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Giuseppe Garibaldi




O MAÇOM HERÓI DOS DOIS MUNDOS

No Brasil e na Itália, Garibaldi desfraldou a bandeira da Liberdade movido por aquele desejo natural dos homens de ideal.

     Giuseppe Garibaldi, também conhecido como herói dos dois mundos, nasceu em Nice, então Itália, no ano de 1807. Com 26 anos de idade, filiou-se a um movimento chamado "Jovem Itália", de cunho político e social.

     De 1834 até 1848, viveu na América do Sul, tomando parte na Revolução Republicana do Rio Grande do Sul contra o governo brasileiro, em 1839, e  onde organizou as brigadas italianas, denominadas "Camise Rosse" (Camisas vermelhas).

     Retornou em 1848 para a Itália, participando com um grupo de voluntários da primeira guerra da independência, mas, derrotado, refugiou-se na Suíça. Em 1849,  lutou em defesa da República Romana (vitória nas batalhas da porta de San Pancrácio, Palestina e Vellatrí).

     Com a queda da República, Garibaldi refugiou-se em San Marino, tentando chegar a Veneza pelo mar, Morre sua esposa, a brasileira Anita Garibaldi (Ana Maria Ribeiro da Silva), natural de Laguna, Santa Catarina.

     Conseguindo fugir dos  austríacos que dominavam o norte da Itália, depois de um breve exílio na América, voltou a sua amada Itália no ano de 1854. Nomeado General de Exército pelo primeiro ministro Camillo Benson, Conde de Cevour, levou à vitória o regimento alpino em Varese e San fermo.

     Desiludido pelo armistício firmado entre a Itália e a França (sua cidade natal foi cedida à França), abandonou a exército e formou uma legião de patriotas voluntários, denominados "I Mille" (Os Mil) para uma campanha no reino das duas Sicílias (Sul da Itália).

     Cedeu a Vitório Emanuel II, já Rei da Itália, após sangrenta batalha, os territórios conquistados no sul. Tornou-se o herói mais popular do mundo e influenciou grupos militares da época.

     Uma sua tentativa de libertar Roma ( o estado de Lazzio, compreendendo a cidade de Roma, formava o território que pertencia à Igreja Católica, tendo como Rei o próprio Papa, que exercia o poder temporal também), foi bloqueado por tropas italianas, leais ao Papa, e em 1866 (terceira guerra de independência) venceu os austríacos em Monte Suello e bessecca.

     Em 1867. uma nova tentativa de libertar Roma; lutou contra os franceses e as tropas leais ao Papa, derrotando a todos - e ele mesmo participando das batalhas. Em 1870, defendeu a unidade e independência italiana, em território francês, e derrotou os prossianos em Dijon. Retirou-se de vida pública para Caprera, onde permaneceu até sua morte, em 1881.

     Afinal de contas, quem é este italiano que não podia ver uma oportunidade justa de luta sem deixar-se envolver? Quem é este homem que fez questão de unificar a Itália com uma força de apenas mil homens e um ideal tão elevado? Quem é este que venceu forças tão poderosas como os austríacos, franceses e prossianos, além de tantos outros?

     Falo do Irmão Giuseppe Garibaldi, iniciado na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1844, na Augusta e Respeitável Loja Simbólica Refúgio da Virtude, filiando-se depois, em 28 de Agosto do mesmo ano, à Loja Os Amigos da Pátria, em Montevidéu.

     Movimento iniciado por este destemido Irmão teve fulcro dentro de Lojas Maçônicas Italianas, exigindo que todos os generais seus subordinados fossem como ele, homens iniciados. Em 1862, a Maçonaria siciliana (ex-reino das duas Sicílias), depois de Garibaldi derrotar derrotar os Bourbons, nomeava-o Grão Mestre e Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito "Ad Vitam".

     Com estas prerrogativas, Garibaldi enviava pranchas a todos os Veneráveis Mestre e Irmãos Italianos, neste termos:

     "Venerável Mestre: Os momentos atuais são supremos para a nossa amada Itália, porém, esmagada pelos estrangeiros; sujada pelos falsos padres de Roma. No fim de tudo, posso imaginar sobre o compidoglio, o pendão seguro e glorioso do sentimento nacional.

     Todos os homens que têm um coração italiano devem usar de todos os meios para o cumprimento deste sublime pensamento. Nossos Irmãos devem saber que a causa italiana é a causa de todas as nacionalidades, é a causa da humanidade.

     Por isto, meus Irmãos, como cidadão e como Maçons, devem cooperar para que Roma pertença aos Italianos e que seja a capital de nossa grande nação, lembrando que sem Roma os destinos da Itália serão sempre incertos, com Roma, acabarão todas as dores.

     Vós, Venerável Mestre, exteriorizareis estes meus sentimentos aos Irmãos de vossas Lojas, para que no momento certo se encontrem desfraldando aquela bandeira pela qual foi derramado tanto sangue Italiano.

     Não só vós, mas qualquer um que tenha coração Italiano, deverá estar pronto e armado, como braço volante para esta empreitada. Pois que o segredo a a alma de todas as importantes organizações, assim, vós, Veneráveis Mestres, comunicará a presente prancha (em família), e "sem a presença de visitantes", recomendando aos Irmãos o silencio pelo qual tantas vezes juraram.

     O texto desta prancha dá a conotação do caráter que norteava os ideais puros, límpidos, Maçônicos, deste que, após milênios, conseguiu unificar a Itália, então dividida em tantos pequenos feudos, tornando-se o pai da nova pátria e, acima de tudo, conseguindo fundir os preceitos Maçônicos com os ideais de patriotismo, liberdade e fraternidade.
   
Texto extraído da Revista a Verdade ano XIV nº 397
Janeiro e Fevereiro de 1997: - (GLESP)

José Bonifácio




Que dizer de José Bonifácio? E’ bastante citar o ato de D. Pedro 1º, que, não obstante separado, politicamente, dele, o nomeou tutor de D. Pedro 2º, por Decreto de 1831, uma das maiores honras da época.

E qual o melhor elogio do velho paulista senão estas palavras, com que Ledo, apesar de todos os pesares, se referiu a ele, no dia de seu falecimento, em carta a Clemente Pereira, pedindo a este para ir á Maçonaria falar :

"... sobre esse grande espírito que se apagou... sobre esse ilustre brasileiro... que... não deixou de prestar serviços ao pais com a sua grande inteligência."

Na sessão de reorganização do Gr. Or. do Brasil, José Bonifácio invocou a proteção do GADU, para nossa Ord., com a seguinte peça de arquitetura, mandada imprimir e transcrever na respectiva ata :

" GADU! Penetrados de profundo respeito e gratidão para contigo, hoje que, inesperadamente para mim, se acha reinstalado o Gr. Or. Brasileiro; e adormecidas como é de esperar as paixões violentas e desacordadas, que tantos males trouxeram á Maçonaria e ao Estado, Entre Supremo, cumpre-nos principiar nossos trabalhos, encaminhando-te fervorosamente nossas orações, nossos votos e homenagens. Ah! possamos nós alcançar, ao menos, um pequeno sinal daquela complacência que sempre reservaste aos homens de bem, que te procuram. Sim nós esperamos merecer de ti o teu amor paternal, de que tanto precisam os Maçons Brasileiros em nossas tristes circunstancias.

Na tua angustia presença, Gr. Arch. do Univ., nós sentimos o nosso nada; e reconhecemos humildemente o quanto ainda nos aviltam o orgulho ou a vaidade ; confessamos que ainda estamos muito apartados da moral universal, da virtude e da concórdia, de que tanto precisamos para sermos homens bons e cidadãos honrados. Hoje, porém, reunidos, em fim, o único fim e honra a que aspiramos é ser úteis a nossos semelhantes, praticando a moral e contemplando religiosamente as obras primas de tua mão criadora e onipotente, que a todo o instante nos oferece novos objetos á nossa admiração e ao nosso amor.

Digna-te, pois, Gr. Arch. do Univ., lançar sobre nós uma vista de olhos de bondade e de misericórdia! Dá-nos a força e os meios para assegurarmos á Justiça e á Verdade um triunfo glorioso e duradouro.

Debaixo de tua agite tutelar neste novo Templo sagrado, onde nos ajuntamos para celebrar teus benefícios e praticar a virtude, ajuda-nos a combater as trevas com a tua radiosa luz, a trabalhar com novo afinco na felicidade dos Maçons e dos homens em geral e a pregar como convém o amor, respeito e confiança que devem Ter os governos si desejam conservar-se e prosperar."

Em homenagem aos serviços que José Bonifácio prestou á partia e á Maçonaria, publicamos abaixo sua biografia, extraída do livro "Galeria dos Homens Célebres":
José Bonifácio de Andrade e Silva, o Patriarca da independência do Brasil, teve por berço a outrora vila de Santos, no atual e florescente Estado de S. Paulo, a 13 de Junho de 1763.

Tendo iniciado os seus estudos em S. Paulo na idade de 17 anos, seguiu para Coimbra, em cuja Universidade conquistou, no fim de seis anos e com grande brilhantismo, o grau de bacharel em filosofia natural e direito.

Até 1819 ocupou-se José Bonifácio em aperfeiçoar os seus conhecimentos viajando por toda a Europa, colaborando nas principais revistas com a publicação de interessantes memorais sobre vários assuntos e desempenhando importantes comissões em Portugal.

Em 1807 a invasão dos franceses veio despertar-lhe os sentimentos patrióticos e distrai-o de suas lides cientificas. Á frente de um batalhão de estudantes conquistou o posto de tenente-coronel, batendo-se contra as tropas invasoras em prol da independência portuguesa.

Chegando ao Rio de Janeiro, deu-se pressa em volver para o seu berço natal, do que ausentara-se havia trinta e nove anos ; e ali, no seu retiro de Outeirinhos, redobrou de atividade, procurando em longas excursões estudar a mineralogia de S. Paulo.
A revolução de Portugal de 1820, fazendo repercutir os seus efeitos no Brasil com medidas opressivas, provocou a reação da parte dos naturais, e desde então salientou o vulto do eminente patriota José Bonifácio, que, chegando de S. Paulo á frente duma deputação que vinha pedir ao príncipe que não deixasse o Brasil, foi a 16 de Janeiro nomeado ministro dos negócios do reino e dos estrangeiros.

Desde essa época a biografia desse grande varão tornou-se intimamente ligada á historia da revolução da independência do Brasil O seu acendrado patriotismo teve que pagar o tributo peculiar aos grandes heróis : envolvido nas lutas políticas, teve em breve tempo a recompensa dos seus serviços com o desterro para a França, em companhia de seus dois irmãos.

