade através da união dos povos, bem como, servem de barreira contra a entrada da ignorância no Templo interior de cada um, representada pelos seus dentes pretos, em alusão á expansão da Luz obtida com os conhecimentos, representada pelos seus dentes brancos.
Fazemos uma alusão ao Rito de Emulação, onde a Orla representa os planetas ao redor do sol, formando uma bela moldura que rodeia e adorna, dando beleza e harmonia. De acordo com tal raciocínio, lembram-nos os povos reunidos em torno de um chefe, os filhos reunidos junto ao pai, todas as raças reunidas em torno de uma sabedoria universal.
A Estrela Brilhante
A Estrela Brilhante simboliza, nas Lojas, o Sol que é para os Maçons a representação de Deus, o G.A.D.U., pois ele, com sua luz e com seu calor, dispensa inúmeros benefícios ao gênero humano.
È a glória que está no centro, iluminando a terra e toda a humanidade, espalhando a luz, as bênçãos e a vida.
Na interpretação mais apurada, é a Divindade suprema, oniciente, onipotente e onipresente.
A Estrela Brilhante do Rito de Emulação possui sete pontas, representando para alguns autores, as Sete Artes ou Ciências Liberais, fazendo uma alusão ao número sete no seu significado cabalar, onde temos também as sete notas musicais (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si), os sete continentes (América, África, Europa, Ásia, Oceania, Lemúria e Atlântida) os sete Mestres Maçons reunidos para abertura de uma Oficina, os sete dias da semana, enfim, todo um mistério, magia e ocultismo representado pelo número sete.
O SOL E A LUA
O Sol e a Lua representam o antagonismo da natureza – dia e noite, afirmação e negação, o claro e o escuro, o masculino e o feminino – que, contraditoriamente, gera o equilíbrio justamente e sabiamente pela conciliação dos antagonismos.
O Sol simboliza a glória e o esplendor do criador, nos energizando e curando tanto nosso corpo como nossa alma. O Sol representa aquilo que buscamos, em nossa vida, e que quando éramos profanos, não tínhamos, e se tínhamos, era apenas um vislumbre, devido às virtudes que alguns homens possuem; esses são chamados de maçons profanos, e o que buscamos é a luz da verdade, do conhecimento, da harmonia, da fraternidade, do amor ao próximo.
O Sol representa é a fonte de luz, portanto atua ativamente, masculinamente, nascendo no Oriente de onde vieram às civilizações e as ciências, e nos fornece a luz para o início dos nossos trabalhos em Loja, exatamente ao meio-dia quando se encontra no zênite.
A lua representa o mundo profano, onde habita as trevas, a escuridão do conhecimento, a falta de companheirismo e a falta de harmonia, por justamente ser notada durante a noite.
Em outra corrente de pensamento a Lua representa o Amor, o lado feminino, atuando passivamente, pois absorve e depende da luz do Sol para reinar nas noites embelezando e harmonizando juntamente com as estrelas o céu.
Serve também como o divisor de águas na finalização dos trabalhos em Loja, pois ao se encontrar no nadir os mesmos são encerrados.
Ambos exerceram um papel fundamental nas civilizações antigas, contribuindo para a agricultura, na contagem dos tempos, na inspiração mitológica principalmente na Grécia.
De acordo com o Rito de Emulação, o Sol e a Lua juntamente com o Mestre de Loja sãos as Três Luzes menores da Maçonaria, estando situadas no Oriente, Sul e Ocidente, sendo o Sol o governador do dia, a Lua o da noite e o Mestre de Loja, o governador dirigente dos trabalhos.
Na Tábua de Delinear do Rito de Emulação, a Lua é representada na sua fase cheia e não em quarto crescente conforme os painéis de outros ritos.
AS ESTRELAS
As Estrelas, juntamente com o Sol e a Lua simbolizam o universo iluminando a abóbada celeste, o infinito, ao qual o iniciado chega através da escada de Jacó.
Segundo o ritual do Rito de York, as sete estrelas aludem à quantidade de irmãos Mestres-Maçons que precisam estar presentes às sessões sem os quais nenhuma Loja é perfeita e nenhum candidato pode ser iniciado na Ordem.
Existe um entrelaço novamente com o número sete, a visão mística e cabalar, retratada anteriormente na explanação da Estrela Brilhante.
Igualmente, as diversas estrelas distribuídas simbolizam a universalidade da Maçonaria e lembram que os Maçons espalhados por todos os continentes, devem se portar como construtores sociais, distribuir a luz de seus conhecimentos àqueles que ainda estão cegos e privados do conhecimento da Verdade.
AS NUVENS
Representam à falta de completa visibilidade da Verdade (Luz Divina) que é inerente aos Aprendizes-Maçons no 1º Grau, demonstrando assim os momentos de alternância na conduta do aprendiz, ou seja, a dificuldade de observar os mistérios da Franco-Maçonaria.
A Nuvem representa as dificuldades que nós temos para visualizar a Luz Maior, sendo que as sete estrelas circunscritas mostram-nos que praticar as sete virtudes (cardeais e teológicas explicadas mais adiante) pode nos levar a alcançar essa Luz, mas não devemos buscá-la fora e sim no nosso interior.
Vemos aqui mais uma vez a simbologia setenária, pois o sete é considerado um número perfeito pelos antigos e representa os dias da criação do mundo, as sete cores do arco-íris, os sete dias da semana, as sete notas musicais, etc., representa o aperfeiçoamento espiritual do homem.
Podemos dizer que as nuvens nublam os caminhos do homem na sua busca do seu “Eu Superior”, e que tal nebulosidade pode se creditar à ignorância do ser humano, uma das diversas arestas que devem ser aparadas no desbastar da Pedra Bruta de cada um, de acordo com o seu grau de evolução, interpretação e entendimento, não obstante sua fé.
O ALTAR DOS JURAMENTOS E O CÍRCULO
Temos que ter na mente que as Tábuas de Delinear surgiram primeiramente do que a os próprios Ritos e Lojas, funcionando improvisadamente nos interiores de tabernas devido as perseguições da época.
No Rito de Emulação não existe materialmente o Altar dos Juramentos e o Círculo, estando os mesmos representados simbolicamente na Tábua de Delinear, servindo como base para suportar o Volume da Lei Sagrada que ao mesmo tempo sustenta o início da Escada de Jacob.
Materialmente utilizamos o Pedestal do Mestre de Loja para sustentar o Volume da Lei Sagrada, que em comunhão com o Esquadro e o Compasso, formam as Três Luzes Emblemáticas da Maçonaria.
