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Rito Adonhiramita


Maçonaria Adonhiramita



Maçonaria Adonhiramita é acima de tudo AMOR! E o Rito Adonhiramita obriga a esse exercício, estabelecendo como norma de tratamento: Amado Irmão. 

Todos sabem que a repetição é a melhor forma de ensinamento, e esse método de tratar do Rito Adonhiramita acaba fazendo os IIr.'. vibrarem o magnetismo do AMOR, proporcionando a harmonia que deve existir entre os seres humanos. E é tanto verdade o fato da repetição que hoje uma grande parcela de iir.'., acham erradamente que o G.'.O.'.B.'. foi fundado no Rito Moderno, até pela repetição errada de alguns autores.

Mas se esses AAmad.'. IIr.'. se derem ao trabalho de ler na Ata de re-fundação da Loja Comércio e Artes, publicada no Boletim do G.'.O.'.B.'., de Janeiro/Fevereiro de 1902, lerão com todas as letras que a Loj.'. Primaz do G.'.O.'.B.'., que foi fundada no Rito Adonhiramita sob os Auspícios do G.'. O.'. de Portugal e Algrave. E se posteriormente lerem as Atas do G.'.O.'.B.'., quando as três Lojas Comércio e Artes, União e Tranqüilidade e Esperança de Niterói se reuniram na chamada "Grande Loja", irão constatar e ratificar que o Grande Oriente Brasílico, como foi inicialmente denominado, foi fundado no Rito Adonhiramita, decidindo depois passar para o Rito Moderno, como se lê na 5ª Ata de 12 de julho de 1822, mas continuou trabalhando no Rito Adonhiramita até o seu fechamento por D. Pedro I, o seu 2º Grande Mestre, em 25/10/1822 pela falta de Reguladores (Rituais). Somente na reabertura em 23 de Novembro de 1831, voltando a ter José Bonifácio como Grão Mestre (ele foi eleito 1º Grão Mestre) se começa a trabalhar no Rito moderno. Pra efeitos de pesquisa destinado a estudiosos, em 1923, o Boletim do G.'.O.'.B.'. publicou uma cópia das dezenove Atas do 1º período de 17/07/1822 à 11/10/1822.

Assim sendo a verdade é que o Rito Adonhiramita foi que deu início ao Grande Oriente Brasílico, em 24 de Janeiro de 1822, como aliás, foi reconhecido pela justiça profana na interdição do Palácio Maçônico do Lavradio, no Rio de Janeiro, quando por questões eleitorais, a justiça profana interditou o Palácio, dando depois ao EXCELSO CONSELHO DA MAÇONARIA ADONHIRAMITA, o deferimento de "Fiel Depositário", por ser o RITO PATER do G.'.O.'.B.'., conforme despacho do Dr. Juiz de Direito da 1ª Vara Cível da Cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, Nilton Mondego de Carvalho LIma, em 06/06/1978, no processo nº 96/100.

E este Rito que tem sua sede mundial no Brasil, Rio de Janeiro, continue LEVANTANDO TEMPLOS ÀS VIRTUDES DOS AMADOS IRMÃOS, PARA CAVAR MASMORRAS AOS SEUS ERROS E TORNAR A NOSSA HUMANIDADE MELHOR, QUE É O DESEJO DE TODAS AS MAÇONARIAS.



ORIGEM DO RITO ADONHIRAMITA I


Barão de Tschoudy, descendente de família suíça, membro do Parlamento de Metz, cidade natal, onde residiu de 1756 a 1765. Metz, era um dos principais centros de estudos e difusão do pensamento maçônico. Tschoudy, maçom entusiasta e possivelmente o ritualista mais conceituado de seu tempo, cultivou admiração tanto no meio maçônico quanto no profano. Foi considerado um verdadeiro cavalheiro, de caráter expansivo, franco, leal e respeitado pela erudição e pelo talento que se refletiam em suas obras.

Foi um dos mais combativos contra a proliferação sem critérios, dos altos graus no então Rito Heredon, tronco do qual surgiram todos os sistemas escoceses atualmente conhecidos, dentre eles os Ritos: Adonhiramita, Escocês Antigo e Aceito e, Moderno ou Francês.

Descontente com as inovações indevidamente introduzidas, passou a redigir novos rituais. em 1766 publicou "L´ETOILE FLAMBOYANTE, OU LA SOCIÉTÉ DES FRANC-MAÇONS" (A ESTRELA FLAMÍGERA, OU A SOCIEDADE DOS FRANCO-MAÇONS).  Nesta obra, Tschoudy praticamente propõe a criação de uma nova Ordem de altos graus, a "Ordem da Estrela Flamígera", composta de três graus, "Cavaleiro de Santo André", "Cavaleiro da Palestina" e "Filósofo Desconhecido". A partir de então, passou a ter uma atividade frenética, quando iniciou a compilação dos antigos rituais que foram reunidos na famosa "RECUEIL PRÉCIEUS DE LA MAÇONNERIE ADONHIRAMITE". 

Tschoudy, embora de origem católica, eliminou o caráter jacobino dos graus escoceses por ele compilados. Este caráter era fonte de severas críticas e acusações de aliança dos Maçons Escoceses com os Stuart, em disputa com os Hanover pela Coroa Britânica.

Mesmo após desentender-se com o Conselho dos Cavaleiros do Oriente, Tschoudy, ao falecer, deixou uma obra literária maçônica com a recomendação expressa de jamais publicá-la fora do círculo maçônico. Esta obra era composta, além do Ritual do grau de Cavaleiro de Santo André, a Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita e outros importantes manuscritos. Apesar da proibição o Conselho publicou parte destes escritos. 

A Compilação Preciosa, foi editada na França em 1787, dois volumes. A primeira relativa aos graus de Aprendiz, Companheiro, Mestre e Mestre Perfeito. A segunda, trata dos graus de perfeição: Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove; Segundo Eleito Nomeado Eleito de Pérignan; Terceiro Eleito Nomeado Eleito dos Quinze; Pequeno Arquiteto; Grande Arquiteto ou Companheiro Escocês; Mestre Escocês; Cavaleiro da Espada nomeado Cavaleiro do Oriente ou da Águia; Cavaleiro Rosa+Cruz e o Noaquita ou Cavaleiro Prussiano.

Em 1873 foi realizado o ordenamento da Maçonaria Adonhiramita após a criação do MUI PODEROSO E SUBLIME GRANDE CAPÍTULO DOS CAVALEIROS NOAQUITAS PARA O BRASIL e, embora não havendo registros históricos, foi a partir desta época que a denominação tradicional de "Antigo Rito dos Treze Graus".

Na Europa, o Rito Adonhiramita foi praticado na França e em Portugal e grandemente difundido nas colônias francesas, caracterizando-se como o preferido da armada napoleônica. Contudo, foi paulatinamente abandonado, tanto em território europeu quando nas colônias a partir da grande difusão que o Rito Francês atingiu no início do século XIX, ficando a sua prática restrita ao Brasil, onde se encontra a sua Oficina Chefe, Estabelecida pela Constituição durante a Fundação do Grande Oriente de Brasil de 1839, com a criação do colégio dos Ritos.

Em 1851 foi criado o colégio dos Ritos Azuis e, em 1873 o GRANDE CAPÍTULO DOS CAVALEIROS NOAQUITAS PARA O BRASIL, através do Decreto nº 21, de  24 se abril de 1873.

Após a separação da Maçonaria Brasileira, onde os graus simbólicos ficaram sob a jurisdição do Grande Oriente do Brasil e os Altos Graus jurisdicionados às respectivas Oficinas Chefes dos Ritos, a 02 de junho de 1973, o MUI PODEROSO E SUBLIME GRANDE CAPÍTULO DOS CAVALEIROS NOAQUITAS PARA O BRASIL, decidiu pela transformação do Rito para 33 graus, instituindo os Graus Kadosch.