Volvendo á partia, resolveu recolher-se á obscuridade, procurando modesto refugio na graciosa ilha de Paquete, quando os acontecimentos políticos de 1831 exigiram a sua interferência nos negócios da nação.

Com a abdicação de D. Pedro 1º, a 7 de Abril, foi o benemérito patriota nomeado tutor do jovem monarca e de suas irmãs. Suas posteriores agitações políticas concorreram para a destituição desse elevado cargo, que tão continuamente exercia no seu modesto retiro de Paquete, onde passando a residir em Niterói, ali faleceu a 6 de Abril de 1838.

Porém a posteridade soube recompensar os serviços do Washington brasileiro erigindo-lhe uma estatua na praça de S. Francisco de Paula, na cidade do Rio de Janeiro.

Texto extraído do Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil de 1922

Frei Sampaio




O Pod. Ir. Frei Sampaio foi, igualmente, um dos mais apaixonados propagandistas da Independência Brasileira, trabalho que desenvolveu, com entusiasmo, pelas colunas do "Regulador".

Sampaio empregou seu formoso talento em beneficio da causa da partia.

Fazia-o ainda na Loja Comércio e Artes, como seu Orador, e no próprio púlpito, "apesar de ameaças contra a sua existência", conforme declarou no Grande Oriente, em sessão. de 14 de Setembro de 1822, em que esteve presente, a fim de fornecer explicações relativamente a certos artigos que apareceram no "Regulador".

A par de uma ilustração, Frei Sampaio era um dos maiores oradores sacros de sua época. Seu colega Mont’Alverne o considerava mesmo como emulo.

No dia que seguiu á aclamação de D. Pedro 1º para Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, proferiu ele, na Capela Imperial e presença do monarca, uma eloquentissima oração, tratando do papel que cabe á Providencia na grandeza e decadência dos impérios, ato assistido pelo Conde de Palma, Visconde de Minardes e Rio Seco, Barões de Bagé, Goiana, Itanhaem, Santo Amaro e S. Simão, titulares do tempo de D. João VI, nessa ocasião na Corte.

Os inúmeros sermões de Frei Sampaio se extraviaram, segundo afirmam os que tem escrito a seus respeitos, inclusive Viriato Corrêa.

Tinha tanta importância a ação de Frei Sampaio durante os acontecimentos, que acarretaram a emancipação política do país, que até D. Pedro 1º ia á sua cela, no Convento de Santo Antônio, conspirar e ouvir os artigos do exaltado patriota para o "Regulador".

Foi ele quem redigiu a representação, feita e entregue pelo presidente do Senado da Câmara, no dia 9 de Janeiro de 1822, a D. Pedro I, de que resultou o "Fico". Declarou-o Clemente Pereira na Câmara dos Deputados, em discurso proferido no ano de 1841, quando Ministro da Guerra.

Frei Sampaio aprendeu retórica com o grande poeta mineiro Manoel Ignácio da Silva Alvarenga, que, também, a ensinou a Monte Alverne e Januário Barbosa.

Frei Sampaio dedicava imenso amor á Maçonaria. Após á sessão. de 14 de Setembro de 1822, acima citada, compareceu espontaneamente á Loja Comercio e Artes e de sua cadeira de Orador da Off., num vibrante discurso, confessou que em qualquer época sentiria muito, ser-lhe-ia dolorosíssimo deixar de fazer parte da Maçonaria, a cujo grêmio pertencia há anos, principalmente no momento em que a Instituição cogitava de objetivos tão patrióticos, como a Independência do Brasil e a aclamação de seu Defensor Perpétuo e nosso Ir.

Na Maçonaria a memória de Frei Sampaio não se acha esquecida. A Resp. Loja Cap. União e Caridade, ao Or. de Caravelas, Estado da Bahia, mantém uma escola com seu nome ilustre.

O falecimento de Frei Sampaio ocorreu em 13 de Setembro de 1830, tendo-lhe encomendado o corpo no cemitério, em sentido pranto e presa de profunda emoção, o Cônego Januário Barbosa. Uma semana depois, este, no "Diário Fluminense", que Frei Sampaio também dirigiu, com o titulo de "Diário do Governo", dava a noticia de sua morte, "porque nunca deixamos de recomendar ao conhecimento do mundo, aqueles brasileiros que servem de honra á sua partia".

Além disso, Januário Barbosa, que acordara com Gonçalves Ledo cultuar a memória de Frei Sampaio, escreveu, mais tarde, sua necrologia, iniciando, assim no Brasil, esse gênero de literatura.

Floriano Peixoto




Floriano Peixoto nasceu no engenho “Riacho Grande”, localizado na freguesia de Ipioca, atual distrito de Floriano Peixoto, do município de Maceió, aos 30 de abril de 1839.

Dez dias após o nascimento de Floriano, o seu tio, o coronel José Vieira de Araújo Peixoto, proprietário de vários engenhos de açúcar, entre os quais o Riacho Grande e o Ponte Grande este último também situado em Ipioca visitando o Irmão e a cunhada, mãe do futuro “Marechal de Ferro”, levou-o para criar.

Com o padre Afonso Calheiros de Melo estudou Floriano Peixoto as primeiras letras, no engenho “Ponte Grande”, para onde havia transferido residência, o Cel. Vieira Peixoto.

Algum tempo depois o seu pai adotivo internou-o no Colégio Espírito Santo, em Maceió.

Em 1855, aos dezesseis anos de idade, seguiu Floriano para o Rio de Janeiro, onde se matriculou no Colégio São Pedro de Alcântara, dirigido pelo padre José Mendes de Paiva, ali completando os seus estudos preparatórios.

A 1° de maio de 1857 assentou praça no 1° Batalhão de Artilharia no Rio de Janeiro, ingressando posteriormente na Escola Militar.

Tendo feito toda a campanha do Paraguai, para onde partira em 16 de fevereiro de 1865, com os galões de 1° tenente, no campo de batalha, por atos de bravura, obteve as patentes de capitão e major.

A 09 de agosto de 1884, Floriano Peixoto, então Brigadeiro, foi nomeado Presidente e Comandante das Armas da então Província de Mato Grosso, cargo que ocupou até o dia 12 de outubro de 1885.

Durante o período entre 1885 e 1890, conforme assinaturas registradas nos livros de presença e constatando-se em diversas ATAS da A.'.R.'.L.'.S.'. “PERFEITA AMIZADE ALAGOANA” a participação do consolidador da República, Iniciado a 15 de fevereiro de 1871, ele teria chegado a Maceió no final de outubro de 1870, obtendo licença de sessenta dias, a 9 de janeiro de 1871.

Nomeado Ministro da Guerra, em 19 de abril de 1890, pelo Governo Provisório, em 25 de fevereiro de 1891, como Senador à Constituinte por Alagoas, foi levado, pelos votos de seus pares, ao cargo de vice-presidente da República, cuja presidência, exercida a partir de 23 de novembro desse mesmo ano, devido à renúncia do seu conterrâneo Marechal Deodoro da Fonseca, também Maçom, forçado, inclusive, pela revolta encabeçada pelo almirante Custódio de Melo.

No dia 06 de setembro de 1893 eclodiu uma nova revolta, da parte da Marinha de Guerra do nosso país, comandada por aquele almirante, à qual mais tarde aderiu o almirante Saldanha da Gama, visando a restauração da Monarquia. A luta chegou a ponto de fazer desanimar aos mais resolutos defensores da República. Somente Floriano não duvidou da vitória, que por fim lhe sorriu. E não foi uma vez só que assegurou: “Desta cadeira só duas forças são capazes de me arrancar: a lei e a Morte”. A vida de Floriano — o Consolidador da República Brasileira—foi uma página brilhante de abnegação e altivez; seu passamento sereno como o de um predestinado que cerra os olhos à luz do mundo terreno levando a pressa à retina a Pátria que engrandeceu, salvando-a do ciclone que tentou devastá-la”.

Em 29 de junho de 1895, falece, neste dia, na Fazenda “Paraíso”, em Divisa, atual Floriano, no Estado do Rio de Janeiro, o marechal Floriano Peixoto, poucos meses depois de deixar a presidência da República Brasileira.

Filho do agricultor Manoel Vieira de Araújo Peixoto e de Dna. Ana Joaquina de Albuquerque Peixoto.

Os historiadores alagoanos Douglas Apratto e Moacir Santana foram convidados no ano de 1995 pelas Universidades Catarinenses, para defenderem a mudança do nome da capital de Florianópolis, Santa Catarina, para marechal Floriano Peixoto, em homenagem ao alagoano e segundo presidente da República Brasileira. Aqueles historiadores participaram de uma semana de debates em Florianópolis, em defesa do alagoano, tendo em vista a existência de um movimento forte, registrado naquele Estado, contrário à mudança.

As razões da não-aceitação por parte de alguns catarinenses, se deve ao fato de eles acreditaram ter sido uma humilhação a denominada “Chacina de Anhatomirim”, ocorrido em 1894, na época da Revolução Federalista, onde 200 pessoas foram fuziladas sumariamente, sem qualquer julgamento, correspondente entre 5% e 6% da população daquele Estado. Tragédia que atribuem a Floriano Peixoto, como responsável direto.

Segundo o prof. da Universidade de Alagoas Douglas Apratto é “uma situação interessante, pois há uma cidade inteira motivada, uma sociedade que debate esse assunto sem nenhuma restrição, com a participação de todas as camadas”. Observou o historiador, que há um forte movimento contrário na cidade, com divulgação em todos os jornais, panfletos etc... “Existe a participação das escolas, Associações de Jornalistas, OAB, entre outros, com lados favoráveis e contrários”, completou.
Douglas Apratto fez a defesa de Floriano, falando que o alagoano não mandou executar os catarinenses sem julgamento. “Floriano suscitou muitas paixões, foi o brasileiro mais amado de sua época, não era um erudita, mas um militar, calado, taciturno, que não tinha o poder da comunicação” disse.

Sobre o episódio de Fortaleza de Anhatomirim, lembrou que o presidente estava enfrentando uma guerra civil, cujos federalistas rebeldes se concentravam em Santa Catarina. “Floriano foi um símbolo de unidade brasileira, quando a população civil estava sendo dizimada pelos policiais federalistas, por isso às voltas com o problema, enviou o oficial Moreira César para Florianópolis que, naquela época, se chamava Desterro, mas não ordenou que fizesse fuzilamento sem julgamento, comentou.

Segundo a sua visão de historiador, num clima de guerra civil, o presidente da República sentia as ameaças da França, Inglaterra e Portugal, que queriam retornar o Brasil para a monarquia. Floriano foi um nacionalista, um herói da Guerra do Paraguai, que representou a classe média contra a oligarquia. Não era um ditador, pois entregou o cargo para o seu inimigo político, Prudente de Morais, e morreu pobre, flnalizou o prof. Douglas Apratto.