O significado do Altar dos Juramentos é uma alusão aos povos da antiguidade, desde os indígenas até os hebreus, que faziam as suas oferendas a um ser superior, um Deus, em troca de graças e favores obtidos, sustentando neste ponto o princípio do culto à divindade, que para alguns povos eram tidos como primordiais ao agrado de Deus e para acalmar a sua ira.
O Círculo como um ponto central, representa a linha mestra da conduta moral de todo Maçom, subjetivamente limitado entre o Norte e o Sul por duas paralelas imaginárias simbolizando Moisés e o Rei Salomão.
Na parte superior de tal círculo, repousa o Volume da Lei Sagrada, estando consoante com o início do Altar dos Juramentos.
Se nos mantermos circunscritos dentro do Círculo e dos limites das paralelas, observando a conduta moral do Volume da Lei Sagrada, não poderemos errar em nossos objetivos de vida.
A ESCADA DE JACOB
A Escada de Jacob, em diversas religiões, está sempre ligada à Evolução, à Iniciação e ao Caminho que leva á Divindade, sendo utilizada maçonicamente para o mesmo fim.
Simboliza o caminho por onde nós, como Maçons, esperamos chegar ao plano que habita o Grande Arquiteto do Universo. Ela é composta por vários degraus, que não são definidos em quantidade exata justamente por considerar o grau de evolução de cada um, simbolizando as virtudes que o Maçom deve cultivar, para chegar à perfeição.
Ela está apoiada sobre as Três Luzes Emblemáticas da Maçonaria, pois o Volume da Lei Sagrada representa a lei divina, a sabedoria universal que é o Grande Arquiteto do Universo, o código da moral e da ética. O Esquadro que representa a retidão e o Compasso que representa a justiça. De modo que o único modo de chegarmos até o topo da escada é sermos detentores da moral, ética, sermos justos e andarmos em retidão.
Na escada encontramos alguns símbolos que são consideradas as três principais virtudes teologais, de acordo com a igreja católica, relacionadas as virtudes instintivas incrustadas no homem por Deus e que são:
ü A Cruz: simboliza a fé no G.A.D.U., pois sem fé não se chega até o topo da Escada, não se goza os benefícios da plenitude divina;
ü A Âncora: simboliza a esperança de chegar ao topo da Escada e alcançar a graça do G.A.D.U., a salvação e a perfeição íntima;
ü O Cálice: simboliza a caridade, o amor em ajudar o próximo, pois ajudando o próximo estamos ajudando a nós mesmos, de forma a chegarmos à perfeição;
ü A Chave: que está subjetivamente oculta na Tábua de Delinear, simboliza os Segredos e Mistérios da Franco-Maçonaria, nos lembrando do juramento feito e guardado no nosso íntimo e também a discrição pertinente a cada Maçom.
O mais importante ao analisarmos a Escada de Jacob é de perguntarmos a nós mesmos onde nos encontramos nela, se estamos subindo, se estamos descendo, se estamos estacionados, inertes ao mundo e a todos, se eu posso ao chegar no seu topo descer e ajudar o próximo, se estou sendo humano ou animal, caridoso ou vaidoso na escada da vida, enfim, uma infinidade de indagações interiores e individuais que nos fazem refletir e a repensar o nosso caminho cotidianamente.
A fase de interpretação de onde estamos na Escada é de suma importância para o aprimoramento individual e para a contribuição de cada Maçom como Construtor Social no mundo.
AS TRÊS GRANDES COLUNAS
Consta em nosso Rito de Emulação que o Universo é o Templo da Divindade e que a Sabedoria, a Força e a Beleza rodeiam o trono do G.A.D.U., sendo sua sabedoria infinita, suprema e oniciente, sua força onipotente e sua beleza onipresente.
As Três Grandes Colunas que sustentam uma Loja representam tais atributos e também representam o Rei Salomão na sua sabedoria de levantar um Templo de sagração celestial, Hiram Rei de Tiro que utilizou toda a sua força – material e humana - na sua construção e Hiram Abiff que o adornou e deu beleza, formando um trino de supremacia.
No presente trabalho, As Três Grandes Colunas de origem grega têm significados especiais, como os de representar a Sabedoria (Coluna Jônica – Mestre da Loja – Salomão Rei de Israel); a Força (Coluna Dórica - 1º Vigilante – Hiram Rei de Tiro); e Beleza (Coluna Coríntia - 2º Vigilante – Hiram Abiff – Filho da Viúva).
ü Sabedoria, simbolicamente representada pela Coluna Jônica, mais esbelta, possui uma base e um capitel trabalhado com quatro volutas, é a personificação da sabedoria, símbolo da sabedoria feminina atribuída à figura da deusa Atena (Minerva para os romanos). Ela é designada ao Mestre de Loja e está situada no Oriente, pois este dirige os obreiros fazendo uma analogia ao Rei Salomão por sua sabedoria em criar um Templo dedicado aos desígnios de Deus, sempre procurando a Verdade.
ü Força, simbolicamente representada pela Coluna Dórica, é a única coluna clássica da arquitetura grega. Não possui base e com um capitel simples é a personificação da força do homem sendo designada ao 1º Vigilante e está situada no Ocidente, pois este paga aos obreiros o salário, que é a força e sustentação da existência, sendo esta a representação de Hiram, Rei de Tiro, pelos seus esforços na construção do templo de Jerusalém, fornecendo homens e materiais.
Tem sua figuração na mitologia grega e romana representada por Hércules.
ü Beleza, simbolicamente representada pela Coluna Coríntia, possui o capitel de maiores detalhes e acabamentos e é a personificação da beleza sendo designada ao 2º Vigilante e está situada no Ocidente, pois faz repousar os obreiros fiscalizando-os no trabalho, sendo esta a representação de Hiram Abiff, artista designado a criar os acabamentos primorosos do Templo de Jerusalém.
A Beleza que devemos fazer jus da palavra é a beleza moral e tem sua figuração na mitologia romana, na Deusa Vênus, que é a Deusa do amor e da beleza.
“A SABEDORIA CRIA, A FORÇA SUSTENTA E A BELEZA ADORNA. SEM ESTES ATRIBUTOS NADA É PERFEITO E DURÁVEL NO UNIVERSO”.
O MAÇO E O CINZEL
Operativamente, são as ferramentas utilizadas no desbaste da Pedra Bruta transformando-as em Pedra Esquadrada ou Polida. São ferramentas do Grau de Aprendiz, que os usará para o seu aprofundamento nas ciências ocultas da Ordem.