A partir desta data, o governo das Oficinas Litúrgicas do Rito Adonhiramita, antes exercido pelo MUI PODEROSO E SUBLIME GRANDE CAPÍTULO, ficou afeto ao EXCELSO CONSELHO DA MAÇONARIA ADONHIRAMITA. O novo ordenamento, preservando todas "as generalidades ritualísticas compiladas pelo Barão Tschoudy" foi adotado com a aprovação do Projeto apresentado pela Comissão instituída pelo MUI PODEROSO E SUBLIME GRANDE CAPÍTULO DOS CAVALEIROS NOAQUITAS PARA O BRASIL, com o objetivo de aprofundar os estudos. Assim sendo, todos os graus do antigo ordenamento foram preservados em toda a sua essência, mantendo intactas até os dias atuais, tradições ritualísticas e práticas iniciáticas muito antigas, algumas das quais, datam do surgimento da própria maçonaria operativa, outras foram adotadas no início do Século XVIII, à época do surgimento da Maçonaria especulativa






A ORIGEM DO RITO ADONHIRAMITA II

VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT 

A Origem do Rito, muito se tem falado, escrito e divulgado sobre a origem do Rito. Há algumas versões, que chegam a ser até cômica. A grande maioria das versões são especulações e o que é pior, sem provas documentais. Infelizmente, essas especulações só vem denegrir o belo Rito. A questão de provas documentais é muito importante exatamente porque a História não admite o eu acho, ou ouvi dizer ou me disseram. Vários estudiosos, pesquisadores maçons, de renomeada credibilidade, já demonstraram a verdadeira história da Origem do Rito. Assim, partindo da premissa, que "um sábio não precisa de muitas explicações para entender", acrescentaremos dados documentados, prova  definitiva e cabal, que o criador do Rito Adonhiramita, foi Louis Guillerman de Saint - Victor 
  

Alec MELLOR -autor do   "Dictionnarie des Franc-Maçons et de la Franc-Maçonnerie"  
  

" As Escrituras falam de Adonhiram somente como encarregado das coréias quando da construção do Templo pelo Rei Salomão, entretanto, em 1744, Louis Travenol publicou sob o nome de Léonard Gabanon o seu "Catéchisme de Francs Maçons ou le Secret des Francs Maçons", onde confundia Adonhiram com Hiram Abif. Como "Adon ", em hebraico significa "Senhor", essa palavra apareceu como prefixo de honra. Os ritualistas dividiram-se . Para uns, Adonhiram e Hiram eram a mesmo personagem Outros sustentavam a teoria dualista, mas divergiam quanto aos papéis respectivos de Adonhiram e Hiram na construção do Templo, uns sustentando que Adonhiram não fora senão um subalterno enquanto outros nele viam o verdadeiro herói da lenda do 3º Grau. Foi assim que nasceu uma Franco – Maçonaria denominada Adonhiramita, oposta, pelos seus teóricos, à dos "hiramitas". Ela nos é conhecida pelo "Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite", publicada em 1781, por Louis Guillemain de Saint – Victor, e abrange os quatro primeiros graus. 

Em seu livro " Orthodoxie Maçonnique ", Jean Marie Ragon, atribuiu ao Barão de Tschoudy a criação da Franco – Maçonaria Adonhiramita. É um erro total.

Albert G. MACKEY - autor da " Encyclopaedia of Freemasonry " 

A criação do Rito Adonhiramita, foi atribuída erroneamente por Ragon ao Barão de Tschoudy, criador da Ordem da Estrela Flamejante. A coletânea relativa aos Altos Graus do Rito, foi completada em 1785, cuja hierarquia se apresenta com se segue: 1º Aprendiz; 2º Companheiro; 3º Mestre; 4º Mestre Perfeito; 5º Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove; 6º Segundo Eleito ou Eleito de Perignan; 7º Terceiro Eleito ou Eleito dos Quinze; 8º Pequeno Arquiteto ou Aprendiz Escocês; 9º Grande Arquiteto ou Companheiro Escocês; 10º Mestre Escocês; 11º Cavaleiro da Espada, Cavaleiro do Oriente ou da Águia; 12º Cavaleiro Rosa Cruz . 

" Esta é a lista completa dos Graus Adonhiramita. Thory e Ragon erraram ambos ao darem-lhe um 13º, a saber: o Noaquita ou o Cavaleiro Prussiano. Praticaram esse erro, porque Saint – Victor inserira este Grau no fim do seu segundo volume, mas somente como uma curiosidade maçônica, que tinha sido traduzida do alemão, com ele disse, pelo Senhor de Berage" ( Ragon errou duas vezes – grifo meu ) "Não existe qualquer ligação com a precedente série de Graus", e Saint – Victor declarou positivamente que o Rosa – Cruz é o nec plus ultra ( 2ª parte pag. 118 ), o ápice e término do seu Rito. 

Esse erro de Ragon, levou os precursores e de alguns  pseudos estudiosos da atualidade, a defenderem, como criador o ilustre escritor Maçom Théodore Henry – Barão de Tschoudy. Entretanto, não há uma única literatura de sua autoria, com citação a Maçonaria Adonhiramita. A sua obra capital é " L’ Étoile Flamboyante ", de 1766. Tschoudy nasceu em 1720 e faleceu em 1769. A coleção "Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite" foi publicado em 1781, isto é, 12 anos após a morte de Tschoudy, e até os dias atuais, ninguém conseguiu provar, com documentos, que ele tenha deixado manuscritos para edições futuras. Todavia, se os conceitos emitidos por pesquisadores estrangeiros, também forem contestados, vamos concentrar em uma analise do próprio "Recueil Précieus de la Maçonnerie Adonhiramite". Na edição, publicada em 1787, traduzida e editada para o português, pela " ARJS Gilvan Barbosa" de Campina Grande–PB, que abrange os quatro primeiros graus, há algumas citações que, não foram - ou não quiseram - observadas pelos pesquisadores  interessados em manter o "status quo", sem a devida humildade de reconhecer o erro. 

"Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite" Ed. 1787 

Na apresentação do Editor Francês da edição 

"Para Guillemain Saint – Victor, Adonhiram não parece ser esse preceptor, mas um parônimo de Hiram, o Mestre Maçom. (pag 86)". 
" O autor faz seus comentários, apresenta as indicações do comportamento em Loja, os catecismos e os rituais dos quatros primeiros graus, como parecem ter sido praticados em 1781, tentando relatas apenas verdades, pelo menos, de valor histórico ". 

  
Na Advertência do Autor: (Edição de 1787) 

Quando mandei imprimir minha Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita, em 1781, anunciei a história da Ordem. Seis anos de reflexão provaram-me que apresentar a origem desta maçonaria seria infinitamente mais interessante. 

"No Catecismo dos Aprendizes. (do Autor da Edição de 1787) 

" Esperando que a História da maçonaria, que vou publicar brevemente, persuada muitos Irmãos, poucos instruídos de que esta pergunta dever ser a primeira de seu catecismo....". 

A primeira edição do " Recueil Precieux.....", foi publicado em 1781, e a edição traduzida pela Loja Gilvan Barbosa" é a de 1787. Analisando esses dados da Edição de 1787, e que o Barão de Tschoudy faleceu em 1769, sem muito esforço mental, podemos concluir: 

1º - Quem faz a citação de que "Guillemain de Saint – Victor" é o autor,  do "Recueil" foi o editor Francês. 

2º - Que a edição de 1787 é uma complementação da edição de 1781, fica claro com a citação do Editor. 

"O autor faz seus comentários, ... como parecem ter sido praticados em 1781 . 

3º - O  tópico "Advertência do Autor", determinou peremptoriamente que "Saint – Victor", mandou imprimir em 1781 a primeira edição, e seis anos depois  de "reflexões" ele mandou imprimir outra edição em 1787.
  

Se o Barrão de Tschoudy, faleceu em 1769, como em 1787 ele poderia ter feito reflexões e mandar editar outra edição ? 

4º - No tópico do " Catecismo dos Aprendizes" o autor diz que ira publicar a Historia da Maçonaria, o que fez em também em 1787 com o titulo " Origine de la Maçonnerie Adonhiramite". 

5º - Contudo,  se os arrazoados não foram substanciais para os incrédulos vamos a derradeira prova documental no próprio "Recuiel..." onde de modo inusitadamente explícito, o autor no tópico "Violências Exercidas contra os Maçons - Advertência", publica três cartas, com as seguintes datas, 13 de abril de 1779, 7 de fevereiro de 1778 e 16º do 5º do ano da grande luz  5779. 