(Transcrito do Jornal GAZETA DE ALAGOAS de 15.10.95.)
Ir.’. Jellis Fernando de Carvalho

Fidel Castro




Fidel Castro é Salvo pela Maçonaria

Fato que deu ênfase em toda imprensa internacional, quando Fidel Castro foi aprisionado pelo ditador (Tirano), Fulgêncio Baptista, quando aprisionava “Inimigos” Fulgêncio tinha o enorme prazer de não executa-los na mesma hora, ele apreciava deixar os prisioneiros de guerrilhas pelo menos 24hs, sem água e comida, torturando os “Inimigos” severamente, sem piedade, para na outra manhã, fuzilar todos os prisioneiros.

Segue detalhes:-
Os Pedreiros Livres (nós Maçons);  estamos espalhados por todo o mundo, nas mais variadas profissões , classes sociais e partidos políticos, a não ser nos paises totalitários. Neste sentido há uma exceção que realmente confirma a regra da Lealdade Maçônica., Em Cuba a Maçonaria funciona livremente desde a revolução no ano de 1.959 , e mantendo excelentes relações com o Governo de Fidel Castro, a causa de tudo isso se encontra num fato narrado em toda a imprensa internacional pelo próprio líder Cubano., quando ele, (FIDEL) e mais dois companheiros de guerrilha foram aprisionados pelas tropas do terrível ditador Fulgêncio Baptista, na oportunidade nem os próprios inimigos imaginavam que entre os três estava Fidel Castro e decidiram fuzila-los logo pela manhã seguinte como prisioneiros COMUNS, um dos revolucionários era Maçom, e naquela mesma noite durante o julgamento dos três fez um sinal de reconhecimento de uso exclusivo daqueles iniciados no movimento, nas forças de Baptista, o tenente encarregado do fuzilamento dos três, reconheceu, e na madrugada veio conversar com eles, facilitando sua fuga e também a de seus camaradas, POUPANDO-OS DA MORTE, e livrando também aquele que seria o principal líder da revolução Cubana. No meio do caminho, durante a fuga, Fidel, incrédulo quis saber como um inimigo, encarregado do fuzilamento dos três, veio de madrugada, e após conversar com um de seus camaradas, o liberta e a seus amigos.... O companheiro de guerrilha lhe explicou que aquele tenente era Maçom, e os havia libertado pelo ideal de fraternidade, indissolúvel da irmandade, que fica sempre acima das ideologias.....

Epicurus




Epicurus (341-270 AC). Filósofo grego, nascido de família ateniense na ilha de Samos, e educado particularmente por seu pai, professores escolares, e por vários filósofos. 

Aos 18 anos de idade foi para o serviço militar de Atenas. 

Depois de uma breve permanência ele se uniu a seu pai em Colophon, onde começou a ensinar. 

Epicurus fundou uma escola filosófica em Mililíni na ilha de Lesvos por volta de 311 AC, e dois ou três anos mais tarde ele tornou-se o cabeça da escola em Lampsacus (agora Lâpseki, Turquia). 

Retornando para Atenas em 306, ele lá estabeleceu-se permanentemente e ensinava suas doutrinas a um devotado grupo de adeptos. 

Como as instruções eram conduzidas entre os espaços do jardim da casa de Epicurus, seus seguidores foram conhecidos como "Filósofos do Jardim". 

Ambos, tanto homens como mulheres frequentavam seu jardim, e nesta ocasião haviam muitas palestras sobre suas pretensas atividades. 

Estudantes de toda a Grécia e Ásia menor afluíram para a escola de Epicurus, atraídos tanto pelo seu charme como pelo seu intelécto. 

Epicurus foi um fértil autor. Conforme relato de sua vida, no terceiro século da história (200-250), por Diógenes Laërtius, ele deixou 300 manuscritos, incluindo 37 tratados sobre física e numerosos trabalhos sobre o amor, a justiça, os deuses, e outros assuntos. 

Dos seus escritos, somente três cartas e poucos fragmentos sobreviveram, preservados na biografia de Diógenes Laërtius. 

As principais origens das informações sobre a doutrina de Epicurus estão nos trabalhos dos escritores romanos Cícero, Sêneca, Plutarch, e Lucrétius, cujo poema "De Rerum Natura" (sobre a natureza das coisas) esboça a filosofia epicureana.



Eliphas Levi Zahed



Ou Alphonse Louis Constant, abade francês, nascido no dia 8 de fevereiro de 1810 em Paris. O maior ocultista do século XIX, como muitos o consideram, era filho de um modesto sapateiro, Jean Joseph Constant e de Jeanne-Agnès Beaupurt, de afazeres domésticos. Possuía uma irmã, Paulina-Louise, quatro anos mais velha do que ele. Apesar de mostrar desde menino aptidão para o desenho, seus pais encaminharam-no para o ensinamento religioso. 

Foi assim que aos dez anos de idade ingressou na comunidade do presbitério da Igreja de Saint-Louis em L´lle, onde aprendeu o catecismo sob a direção do abade Hubault selecionava os garotos mais inteligentes, que demonstravam alguma inclinação para a carreira eclesiástica. Desse modo, Eliphas foi encaminhado por ele ao seminário de Saint-Nicolas du Chardonnet, para concluir seus estudos preparatórios(1). A vida familiar cessou para ele a partir desse momento. No seminário, teve a oportunidade de aprofundar-se nos estudos lingüisticos e aos dezoito anos já era capaz de ler a bíblia em seu texto original. 

Em 1830, foi transferido para o seminário de Issy para cursar Filosofia. Dois anos mais tarde, ingressou em Saint-Sulpice para estudar Teologia. Foi em Issy que escreveu seu primeiro drama bíblico, intitulado Nemrod; no grande seminário de Saint-Sulpice criou seus primeiros poemas religiosos, dotados de uma grande beleza. 

Após seu curso de Teologia, Eliphas ingressou nas ordens maiores, sendo ordenado sub-diácono e encarregado de ministrar o catecismo para meninas. "Esse ministério, diz Eliphas, tão poético e tão suave, foi para mim muito agradável; parecia-me que eu era um anjo de Deus, enviado a essas crianças para iniciá-las na sabedoria e na virtude; as palavras tornavam-se abundantes para elas em meus lábios, pois meu coração estava repleto e tinha necessidade de expandir-se(2)". 

Nosso jovem Alphonse são tardou a sentir o despertar em seu interior da força de sua juventude asceticamente reprimida desde a adolescência. Um dia, quando estava ensinando o catecismo às meninas, alguém chamou-o à sacristia. Era uma senhora, com uma jovem pálida e tímida, que pediu a Eliphas que a preparasse para a primeira comunhão. Outros padres tinham recusado por ser ela pobre e a filha doente e tímida. Eliphas não só aceitou a tarefa, como prometeu tratá-la como filha. A menina, que se chamava Adele Allenbach, de uma beleza pura e cândida, pareceu a Eliphas ser a imagem da própria Virgem Maria. Essa beleza juvenil correspondeu para ele a uma "iniciação a vida", pois amou-a ternamente como se fosse uma deusa. 

Eliphas Levi foi ordenado diácono em 19 de dezembro de 1835; em maio de l836 teria sido ordenado sacerdote se não tivesse confessado a seu superior o amor que devotava à jovem. Suas convicções religiosas receberam um choque tão grande, que Eliphas sentiu-se jogado fora da carreira eclesiástica. 

Após 15 anos de estudos, Eliphas deixou o grande seminário para ingressar no mundo, tinha então vinte e seis anos de idade. Sua mãe, ao saber disso, suicidou-se. Abalado, sem experiência do mundo, teve muitas dificuldades para encontrar um emprego. Essa dificuldade aumentava ainda mais pelo boato que correu, segundo o qual teria sido expulso do seminário. Após ter percorrido o interior da França, trabalhando em um circo, Eliphas encontrou em Paris alguns trabalhos como pintor e jornalista. Fundou, com seu amigo Henri-Alphonse Esquirros(3), uma revista denominada "As Belas Mulheres de Paris", na qual aplicava-se como desenhista e pintor e Esquirros como redator. 

Mas, apesar desse pequeno parêntese em sua vida, Eliphas não tinha perdido sua inclinação para a vida religiosa. Despedindo-se de Esquirros, partiu em 1839 para o convento de Solesmes, dirigido por um abade rebelde. Eliphas aí encontrou uma biblioteca com mais de 20.000 volumes, iniciando-se na leitura dos antigos Padres da Igreja, dos Gnósticos e de alguns livros ocultistas, principalmente os da Senhora Guyon: "A vida e os escritos dessa mulher sublime, diz-nos Eliphas, abriram-me as portas de inúmeros mistérios que ainda não tinha podido penetrar; a doutrina do puro amor e da obediência passiva de Deus desgostaram-me inteiramente da idéia do inferno e do livre arbítrio; vi Deus como o ser único, no qual deveria absorver-se toda personalidade humana. Vi desvanecer o fantasma do mal e bradei: um crime não pode ser punido eternamente; o mal seria Deus se fosse infinito!"(4). 

Eliphas vislumbrou, através do Spiridion e de outros escritos dessa autora, o reino futuro do Espírito Santo, o trabalho do homem de amanhã. O Cântico dos Cânticos lhe foi revelado; compreendeu por que em teologia a esposa tinha preferência em relação a mãe. Ficou imensamente feliz ao compreender que todos os homens poderiam ser salvos. 

Partiu de Solesmes sem dinheiro, sem roupas, mas com uma profunda paz no coração. Não acreditava mais no inferno!(5). 

Eliphas Levi passou, então, de emprego em emprego, sempre perseguido pelo clero que via nele um apóstata. Foi então que escreveu sua Bíblia da liberdade, desejando dividir com seus irmãos as alegrias de suas descobertas (1841). Essa publicação custou-lhe oito meses de prisão e 300 francos de multa! Foi acusado de profanar o santuário da religião, de atentar contra as bases da sociedade, de propagar o ódio e a insubordinação. 

Foi mais ou menos por essa época que conheceu os escritos de Swedenborg. Segundo Eliphas, tais escritos não contêm toda a verdade, mas conduzem o neófito com segurança na senda. 

Saindo da prisão, realizava pequenos trabalhos, principalmente pintura de quadros e murais de igrejas e colaborações jornalísticas. Apesar dos contratempos materiais, não deixou jamais de aperfeiçoar seus conhecimentos e enriquecer sua erudição. Foi após Swedenborg que encontrou os grandes magos da Idade Média, que o lançaram definitivamente no Adeptado: Guillaume Postel, Raymond Lulle, Henry Corneille Agrippa. Assim em 1845, aos trinta e cinco anos de idade, escreveu sua primeira obra ocultista, intitulada O livro das Lágrimas ou o Cristo Consolador. 