O Maço e o Cinzel, a Vontade e a Inteligência, atuando sem coordenação, funcionando de forma independente, geralmente não produzem um trabalho satisfatório, não garantem que o trabalho se conclua, não asseguram que a meta seja alcançada.
Estes dois símbolos estão unidos, demonstrando que ambos precisam atuar harmonicamente para que se consiga atingir os objetivos almejados.
A associação do Maço com o Cinzel nos indica que a Vontade e a Inteligência, a Força e o Talento, a Ciência e a Arte, A Força Física e a Força Intelectual, quando aplicadas em doses certas, permitem que a Pedra Bruta se transforme em Pedra Polida ou Esquadrada.
O maço possui o lado ativo, da força, e o cinzel o lado passivo, da beleza.
O LEWIS
Operativamente, o Lewis é uma peça de ferro com cunhas ajustáveis e expansivas usado pelos pedreiros antigos para erguer e colocar grandes pedras nos devidos lugares. Sendo assim, o Lewis está na Tábua de Delinear para representar as nossas próprias mãos que usamos para erguer e transportar Pedras Brutas e Cúbicas, porém, nem sempre o esforço humano é suficiente para realizar com eficiência, a obra. Para a construção do Templo Espiritual, se as nossas mãos não se apresentam suficientemente fortes para a tarefa, o Lewis será mentalizado e cumprirá a sua tarefa.
Cabe nos uma ilustração a parte que devemos suportar os pesos da vida material, principalmente na conduta da vida familiar, amparando e protegendo nossos entes queridos, entre eles os que já estão em estágio de vida avançados. Os pais carregam os filhos quando novos e vice-versa na idade adulta, por isso devemos estar devidamente preparados para desempenhar tal função.
A RÉGUA DE VINTE E QUATRO POLEGADAS
Operativamente representava uma ferramenta de construção para apurar as medidas exatas dos materiais de construção, principalmente os vergalhões e verticais de ferro gusa e eram forjadas em metal.
Maçonicamente simboliza às 24 horas do dia, das quais devemos aplicar parte em orações ao Grande Arquiteto do Universo, parte no trabalho e no descanso, e parte em servir um amigo ou Irmão necessitado, sem prejuízo nossos ou de nossos familiares. Também a régua de24 polegadas simboliza a retidão de caráter que todo Maçom deve possuir, não envidando esforços para o ocioso e para a inutilidade do tempo que hoje em dia voa rapidamente por entre os olhos.
A ESPADA
Operativamente, simbolizava o poder pensante, dominador, guerreiro e defensor, muitas vezes utilizada para oprimir a classe plebéia.
Na Ordem, simboliza a Igualdade que deve existir em cada Maçom, posto que só nobres e os titulares de determinados ofícios na Antiguidade, tinham o direito de trazer em público, enquanto nas Lojas Maçônicas todos os irmãos sem distinção de sua posição social, tinham o direito de portá-la. Em loja, o porte da espada igualava o plebeu ao nobre.
A espada pela posição em que se encontra no painel pode-se dizer que representa o guarda interno ou cobridor interno, que é encarregado do templo para proteger o recinto contra eventuais intrusos. Podemos dizer que cada um de nós também pode portar a espada para nos defender da ignorância e da ociosidade que teimam em nos governar.
AS QUATRO BORLAS
Segundo a igreja católica, possuímos quatro virtudes cardeias ou morais e elas estão estampadas nos quatro cantos da Moldura Denteada representando a Temperança, a Fortaleza, a Prudência e a Justiça nos lembrando as ações conduzidas em cada Maçom.
As borlas que representam à justiça e a prudência de acordo com alguns autores são dispostas na entrada do templo, simbolizando que a maçonaria esta sempre a procura de novos obreiros com disposição para colaborar para a evolução e engrandecimento da humanidade.
Assim, a Temperança purifica a nossa mente e o nosso coração, a Fortaleza sustentar a nossa fé interior, a nossa crença; A Prudência nos guia na nossa conduta moral e de pensamento e a Justiça é o guia mestre de todas as nossas ações.
CONCLUSÃO
Conforme o estudo apresentado concluímos que a Tábua de Delinear de qualquer grau sempre vai simbolizar tudo o que os Maçons devem fazer na sua caminhada para atingir os objetivos Maçônicos a ele designados.
Notamos que na Tábua do Aprendiz existem muitas referências ao número sete, considerado pelos antigos como um número sagrado, pois representa: os sete dias da criação, as sete notas musicais, as sete cores do arco íris, as sete virtudes para alcançar a Luz Maior, etc.,
Vimos à simbologia de vários instrumentos utilizados na construção, com o esquadro, compasso, prumo, nível, régua, etc., que auxiliam no aprimoramento do Aprendiz Maçom no seu trabalho rumo à perfeição, que é a lapidação da Pedra Bruta em Pedra em Pedra Esquadrada ou Polida.
É necessário não olharmos para a Tábua só como uma representação física, mas, principalmente, o que está sendo mostrado de forma velada que leva cada Maçom a aprimorar sua conduta dentro dos princípios do G.A.D.U..
Portanto se buscarmos, mesmo com muita dificuldade, subir cada degrau da Escada de Jacob, adquirindo as quatro virtudes cardeais (Temperança, Fortaleza, Prudência e Justiça) e as três virtudes teológicas (Fé, Esperança e Amor ou Caridade), estaremos cumprindo com nossa missão nesse plano e assim contribuindo um pouco para o aprimoramento de toda humanidade.
“QUE AS BENÇÃOS DO G.A.D.U. CAIAM SOBRE TODOS OS IRMÃOS E TODA A HUMANIDADE”.
BIBLIOGRAFIA
1. CRUZ, ALMIR SANT’ANNA - Simbologia Maçônica dos Painéis: Lojas de Aprendiz, Companheiros e Mestre - 1ª Edição - 1997 - Editora Maçônica “A TROLHA”;
2. BOUCHER, JULES - A Simbólica Maçônica - 1ª Edição - 1979 - Editora Pensamento;
3. CONTE, CARLOS BRASÍLIO - A Doutrina Maçônica - 1ª Edição - 2005 - Madras Editora Ltda;
4. CORTEZ, JOAQUIM ROBERTO PINTO - Os Fundamentos da Maçonaria - 1ª Edição - 2004 - Madras Editora Ltda;
5. Cerimônias Exatas do Rito de York - Emulation Ritual - GOB - 1999;
Na simbologia especulativa, ele retrata que o Maçom deve ser o exemplo de conduta a ser seguido, não pendendo para nem um dos lados e nem sendo desnivelado para com os outros. A vida é traçada no plano horizontal para com o próximo e no plano vertical para com Deus, formando uma união constante, justa e ereta.