Novamente pergunto, como se o Barão de Tschoudy, faleceu em 1769, poderia publicar no "Recuiel..." cartas de 1778 e 1779 ?. 
Como diz o escritor maçom, Irmão José Castellani: "História é pesquisa, é documento e não especulação " (Revista Trolha). 
 "SINE IRA ET STUDIO 

A ORIGEM DO RITO ADONHIRAMITA 


VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT 

O Amado Irmão José A. Nunes, abordou com muita coragem, um tema extremamente polemico e para alguns, até tabu. Entretanto, se faz necessário a derradeira elucidação da Origem do Rito. Muito se tem falado, escrito e divulgado sobre a origem do Rito. Há algumas versões, que chegam a ser até cômica. A grande maioria das versões são especulações e o que é pior, sem provas documentais. Infelizmente, essas especulações só vem denegrir o nosso belo Rito. A questão de provas documentais é muito importante exatamente porque a História não admite o eu acho, ou ouvi dizer ou me disseram. ( Raimundo Rodrigues – "A Filosofia da Maçonaria Simbólica" ) Vários estudiosos?pesquisadores maçons Brasileiros, de renomeada credibilidade, tais como: José Castellani, Nicola Aslan, Xico Trolha, J.Daniel e outros, já demonstraram a verdadeira história da Origem do Rito. Contudo são brasileiros,. . . e brasileiros , não são muito prestigiados por alguns em nosso País. Dessa forma, partindo da premissa, que "um sábio não precisa de muitas explicações para entender", acrescentarei dados documentados, de conceituados estudiosos e pesquisadores alienígenas, de assuntos da Maçonaria Universal, ao texto do Irmão Nunes, prova  definitiva e cabal, que o criador do Rito Adonhiramita, foi Louis Guillerman de Saint - Victor 
  

Alec MELLOR -autor do   "Dictionnarie des Franc-Maçons et de la Franc-Maçonnerie"  
  
" As Escrituras falam de Adonhiram somente como encarregado das coréias quando da construção do Templo pelo Rei Salomão, entretanto, em 1744, Louis Travenol publicou sob o nome de Léonard Gabanon o seu "Catéchisme de Francs Maçons ou le Secret des Francs Maçons", onde confundia Adonhiram com Hiram Abif. Como "Adon ", em hebraico significa "Senhor", essa palavra apareceu como prefixo de honra. Os ritualistas dividiram-se . Para uns, Adonhiram e Hiram eram a mesmo personagem Outros sustentavam a teoria dualista, mas divergiam quanto aos papéis respectivos de Adonhiram e Hiram na construção do Templo, uns sustentando que Adonhiram não fora senão um subalterno enquanto outros nele viam o verdadeiro herói da lenda do 3º Grau. Foi assim que nasceu uma Franco – Maçonaria denominada Adonhiramita, oposta, pelos seus teóricos, à dos "hiramitas". Ela nos é conhecida pelo "Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite", publicada em 1781, por Louis Guillemain de Saint – Victor, e abrange os quatro primeiros graus. 
Em seu livro " Orthodoxie Maçonnique ", Jean Marie Ragon, atribuiu ao Barão de Tschoudy a criação da Franco – Maçonaria Adonhiramita. É um erro total.


Albert G. MACKEY - autor da " Encyclopaedia of Freemasonry " 

A criação do Rito Adonhiramita, foi atribuída erroneamente por Ragon ao Barão de Tschoudy, criador da Ordem da Estrela Flamejante. A coletânea relativa aos Altos Graus do Rito, foi completada em 1785, cuja hierarquia se apresenta com se segue: 1º Aprendiz; 2º Companheiro; 3º Mestre; 4º Mestre Perfeito; 5º Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove; 6º Segundo Eleito ou Eleito de Perignan; 7º Terceiro Eleito ou Eleito dos Quinze; 8º Pequeno Arquiteto ou Aprendiz Escocês; 9º Grande Arquiteto ou Companheiro Escocês; 10º Mestre Escocês; 11º Cavaleiro da Espada, Cavaleiro do Oriente ou da Águia; 12º Cavaleiro Rosa Cruz . 

" Esta é a lista completa dos Graus Adonhiramita. Thory e Ragon erraram ambos ao darem-lhe um 13º, a saber: o Noaquita ou o Cavaleiro Prussiano. Praticaram esse erro, porque Saint – Victor inserira este Grau no fim do seu segundo volume, mas somente como uma curiosidade maçônica, que tinha sido traduzida do alemão, com ele disse, pelo Senhor de Berage" ( Ragon errou duas vezes – grifo meu ) "Não existe qualquer ligação com a precedente série de Graus", e Saint – Victor declarou positivamente que o Rosa – Cruz é o nec plus ultra ( 2ª parte pag. 118 ), o ápice e término do seu Rito. 

Esse erro de Ragon, levou os precursores e de alguns  pseudos estudiosos da atualidade, a defenderem, como criador o ilustre escritor Maçom Théodore Henry – Barão de Tschoudy. Entretanto, não há uma única literatura de sua autoria, com citação a Maçonaria Adonhiramita. A sua obra capital é " L’ Étoile Flamboyante ", de 1766. Tschoudy nasceu em 1720 e faleceu em 1769. A coleção "Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite" foi publicado em 1781, isto é, 12 anos após a morte de Tschoudy, e até os dias atuais, ninguém conseguiu provar, com decomentos, que ele tenha deixado manuscritos para edições futuras. Todavia, se os conceitos emitidos por pesquisadores estrangeiros, também forem contestados, vamos concentrar em uma analise do próprio "Recueil Précieus de la Maçonnerie Adonhiramite". Na edição, publicada em 1787, traduzida e editada para o português, pela " ARJS Gilvan Barbosa" de Campina Grande –PB-, que abrange os quatro primeiros graus, há algumas citações que, não foram - ou não quiseram -observadas pelos pesquisadores  interessados em manter o "status quo", sem a devida humildade de reconhecer o erro. Pois se até o Papa João Paulo XXIII, humildemente reconheceu vários erros da Igreja no passado, porque não fazemos o mesmo? 

"Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite" Ed. 1787 

Na apresentação do Editor Francês da edição 

"Para Guillemain Saint – Victor, Adonhiram não parece ser esse preceptor, mas um parônimo de Hiram, o Mestre Maçom. (pag 86)". 
" O autor faz seus comentários, apresenta as indicações do comportamento em Loja, os catecismos e os rituais dos quatros primeiros graus, como parecem ter sido praticados em 1781, tentando relatas apenas verdades, pelo menos, de valor histórico ". 
  

Na Advertência do Autor: (Edição de 1787) 

Quando mandei imprimir minha Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita, em 1781, anunciei a história da Ordem. Seis anos de reflexão provaram-me que apresentar a origem desta maçonaria seria infinitamente mais interessante. 

"No Catecismo dos Aprendizes. (do Autor da Edição de 1787) 

" Esperando que a História da maçonaria, que vou publicar brevemente, persuada muitos Irmãos, poucos instruídos de que esta pergunta dever ser a primeira de seu catecismo....". 

A primeira edição do " Recueil Precieux.....", foi publicado em 1781, e a edição traduzida pela Loja Gilvan Barbosa" é a de 1787. Analisando esses dados da Edição de 1787, e que o Barão de Tschoudy faleceu em 1769, sem muito esforço mental, podemos concluir: 

1º - Quem faz a citação de que "Guillemain de Saint – Victor" é o autor,  do "Recueil" foi o editor Francês. 

2º - Que a edição de 1787 é uma complementação da edição de 1781, fica claro com a citação do Editor. 

"O autor faz seus comentários, ... como parecem ter sido praticados em 1781 . 

3º - O  tópico "Advertência do Autor", determinou peremptoriamente que "Saint – Victor", mandou imprimir em 1781 a primeira edição, e seis anos depois  de "reflexões" ele mandou imprimir outra edição em 1787.
  

Se o Barrão de Tschoudy, faleceu em 1769, como em 1787 ele poderia ter feito reflexões e mandar editar outra edição ? 

4º - No tópico do " Catecismo dos Aprendizes" o autor diz que ira publicar a Historia da Maçonaria, o que fez em também em 1787 com o titulo " Origine de la Maçonnerie Adonhiramite". 

5º - Contudo,  se os arrazoados não foram substanciais para os incrédulos vamos a derradeira prova documental no próprio "Recuiel..." onde de modo inusitadamente explícito, o autor no tópico "Violências Exercidas contra os Maçons - Advertência", publica três cartas, com as seguintes datas, 13 de abril de 1779, 7 de fevereiro de 1778 e 16º do 5º do ano da grande luz  5779. 

Novamente pergunto, como se o Barão de Tschoudy, faleceu em 1769, poderia publicar no "Recuiel..." cartas de 1778 e 1779 ?. 