Em 13 de julho de 1846 casou-se com Marie Noémi Cadiot, matrimônio que durou sete anos. Esse casamento foi para ele um suplício. Instigado pela mulher, lançou-se a escrever panfletos políticos, resultando-lhe um segundo período de cárcere. Em 3 de fevereiro de 1847, foi condenado a um ano de prisão e ao pagamento de mil francos de multa, acusado de levar o povo ao ódio e ao desprezo do governo imperial. Sua mulher, grávida, percorreu os mistérios a fim de obter a redução da pena imposta a seu marido, o que conseguiu após seis meses. 

Em 1847, sua esposa deu à luz uma menina, que faleceu em 1854, para desespero de seu pai, que a adorava. Era uma criança muito doente e esteve várias vezes à morte. "Um dia, diz o Mestre, trouxeram-me essa pobre criança agonizante, porque não ouso dizer morta, por uma estúpida mulher que Noemi, incapaz de ser mãe, tinha admitido como ama-de-leite. A criança estava fria; o coração e o pulso não batiam mais. Noemi, que não soube cuidar dela como devia, estava furiosa, dizendo que mataria o filho da ama-de-leite (que mulher eu tinha, grande Deus!). Para apaziguá-la, jurei-lhe que a menina não estava morta. Transportei o pobre corpo para a cama e coloquei-o sobre meu peito; assoprei ao mesmo tempo em sua boca e em suas narinas; senti que ela começava a se destorcer. Peguei em seguida um pouco de água morna e bradei: Maria! Si quid est in baptismate catholico regenerationis et vitae, vive christiana! Ego enim te baptizo en nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti. Meu amigo, não vos conto um sonho: a criança abriu imediatamente seus grandes olhos azuis espantados e sorriu... Levantei-me precipitadamente com um grande grito de alegria e conduzi-a aos braços de sua mãe, que não podia acreditar no que estava vendo". (6) 

A Vontade, a Fé, o poder do Verbo Humano, juntos, operam as maravilhas da Natureza que os profanos denominam milagre... 

Em l848, Eliphas Levi fundou um clube político, denominado Clube da Montanha, com fins eleitorais, no qual era presidente; Noemi Constant era a Secretária e Esquirros um dos vice-presidentes. Para sorte dos ocultistas, somente Esquirros foi eleito Deputado para a Assembléia Nacional (1849). Em 1851, Esquirros partiu para o exílio, na Inglaterra, onde escreveu uma série de obras, sendo uma delas de cunho ocultista, apesar de seu título (O Evangelho do Povo). Entre os discípulos de Esquirros contava-se Henri Delaage, Iniciador de Papus, em 1882 na Sociedade dos Filósofos Desconhecidos, entidade que provém de Louis Claude de Saint-Martin. Foi a partir desse episódio que Eliphas Levi abandonou integralmente sua obra social, para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. 

"Na Bíblia da Liberdade, explica-nos Eliphas, saudamos o gênio da revolução, do progresso e do futuro. Na festa de Deus, Assunção da Mulher e Emancipação da Mulher procuramos explicar nossa religião materna. Na Última Encarnação demonstramos o papel do Cristo sobre a terra e saudamos o gênio do Evangelho, marchando à frente do progresso. 

Agora, nossa obra social está concluída; não pedimos por ela, indulgência nem severidade. Escrevemos o que ditou nossa inteligência e nosso coração"(6). 

Sabemos a origem dos estudos ocultistas de Eliphas Levi, mas permanece obscura sua origem iniciática. Sabemos de suas relações de amizade com Hoene Wronski e com Edward Bulwer Lytton. O polonês Wronski, falecido no dia 9 de Agosto de 1853, em Paris, deixou setenta manuscritos catalogados por sua esposa, à Eliphas Levi e outros, os quais foram doados à Biblioteca Nacional de Paris. 

Em 1854, um ano após a morte de Wronski, Eliphas viajou à Londres, onde se encontrou com inúmeros ocultistas ingleses, que lhe pediram revelações e prodígios. Longe de querer iniciá-los na magia cerimonial, isolou-se no estudo da Alta Cabala. 

Havia um, contudo, Adepto de primeira linha, que se tornou grande amigo de Eliphas Levi: Bulwer Lytton, autor de Zanoni, Os Últimos Dias de Pompéia, A Raça Futura, etc. Os dois Mestres teriam trocado informações iniciáticas dos mais altos interesses para as sociedades ocultistas, das quais certamente eram os chefes. Haveriam inclusive, realizado trabalhos espirituais entre 20 e 26 de julho de 1854, em Londres. As anotações relacionadas com esses eventos foram parar nas mãos de Papus, sendo publicadas, em parte, em um dos números da Revista L´Initiation. Registram três visões, de São João, de Jesus e de Apolônio de Tiana, os quais lhes teriam revelado os mistérios dos Sete Selos do Apocalipse; alguns enigmas do futuro, que desejavam saber; detalhes da Magia Celeste (revelados pelo livro do Rabino Inaz que lhes indicaram onde encontrar), as chaves dos milagres, bem como o sagrado dever de honrar a Coroa, uma vez conquistada. 

Retornando a Paris, instalou-se no atelier do pintor e discípulo Desbarrolles, uma vez que estava separado de sua esposa Noemi (fato ocorrido antes de partir para Londres). Desenrolou-se nova etapa em sua vida. Foi a fase do Adeptado. Em 1855 fundou a Revista Filosófica e Religiosa (cujos artigos principais encontram-se em seu livro A Chave dos Grandes Mistérios). Nesse mesmo ano publicou seu Dogma e Ritual da Alta Magia e o poema Calígula, identificado no personagem, o imperador Napoleão III. Foi preso imediatamente. No fundo da prisão escreveu uma réplica, o Anti-Calígula, retratando-se. Foi posto em liberdade. 

Em 1859 veio à luz sua História da Magia, formando com A Chave e o Dogma a Trilogia ocultista tida como bíblia por seus discípulos, entre os quais, nessa época, figuravam Desbarrolles, Delaage e Rozier. Os dois últimos vieram a transmitir a Papus e aos demais ocultistas do fim do século XIX o precioso depósito da Tradição, proveniente de Martinez de Pasqually, Willermoz, Saint-Martin e vivificada por Eliphas Levi. 

O círculo de amigos de Eliphas Levi era constituído por uma elite de homens de Desejo, que se reuniam na casa de Charles Fauvety. Constavam-se entre os discípulos parisienses, além dos mencionados acima, Louis Lucas (autor de Química Nova), Louis Ménard (tradutor de Hermes Trismegistro), o conde Alexandre Branicki, Littré, Considérant, Reclus, Leroux, Caubet, Eugène Nus, Constantin de Branicki. O Conde Alexandre de Branicki, polonês, amigo pessoal de Bulwer Lytton, era tido como o principal discípulo de Eliphas Levi, "o mais avançado em Cabala"(8). 

Mas nem todos os discípulos do Mestre habitavam em Paris, como era o caso do Barão Nicolas-Joseph Spedalieri, nascido em 1812, na Sicília. Iniciado desde os vinte anos na Sociedade dos Martinistas de Nápoles, era leitor assíduo de Louis Claude de Saint-Martin, o Filósofo Desconhecido. Aos trinta anos, fixou residência na França (Marselha). Em 1861, entrou em contato com o autor do Dogma e Ritual de Alta Magia, tornando-se seu discípulo. A correspondência entre Eliphas e Spedalieri, iniciada em 24 de Outubro de 1861, prolongou-se até 14 de Fevereiro de 1874. 

Apesar de cultivar relações de amizade com pessoas ricas, que freqüentava, Eliphas levava uma vida bastante simples. Suas regras eram: "uma grande calma de espírito, um asseio com o corpo, uma temperatura sempre igual, de preferência um pouco mais fria do que quente, uma habitação arejada e bem seca, onde nada lembre as necessidades grosseiras da vida, refeições regulares e proporcionais ao apetite, que deverá ficar satisfeito e não excitado. Uma alimentação simples e substanciosa; deixar o trabalho antes do cansaço; fazer um exercício moderado e regulado; jamais aquecer-se ou excitar-se à noite, para que a maior calma preceda o sono. Com uma vida regulada assim, pode-se prevenir todas as doenças, que se apresentam sempre sob a forma de indisposições, fáceis de combater com remédios simples e brandos... uma xícara de vinho quente para o enfraquecimento e o resfriado, alguns copos de hidromel! como purgativo, infusão de borragem (9) e leite para a gripe, muita paciência e alegria farão o resto"(10). 

Em agosto de 1862 editou seu livro Fábulas e Símbolos, considerado por ele mesmo como o mais profundo que escreveu. Ao elaborar essa obra, conta-nos Eliphas, o Espírito projetou-se em sua alma, de sorte que via todo o conteúdo do livro na Luz, antes de ser escrito. Toda a obra foi feita de um só fôlego, sem qualquer rasura. As idéias brotavam espontaneamente e coisas simples e belas emergiam da Luz, admirando o próprio autor. "Que a Vontade de Deus seja feita! Exclamou Eliphas. Estou maravilhado e espantado pelas grandes obras que Ele me faz executar. Se soubésseis como meu mérito é pequeno... Sou um verdadeiro cadáver que o Espírito Santo anima".(11) 

Suas obras causavam impacto no mundo ocultista da França e do exterior. Recebia visitas de toda espécie: curiosos, ocultistas, estudantes sinceros, aprendizes de feiticeiro ... "Um dia, diz Eliphas, entre três e quatro horas da tarde, ouvi alguém bater a minha porta. Eram sete batidas secas, assim espaçadas: 00-0-00-00. Abri a porta e um rapaz muito bem vestido e de boa apresentação entrou lentamente, rindo, com um ar um pouco sarcástico, dizendo-me em um tom familiar: "meu caro Senhor Constant, estou encantado por encontrá-lo em casa". Tendo dito isso, passou para meu escritório como se estivesse em sua própria casa e sentou-se em minha poltrona. 