A jóia do Mestre de Loja possui dois braços que podem não são iguais. Em geral, ele é adornado em seu anverso, o que implica um sentido bem definido. Se o braço mais longo ficar do lado direito; assimila-se assim a preponderância do ativo (lado direito) sobre o passivo (lado esquerdo); também significa que a vontade de um Mestre de Loja só pode ter um sentido, o dos estatutos da Ordem, e que ela só deve agir de uma maneira: a do bem.
O Esquadro tem o sentido de eqüidade, é formado pela reunião da horizontal e da vertical. Ele simboliza o equilíbrio resultante da união do ativo com o passivo é um dos símbolos maçônicos mais usuais e presentes em todos os graus, com o seu simbolismo próprio.
Segundo o comentário de Oswald Wirth, a Cruz e o Quadrado podem ser considerados como formados por dois ou quatro Esquadros de braços desiguais, que seriam reunidos por seus vértices ou por suas extremidades.
O Nível e o Prumo
O Nível e o Prumo são jóias móveis utilizadas pelo Primeiro e Segundo Vigilantes representando a igualdade social e a retidão de julgamento que devem sempre ser observados pelo verdadeiro Maçom para jamais oprimir seu semelhante.
Sob o ponto de vista operativo, com o Nível é possível verificar se uma superfície está livre de arestas, pois, a planificação do alicerce de uma obra é fundamental para sua correta sustentação.
O Prumo permite aferir a retidão de uma parede que está sendo construída, de forma a garantir sua estabilidade.
Na Maçonaria, os homens são considerados iguais perante as leis naturais e sociais, sendo que, simbolicamente, é através do Nível que esta igualdade é verificada.
É somente através da igualdade proporcionada pela tolerância e pela aplicação das leis morais que a fraternidade torna-se possível de ser alcançada. Em suma, o papel do Nível é controlar a força criadora do homem, direcionando sua vontade para propósitos úteis.
Simbolicamente, o Prumo possibilita verificar a correta fundamentação do crescimento intelectual, trazendo o conhecimento necessário para possibilitar a aplicação precisa da força através da razão, denotando a profundidade exigida para nossas observações e estudos, de forma a garantir a estabilidade da obra.
Em suma, o papel do Prumo é controlar a intelectualidade do homem, fundamentando-a a luz da razão.
A horizontalidade do Nível e a verticalidade do Prumo são unidas através de um ponto, o que determina o ângulo reto.
Desta união surge o Esquadro, jóia do Mestre de Loja, instrumento que representa o equilíbrio entre a vontade e a razão, descrevendo aí o papel da Sabedoria, o de aferir a retidão.
JÓIAS FIXAS
São símbolos que merecem tal denominação pelo fato de não serem móveis ou transmissíveis, se achando sempre presentes na Loja, para refletir a divina natureza e atuando como código moral aberto à compreensão de todos os Maçons. Representam o Aprendiz (A Pedra Bruta), o Companheiro (A Pedra Esquadrada, Polida ou Cúbica) e o Mestre de Loja (Tábua de Delinear ou Prancheta).
A Pedra Bruta e A Pedra Esquadrada ou Polida
Na simbologia maçônica, a Pedra Bruta representa os Aprendizes e a Pedra Esquadrada ou Polida, os Companheiros.
Devemos tomar como exemplo de interpretação, a “transformação” que o mineiro artista barroco Antônio Francisco Lisboa, oAleijadinho, transformava uma pedra sabão, numa escultura suntuosa e elevada.
A lapidação da Pedra Bruta na construção de nosso Templo Interior nos torna capazes de desempenhar o papel da pedra talhada em nossa comunidade, aquela em que vivemos, podendo assim contribuir na construção do Templo Exterior, qual seja, a sociedade humana mais ética, mais justa e mais solidária.
As leis do homem nada significam sem Princípios Morais, pois não se faz uma sociedade mais justa e fraterna sem nela haver homens mais justos e mais fraternos. Deve-se adquirir através de uma postura pautada nessa filosofia, o Hábito da Virtude e da interligação direta e íntima do homem e sua alma: a comunicação da Luz Divina em seu interior para que a inteligência seja capaz de atingir um conhecimento verdadeiro, bom e sincero.
Os diversos formatos da pedra bruta são em sua essência o início de nosso desenvolvimento, as várias formas da pedra bruta representam as virtudes pelas quais nós neófitos temos que aprimorar e desenvolver, cabendo a cada um trabalhar com mais afinco as suas imperfeições sempre buscando o formato da pedra polida ou esquadrada. Analisando a pedra bruta podemos considerar que cada um de nós pode trabalhar seu formato, mas os estudos maçônicos possibilitam que haja uniformidade em nosso desenvolvimento e todos possam desbastar a pedra para um único ideal, 60
60refletindo o sentimento de igualdade. Consideramos importante que apesar do desenvolvimento das virtudes sempre temos sempre que refletir, pois em nossa essência continuamos sendo a mesma pedra bruta, em constante desenvolvimento das retidões e dos sentimentos nobres ou não, dependendo do nosso nível de conhecimento e vivência do mesmo.
A Tábua de Delinear ou Prancheta
A Tábua de Delinear ou Prancheta simboliza o Mestre da Loja e serve para traçar os planos e projetos das obras, ou seja, é com ela que os Mestres trabalham para guiar os aprendizes e os companheiros nos trabalhos por ela indicada, revelando-lhes o significado dos símbolos essenciais figurados no painel e delineando o caminho que eles devem seguir para o aperfeiçoamento, a fim de progredirem nos trabalhos da arte real.
Com a Tábua, o Mestre de Loja transforma a mente tosca e ignorante do Aprendiz, a Pedra Bruta, num homem instruído, o Companheiro, já em estágio mais avançado em Pedra Polida, o qual poderá transmutar-se num homem perfeito, num verdadeiro Mestre Maçom capaz de atuar como Construtor Social na edificação de um mundo justo, perfeito e melhor.
Alguns autores retratam que o Volume da Lei Sagrada é a Tabua de Delinear do G.A.D.U., onde ele relata todo o conteúdo moral para o homem seguir firme no caminho da sua ascensão aos mundos superiores e felizes.
MOBILIÁRIO OU PARAMENTOS
O Mobiliário representa as três grandes Luzes Emblemáticas da Maçonaria e sua presença no Templo é imprescindível para a realização dos trabalhos litúrgicos, sendo definidas pelo Volume da Lei Sagrada, o Esquadro e o Compasso.