A Escada de Jacó no Simbolismo Adonhiranita
Os 13 degraus



1o – A Fé
2º –  A Perseverança
3º – A esperança
4º – A Integridade Moral
5º – A Lealdade
6º – A Justiça
7º – A Tolerância
8º – A Prudência
9º – A Temperança
10º – A Serenidade
11º – A Fortaleza da Alma
12º – A Caridade
13º – A Humildade



Foi o Barão Tschoudy, nobre francês, quem fundou o Rito Adonhiramita homenagem a Adoniram (que significa Consagrado pelo Senhor) e exerceu as funções de intendente do Rei Salomão. Adoniram chefiou os homens mandados ao Líbano a fim de cortar madeira – o famoso cedro – para a construção do Templo.


Rito fundamentalmente   teísta, o Adonhiramita tem em seu ritual grande beleza litúrgica, muito próxima  da religião cristã em um Deus onipotente, onisciente e onipresente  ultrapassa o sentido convencional de Grande Arquiteto do Universo, do Rito Moderno, por exemplo, para dotá-lo de atributos de Ser que criou e domina os mundos, governando e dirigindo conforme sua vontade e decisão em concepção quase religiosa.


No 1o Grau, o de Aprendiz, no decorrer de uma Seção econômica, são vários  os referenciais  católicos : 
a) - a abertura do Livro da Lei, A Bíblia, em S. João, I:6-9  “ Houve um homem  “ENVIADO  POR DEUS“ ; 
b) - declarações de abertura e fechamento da Loja invocando o nome de Deus; 
c) - oração ao final da Sessão;
d) - oração na reanimação da Chama Sagrada e seu Adormecimento. 


        Estes procedimentos  estão impregnados do mais puro e elevado teísmo, ou seja, o Rito Adonhiramita é um Rito Teísta.


E nessa gama de elementos  esotéricos surge, em sua plenitude simbólica, como ponto importante da estrutura do Rito, a Escada de Jacó.


Conta a narrativa bíblica (Gênesis XXVIII 10 A 18), que Jacó partira de Berseba, por ordem de seu pai Isaac, para uma cidade vizinha onde deveria tomar por esposa uma das filhas de seu tio Labão. A certa altura da jornada, como se fizera noite, deitou-se Jacó, colocando uma pedra sob sua cabaça e adormecendo teve um sonho no qual viu “ posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela “(GÊNESIS XXVIII, 12).


Como sabemos, a Maçonaria Especulativa buscou  na Bíblia a base de quase todos os seus ornamentos, símbolos e nomenclatura.


Dos graus básicos até os graus filosóficos e capitulares.


No Rito Adonhiramita, Teísta por excelência, esta adoção atingiu níveis de solenidade religiosa. A Escada de Jacó entrou para o simbolismo  maçônico no transcurso do século XVIII e os diversos autores consultados divergem sobre uma data específica, ou mesmo o ano em que tenha aparecido  figurando entre as Colunas representativas das Ordens de Arquitetura nos primeiros painéis pintados.


Convém recordar que anteriormente os painéis eram desenhados no chão , a carvão  e depois apagados com água e sabão.


Desde então a alegoria  bíblica firmou-se como importante e fundamental, pois dentro da visão maçônica (e em especial) Adonhiramita) , representa, através de seus degraus, o conceito de “cavar masmorras  ao vício e submeter as paixões“, procurando a evolução e praticando as virtudes. Enfim, como definimos , fazemos progressos em Maçonaria e recebendo aumentos de salário.


Quem era o Jacó Homem?  Por todas as ações e atitudes, um falso, um mentiroso, hipócrita, desleal, o primeiro estelionatário dos tempos bíblicos que enganou o Irmão, ludibriou o Pai, comprando ao primeiro o direito  à primogenitura por um prato de lentilhas e ao pai Isaac se disfarçando para receber a bênção  que o elegia herdeiro de todos os bens. Na concepção Adonhiramita, Jacó é o profano imperfeito, pedra a ser trabalhada e a escada a difícil jornada a ser percorrida em busca da perfeição, do desenvolvimento espiritual, representando, também, a escalada ascensional na Sublime Instituição, conquistando graus  e paulatinamente ir subindo os degraus de uma escada que, por sua vez, não tem  e nunca terá fim. Como na Maçonaria tudo é simbólico e na vida humana tudo é limitado, o correto é assinalar que o Oriente Eterno está mais próximo que o topo da Escada. O ideal é chegar ao fim terreno tendo subido muitos degraus...


Dentro da simbologia maçônica, a Escada de Jacó sempre foi  representada pôr uma variável quantidade de degraus, 3,5,7,13,15 etc. com número ímpar. Os valores ímpares são considerados positivos  por todos os estudiosos. Somente o número ímpar de degraus dá, ao caminhante que inicia seu primeiro passo com uma pé, a possibilidade de atingir o último degrau com o mesmo pé.


Sob a visão Adonhiramita é comum dizer-se ao Iniciado que ele “subiu o primeiro degrau da Escada de Jacó” e que cada grau conquistado á mais um degrau galgado. Assim, pode-se perfeitamente estabelecer uma relação entre degraus/graus para o Rito Adonhiramita, uma ESCADA COM 13 DEGRAUS.


As virtudes encerradas nos degraus são : as Teologias – FÉ, ESPERANÇA e CARIDADE; as virtudes Cardeais – TEMPERANÇA, JUSTIÇA, FORÇA  e PRUDÊNCIA  e as virtudes Adonhiramitas – TOLERÂNCIA, LEALDADE, SERENIDADE, INTEGRIDADE MORAL, PERSERVERANÇA e HUMILDADE.


E estas virtudes se ordenam da seguinte forma na Escada de Jacó: 1o degrau representa a FÉ, indispensável ao Iniciado; 2o degrau representa a PERSEVERANÇA, essencial ao Companheiro; 3o degrau representa  a ESPERANÇA do Mestre no reencontro da Palavra Perdida; 4º degrau  representa a INTEGRIDADE MORAL, característica de um Mestre Perfeito; 5o degrau representa a LEALDADE, demonstrada pelo Eleito dos Nove; 6º degrau representa a JUSTIÇA , qualidade praticada pelo Eleito de Perignam; 7o degrau  representa as TOLERÂNCIA, inerente ao Terceiro Eleito; 8º degrau representa a PRUDÊNCIA, necessária a todo Aprendiz Escocês; 9º degrau representa a TEMPERANÇA, adquirida pelo Comp.’. Escocês; 10o grau representa a SERENIDADE, espelho de um Mestre Escocês; 11o. degrau representa as FORTALEZA D’ ALMA, apanágio do Cavaleiro do Oriente ou da Espada; 12o degrau representa a CARIDADE que o cavaleiro Rosa Cruz deve praticar; 13º degrau representa a HUMILDADE, marca registrada de todo homem sábio que têm consciência do caminho da Perfeição.

Os que foram chamados para a tarefa maçônica são os eleitos. Entre muitos , entre milhões, algumas centenas de milhares têm o privilegio de usar o avental em nossos templos  e são iniciados  em nossos augustos mistérios. Creio até que não veremos  o advento de uma humanidade Justa e Perfeita, mas o nosso exemplo  vingará . O que pensamos, o que fazemos, o que escrevemos, nossa conduta será o ideário  do amanhã, de nações que terão como primado a crença no G.’.  A.’. D.’. U.’. e a Justiça Social.


O Rito Brasileiro


Histórico do Rito Brasileiro 


Prestigiar ou aderir a uma Loja do Rito Brasileiro deve ser considerado uma legítima afirmação de Brasilidade e um autêntico ato de amor ao Brasil.  

Dos diversos ritos praticados pela Maçonaria Regular, em todos os recantos da Terra, o Rito Brasileiro é um deles. O Rito Brasileiro à muito tempo é Regular, Legal e Legítimo. Acata os Landmarks e os demais princípios tradicionais da Maçonaria, podendo ser praticado em qualquer país.