"Mas Senhor, disse-lhe, não vos conheço"! Ele soltou uma gargalhada: "Sei perfeitamente disso: é a primeira vez que me vedes, pelo menos sob esta forma. Mas eu vos conheço muito bem! Conheço toda vossa vida passada, presente e futura. Ela está regulada pela lei inexorável dos números. Sois o homem do Pentagrama e os anos terminados pelo número cinco sempre vos foram fatais. Olhai para traz e julgai: em 1815 vossa vida moral começou, pois vossas recordações não vão além, em 1825 ingressastes no seminário e entrastes na liberdade de consciência; em 1845 publicastes A Mãe de Deus, vosso primeiro ensaio de síntese religiosa, e rompestes com o clero; em 1855 vós vos tornastes livre, abandonado que fostes por uma mulher que vos absorvia e vos submetia ao binário. Notais que se houvésseis continuado juntos, ela vos teria anulado completamente ou teríeis perdido a razão. Partistes em seguida para a Inglaterra; ora, o que é a Inglaterra? Ela é o Iod da Europa atual; fostes temperar-vos no princípio viril e ativo. Lá vistes Apolônio, triste, barbeado e atormentado como estáveis naquele período. Mas esse Apolônio, que vistes era vós mesmo; ele saiu de vós, entrou em vós e em vós permanece". 

"Vós o revereis neste ano de 1865, mais bonito, radioso e triunfante. O fim natural de vossa vida está marcado (salvo acidente) para o ano de 1875(12); mas se não morrerdes neste ano, vivereis até 1885. Apolônio, quando o vistes, temia as pontas das espadas; vós as temeis como ele, pois neste momento, me tomais por um louco. Como um dia alguém quis assassinar-vos(13), perguntais inquietamente se não vou terminar minha extravagante alocução com um gesto semelhante (aqui começou a rir). Sim, sou louco, acrescentou, retomando seu ar sério, mas não sou a loucura morta, sou a loucura viva; ora, a loucura viva é o inverso da sabedoria de Deus. Sabeis vós o que é Deus? Deus sois vós, pois Satã é Deus visto ao contrário. 

"Existem atualmente dois grandes escritores, continuou o estranho visitante, que são úteis à Ciência, Mirville e Eliphas Levi. A todo tempo são necessárias duas colunas; vós sois Jakin, ele é Boaz. Sabeis bem que nenhuma força se produz sem resistência, nenhuma luz sem sombra, nenhuma afirmação sem negação". Calou-se por alguns instantes e eu lhe perguntei:

- Sois Espírita? Respondeu-me gravemente:
"Os espíritas são escorpiões que inoculam um veneno cadavérico sob as pedras tumulares. Atraem os mortos, mas não os ressuscitam. Em breve a terra estará coberta de cadáveres que andam. Estamos em uma época de morte. Louis-Philippe era um Mercúrio sem asas na fronte; ele as tinha nos pés e foi-se. Napoleão III é um Júpiter sem estrela; após ele virá o Saturno coxo e o rei dos padres. O Senhor Conde de Chambord... "O visitante refletiu um instante, olhou-me fixamente e disse de repente:

"Por que não quereis ser papa"? Dessa vez fui eu quem soltou uma gargalhada. Respondi-lhe:
- Porque não quero ser despropositado. "Ah! disse-me ele, ainda tendes um véu para rasgar e não conheceis vossa força toda-poderosa, acrescentou, retratando-se. Nós dois já criamos e destruímos muitos mundos e vós não ousais aspirar a governar um. Esperai, então, a derrota, o esmagamento dos tímidos, a cruz desse pobre homem que se chamava Jesus Cristo". 

"Mas, finalmente, quem sois vós?", perguntei-lhe, então, levantando-me. 

"Vós negastes minha existência, respondeu-me ele; chamo-me Deus. Os imbecis denominam-me Satã. Para o vulgo chamo-me Juliano Capella. Meu envelope humano tem vinte e um anos; ele nasceu em Bordéus; tem pais italianos". 

"Enquanto esse rapaz falava, eu sentia um peso extraordinário na cabeça; parecia-me que minha testa iria explodir. Observava meu interlocutor com surpresa. Seu rosto lembrava os retratos de Lord Byron, com menos correções nos traços; possuía as mãos muito brancas e carregadas de anéis, o olhar seguro e crepitante de sarcasmos, a boca vermelha, os dentes regulares". (14) 

O curioso visitante partiu e jamais os biógrafos de Eliphas Levi encontraram qualquer traço dele. O ano de 1865, como ele tinha predito, foi triunfal para Eliphas, pois a publicação de sua Ciência dos Espíritos trouxe-lhe enorme reputação entre os ocultistas de seu tempo. 

No dia 31 de maio de 1875 faleceu Eliphas Levi. Aqueles que o acompanharam até o último momento testemunharam sua grande coragem e resignação. No momento de expirar, estava bastante calmo. Sua vida tinha sido plena de realizações espirituais. Havia cumprido a missão de iniciado e de iniciador. Acima de seu leito, estava fixado um crucifixo, que olhava seguidamente nos últimos momentos. Disse antes de expirar: "Ele prometeu o Consolador, o Espírito. Agora espero o Espírito, o Espírito Santo". O Mestre faleceu logo em seguida. 

Dedicando praticamente todo seu tempo à pesquisa da verdade e ao apostolado perante seus discípulos, Eliphas Levi levou uma vida bastante humilde. Os bens materiais que possuía não passavam de muitos livros e algumas obras de arte, como prova seu testamento, redigido em uma quarta-feira, no dia 26 de maio de 1875, cinco dias antes de sua morte: 

"Em nome da Justiça e da Verdade, este é meu testamento: 

Lego ao Conde Georges de Mniszech meus manuscritos, livros e instrumentos de ciência, particularmente uma dupla esfera metálica portanto um resumo de todas as ciências.(15) 

Desejo que ninguém toque em meus; manuscritos, a não ser o Conde de Mniszech, a condessa sua esposa, o Conde Branicki e a senhora Gustaf Gebhard, que reside na rua Koenigstrasse, 64, em Esberfeld. 

Meu amigo Edouard Pascal, que se ocupou de mim com o maior devotamento, escolherá dentre meus livros não científicos e entre meus objetos de arte e de curiosidade o que lhe interessar. 

Lego à minha irmã Pauline Bousselet, que sou forçado a deserdar, por causa de meu cunhado, todos os meus quadros e objetos de devoção. 

Desejo, ademais, que todas minhas vestes e roupas em geral sejam legadas às irmãs de caridade da rua Saint-Jacques. 

O que resta de móveis, curiosidades, tapeçarias, vasos, pratos de cobre, etc., será vendido e o resultado dividido entre as pessoas que se ocuparem de mim até os últimos momentos; não me refiro a mercenários, mas a amigos". 

O Conde de Mniszech faleceu em 1885. Os manuscritos de Eliphas Levi foram vendidos e dispersos; mas graças a Stanislas de Guaita foram reencontrados. Cabe salientar que a Condessa de Mniszech era prima da Condessa Keller, esposa de Saint-Yves d´Alveydre, o Mestre intelectual de Papus, fato que certamente facilitou a recuperação dos preciosos manuscritos. 

Edouard Pascal ficou também com a espada mágica de Eliphas Levi e com a famosa caderneta de anotações referentes aos trabalhos mágicos de Londres. Em 1894 esses objetos caíram nas mãos de Papus, graças a intercessão de amigos que conheciam a viúva de Pascal. 

O Filho de Eliphas Levi que só viu o pai no dia de sua morte, acompanhou-o até a sua última morada.(16) M.A.C. foi visto em 1914 por Chacornac, que ficou admirado com sua extrema semelhança com Eliphas Levi. Era um velho de estatura média, de cabelos brancos e que exalava bondade. Mostrou-lhe sua biblioteca, com quase todas as obras de seu pai, cuidadosamente encadernadas. Presenteou-o com um busto de Eliphas e com um de seus manuscritos, denominado O livro de Hermes. Compunha-se de 294 folhas, com 47 figuras no texto e com 78 lâminas do Tarot, em anexo, desenhadas pelo próprio autor. Em 1919, Chacornac encontrou-se com o neto de Eliphas Levi, filho de M.A.C. 

M.A.C. legou em 1914, a amigos de Papus, manuscritos inéditos de Eliphas, e objetos pessoais do Mestre. A Tradição Ocultista continuou através dos discípulos póstumos de Eliphas Levi Zahed. A vida continua depois da vida; o sol parte e vem a noite; mas ele não deixa de renascer no dia seguinte, para aquecer e iluminar todos os recantos da Natureza. 

Notas 

1-) Eliphas Levi tinha 15 anos de idade. Cf. CONSTANT, A.L. Livre des Larmes ou le Christ Consolateur. Paris, Paulier, 1845, p.214.
2-) Cf. CHARCONAC, P. Eliphas Levi, Rénovateur de I´Occultisme em France. Paris, Charconac Freres, 1926, p.17. 
3-) Nasceu em Paris em 1814; foi autor de Magicien (1834), Charlotte Corday (1840), Evangile du Peuple(1840); exilado na Inglaterra em 1851, retornou à França em 1869, após a queda do império. Foi nomeado administrador da região de Bouches-du-Rhone, onde tomou medidas enérgicas do ponto de vista econômico e administrativo. Suspendeu o jornal La Gazette du Midi e dissolveu a congregação dos Jesuítas de Marselha; esses atos foram desfeitos pela administração superior, o que culminou com sua demissão. Foi reeleito deputado para a Assembléia Nacional em 1871. O papel que desempenhou como político à partir desta data, foi sem expressão.
4-) CONSTANT,A.L. L´Assomption de la Femme ou le livre de L´Amour. Paris, Le Gallois, 1841, p. XIX.
5-) CONSTANT, A. L. Op. Cit., p. XXI.
6-) Carta de Eliphas Levi ao Barão Spedalieri, Correspondência, t. IX. Essa correspondência entre os dois ocultistas comporta mais de mil cartas. A presente tradução engloba apenas o tomo I (Citado por CHACORNAC, p. op. cit., p. 108).
7-) CONSTANT,A.L. Le Testament de la Liberté. Paris, Frey,1848, p. 218-9.
8-) ELIPHAS LEVI. Correspondência, tomo I.
9-) Planta de Largas flores azuis, que crescem em regiões temperadas. Suas infusões são sudoríferas, diuréticas e depurativas.
10-) ELIPHAS LEVI. Correspondência, tomo I.
11-) ELIPHAS LEVI. Correspondência, tomo I.
12-) Todas essas observações estão admiravelmente corretas.
13-) Em 1862, com efeito, um alucinado procurou Eliphas Levi durante dezoito meses, para assassina-lo. Um dia ele apareceu com um punhal em uma mão e um exemplar do Dogma e Ritual da Alta Magia em outra. O mestre encarou-o com brandura. Falou-lhe com docilidade e ele foi embora tremendo.
14-) ELIPHAS LEVI, Correspondência, vol. V, citado por CHACORNAC, p. op. cit. p. 242 a 244.
15-) Trata-se do famoso Prognóstico de Wronski, aparelho reencontrado por Eliphas Levi em um antiquário de Paris.
16-) M.A.C. era filho de Eliphas Levi e de Eugene C.. Em 1867, Eliphas quis ocupar-se de seu filho, mas não se entendeu com Eugene. Até sua morte não mais avistou Eugene e o filho. Este, informado por um amigo, conseguiu rever o pai sobre seu leito de morte.