O Volume da Lei Sagrada
Representa o Código Moral que cada indivíduo deve respeitar e seguir; a filosofia que cada qual deve adotar; é a Lei Sagrada de cada Maçom; enfim, a Fé que nos governa e anima, o norte das nossas vidas, independente de qualquer religião que seja, pois a princípio e até que provem o contrário, o G.A.D.U. é onipresente, oniciente e onipotente.
Assim da mesma forma que a Tábua de Delinear serve para o Mestre traçar objetivamente os trabalhos dos irmãos para o seu aprimoramento, o Volume da Lei Sagrada pode ser considerado como sendo a Tábua de Delinear do G.A.D.U., na qual são traçadas espiritualmente as Leis Divinas e Morais para o Maçom e para a humanidade.
O Volume da Lei Sagrada deve ser aberto sobre o Altar dos Juramentos (que no caso do Rito de Emulação está representado subjetivamente, apenas na Tábua de Delinear e não materialmente dentro do Templo) durante os trabalhos da Loja, como símbolo de espiritualidade e representando a Verdade. Constitui a tração Espiritual ligando o homem a divindade, contém as palavras sagradas e serve para que os candidatos a Franco-Maçonaria façam o seu juramento de obediência e fortaleça a sua fé, sendo também o local onde a Escada de Jacó está apoiada, como veremos mais adiante.
O Esquadro e O Compasso
O Esquadro e o Compasso formando um único emblema é certamente o distintivo mais conhecido da Maçonaria no mundo profano, e o símbolo mais representativo da filosofia maçônica, especialmente quando a eles se agrega a letra “G”, inicial de Geometria, representando o Grande Geômetra que é Deus ou o G.A.D.U.
Como parâmetros especulativos, o Esquadro e o Compasso representam a aspiração do homem pela Justiça e pela Retidão. Eles simbolizam a medida justa que deve presidir todos os atos e ações do verdadeiro Maçom, não podendo se afastar nem da Justiça, nem da Retidão, regulando as nossas vidas e as nossas ações.
O Esquadro, com seu único ângulo reto, e sua escala de medidas fixas, é aplicado às superfícies e aos sólidos, e relaciona-se aos estados aparentemente fixos da matéria (a exemplo na checagem da Pedra Esquadrada ou Cúbica), enquanto que o Compasso, com seu ângulo variável, traçam-se círculos, que representa o todo, o infinito, a perfeição, e relaciona-se aos movimentos e revoluções. Dessa forma, o Esquadro simboliza a Matéria, a Terra e o Compasso, o Espírito e o Céu.
O Esquadro é o símbolo da Retidão que regula nossas ações e que nos ensina a permanecermos fiéis para com os nossos semelhantes; já o Compasso representa a justiça, nos mantém nos devidos limites das nossas relações com todos os homens e especialmente com os nossos irmãos, ensinando-nos onde começam e onde terminam os nossos direitos.
No Grau de Aprendiz, o Esquadro é colocado sobre o Compasso, simbolizando que a Matéria ainda domina o espírito.
Assim, o aprendiz não pode usar o Compasso, pois deverá trabalhar exclusivamente na Pedra Bruta até que sua obra esteja perfeitamente acabada, polida e esquadrejada. O Aprendiz ainda tem a mente nublada por preconceitos e convenções que o impedem de livremente pesquisar e procurar a verdade.
ORNAMENTOS
Os Ornamentos são todos aqueles símbolos que decoram ou ornamentam uma Loja Maçônica e que não estão classificados nem como Jóias e nem com como Mobiliário ou Paramentos, sendo constituídos do Pavimento Mosaico, a Moldura Denteada ou Marchetada e Estrela Brilhante.
O Pavimento Mosaico
Simbolizam a Harmonia que sempre deve haver entre todos os Maçons, independentemente de suas diferenças étnicas, religiosas, políticas, sociais, etc.
O Pavimento Mosaico ou piso mosaico é composto de quadros pretos e brancos, alternando as suas cores nos demonstrando a superação via contraste, via dualidade e simbolizando a união e a igualdade entre os irmãos, assinalando a superação de suas divergências conceituais variadas, mostrando-nos a humildade, o desapego a preconceitos do mundo profano e nos leva a busca da harmonia universal.
O piso tem origem na cultura sumeriana, povo oriundo da antiga mesopotâmia, deve rigorosamente ocupar todo o piso do templo, simbolizando os opostos encontrados na vida do homem.
No antigo Egito, o pavimento mosaico era um lugar sagrado proibido de ser pisado com forte apelo religioso.
Segundo Ruben Schechter, “ao nos depararmos frente ao pavimento mosaico, nos lembramos dos nossos piores defeitos: a ambição e a vaidade. A ambição de queremos alcançar todos os graus, a ambição de nos tornarmos veneráveis, alguns pela capacidade e pela democracia, e outros por imposição e totalitarismo, a ambição de termo e sermos ou nos consideramos melhor que o próximo. A vaidade é o combustível da ambição. São como dois demônios, vivendo em bizarro concubinato nos corações dos homens desprezíveis”.
O pavimento mosaico nos ensina a nos afastar destes sentimentos abjetos, pois representa o porto seguro de todo o homem virtuoso.
É imperioso destacar que os ladrilhos do pavimento mosaico são assentados niveladamente sobre um “único cimento”, ou seja, nos mostrando que vivemos em harmonia num único mundo, independente dos nossos conceitos, das nossas crenças e de nossas posições sociais.
A Moldura Denteada ou Marchetada
Simboliza os Maçons unidos e reunidos em Loja, significando a família Maçônica Universal.
A Moldura Denteada ou Marchetada, também sendo denominada de Orla ou Borla são os nomes atribuídos à representação existente na tábua que serve para demarcar os limites ao redor dos símbolos a primeira vista, mas se observarmos com atenção iremos notar que ela representa a luz em expansão indo de encontro às trevas, luz esta que significa os ensinamentos, a moral maçônica, o amor, a fraternidade se expandido e ocupando o lugar da ignorância, da inimizade, da incompreensão, da desarmonia que é o significado das trevas. A Moldura Denteada serve também como uma muralha para nos proteger da falsidade e do desequilíbrio do mundo profano, não permitindo que isso nos afete.
Também esta muralha composta por inúmeros dentes representa a união dos obreiros em comunhão para aprimorar seus conhecimentos, para adquirir aquilo que é justo e perfeito, compartilhando tais ensinamentos com o mundo profano.