 Teria sido o embrião do Rito Brasileiro o apelo feito por um irmão Lusitano, um Cavaleiro  Rosa Cruz, no ano de 1864, dirigido aos Orientes Lusitano e Brasil, no sentido de que fosse criado um Rito novo e independente, mantendo os três graus simbólicos, de acordo com a tradição maçônica, comum a todos os ritos e, os demais, altos graus, fossem diferenciados  com características nacionais. Este apelo vinha com a seguinte afirmação: “Convimos em que semelhante reforma é contraria ao cosmopolismo e a tolerância Maçônica mas também é verdade que, enquanto os Maçons forem patriotas, e os povos fisicamente desiguais, a conservação de um Rito Universal, parece-nos impossível: Talvez que um tão gigantesco projeto só poderá ser possível no vigésimo século”. Esta idéia está publicada às páginas 6, vol. I da obra clássica em Maçonaria, intitulada Biblioteca Maçônica ou Instrução Completa do Franco-Maçom, publicada em Paris, por Ailleaud Guillard.

 Em 1878, em Recife surgiu a Constituição da Maçonaria do Especial Rito Brasileiro com aval de 838 obreiros, presidido pelo comerciante José Firmo Xavier, para as Casas do Circulo do Grande Oriente de Pernambuco; Esta Constituição era Maçonicamente totalmente irregular, pois a mesma além de se assentar sob os auspícios de sua Majestade Imperial Dom Pedro II, Imperador do Brasil, da Família Imperial e sua Santidade Sumo Pontífice o Papa, nela estava incluído vários preceitos negativos, como por exemplo: A admissão somente de Brasileiros natos, e em seu artigo 4° afirmava que uma das finalidades do Rito era defender a Religião Católica e sustentar a Monarquia Brasileira. Evidentemente o Rito não prosperou, pois era Irregular. Esta Constituição se encontra na Biblioteca Nacional e também publicada nos livros A Maçonaria e o Rito Brasileiro, de Hercules Pinto,Editora Maçônica, 1981 e Rito Brasileiro de Maçons Antigos Livres e Aceitos de Mário Name, Ed. A Trolha, 1992.

 Em 21 de dezembro de 1914, na reunião do Conselho Geral da Orem, presidido pelo Soberano Grão Mestre Lauro Sodré, o irmão Eugênio Pinto, orador interino, fez a proposta para a criação do Rito Brasileiro, quando foi aprovada a criação do Rito Brasileiro.

 Em 23 de dezembro de 1914, surgiu o decreto n° 500, que deu o conhecimento aos Maçons e Oficinas da Federação, da aprovação, do reconhecimento e da adoção do Rito Brasileiro. Kurt Prober, pesquisador maçônico, tece severas críticas à forma de criação do Rito, alegando: que o quorum da reunião era insuficiente, realizada ao apagar das luzes e que o Rito teria sido invenção dos militares.

 Em 1916, Lauro Sodré, afastou-se do 3° mandato de Soberano Grão Mestre do GOB, assumindo em seu lugar Veríssimo José da Costa que encaminhou o decreto n° 500 para a aprovação da Soberana Assembléia Geral. Assim através de um novo decreto, desta vez, o de n° 536, de 17 de outubro de 1916, reconheceu, consagrou e autorizou o Rito, criado e incorporado ao GOB.

 Em junho de 1917, o Conselho Geral da Ordem aprovou a constituição do Rito com seus regulamentos, estatutos e rituais. Mesmo assim o Rito não prosperava pela falta de uma oficina chefe e de rituais publicados.

 Em agosto de 1921, através do decreto n° 680, o Soberano Grão Mestre do GOB expulsou o Grão Mestre e outros 45 Veneráveis de Lojas do Estado de São Paulo, cassando as cartas constitutivas daquelas Oficinas, que passaram a adotar o Rito Brasileiro, publicaram rituais para os três primeiros graus, cópias fiéis do Rito Escocês.

 Em 1940, Álvaro Palmeira propõe a formação de uma comissão para analisar, estudar e atualizar o projeto do Rito Brasileiro, que naquela época achava-se adormecido.

 Em 1941, foi instalado o Supremo Conclave do Rito Brasileiro através do ato n° 1636. Este Supremo Conclave viria adormecer, pois havia pequenas diferenças entre o Grão Mestre Rodrigues Neves com o presidente do Supremo Conclave Otaviano Bastos.

 Em 1968, considerado o ano da implantação do Rito Brasileiro, Álvaro Pimenta Soberano Grão Mestre assinou o decreto n° 2080, reativando o Supremo Conclave, determinando que 15 irmãos revissem a Constituição do Rito, adequando-a às exigências internacionais de regularidade, fazendo um Rito Universal, separando o simbolismo dos altos graus, conciliando a tradição com a evolução. Publicou-se os rituais necessários.

 Atualmente o Rito Brasileiro é uma realidade vitoriosa. Possui organização e doutrina bem estruturadas, que muito se diferencia da organização e doutrina incipientemente propostas ao longo de sua história.

Solidamente constituído é praticado por mais de 150 Oficinas Simbólicas distribuídas por quase todas as unidades da Federação. É o segundo Rito mais praticado no Brasil. O Supremo Conclave do Rito Brasileiro tem sede no Oriente do Rio de Janeiro, à Rua do Lavradio, n° 100.
   
Estrutura doutrinária do Rito Brasileiro 

   Em cinco segmentos se estrutura o Rito:

 Lojas Simbólicas         1° ao 3° grau 
 1° Grau – consagrado à fraternidade dos irmãos, união dos irmãos.
2° Grau – consagrado à exaltação do trabalho e ao estimulo da solidariedade.
3° Grau – consagrando o princípio que a vida nasce da morte.

 Capítulos        4° ao 18° grau 
Dedicados ao estudo da Filosofia Moral, 14  virtudes culminando com o grau Rosa Cruz, moral e espiritual, degrau capitular máximo.

 Grandes Conselhos 19° ao 30° grau 
 Dedicados aos estudos dos problemas nacionais e da humanidade.
19° ao 22° - aspectos ligados à economia.
23° ao 26° - aspectos ligados à organização da sociedade.
27° ao 30° - aspectos ligados à arte, ciência, religião e à filosofia.

 Altos Colégios 31° e 32° grau 
 Dedicados ao bem público e ao civismo, a abordagem de assuntos políticos, tratados elevadamente, sem injunções partidárias.

 Sumo Grau 33 
 Máximo na hierarquia de caráter administrativo, com tendência em grau superior.
 
Algumas Características básicas do Rito Brasileiro 
 Cada Rito possui modo próprio de realizar suas cerimônias, respeitados os limites bem conhecidos, sob pena de heresia maçônica. O importante é que todos os Ritos tem o mesmo objetivo, qual seja, o de ordenar a prática dos estudos maçônicos. Enumeramos algumas características do Rito:

Uso de Bastões 
 É por tradição, o uso de bastões pelo Mestre de Cerimônias e Diáconos.

 O Retorno da Palavra Sagrada 
 Peculiaridade do Rito, tem como objetivo simbólico de confirmar a boa condução dos trabalhos e sua conclusão. A palavra vai e volta, imantando e desimantando.

 Sinais 
 Além dos sinais habituais, temos os sinais de obediência e do rito.

 O Giro da Sacola 
 Em três sub-giros: no oriente, na coluna do norte e na coluna do sul. Todos iniciando pelas luzes da região.

Cerimônia das Luzes 
 Realizada pelo Venerável Mestre com o auxilio do 1° e 2° Vigilante. Os três são as três luzes que iluminam a Loja. As  3 luzes místicas representam e evocam a onisciência (sabedoria – VM), a onipotência (força – 1° Vig.) e a onipresença divina (beleza – 2° Vig.).

 Inversão das Colunas Maçônicas 
 É uma questão complexa, mas caracteristicamente o Rito inverte a coluna dentro do templo. Coluna "J" a direita.

 Colunas Norte e Sul 
 Baseados no Hemisfério Sul, com pouca luz, os aprendizes sentam-se na coluna do sul e os companheiros na do Norte.

 Aclamação e Bateria  
Glória, Gloria, Gloria.  o-oo




A Criação do Rito Brasileiro na Maçonaria no Brasil e os Intelectuais no Processo de Construção da Identidade Nacional na República Velha   


   Introdução

  Ao se fazer uma leitura do processo – longo, talvez, inacabado – de construção de uma identidade nacional no Brasil, depara-se com um tema que, em outro momento, poderia passar despercebido; porém,, com a possibilidade de se fazerem novas abordagens historiográficas, pode-se entender a escolha do objeto de estudo que se apresenta como uma pequena reflexão sobre a similaridade entre a construção efetiva de uma Maçonaria no Brasil com características brasileiras – o Rito Brasileiro – e o processo de construção dos intelectuais de uma identidade nacional.