Dom Pedro I



Pod. Ir.’. D. PEDRO 1º "Guatimosim", Grão-Mestre da Ordem no período de 5 de agosto a 25 de outubro de 1822.

Escritores há, como Varnhagen, que consideram D. Pedro 1º o fundador do Império do Brasil, naturalmente devido ao seu heróico feito no Ypiranga. O Padre Diogo Feijó também foi da mesma opinião, que aquele reproduz à página 101 de sua "História da Independência". 

Não vamos contestar esse juízo, baseado em diversos atos e ocorrências da época, quais teve parte D. Pedro 1º. Nem iremos ao ponto de negar seu amor ao Brasil. Ele muito se afeiçoará a este país e depois de sua viagem a Minas se declarava cidadão brasileiro, orgulhando-se disto. 

Cabe-nos somente, num humilde parêntese, ponderar que todas as resoluções de D. Pedro 1º, desde o "Fico" à "Aclamação", eram previamente sugeridas ao seu espírito por uma plêiade de inteligências cultivadas e clarividentes, ao serviço de ardentes patriotas. 

Isso, aliás, não depõe contra seu sentimento por nossa pátria, de que falamos acima. Achamos até de justiça, a fim de demonstrar, transcrever aqui um trecho da carta que remeteu a seu pai em 15 de julho de 1824: 

"Vossa majestade está enganado pelos seus ministros e conselheiros, que dizem conquiste o Brasil... 

os Brasileiros e eu, seu imperador, não mudamos de tenção, e antes morreremos com a espada na mão, uma vez que juramos Independência ou Morte!". 

E como nota curiosa diremos que D. Pedro 1º tinha por José Bonifácio a amizade de irmão. Em compensação, este o estimava como a um filho! 

Sua fé de ofício maçônica é pequena. Tendo sido tão rápida, quanto elétrica, a passagem de D. Pedro 1º pela Maçonaria, pouco há referir a respeito. 

Proposto em 2 de agosto de 1822, sua iniciação teve lugar no mesmo dia. Submetido a todas as provas do Ritual, adaptou o pseudônimo de Guatimosim, com o qual escreveu a música do hino maçônico, ainda em vigor. Aclamado, a 5 de agosto, Grão-Mestre da Ordem, em 4 de outubro tomou posse de seu cargo, que exerceu até ao dia 25, quando houve a interrupção, dos trabalhos do Gr.·. Or.·. do Brasil, pelos motivos que os II.·. conhecem. 

Na "Galeria de Homens Célebres" encontramos sua biografia profana, que é a seguinte: 

" D. Pedro de Alcântara Bourbon, primeiro imperador do Brasil, nasceu em Lisboa a 12 de outubro de 1798". 

Apenas com 10 anos de idade, veio para o Brasil em companhia de seu pai, o príncipe regente D. João, que não podendo resistir em Portugal à coluna francesa comandada por Junot, emigrou para a sua colônia na América. 

Conquanto herdeiro presuntivo da coroa, porque com a enfermidade da rainha D. Maria I era seu pai quem reinava, o príncipe D. Pedro não teve uma educação condigna à elevada missão que o aguardava. 

Em 1818 casou-se com a duquesa d’Áustria, D. Maria Leopoldina, de cujo consórcio nasceu D. Pedro II, que foi o seu sucessor no trono do Brasil. 

A revolução de Portugal de 1820, veio quebrar a monotonia da vida colonial no Brasil, cujas províncias aderiram ao regime constitucional, enquanto que o rei, pouco disposto a voltar para metrópole, publicava o decreto de 18 de fevereiro de 1821, em virtude do qual era o príncipe D. Pedro mandado para Lisboa; mas em razão dos graves acontecimentos que sobreviveram, foi o próprio D. João VI com a sua família quem, pesaroso, abandonou o seu doce remanso, ai deixando por logar-tenente o príncipe D. Pedro. 

A princípio, pouco inclinado à causa da independência, tornou-se posteriormente o chefe da revolução e o fundador do império do Brasil, em razão da desastrosa política que exerceram as cortes portuguesas. Após sucessivos decretos, nos quais revelavam a insistente preocupação em amesquinhar a florescente colônia, surgiram as determinações de conformidade com as quais deveriam ser abolidos os tribunais mais importantes do reino do Brasil, e também pela quais o príncipe regente recebia ordens de seguir para a Europa, afim de ai aprimorar a sua educação. 

Foi este ultimo decreto a preponderante, senão a principal, causa da proclamação da independência do Brasil. 

Chegando ao conhecimento dos mais exaltados patriotas que o príncipe se preparava para dar cumprimento as ordens recebidas, começaram a conspirar em sociedade secretas, promovendo representações populares com o fim de solicitar-lhe que permanecesse no Brasil. 

Esses esforços foram coroados do mais feliz resultado e a data de 9 de Janeiro de 1822 soleniza o alvorecer de mais uma nação livre na carta do universo. 

Delirantemente secundado pelos brasileiros, pode o genuíno representante da aspiração nacional vencer os vãos esforços do elemento português que tentou sufocar o brado patriótico de – independência ou morte, - soltado em S. Paulo. 

A 12 de Outubro foi D. Pedro solenemente proclamado no Rio de Janeiro Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brasil, efetuando-se a 1 de Dezembro a cerimônia da sua coroação. 

Em 1825 reconhecia D. João VI a independência desse adolescente império. 

Durante a curta administração do jovem monarca, grandemente perturbada com as continuas dissensões de partidos, onde predominava o ressentimento entre português e brasileiros, e até com lutas contra países vizinhos, jamais conseguiu ele sufocar a impetuosidade do seu gênio e precaver-se dos conselhos de desleais e apaixonados cortesãos, circunstancias que muito concorreram para exacerbar o espírito de dedicados patriotas, com medidas extremas, que comprometeram-no. 

Falecendo D. João VI em 1826, a coroa de Portugal tocava a D Pedro, que abdicou-a na sua filha D. Maria da Gloria ; esta deliberação não logrou resultados satisfatórios, porque a revolução de Portugal colocou no trono o príncipe D. Miguel, como rei absoluto. 

A 17 de Outubro de 1829 foi celebrada no Rio de Janeiro a cerimônia das bênçãos núpcias do imperador com a sua Segunda esposa D. Amélia de Leuchteanberg. 

Acusado pelo partido liberal de aspirar ao pode absoluto, e continuamente comprometido pelos seus ministros, sentiu D. Pedro 1º dia a dia perder a sua popularidade, seriamente ameaçada com a bandeira da federação das províncias, alçada pelos ânimos com efervescentes. 

Só muito tarde foi que se esforçou por conquistar a adesão e amizade dos descontentes, e a sua viagem a Minas Gerais, empreendida nesse sentido, seguida das lutuosas noites das garrafas, deixou a mais triste impressão no animo do monarca. Desde então acentuaram-se cada vez mais os projetos de conspiração, que eram alimentados com as suas desacertadas resoluções, até que grave ocorrências coagiram-no abdicar a coroa em filho menor, e no dia 13 de Abril de 1831 deixava para sempre o Brasil. 

Por essa época fazia Portugal sob o jugo cruel e sanguinário do usurpador D. Miguel. 

Com o simples titulo de duque de Bragança e á testa do movimento liberal, passou-se D. Pedro do Açores para o continente, e sempre de vitória em vitória conseguiu, após as batalhas de Almastir e da Assieira, firmar o trono de sua filha Dona Maria II com o governo monárquico constitucional; e a 24 de Setembro de 1834 faleceu em Lisboa, legando a sua memória gloriosa as paginas da historia de dois mundos." 



Texto extraído do Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil – 1822 –

José Clemente Pereira



O Pod. Ir. José Clemente Pereira é, não há dúvida nenhuma, um dos próceres da Independência Brasileira. 

Colocado na presidência do Senado da Câmara, em 1822, nesta alta função política trabalhou dedicada e esforçadamente em prol do ideal de nossa partia, fazendo aprovar, no antigo Paço Municipal, todas as medidas, propostas na Maçonaria, que, em nome do povo e a bem do pais, era necessário pedir a D. Pedro 1º , tais como o "Fico", o Conselho dos Procuradores das Províncias, o Titulo de Defensor Perpétuo do Brasil e a Convocação da Constituinte, além das resoluções mais importantes do governo, cuja iniciativa ele não podia tomar. 

Dentro da Ordem, Clemente Pereira constituía, com Ledo e Januário Barbosa, a trindade bem dita que, sempre de acordo, pensava e resolvia os planos indispensáveis a emancipação do Brasil e, depois, os vinhas executar, no Senado da Câmara, o primeiro, no "Reverbero", pela pena Adamantina, e na praça pública, por sua oratória inflamada e eloqüente o segundo, e ainda no mesmo patriótico jornal, o terceiro desses inesquecíveis IIr. 

Embora nascido em Portugal, no dia 17 de Fevereiro de 1787, Clemente Pereira amava esta terra como si fosse seu filho e lhe prestou enormes serviços em diversos cargos públicos de nomeada, que desempenhou com reconhecida proficiência. 

Quando o General Junot invadiu o território português, Clemente Pereira, no posto de Capitão e sob o comando de José Bonifácio, se aliou aos voluntários que pegaram em armas, afim de expelir dali os franceses. Conseguido isso, embarcou para o Brasil, aqui chegando em 12 de Outubro de 1815 e onde permaneceu, muito tempo, no meio da mais ingrata indiferença dos patrícios, apesar de seu heroísmo em Portugal, a ponto, disse o Porto Alegre, de, nos três primeiros anos de sua residência aqui no Rio, ter necessidade de advogar para viver, pois era doutor, em cânones e jurisprudência, pela Universidade de Coimbra ! 

Da ir, talvez, sua atitude em favor da causa dos brasileiros. 

Só em 1819 D. João VI se dignou lhe reconhecer o mérito, nomeando-o Juiz de Fora "para criar a Vila da Praia Grande" (Niterói). Então Clemente Pereira lançou, pessoalmente, os fundamentos da vila e fez, com as próprias mãos, a medição e o alinhamento de suas ruas e praças, construindo sua primeira capela e abastecendo de água. E, também, e edificou á sua custa e com o resultado de subscrições populares, obra efetuada em vinte meses ! Profundamente grata a ele, a Câmara Municipal de Niterói, em 1840, colocou na rua de S. José a seguinte dedicatória : 

"Dedicada ao Ilm.º e Exm.º Sr. José Clemente Pereira como o primeiro Juiz de Fora, creador r edificador da vila, e pelos muitos benefícios de que lhe é devedora esta cidade". 