Esotericamente podemos dizer que a Moldura Denteada simboliza a fraternidade através da união dos povos, bem como, servem de barreira contra a entrada da ignorância no Templo interior de cada um, representada pelos seus dentes pretos, em alusão á expansão da Luz obtida com os conhecimentos, representada pelos seus dentes brancos.
Fazemos uma alusão ao Rito de Emulação, onde a Orla representa os planetas ao redor do sol, formando uma bela moldura que rodeia e adorna, dando beleza e harmonia. De acordo com tal raciocínio, lembram-nos os povos reunidos em torno de um chefe, os filhos reunidos junto ao pai, todas as raças reunidas em torno de uma sabedoria universal.
A Estrela Brilhante
A Estrela Brilhante simboliza, nas Lojas, o Sol que é para os Maçons a representação de Deus, o G.A.D.U., pois ele, com sua luz e com seu calor, dispensa inúmeros benefícios ao gênero humano.
È a glória que está no centro, iluminando a terra e toda a humanidade, espalhando a luz, as bênçãos e a vida.
Na interpretação mais apurada, é a Divindade suprema, oniciente, onipotente e onipresente.
A Estrela Brilhante do Rito de Emulação possui sete pontas, representando para alguns autores, as Sete Artes ou Ciências Liberais, fazendo uma alusão ao número sete no seu significado cabalar, onde temos também as sete notas musicais (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si), os sete continentes (América, África, Europa, Ásia, Oceania, Lemúria e Atlântida) os sete Mestres Maçons reunidos para abertura de uma Oficina, os sete dias da semana, enfim, todo um mistério, magia e ocultismo representado pelo número sete.
O SOL E A LUA
O Sol e a Lua representam o antagonismo da natureza – dia e noite, afirmação e negação, o claro e o escuro, o masculino e o feminino – que, contraditoriamente, gera o equilíbrio justamente e sabiamente pela conciliação dos antagonismos.
O Sol simboliza a glória e o esplendor do criador, nos energizando e curando tanto nosso corpo como nossa alma. O Sol representa aquilo que buscamos, em nossa vida, e que quando éramos profanos, não tínhamos, e se tínhamos, era apenas um vislumbre, devido às virtudes que alguns homens possuem; esses são chamados de maçons profanos, e o que buscamos é a luz da verdade, do conhecimento, da harmonia, da fraternidade, do amor ao próximo.
O Sol representa é a fonte de luz, portanto atua ativamente, masculinamente, nascendo no Oriente de onde vieram às civilizações e as ciências, e nos fornece a luz para o início dos nossos trabalhos em Loja, exatamente ao meio-dia quando se encontra no zênite.
A lua representa o mundo profano, onde habita as trevas, a escuridão do conhecimento, a falta de companheirismo e a falta de harmonia, por justamente ser notada durante a noite.
Em outra corrente de pensamento a Lua representa o Amor, o lado feminino, atuando passivamente, pois absorve e depende da luz do Sol para reinar nas noites embelezando e harmonizando juntamente com as estrelas o céu.
Serve também como o divisor de águas na finalização dos trabalhos em Loja, pois ao se encontrar no nadir os mesmos são encerrados.
Ambos exerceram um papel fundamental nas civilizações antigas, contribuindo para a agricultura, na contagem dos tempos, na inspiração mitológica principalmente na Grécia.
De acordo com o Rito de Emulação, o Sol e a Lua juntamente com o Mestre de Loja sãos as Três Luzes menores da Maçonaria, estando situadas no Oriente, Sul e Ocidente, sendo o Sol o governador do dia, a Lua o da noite e o Mestre de Loja, o governador dirigente dos trabalhos.
Na Tábua de Delinear do Rito de Emulação, a Lua é representada na sua fase cheia e não em quarto crescente conforme os painéis de outros ritos.
AS ESTRELAS
As Estrelas, juntamente com o Sol e a Lua simbolizam o universo iluminando a abóbada celeste, o infinito, ao qual o iniciado chega através da escada de Jacó.
Segundo o ritual do Rito de York, as sete estrelas aludem à quantidade de irmãos Mestres-Maçons que precisam estar presentes às sessões sem os quais nenhuma Loja é perfeita e nenhum candidato pode ser iniciado na Ordem.
Existe um entrelaço novamente com o número sete, a visão mística e cabalar, retratada anteriormente na explanação da Estrela Brilhante.
Igualmente, as diversas estrelas distribuídas simbolizam a universalidade da Maçonaria e lembram que os Maçons espalhados por todos os continentes, devem se portar como construtores sociais, distribuir a luz de seus conhecimentos àqueles que ainda estão cegos e privados do conhecimento da Verdade.
AS NUVENS
Representam à falta de completa visibilidade da Verdade (Luz Divina) que é inerente aos Aprendizes-Maçons no 1º Grau, demonstrando assim os momentos de alternância na conduta do aprendiz, ou seja, a dificuldade de observar os mistérios da Franco-Maçonaria.
A Nuvem representa as dificuldades que nós temos para visualizar a Luz Maior, sendo que as sete estrelas circunscritas mostram-nos que praticar as sete virtudes (cardeais e teológicas explicadas mais adiante) pode nos levar a alcançar essa Luz, mas não devemos buscá-la fora e sim no nosso interior.
Vemos aqui mais uma vez a simbologia setenária, pois o sete é considerado um número perfeito pelos antigos e representa os dias da criação do mundo, as sete cores do arco-íris, os sete dias da semana, as sete notas musicais, etc., representa o aperfeiçoamento espiritual do homem.
Podemos dizer que as nuvens nublam os caminhos do homem na sua busca do seu “Eu Superior”, e que tal nebulosidade pode se creditar à ignorância do ser humano, uma das diversas arestas que devem ser aparadas no desbastar da Pedra Bruta de cada um, de acordo com o seu grau de evolução, interpretação e entendimento, não obstante sua fé.
O ALTAR DOS JURAMENTOS E O CÍRCULO
Temos que ter na mente que as Tábuas de Delinear surgiram primeiramente do que a os próprios Ritos e Lojas, funcionando improvisadamente nos interiores de tabernas devido as perseguições da época.
No Rito de Emulação não existe materialmente o Altar dos Juramentos e o Círculo, estando os mesmos representados simbolicamente na Tábua de Delinear, servindo como base para suportar o Volume da Lei Sagrada que ao mesmo tempo sustenta o início da Escada de Jacob.