Entende-se que seja dificultoso, num trabalho dessa extensão, encerrar a questão, o que não se propõe; porém, percebe-se que a intelectualidade brasileira e um grupo de maçons enxergaram e sofreram os mesmos estímulos desse processo.

O trabalho pautar-se-á basicamente no período conhecido como a República Velha.

  Fundamentação

Concordando com o dizer da professora Ângela de Castro Gomes na orelha do livro de Alexandre Mansur:

(...) Há alguns temas que, com grande persistência, permanecem sem receber muita
atenção.(...)No Brasil, um bom exemplo são os estudos que se dedicam à Maçonaria.(Orelha do livro: Barata, Alexandre Mansur)

Optou-se por se estudar como se articulou a criação do Rito Brasileiro com o processo de construção de uma identidade nacional pela intelectualidade no Brasil.

Cabe agora, para facilitar a leitura, definirem-se dois conceitos fundamentais: Maçonaria e Rito.
Optou-se por uma definição clássica de Maçonaria, o que não atrapalha o desenvolvimento do trabalho.
Maçonaria: É uma ordem e comunhão universal, de homens livres e de bons costumes, de qualquer nacionalidade, credo ou raça, todos acolhidos por iniciação e congregados em Lojas, nas quais, por métodos ou meios racionais auxiliados por símbolos e alegorias com a constante investigação da Verdade e o máximo de estímulo às Ciências e às Artes, estudam e trabalham para a construção da sociedade humana fundada no Amor ao Próximo, na Paz Universal e na Evolução para o máximo de felicidade e bem-viver de todos os homens(Eubiótica).(Filho, Teobaldo Varoli:19)
 
Rito: (latim: ritus, cerimônia)1(...) 2 – Na Maçonaria, que conta com algumas dezenas de Ritos, se entende como tal o conjunto de regras segundo as quais se praticam as cerimônias e se comunicam os graus, sinais, toques, palavras e todas as demais instruções secretas daí decorrentes. Igual nome toma o conjunto de cerimônias e instruções primitivas de cada sistema, como também o governo maçônico dos altos corpos dirigentes da Maçonaria em cada país. Os Ritos, independentes e autônomos entre si, são dirigidos por um corpo superior(...)(Figueiredo, Joaquim Gervásio: 391)
 
Roberto Reis ao criticar o cânon literário brasileiro salienta:
 
(...)que o ideário romântico no Brasil é um projeto de afirmação da nacionalidade, no que se encontrava em total respaldo do Segundo Reinado, igualmente empenhado e enfileirar o país ao lado das nações civilizadas.(Reis, Roberto: 79)
 
O que ratifica a idéia em desenvolvimento acerca da presença dos maçons nesse processo. No século XIX, a intelectualidade estava atenta a esse processo nacionalista, Casimiro de Abreu e Castro Alves eram dessa época e foram maçons.

Com a variedade dos ritos maçônicos, como o Inglês, Alemão, Francês, chamados Ritos Nacionalistas, entende-se ser natural que os maçons brasileiros se preocupassem com essa nova mentalidade de caráter nacionalista na sua forma de pensar a Maçonaria, sem se distanciar do cosmopolitismo.

Sabe-se que esse processo de criação não ocorreu de uma forma tranqüila e sem desavenças. Na própria história da Maçonaria, como na do Brasil, houve rupturas, o que é natural.

A identidade social de grupo faz parte de um processo histórico, isto é, o grupo tem que se perceber diferente de outro.

Roberto Reis afirma ainda:
 
(...) Não existem pesquisas de fôlego (...) sobre(...) a Maçonaria.(Idem: 79)
 
Pauta-se a pesquisa no que se refere a:
 
(...) influência destas e de outras instituições, enquanto instâncias de autenticação e reprodução literária.(Ibidem: 79)
 
Roberto Reis analisa mais na área da Literatura, o que não interfere no nosso processo de análise no âmbito da intelectualidade.

Ora, acredita-se em que o processo de criação do Rito Brasileiro seja uma assinatura nesse processo autenticador  de uma identidade nacional.

Célia Maria no prefácio do livro do Alexandre Mansur Barata afirma que o autor:
 
(...) comprova que a Maçonaria teve uma atuação expressiva no período de 1870 a 1910, engajando-se nos mais diversos debates intelectuais.(Barata, Alexandre Mansur:16)
 
A própria autora incita que o livro:
 
(...) instigue um reflexão sobre o silêncio instaurado pela historiografia acadêmica em torno da Maçonaria no período de constituição da nação brasileira.(Idem:17)
 
No novo livro sobre a Constituição e Regulamento do Rito Brasileiro e sobre os Estatutos do Supremo Conclave do Brasil, Fernando de Faria cita em “O Fundamento Doutrinário do Rito que:
 
(...) Álvaro Palmeira denominaria “Apelo de um Século” ao chamamento que o maçom português Miguel Antônio Dias(...) fez(...) considerando os Ritos então existentes em 1864, começa pelo Rito Francês(...) porém, à página seis do primeiro volume:

Não foi pretensão nossa inculcarmos o Rito Maçônico Francês(...)mas, bem pelo contrário, nós solicitamos aos Obreiros Lusitano e Brasileiro a fazer um rito novo e independente que(...) tenha contudo os altos Graus Misteriosos diferentes e nacionais.

(...) a conservação de um Rito Universal parece-nos quase impossível; talvez que um tão gigantesco projeto só poderá ter realidade no vigésimo século.(Faria, Fernando: 7,9)
 
Pode-se já se conjeturar que houve uma preocupação de se nacionalizar algo que é universal. Pensar a Maçonaria do Brasil, sem alterar os traços universalizantes, da mesma forma que procurou também se pensar o Brasil de uma maneira brasileira.

No período a que se propõe refletir houve o que Sérgio Miceli salienta:
 
(...) nessa fase se desenvolveram as condições sociais favoráveis à profissionalização do trabalho intelectual(...) em conseqüência das exigências impostas pela diferenciação do trabalho de dominação.(Miceli, Sérgio: 16)
 
Alguns tópicos sobre a História do Rito Brasileiro
 
A própria história do Rito Brasileiro se coaduna com essa idéia de dominação, pois para o Rito se estabelecer e se consolidar no Brasil, houve uma necessidade de se organizar uma Oficina-Chefe, um Supremo Conclave, que organizasse e pudesse exercer um caráter doutrinador.
Fernando de Faria num prefácio de Mario Name afirma num momento:
 
(...) O Rito não prosperou, em 1914 e em tentativas posteriores, por falta de uma Oficina-Chefe que lhe prestasse cuidados especiais, que elaborasse rituais, formulasse leis, inclusive Constituição(...)(Name, Mario: 21)
 
No trabalho de Alexandre Mansur há afirmações relevantes quanto a esse processo, porém, questiona-se o porquê dele não fazer referência à criação do Rito Brasileiro, ou talvez da germinação desse Rito nos idos de 1878. Por ele se ater até 1910, pode-se considerar que achou desnecessário fazer tal referência.
No final do século XIX, um grupo de maçons sentiram necessidade de fundar um Rito de caráter nacional, não poderia ser diferente dos demais, porém, poderia ter algumas características particulares que o diferenciassem dos outros, o que não seria nada de mais, pois já havia outros Ritos nacionalistas, já citado acima.

Um comerciante, José Firmo Xavier, em Pernambuco, funda a Maçonaria Especial do Rito Brasileiro em 1878. O que vale ressaltar:
 
Embora não haja documentação de reconhecimento do Rito pelo Grande Oriente do Brasil à época, existem na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, dois códices que pertenceram ao Imperador D. Pedro II que nos dão um idéia geral de sua estruturação(...)(Name, Mario: 36,37)
 
O processo da criação do Rito coincide sempre com momentos nebulosos da História do Brasil, principalmente de ambientação e caráter nacionalistas, como por exemplo, a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial o ano do AI-5. As datas de 1914, 1940 e 1968 foram marcantes para o Rito, como para a construção da identidade nacional brasileira.
Segundo Name:
 
Em 1914, começa, verdadeiramente, a história contemporânea do Rito Brasileiro.(Name, Mario: 57)
 
Vale ressaltar, o Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil era Lauro Sodré, que, por decreto, nº 500, de 23 de dezembro de 1914, cria o Rito Brasileiro.