Em 31 de Maio de 1822 D. Pedro 1º transferiu Clemente Pereira para o cargo de Juiz de Fora da Corte, promovendo-o, por Decreto de 27 de Setembro, para a Relação da Bahia. 

Na sess. do Gr\ Or.\ de 14 de Setembro, na qual ficou resolvida, para 12, a aclamação de D. Pedro 1º "Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil", propôs os vivos que, como Presidente do Senado da Câmara, daria na solenidade e que eram os seguintes : " A Religião !" "Ao Sr. D. Pedro 1º, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil !" "A ‘ sua Augusta esposa ! " A’ Independência do Brasil ! " E nesse dia proferiu, no antigo Campo de Santana, na qualidade acima, um longo discurso concedendo a D. Pedro aquele titulo. 

Ordenada, em 2 de Novembro de 1822, a célebre devassa que feriu todos quantos haviam promovido a Independência do Brasil, Clemente Pereira foi preso, dias após, recolhido á fortaleza de Stª Cruz e deportado para o Havre, França, seguindo para ai a 20 de Dezembro. Mas, absolvido, em 7 de Outubro de 1823, por falta de provas, D. Pedro 1º, compreendendo, naturalmente, que o haviam levado a ser injusto para com ele, nomeou-o : no dia do aniversario natalício da princesa D. Paula, 17 de Fevereiro de 1824, dignitário da Ordem do Cruzeiro ; Intendente Geral da Policia, a fim de substituir o Conselheiro Aragão, por Decreto de 25 de Agosto de 1827; Ministro do Império, da Guerra, da Fazenda e da Justiça (1828), dos Estrangeiros e da Guerra (1829), agraciando-o, afinal, com a grande dignatária da Ordem da Rosa. 

Exerceu mais o cargo de Deputado por Minas e S. Paulo, uma vez, e pelo Rio de Janeiro, quatro vezes, ocupando ainda o de Senador, uma vez por Alagoas e pelo Pará e duas pelo Rio de Janeiro. 

No Império de D. Pedro 2º foi por este nomeado : Ministro da Guerra, por ato de 23 de Março de 1841, Senador em 31 de Dezembro de 1842, Conselheiro de Estado a 14 de Setembro de 1850 e 1º Presidente do Tribunal de Comercio em 4 deste ultimo mês e ano. 

A cidade do Rio de Janeiro lhe deve : o encanamento das águas da Lagoinha e das Paineiras ; a construção dos chafarizes das Laranjeiras, do Cosme Velho e de S. Cristóvão ; diversos melhoramentos dos bairros do Cattete e de Maracanã e a condução da primeira sege ao Paraíba. 

Como o Ministro, reformou a Repartição dos Correios; inaugurou, na Academia Nacional de Belas Artes, a primeira exposição anual de pintura, e, na pasta da Guerra, realizou reformas, que muito consolidaram a organização das forças de terra, seu efetivo e unidade. Ministro da Justiça, legou á legislação brasileira o Código Criminal de 1830 e Código Comercial de 1850. Fundou, igualmente, o atual Hospício Nacional de Alienados, tendo as respectivas obras começado em 1842, terminando no ano de 1852. 

Eleito Provedor da Santa Casa de Misericórdia, a 2 de Julho de 1839 procedia á inauguração do Cemitério do Cajú, coisa que melhorou, extraordinariamente, o estado sanitário desta Capital, pois, antes, se inumavam os mortos no centro dela, perto do Hospital. 

Clemente Pereira faleceu, repentinamente, em 10 de Março de 1854, vitima de uma congestão cerebral. Sua morte se deu ás 11 horas da noite, causando grande conforme o costume da época, a procissão do Senhor dos Passos. No Cemitério de S. Francisco Xavier, na avenida de seu nome, terceira rua á esquerda, quadra n.º 9, existe o belíssimo mausoléu, que a Irmandade da Santa Casa erigiu em honra á sua memória. Numa das faces do mausoléu há, em latim, o seguinte epitaphio de Frei Camilo de Monserrate: 

" A José Clemente Pereira, varão ilustre entre seus concidadãos por seu piedoso zelo para com os infelizes, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia levantou no dia 2 de Novembro de 1858 a estatua da Piedade, símbolo de sua vida. Tendo conseguido erigir dois magníficos hospitais, faleceu no Rio de Janeiro no dia 10 de Março de 1854, na idade de 67 anos." 

Texto original, extraído do Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil - 1922 

Castro Alves



Deus! O Deus! 

onde estás que não respondes? Em que mundo, em que estrela tu t’escondes Embuçado nos céus? Há dois mil anos te mandei meu grito, que embalde desde então corre o infinito... Onde estás, senhor Deus? 

A evocação embalada numa forte carga de emoção é uma pequena estrofe do poema “Vozes D’África”, do genial poeta baiano Castro Alves, nascido em Muritiba (hoje Castro Alves), Bahia, em março de 1847. A sua breve passagem pela vida (morreu aos 24 anos com tuberculose pulmo­nar) foi marcada por uma das mais completas obras literárias do País. Ne­las, Castro Alves alternou o lírico inti­mista com as questões de natureza so­cial, revelando-se um dos maiores abolicionistas brasileiros, rendendo­ o título de “Poeta dos Escravos”. 

De temperamento inovador, questionador, estabeleceu novos va­lores para a época, renovando concei­tos e criando uma nova linguagem poética na literatura brasileira. Na luta particular que empreendeu pela liber­dade, pela justiça e pela fraternidade, introduziu no poema “O Navio Ne­greiro”, com mais de 240 versos, a sua dor pelo sofrimento dos escravos, de­nunciando aquilo que representava o aviltamento do ser humano - o trans­porte de escravos acorrentados em porões de navios. 

A verdadeira inclinação para a poesia. Castro Alves só manifestou claramente aos 13 anos, quando começou a recitá-las no colégio. De Salvador, onde foi educado, seguiu para o Recife, Pernambuco, em 1862, para fazer o Curso de Direito. Nesta época, já apresentava sinais evidentes da doença que o mataria alguns anos depois. Sempre participando de movi­mentos estudantis e literários, ele transferiu-se do Recife para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo, onde marcaria presença nos acontecimentos 

sócio-político-culturais da época. 



Pressentindo a proximidade da morte, retornou a Salvador em 1870, ainda conseguindo ânimo para organi­zar e publicar o livro “Espumas Flutu­antes” que, segundo alguns críticos li­terários, contém a melhor parte de suas poesias líricas, como os poemas “Hebréia”, “Mocidade e Morte”, o “Laço de Fita”, “Boa Noite”, “Quando Morrer”, “É Tarde” e “As Aves de Ar­ribação”. “Espumas Flutuantes” foi publicado pouco antes de sua morte, em 1871.

Morreu o homem, mas a sua obra permanece imutável. A paixão que plasmou na sua obra transcende o tempo: 

‘Tudo me diz que o Eterno. 
na idade prometida 
Há de beijar na face 
a terra, arrependida! 
E desse beijo santo, 
desse ósculo sublime, 
Que lava a iniquidade, 
a escravidão e o crime, 
Hão de nascer virentes 
nos campos das idades, 
Amores, esperanças, 
glórias e liberdades! 
Então num santo êxtase, 
escuto a terra e os céus, 
o vácuo se povoa de 
tua sombra, ó Deus!” 

Castro Alves se iniciou Maçom numa loja da Bahia.

Floriano Peixoto



Floriano Peixoto nasceu no engenho “Ria­cho Grande”, localizado na freguesia de Ipioca, atual distrito de Floriano Peixoto, do município de Maceió, aos 30 de abril de 1839. 

Dez dias após o nascimento de Floriano, o seu tio, o coronel José Vieira de Araújo Peixoto, proprietário de vá­rios engenhos de açúcar, entre os quais o Riacho Grande e o Ponte Grande este último também situado em Ipioca visitando o Irmão e a cunhada, mãe do futuro “Marechal de Ferro”, levou-o para criar. 

Com o padre Afonso Calheiros de Melo estudou Floriano Peixoto as primeiras letras, no engenho “Ponte Grande”, para onde havia transferido residência, o Cel. Vieira Peixoto. 

Algum tempo depois o seu pai ado­tivo internou-o no Colégio Espírito Santo, em Maceió. 

Em 1855, aos dezesseis anos de idade, seguiu Floriano para o Rio de Janeiro, onde se matriculou no Colé­gio São Pedro de Alcântara, dirigi­do pelo padre José Mendes de Paiva, ali completando os seus estudos pre­paratórios. 

A 1° de maio de 1857 assentou praça no 1° Batalhão de Artilharia no Rio de Janeiro, ingressando posterior­mente na Escola Militar. 

Tendo feito toda a campanha do Paraguai, para onde partira em 16 de fevereiro de 1865, com os galões de 1° tenente, no campo de batalha, por atos de bravura, obteve as patentes de ca­pitão e major. 

A 09 de agosto de 1884, Floriano Peixoto, então Brigadeiro, foi nomea­do Presidente e Comandante das Ar­mas da então Província de Mato Gros­so, cargo que ocupou até o dia 12 de outubro de 1885. 

Durante o período entre 1885 e 1890, conforme assinaturas registradas nos livros de presença e constatando-se em diversas ATAS da A.'.R.'.L.'.S.'. “PER­FEITA AMIZADE ALAGOANA” a participação do consolidador da Repú­blica, Iniciado a 15 de fevereiro de 1871, ele teria chegado a Maceió no final de outubro de 1870, obtendo li­cença de sessenta dias, a 9 de janeiro de 1871. 

Nomeado Ministro da Guerra, em 19 de abril de 1890, pelo Governo Provisório, em 25 de fevereiro de 1891, como Senador à Constituinte por Alagoas, foi levado, pelos votos de seus pares, ao cargo de vice-presidente da República, cuja presidência, exercida a partir de 23 de novembro desse mesmo ano, devido à renúncia do seu conterrâneo Marechal Deodoro da Fonseca, também Maçom, forçado, inclu­sive, pela revolta encabeçada pelo almirante Custódio de Melo. 

No dia 06 de setembro de 1893 eclodiu uma nova revolta, da parte da Marinha de Guerra do nosso país, co­mandada por aquele almirante, à qual mais tarde aderiu o almirante Salda­nha da Gama, visando a restauração da Monarquia. A luta chegou a ponto de fazer desanimar aos mais resolutos defensores da República. Somente Floriano não duvidou da vitória, que por fim lhe sorriu. E não foi uma vez só que assegurou: “Desta cadeira só duas forças são capazes de me arrancar: a lei e a Morte”. A vida de Floriano — o Consolidador da Repúbli­ca Brasileira—foi uma página brilhan­te de abnegação e altivez; seu passa­mento sereno como o de um predesti­nado que cerra os olhos à luz do mundo terreno levando a pressa à retina a Pátria que engrandeceu, salvando-a do ciclone que tentou devastá-la”. 