Materialmente utilizamos o Pedestal do Mestre de Loja para sustentar o Volume da Lei Sagrada, que em comunhão com o Esquadro e o Compasso, formam as Três Luzes Emblemáticas da Maçonaria.
O significado do Altar dos Juramentos é uma alusão aos povos da antiguidade, desde os indígenas até os hebreus, que faziam as suas oferendas a um ser superior, um Deus, em troca de graças e favores obtidos, sustentando neste ponto o princípio do culto à divindade, que para alguns povos eram tidos como primordiais ao agrado de Deus e para acalmar a sua ira.
O Círculo como um ponto central, representa a linha mestra da conduta moral de todo Maçom, subjetivamente limitado entre o Norte e o Sul por duas paralelas imaginárias simbolizando Moisés e o Rei Salomão.
Na parte superior de tal círculo, repousa o Volume da Lei Sagrada, estando consoante com o início do Altar dos Juramentos.
Se nos mantermos circunscritos dentro do Círculo e dos limites das paralelas, observando a conduta moral do Volume da Lei Sagrada, não poderemos errar em nossos objetivos de vida.
A ESCADA DE JACOB
A Escada de Jacob, em diversas religiões, está sempre ligada à Evolução, à Iniciação e ao Caminho que leva á Divindade, sendo utilizada maçonicamente para o mesmo fim.
Simboliza o caminho por onde nós, como Maçons, esperamos chegar ao plano que habita o Grande Arquiteto do Universo. Ela é composta por vários degraus, que não são definidos em quantidade exata justamente por considerar o grau de evolução de cada um, simbolizando as virtudes que o Maçom deve cultivar, para chegar à perfeição.
Ela está apoiada sobre as Três Luzes Emblemáticas da Maçonaria, pois o Volume da Lei Sagrada representa a lei divina, a sabedoria universal que é o Grande Arquiteto do Universo, o código da moral e da ética. O Esquadro que representa a retidão e o Compasso que representa a justiça. De modo que o único modo de chegarmos até o topo da escada é sermos detentores da moral, ética, sermos justos e andarmos em retidão.
Na escada encontramos alguns símbolos que são consideradas as três principais virtudes teologais, de acordo com a igreja católica, relacionadas as virtudes instintivas incrustadas no homem por Deus e que são:
ü A Cruz: simboliza a fé no G.A.D.U., pois sem fé não se chega até o topo da Escada, não se goza os benefícios da plenitude divina;
ü A Âncora: simboliza a esperança de chegar ao topo da Escada e alcançar a graça do G.A.D.U., a salvação e a perfeição íntima;
ü O Cálice: simboliza a caridade, o amor em ajudar o próximo, pois ajudando o próximo estamos ajudando a nós mesmos, de forma a chegarmos à perfeição;
ü A Chave: que está subjetivamente oculta na Tábua de Delinear, simboliza os Segredos e Mistérios da Franco-Maçonaria, nos lembrando do juramento feito e guardado no nosso íntimo e também a discrição pertinente a cada Maçom.
O mais importante ao analisarmos a Escada de Jacob é de perguntarmos a nós mesmos onde nos encontramos nela, se estamos subindo, se estamos descendo, se estamos estacionados, inertes ao mundo e a todos, se eu posso ao chegar no seu topo descer e ajudar o próximo, se estou sendo humano ou animal, caridoso ou vaidoso na escada da vida, enfim, uma infinidade de indagações interiores e individuais que nos fazem refletir e a repensar o nosso caminho cotidianamente.
A fase de interpretação de onde estamos na Escada é de suma importância para o aprimoramento individual e para a contribuição de cada Maçom como Construtor Social no mundo.
AS TRÊS GRANDES COLUNAS
Consta em nosso Rito de Emulação que o Universo é o Templo da Divindade e que a Sabedoria, a Força e a Beleza rodeiam o trono do G.A.D.U., sendo sua sabedoria infinita, suprema e oniciente, sua força onipotente e sua beleza onipresente.
As Três Grandes Colunas que sustentam uma Loja representam tais atributos e também representam o Rei Salomão na sua sabedoria de levantar um Templo de sagração celestial, Hiram Rei de Tiro que utilizou toda a sua força – material e humana - na sua construção e Hiram Abiff que o adornou e deu beleza, formando um trino de supremacia.
No presente trabalho, As Três Grandes Colunas de origem grega têm significados especiais, como os de representar a Sabedoria (Coluna Jônica – Mestre da Loja – Salomão Rei de Israel); a Força (Coluna Dórica - 1º Vigilante – Hiram Rei de Tiro); e Beleza (Coluna Coríntia - 2º Vigilante – Hiram Abiff – Filho da Viúva).
ü Sabedoria, simbolicamente representada pela Coluna Jônica, mais esbelta, possui uma base e um capitel trabalhado com quatro volutas, é a personificação da sabedoria, símbolo da sabedoria feminina atribuída à figura da deusa Atena (Minerva para os romanos). Ela é designada ao Mestre de Loja e está situada no Oriente, pois este dirige os obreiros fazendo uma analogia ao Rei Salomão por sua sabedoria em criar um Templo dedicado aos desígnios de Deus, sempre procurando a Verdade.
ü Força, simbolicamente representada pela Coluna Dórica, é a única coluna clássica da arquitetura grega. Não possui base e com um capitel simples é a personificação da força do homem sendo designada ao 1º Vigilante e está situada no Ocidente, pois este paga aos obreiros o salário, que é a força e sustentação da existência, sendo esta a representação de Hiram, Rei de Tiro, pelos seus esforços na construção do templo de Jerusalém, fornecendo homens e materiais.
Tem sua figuração na mitologia grega e romana representada por Hércules.
ü Beleza, simbolicamente representada pela Coluna Coríntia, possui o capitel de maiores detalhes e acabamentos e é a personificação da beleza sendo designada ao 2º Vigilante e está situada no Ocidente, pois faz repousar os obreiros fiscalizando-os no trabalho, sendo esta a representação de Hiram Abiff, artista designado a criar os acabamentos primorosos do Templo de Jerusalém.
A Beleza que devemos fazer jus da palavra é a beleza moral e tem sua figuração na mitologia romana, na Deusa Vênus, que é a Deusa do amor e da beleza.
“A SABEDORIA CRIA, A FORÇA SUSTENTA E A BELEZA ADORNA. SEM ESTES ATRIBUTOS NADA É PERFEITO E DURÁVEL NO UNIVERSO”.
O MAÇO E O CINZEL
Operativamente, são as ferramentas utilizadas no desbaste da Pedra Bruta transformando-as em Pedra Esquadrada ou Polida. São ferramentas do Grau de Aprendiz, que os usará para o seu aprofundamento nas ciências ocultas da Ordem.