Lauro Sodré foi um político e militar brasileiro, logo, a sua atuação nesse processo de identidade nacional é explicável..

A Primeira Guerra traz uma mudança para interferir no processo da idéia de legalidade, pois havia o Brasil LEGAL, o das instituições jurídicas.
Name continua:
 
Sabemos que o Rito nasceu dentro do GOB(Grande Oriente do Brasil) numa época que despertou muito o sentimento cívico e patriótico dos seus dirigentes, já que era início da Primeira Guerra Mundial. Coincidência ou não, corroborando esse fato, em 1914, quando o Rito foi criado, o Grão-Mestre (...) Lauro Sodré era General do Exército.(...) foi reconhecido e consagrado na gestão do então Grão-Mestre em Exercício CONTRA-ALMIRANTE (...) Veríssimo José da Costa.(Name, Mario: 65)
 
Com um racha no Oriente de São Paulo, proveniente de uma eleição discutível, houve a criação de um Oriente Independente nesse estado. Vale ressaltar, esse fato ocorreu em 29 de julho de 1921, alguns meses antes da Semana da Arte Moderna, marco, nessa época, da independência artística brasileira: o encontro da sua identidade nacional.
Em São Paulo, nesse período, foi onde o Rito Brasileiro nasceu novamente e acabou morrendo, para renascer novamente em 1940, o que nesse trabalho, não é relevante pela limitação cronológica.
O que vale ressaltar é que nesse período, entre 1878 a 1922, houve várias dissidências e desavenças na criação do Rito.
 
Algumas considerações sobre os Intelectuais 
 
Os intelectuais no Brasil tiveram problemas semelhantes no que se refere à identidade nacional.
O Brasil na guerra é forte. Olavo Bilac no seu livro Contos Pátrios, em co-autoria com Coelho Neto nos mostra um país forte, que modifica padrões.
Há que se ter uma harmonia das raças.
Segundo Pècaut:
 
(...) o processo de conversão dos intelectuais em agentes políticos assumiu, a partir de 1915, o caráter de um movimento global e realizou-se de diversas formas: vaga nacionalista, modernização cultural(...)(Pècaut, Daniel: 24)
 
A idéia nacionalizante não era apenas uma idéia para a intelectualidade, se tornou um ideal.
 
A partir de 1915, o nacionalismo invadiu a cultura brasileira.(Idem: 25)
 
Raros foram os participantes da Semana da Arte Moderna que não se alinharam, logo depois, como militantes no terreno do nacionalismo.(...) Menotti del Picchia(...) menciona a Semana da Arte Moderna como “o primeiro sintoma espiritual da transmutação de nossa consciência.(Ibidem:27)
 
Alexandre Mansur Barata, na sua tese identifica dois pontos importantes nesse processo de institucionalização  maçônica:
 
Sem sombra de dúvida, com a República, a Maçonaria conheceu importantes transformações no seu processo de institucionalização. Além do expressivo aumento de lojas em funcionamento, verificou-se um processo de “nacionalização” e de “federalização” do movimento maçônico.(Barata, Alexandre Mansur: 82)
 
Entendem-se aqui esses pontos como uma abrangência maior das lojas no Brasil, principalmente em Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Bahia, estados significativos no Congresso Nacional e na cultura brasileira.
Continua Alexandre:
 
Células básicas da Maçonaria, as lojas se transformaram, entre 1870 a 1910, em centros de discussão e de formação de consenso sobre os grandes temas que procuravam construir uma nova identidade nacional.(Barata, Alexandre Mansur: 117)
 
Não estamos retratando aqui a participação da Maçonaria no processo emancipacionista escravocrata, nem na Questão Religiosa e muito menos na Proclamação da República, pois, acredita-se em que fugiria do objeto de estudo, por ser em época anterior.

Sabe-se que a República Velha acabou ficando conhecida como aquela em que a camada mais popular ficou numa situação excludente, o que precisava ganhar força.

A intelectualidade da época, em seus trabalhos, procuraram identificar e caracterizar essa nova voz que se apresenta.

Paulo Barreto, o João do Rio, por exemplo, no seu livro “A Alma encantadora das Ruas”, falava do cigano, das prostitutas, dos presidiários, objetos de escrita que me Machado de Assis, por exemplo, não se apresentava. Paulo Barreto foi para a rua ver o povo, escrever sobre ele.

Dentre tantos aspectos levantados por Alexandre Mansur, vale ressaltar a importância que a Maçonaria dava à cultura - já pensando, talvez, num nação culta, ilustrada – através do incentivo às bibliotecas e às escolas primárias.
 
Entretanto é a construção de uma ampla rede de escolas primárias e de bibliotecas que pode ser considerado o instrumento mais sólido utilizado pela Maçonaria para a divulgação das suas idéias.(Barata, Alexandre Mansur: 138, 139)
 
Em 1917, surge “Juca Mulato”,  de Menotti del Picchia, poeta paulistano, que nos mostra um personagem que se materializa no ideal de força e harmonia, pois Juca Mulato é “forte como a peroba e livre como o vento”.

Alfredo Bosi observa em “Juca Mulato” de  Menotti del Picchia,:
 
(...) lhe permitiu aproximar-se do leitor médio e roçar pela cultura de massa(...)(Bosi, Alfredo: 413)
 
Participar desse processo cultural e dar oportunidade a uma classe menos representada na elite cultural, como leitor foi uma das  conseqüências desse processo ideal nacionalizante.
Pècaut nos sinaliza com uma observação importante:
 
Para todos os intelectuais havia uma única palavra de ordem: dar um fim ao hiato que a República criara entre o “país político” e o “país real” e, assim propor, instituições que correspondessem à realidade nacional(...) tratava-se de levar em conta a sociedade brasileira tal como era.(Pècaut, Daniel: 42)
 
Paulo Menotti del Picchia, paulista, advogado é citado em Bosi dessa forma:
 
Conviveu na primeira mocidade com os últimos baluartes da literatura antemodernista, mas , passada a I Guerra Mundial, aproximou-se do grupo que faria a Semana da Arte Moderna, de que foi articulador e aguerrido participante.(...)(Bosi, Alfredo: 413)
 
Menotti del Picchia foi maçom, o que se acende uma luz nesse processo que ora se apresenta. Há poucas referências de maçons na Semana da Arte Moderna, há de se pesquisar nas lojas, mas, há realmente, de uma forma palpável, a presença de Menotti del Picchia, pois no próprio título do livro que mais o marcou na História da Literatura Brasileira segundo os cânones já ocorre a idéia nacionalizante: “Juca”, vocativo de caráter popular e “Mulato”, o produto da nossa miscigenação, isto é, Juca Mulato pode ser uma metáfora do homem brasileiro da época.

Essa observação se leva a concordar com as observações de Roberto Reis citada na introdução.
 
 
Conclusão 
 
Após se fazer uma pequena reflexão sobre o processo de formação da identidade nacional no Brasil, pode-se concluir que houve uma similaridade de ideais nessa construção, mesmo que andando em caminhos distintos.

A Semana da Arte Moderna foi o marco da conquista do espaço nacional na Arte. Fora desavenças histórico-literárias, questiona-se a importância de alguns autores que foram significativos nesse período inicial, mesmo que não estivessem antenados com a o nacionalismo moderno, como Lima Barreto, em Triste Fim do Major Policarpo Quaresma ou Os sertões, de Euclides da Cunha.
Miceli nos fala nesse período dessa forma:
 
A história literária adotou tal expressão(pré-modernismo) com vista a englobar um conjunto de letrados que, segundo os princípios impostos pela “ruptura” levada a cabo modernistas, se colocariam fora da linhagem estética que a vitória política do modernismo entronizou como dominante.(Miceli, Sérgio: 15)
 
O que não desmerece a postura nacionalizante, criticista até em alguns personagens de Lima Barreto no livro citado, pois ainda estava em fase de formação.

Acredita-se em que se pôde levantar algumas questões sobre o entrelaçamento de ideais maçônicos e dos intelectuais na primeira república.

Optou-se nesse trabalho levantar apenas questões. Não se estudou qual a postura desses intelectuais e maçons no processo construtivo nacionalista, há algumas lacunas a serem preenchidas, como, por exemplo, Menotti del Picchia, mais tarde, passar para uma
 
 “(...)ideologia trabalhista, militando largos anos no partido fundado por Vargas”.(Bosi, Alfredo: 413).
 
Mas isso é outra história.
 