Em 29 de junho de 1895, falece, neste dia, na Fazenda “Paraíso”, em Divisa, atual Floriano, no Estado do Rio de Janeiro, o marechal Floriano Peixoto, poucos meses depois de deixar a presi­dência da República Brasileira. 

Filho do agricultor Manoel Vieira de Araújo Peixoto e de Dna. Ana Joaquina de Albuquerque Peixoto. 

Os historiadores alagoanos Douglas Apratto e Moacir Santana foram convidados no ano de 1995 pe­las Universidades Catarinenses, para defenderem a mudança do nome da capital de Florianópolis, Santa Cata­rina, para marechal Floriano Peixoto, em homenagem ao alagoano e segun­do presidente da República Brasilei­ra. Aqueles historiadores participa­ram de uma semana de debates em Florianópolis, em defesa do alagoano, tendo em vista a existência de um movimento forte, registrado naquele Estado, contrário à mudança. 

As razões da não-aceitação por par­te de alguns catarinenses, se deve ao fato de eles acreditaram ter sido uma humilhação a denominada “Chacina de Anhatomirim”, ocorrido em 1894, na época da Revolução Federalista, onde 200 pessoas foram fuziladas su­mariamente, sem qualquer julgamen­to, correspondente entre 5% e 6% da população daquele Estado. Tragédia que atribuem a Floriano Peixoto, como responsável direto. 

Segundo o prof. da Universidade de Alagoas Douglas Apratto é “uma situação interessante, pois há uma cidade inteira motivada, uma socieda­de que debate esse assunto sem ne­nhuma restrição, com a participação de todas as camadas”. Observou o his­toriador, que há um forte movimento contrário na cidade, com divulgação em todos os jornais, panfletos etc... “Existe a participação das escolas, Associações de Jornalistas, OAB, en­tre outros, com lados favoráveis e con­trários”, completou. 

Douglas Apratto fez a defesa de Floriano, falando que o alagoano não mandou executar os catarinenses sem julgamento. “Floriano suscitou mui­tas paixões, foi o brasileiro mais ama­do de sua época, não era um erudita, mas um militar, calado, taciturno, que não tinha o poder da comunicação” disse. 

Sobre o episódio de Fortaleza de Anhatomirim, lembrou que o presidente estava enfrentando uma guerra civil, cujos federalistas rebeldes se concentravam em Santa Catarina. “Floriano foi um símbolo de unidade brasileira, quando a população civil estava sendo dizimada pelos policiais federalistas, por isso às voltas com o problema, enviou o oficial Moreira César para Florianópolis que, naque­la época, se chamava Desterro, mas não ordenou que fizesse fuzilamento sem julgamento, comentou. 

Segundo a sua visão de historia­dor, num clima de guerra civil, o presi­dente da República sentia as ameaças da França, Inglaterra e Portugal, que queriam retornar o Brasil para a mo­narquia. Floriano foi um nacionalista, um herói da Guerra do Paraguai, que representou a classe média contra a oligarquia. Não era um ditador, pois entregou o cargo para o seu inimigo político, Prudente de Morais, e mor­reu pobre, flnalizou o prof. Douglas Apratto. 

(Transcrito do Jornal GAZE­TA DE ALAGOAS de 15.10.95.) 

Ir.’. Jellis Fernando de Carvalho

Januário da Cunha Barbosa



O Pod. Ir. Cônego Januário da Cunha Barbosa, nascido nesta cidade a 10 de Julho de 1780, na ordem cronológica dos beneméritos precursores do glorioso 7 de Setembro, ocupa, com os PPod. IIr. Gonçalves Ledo, Clemente Pereira e General Luiz Pereira da Nobrega, um dos primeiros lugares. 

Foram, na verdade, imensos os serviços que ele e Ledo, seu amigo intimo e companheiro de estudos e na Redação do "Reverbero", prestaram á causa da Independência do Brasil, quer nesse periódico nacionalista, de 15 de Setembro de 1821 a 8 de Outubro de 1822, quer na Maçonaria, juntamente com os IIr. acima referidos. E a prova disso está no fato de Ter o grande estadista Euzebio de Queiroz, na sessão de Câmara dos Deputados de 20 de Abril de 1839, proposto que Ledo, Clemente Pereira e Januário Barbosa fossem convidados a constituir uma comissão, para se incumbir de compilar e escrever tudo quanto pudesse dar esclarecimentos, ao futuro historiador, a respeito do magno assunto. 

Januário Barbosa, por sua inteligência, cultura e erudição, brasileiro notável, foi um dos philosophos mais considerados de sua época. Pregador de nomeada, ao ser fundado o Gr. Or. do Brasil o elegeram para o cargo de seu Gr. Orad. Homem de extraordinária e brilhante atividade intelectual, escreveu durante mais de 50 anos. E tanto isto é exato que todos os letrados daqueles tempos o convidavam para instalar e presidir suas sessões literárias. 

Em 1808 D. João VI o nomeou pregador régio, com cujos sermões se comprazia, repetindo sempre que o julgava o melhor orador sacro. 

Na sessão, de 14 de Setembro de 1822, em que no Gr. Or. se resolveu a aclamação de D. Pedro 1º como Imperador Constitucional do Brasil, Januário Barbosa se ofereceu, de acordo com o decidido, para ir a Minas propagar a proposta adotada, dispor o animo em favor de tal obra e remover quaisquer embaraços. E depois, quando se tratou da formula do juramento, na cerimônia, do monarca, pronto já a partir para a Província, pediu cópia dele e seguiu seu destino. Em Minas, por discursos e atos, impôs seu nome á afeição, estima e elogios do povo. 

Mas chegando ao Rio, no dia 7 de Dezembro, o aprisionaram, em conseqüência da odiosa devassa de 2 do mês antecedente, e o conduziram á fortaleza de Stª Cruz. Depois o deportaram para o Havre em 20 de Dezembro. Nessa cidade embarcou para Paris e da capital da França para Londres, onde mandou imprimir seu poema, em versos, "Niterói", em 1823. 

Absolvido a 7 de Outubro desse ano, por não haver provas no processo que se lhe instaurara, voltou á pátria, sendo, a 4 de Abril de 1824, nomeado, por D. Pedro 1º oficial da Ordem do Cruzeiro e no dia 25 Cônego da Capela Imperial. Mais tarde o jovem Imperador lhe ofereceu sua fotografia, com dedicatória do próprio punho. 

Eleito Deputado, para a primeira assembléia legislativa (1826-1829), pelas Províncias do Rio de Janeiro e de Minas, optou por aquela; finda a legislatura, assumiu a direção do "Diário Fluminense", órgão do governo. Em 23 de Maio de 1826, nas exéquias de D. João VI, pronunciando, no púlpito da Capela Imperial, a oração fúnebre, uma das melhores de sua lavra, disse : 

"Não pode o silencio da morte sufocar as vozes da justiça e da gratidão, quando a memória, dos que ela arranca dentre os vivos, desperta a lembrança de ações grandes que devem chegar á mais remota posteridade. O túmulo, abrindo-se para confundir no seu pó aqueles que o mundo distinguia, respeita todavia o poder da virtude, que salva os seus nomes dos seus terríveis estragos. Aqui finalizam, sim ! os prazeres e as afeições da terra, volvendo á terra o que dela saiu; mas aqui também começa o juízo imparcial dos homens, e quando ele assenta sobre virtude, que o mundo aprecia e que a religião santifica, então pode-se dizer que o homem desce á sepultura, porque o seu nome, muito mais valioso que mio tesouros preciosos, sobrevive ás grandezas da terra e passa abençoada sempre de geração em geração." 

Eis o juízo que dele fez, como orador, um seu biografia : 

"O panegírico, espécie oratória, é a pedra de toque dos oradores sagrados. Nele o Cônego Januário houve-se bem, conquistando calorosos aplausos. Dominado de soberba inspiração e desenhando os trechos usados por alguns históricos pregadores, o certo é que Januário atraia com seus sermões. 

Pregando, principalmente, para instruir, seu estilo era majestoso, tinha profundidade de idéias e admirável eloqüência. Arrojado, de frase fluente, ás vezes ricas de imagens e de flores, era doutrinário, dialético, cheio de encanto. – Foi o primeiro que iniciou, entre nós, as necrologia, prestando culto merecido á memória de varões ilustres, como o padre José Maurício Nunes Garcia e o padre mestre Frei Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio." 

Por Decreto imperial de 18 de Dezembro de 1830 veio a ser designado para Diretor da Tipografia Nacional, em que serviu até 3 de Outubro de 1834. A 21 de Outubro de 1839 fundou o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do qual foi Secretario perpétuo e em cujo cargo faleceu, após ter prestado inestimáveis serviços a essa sociedade cientifica. No seio do Instituto demonstrou, ou ano seguinte, que já se preocupava com a colonização dos silvícolas, apresentando, para ser discutida nele, esta tese, logo aprovada : 

"Qual seria hoje o melhor sistema de colonizar os Índios do Brasil entranhados em nossos sertões ; si conviria seguir o sistema dos Jesuítas, fundado principalmente na propagação do cristianismo, ou si outro do qual se esperem melhores resultados do que os atuais." 

Diretor da Biblioteca Nacional, por nomeação efetuada pelo Decreto de 5 de Setembro de 1844, exerceu tais funções até a sua morte. Deu-lhes tamanho brilho, que escritores brasileiros e sábios estrangeiros iam ao seu 

gabinete, a fim de se entreterem, com ele, em animadas e interessantes palestras literárias e cientificas. 

A Província do Rio de Janeiro o elegeu novamente Deputado para a legislatura de 1847, mandato que desempenhou, porém, somente até Fevereiro de 1846, por Ter De colaboração com Ledo, procedeu á analise e critica do poema "Assumpção da Virgem", de Frei Francisco de S. Carlos. 

Alquebrado pela idade, quase sem vista, mas conservando perfeitas a memória e faculdades intelectuais, assim como gozando a admiração dos contemporâneos, o Cônego Januário da Cunha Barbosa exalou o ultimo suspiro a 22 de Fevereiro de 1846, sem ter podido usar o titulo de Monsenhor, com que fora distinguido num dos dias anteriores aquele. 

O saudoso brasileiro possuía também as comendas de cristo e da Rosa, do Brasil, da Conceição de Vila Viçosa, de Portugal, e de Francisco I, de Nápoles.