O Maço e o Cinzel, a Vontade e a Inteligência, atuando sem coordenação, funcionando de forma independente, geralmente não produzem um trabalho satisfatório, não garantem que o trabalho se conclua, não asseguram que a meta seja alcançada.
Estes dois símbolos estão unidos, demonstrando que ambos precisam atuar harmonicamente para que se consiga atingir os objetivos almejados.
A associação do Maço com o Cinzel nos indica que a Vontade e a Inteligência, a Força e o Talento, a Ciência e a Arte, A Força Física e a Força Intelectual, quando aplicadas em doses certas, permitem que a Pedra Bruta se transforme em Pedra Polida ou Esquadrada.
O maço possui o lado ativo, da força, e o cinzel o lado passivo, da beleza.
O LEWIS
Operativamente, o Lewis é uma peça de ferro com cunhas ajustáveis e expansivas usado pelos pedreiros antigos para erguer e colocar grandes pedras nos devidos lugares. Sendo assim, o Lewis está na Tábua de Delinear para representar as nossas próprias mãos que usamos para erguer e transportar Pedras Brutas e Cúbicas, porém, nem sempre o esforço humano é suficiente para realizar com eficiência, a obra. Para a construção do Templo Espiritual, se as nossas mãos não se apresentam suficientemente fortes para a tarefa, o Lewis será mentalizado e cumprirá a sua tarefa.
Cabe nos uma ilustração a parte que devemos suportar os pesos da vida material, principalmente na conduta da vida familiar, amparando e protegendo nossos entes queridos, entre eles os que já estão em estágio de vida avançados. Os pais carregam os filhos quando novos e vice-versa na idade adulta, por isso devemos estar devidamente preparados para desempenhar tal função.
A RÉGUA DE VINTE E QUATRO POLEGADAS
Operativamente representava uma ferramenta de construção para apurar as medidas exatas dos materiais de construção, principalmente os vergalhões e verticais de ferro gusa e eram forjadas em metal.
Maçonicamente simboliza às 24 horas do dia, das quais devemos aplicar parte em orações ao Grande Arquiteto do Universo, parte no trabalho e no descanso, e parte em servir um amigo ou Irmão necessitado, sem prejuízo nossos ou de nossos familiares. Também a régua de24 polegadas simboliza a retidão de caráter que todo Maçom deve possuir, não envidando esforços para o ocioso e para a inutilidade do tempo que hoje em dia voa rapidamente por entre os olhos.
A ESPADA
Operativamente, simbolizava o poder pensante, dominador, guerreiro e defensor, muitas vezes utilizada para oprimir a classe plebéia.
Na Ordem, simboliza a Igualdade que deve existir em cada Maçom, posto que só nobres e os titulares de determinados ofícios na Antiguidade, tinham o direito de trazer em público, enquanto nas Lojas Maçônicas todos os irmãos sem distinção de sua posição social, tinham o direito de portá-la. Em loja, o porte da espada igualava o plebeu ao nobre.
A espada pela posição em que se encontra no painel pode-se dizer que representa o guarda interno ou cobridor interno, que é encarregado do templo para proteger o recinto contra eventuais intrusos. Podemos dizer que cada um de nós também pode portar a espada para nos defender da ignorância e da ociosidade que teimam em nos governar.
AS QUATRO BORLAS
Segundo a igreja católica, possuímos quatro virtudes cardeias ou morais e elas estão estampadas nos quatro cantos da Moldura Denteada representando a Temperança, a Fortaleza, a Prudência e a Justiça nos lembrando as ações conduzidas em cada Maçom.
As borlas que representam à justiça e a prudência de acordo com alguns autores são dispostas na entrada do templo, simbolizando que a maçonaria esta sempre a procura de novos obreiros com disposição para colaborar para a evolução e engrandecimento da humanidade.
Assim, a Temperança purifica a nossa mente e o nosso coração, a Fortaleza sustentar a nossa fé interior, a nossa crença; A Prudência nos guia na nossa conduta moral e de pensamento e a Justiça é o guia mestre de todas as nossas ações.
CONCLUSÃO
Conforme o estudo apresentado concluímos que a Tábua de Delinear de qualquer grau sempre vai simbolizar tudo o que os Maçons devem fazer na sua caminhada para atingir os objetivos Maçônicos a ele designados.
Notamos que na Tábua do Aprendiz existem muitas referências ao número sete, considerado pelos antigos como um número sagrado, pois representa: os sete dias da criação, as sete notas musicais, as sete cores do arco íris, as sete virtudes para alcançar a Luz Maior, etc.,
Vimos à simbologia de vários instrumentos utilizados na construção, com o esquadro, compasso, prumo, nível, régua, etc., que auxiliam no aprimoramento do Aprendiz Maçom no seu trabalho rumo à perfeição, que é a lapidação da Pedra Bruta em Pedra em Pedra Esquadrada ou Polida.
É necessário não olharmos para a Tábua só como uma representação física, mas, principalmente, o que está sendo mostrado de forma velada que leva cada Maçom a aprimorar sua conduta dentro dos princípios do G.A.D.U..
Portanto se buscarmos, mesmo com muita dificuldade, subir cada degrau da Escada de Jacob, adquirindo as quatro virtudes cardeais (Temperança, Fortaleza, Prudência e Justiça) e as três virtudes teológicas (Fé, Esperança e Amor ou Caridade), estaremos cumprindo com nossa missão nesse plano e assim contribuindo um pouco para o aprimoramento de toda humanidade.
“QUE AS BENÇÃOS DO G.A.D.U. CAIAM SOBRE TODOS OS IRMÃOS E TODA A HUMANIDADE”.
BIBLIOGRAFIA
1. CRUZ, ALMIR SANT’ANNA - Simbologia Maçônica dos Painéis: Lojas de Aprendiz, Companheiros e Mestre - 1ª Edição - 1997 - Editora Maçônica “A TROLHA”;
2. BOUCHER, JULES - A Simbólica Maçônica - 1ª Edição - 1979 - Editora Pensamento;
3. CONTE, CARLOS BRASÍLIO - A Doutrina Maçônica - 1ª Edição - 2005 - Madras Editora Ltda;
4. CORTEZ, JOAQUIM ROBERTO PINTO - Os Fundamentos da Maçonaria - 1ª Edição - 2004 - Madras Editora Ltda;
5. Cerimônias Exatas do Rito de York - Emulation Ritual - GOB - 1999;
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