 Bibliografia: 
 
Barata, Alexandre Mansur. Luzes e Sombras. A Ação da Maçonaria Brasileira(1870-1910), Campinas, SP, Editora da Unicamp, 1999
Bosi, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. SP, Cultrix, 1977.
Faria , Fernando. Apresentação. In Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos(A Maçonaria Renovada) – A Constituição do Rito – Regulamento do Rito no Brasil – Estatutos do Supremo Conclave.1ª edição, RJ: Supremo Conclave, 2001.
Figueiredo, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria, seus mistérios, seus ritos, sua filosofia, sua história. 2ª edição revista e atualizada, SP, Pensamento,1974.
Filho, José Carlos de Almeida. A Maçonaria ao Alcance de Todos, RJ, Gráfica do Grande Oriente do Brasil, 1999.
Filho, Theobaldo Varoli. Curso de Maçonaria Simbólica – Aprendiz – Tomo I. SP, A Gazeta Maçônica,?
Miceli, Sérgio. Intelectuais à Brasileira. SP, Companhia das Letras, 2001.
Name, Mario. Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos, Paraná, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda, 1992.
Pècaut, Daniel. Os Intelectuais e a Política no Brasil - entre o Povo e a Nação. SP, Ática, 1990.
Picchia, Menotti del. Juca Mulato. SP, Companhia Editora Nacional, 1941.
Roberto Reis. Cânon, in: Jobim, Luis José. Palavras da Crítica – Tendências e Conceitos no Estudo da Literatura, RJ, Imago, Biblioteca Pierre Menard, 1992.
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O Rito de York



O Rito de York é o rito mais antigo e o mais praticado em todo o mundo. Estima-se que cerca de 85% dos maçons o praticam.

A Grande Loja de Londres juntamente com as Grandes Lojas da Escócia e Irlanda, fundadas em 1717, 1725 e 1736, respectivamente, constituem as três mais antigas do mundo.
Na Inglaterra não havia denominação para rito tal como é hoje (Escocês, Francês, Adonhiramita etc). Poder-se-ia dizer que, para os ingleses, rito é um procedimento, uma prática e não uma denominação especifica.

Até 1717 as lojas maçônicas eram livres, isto é, não havia uma obediência que as aglutinassem. Com a fundação da Grande Loja de Londres algumas lojas inglesas passam a se subordinar a uma obediência central. Na cidade de York as lojas maçônicas continuaram independentes até 1751, quando surge uma Grande Loja rival denominada Grande Loja da Inglaterra ou Grande Loja de York.

Com a rivalidade entre as duas Grandes Lojas, a denominação Rito de York começa a tomar corpo. Na verdade, ainda não se trata de um rito, mas sim do procedimento adotado pelos maçons de York que divergiam em alguns poucos pontos dos procedimentos adotados pelos maçons de Londres. Com isso a denominação acaba se consagrando.

Na prática, não havia diferenças ritualísticas acentuadas que pudessem ser caracterizadas nos procedimentos ritualísticos da Grande Loja de Londres e Grande Loja de York. Na realidade trata-se de um mesmo procedimento, praticado tanto pelos "Antigos" quanto pelos "Modernos".

Rito de York ou Emulation é o rito mais próximo da maçonaria operativa, anterior a 1717.
Em 1813 ocorre a união entre as duas Grandes Lojas rivais inglesas que deu origem a Grande Loja Unida da Inglaterra, cujo procedimento maçônico passa a denominar-se Emulation [Rito Emulação].

Portanto, por força do Act of Union firmado pelas duas Grandes Lojas rivais, a denominação Rito de York deixa de existir, pelo menos formalmente. A nova denominação foi adotada para que não ficasse caracterizado que a Grande Loja de Londres submeteu-se a Grande Loja de York cujo rito, até a época da união, denominava-se "Rito de York".


Atualmente, há 157 Grandes Lojas no mundo, das quais a Grande Loja Unida da Inglaterra reconhece 107. Isso não implica dizer que as 50 Grandes Lojas não reconhecidas, sejam consideradas espúrias ou irregulares - simplesmente, não são reconhecidas.

É difícil precisar, exatamente, o número de lojas maçônicas no mundo. Sabe-se que há, aproximadamente, 50 mil lojas em jurisdições reconhecidas pela Grande Loja Unida da Inglaterra.

A Inglaterra com cerca de 48 milhões de habitantes e perto de 700 mil maçons, é a maior jurisdição, com 8.578 Lojas.

Na Capital - LONDRES - , com 7 milhões de habitantes na área metropolitana, existem cerca de 1.648 lojas maçônicas, com 150 mil maçons, aproximadamente.

Os EUA possuem 50 Grandes Lojas, com aproximadamente, 15 mil lojas maçônicas e 4 milhões de maçons.

Com 50 jurisdições os Estados Unidos contam com cerca de metade de todas as Grandes Lojas reconhecidas pela Grande Loja Unida da Inglaterra, Irlanda e Escócia.

Dos 4 milhões de maçons dos Estados Unidos, 3 milhões são do Rito de York, ou seja 75%. Entretanto, é oportuno frisar que o Rito de York praticado nos Estados Unidos difere do Emulation praticado na Inglaterra.

O Emulation, na Inglaterra, não possui graus filosóficos. Nos EUA, o Rito de York é constituído pelos 3 graus simbólicos e 4 graus filosóficos. Estas não são as únicas diferenças. Existem outras de ordem ritualística.



Comparações entre ambos os ritos:

No Brasil, as lojas maçônicas federadas ao Grande Oriente do Brasil adotam a linha inglesa ou seja, o Emulation Rite apesar do uso da denominação "Rito de York" que acabou se consagrando. Entretanto, existem muitas lojas ligadas a outras obediências que praticam o "iorques" ou seja, uma mistura entre o Rito de York (linha americana) e o Escocês que acaba resultando numa verdadeira barbárie ritualística.

O total de maçons no mundo, em números exatos, é difícil de ser calculado, porque as informações não são completas. Entretanto, pode-se compor os quadros a seguir:


País
Lojas
Maçons
Inglaterra
8.578
700.000
Escócia
5.700
400.00
Irlanda
1.100
60.000
Total - Grã-Bretanha
15.378
1.160.000
País
G.L.
Lojas
Maçons
Estados Unidos
50
15.000
4.000.000
Inglaterra
01
8.578
700.000
Escócia
01
5.700
400.000
Irlanda
01
1.100
60.000
Canadá
01
5.000
250.000
América do Sul

9.000
450.000
Australásia

7.500
375.000
Filipinas

210
10.500
Europa Cont.

1.300
65.000
Nova ZelândiaJapão, Índia, etc.

5.000
200.000
Total

Desse total, 5.500.000 praticam
 o RITO DE YORK, ou seja: 85%.
Há, naturalmente, errosmas que não afetam o resultado final.


6.510.000








ALGUMAS COMPARAÇÕES COM O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

Não tem no Rito de York:
  • Palavra Semestral;
  • Cadeia de União. (não deve ser formada em hipótese alguma).
  • Sessões Especiais (todas são regulares).
  • Câmara de Reflexão.
  • Espadas dentro da loja (o único que usa a espada é o GE).
  • Bolsa de Propostas e Informações.
  • Passos para entrada na loja.
  • Cartão de visitante (quando o visitante exige, o ML solicita que oIrmSecencaminhe uma carta diretamente à loja do visitante, informando a visita).
  • Altar dos Juramentos (não há altares na loja, as mesas do ML, 1ºV e 2ºV, são retangulares e chamadas de Pedestais).
  • Transmissão da Palavra Sagrada.
  • Cálice da Amargura (na iniciação).
  • Consagração pela Espada e o Malhete.
  • Espada Flamejante.
  • Prova dos Elementos.
  • Tríplice abraço.
  • Os três pontinhos; (deve ser abolido, das abreviaturas e também das assinaturas).
  • Diferença de nível entre o Ore Oc..
  • Separação física entre o Ore Oc. (grade).
  • Os cargos de: Orador, Chanceler, Experto, Porta Estandarte e Porta Espada.
  • Corda de 81 nós.
  • Candidatura para o cargo de Mestre da Loja (não há disputa pelo cargo, há uma linha de sucessão).
  • Nenhum assunto administrativo pode ser discutido em lojaaberta;
Nenhum candidato é reprovado no escrutínio secreto em loja aberta.

(os candidatos são avaliados e pré-aprovados em reunião administrativa).