Mostrando postagens com marcador Biografias de Maçons. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Biografias de Maçons. Mostrar todas as postagens

QUEM FOI HIRAM, REI DA CIDADE-ESTADO FENÍCIA DE TIRO?





Os fenícios, como a grande maioria dos povos da época, eram politeístas. Primitivamente foram adoradores de árvores, rochedos e de certas pedras negras de forma oval, os bétilos. Mais tarde passaram a adorar os astros e as forças da natureza, considerando como divindade maior o Sol. O culto compreendia um conjunto de práticas grosseiras, licenciosas e cruéis, com prostituição sagrada e com sacrifícios humanos, sobretudo de crianças, que se lançavam vivas aos braços incandescentes da estátua de bronze representativa da divindade, aquecida por uma fornalha. Suas divindades celestes chamavam-se Baal (senhor, marido, dono) e havia praticamente um deus para cada cidade: Biblos ou Gebal, Sidom e Tiro adoravam um Baal feminino (Baalat), Astartéia ou Astarte; Cartago venerava Tanit; Dagon era o protetor do litoral; Melcart, o deus das cidades, era também o Baal de Tiro. Inúmeros outros eram cultuados: Adôn (Adônis), Amom, Moloc, etc. (Primeiramente os judeus usavam o nome Baal para designar o seu Deus. Mais tarde, em razão das recordações idólatras do termo, Baal deixou de ser a palavra aplicada ao Deus dos judeus, sendo comum utilizá-la para designar quaisquer das divindades pagãs. Na Bíblia, freqüentemente encontra-se o nome Baal em sua forma plural Baalim).
Além dos deuses celestes, haviam os deuses agrários. O mito da oposição entre Mot e Alein, deuses ligados à colheita e aos frutos, conta suas mortes alternadas: um no inverno, ressuscitando na primavera, e o outro percorrendo o caminho oposto. Astartéia ou Astarte surgiu inicialmente como deusa dos pastores. Com o aumento de seus seguidores, suas virtudes foram se ampliando, vindo a se tornar a grande deusa da Natureza e da fecundidade animal e humana. Na Bíblia, Astartéia é referida como Astarote. Era adorada nas cidades fenícias de Biblos, Sidon e Tiro e por outros povos sob distintos nomes: Istar na Assíria e na Babilônia; Ísis pelos egípcios; Afrodite (Vênus), a deusa do amor e Artemisa (Diana) a deusa da caça e da lua por gregos e romanos. Como o culto de Astartéia era de natureza licenciosa, os judeus constantemente eram por ele atraídos. O próprio Salomão rendeu-lhe homenagens, edificando-lhe um templo em Jerusalém.
Os Fenícios eram grandes comerciantes e navegadores, guardando judiciosamente o segredo de suas rotas marítimas e de seus descobrimentos,assim como os seus conhecimentos sobre astronomia, rotas migratórias de certos peixes, voo das aves, ventos e correntes marítimas. Extremamente zelosos na preservação do segredo de suas rotas, havia uma exigência de caráter comercial, válida para todos os marinheiros fenícios, que obrigavam-nos a afundar suas embarcações se fossem seguidas e estivessem em desvantagem. Chegaram a circunavegar a África, façanha comprovada em razão do historiador grego Heródoto ter considerado um absurdo o relato dos marinheiros fenícios de que, em um determinado momento, o Sol começava a nascer à direita, contrariando todo o conhecimento dos povos de então. Pois esse detalhe é justamente o que comprova que os fenícios contornaram o cabo da Boa Esperança, no sul da África, retomando o rumo norte. Pode-se dizer que os fenícios foram os primeiros a realizar uma política colonizadora de envergadura, expandindo sua influência pelas ilhas do Mar Egeu, Malta, Sardenha, Sicília, Mar Negro, Cáucaso e costa da África, onde fundaram Hipo, Útica e Cartago. Chegaram até a Espanha, à França e às ilhas britânicas.
Como comerciantes, os Fenícios distribuíam produtos provenientes principalmente do Egito, Babilônia, Pérsia, Índia, Arábia e Israel. De Chipre traziam cobre; da Trácia prata; das ilhas do Mediterrâneo mármores, alúmen e enxofre; da Espanha estanho e prata; da Índia especiarias; do mar Negro ao Cáucaso buscavam ouro, prata, cobre e escravos. Além de negociantes, eram também piratas. Quando em pequeno número, desembarcavam num lugar, expunham suas mercadorias e contentavam-se com os lucros; mas, se eram numerosos e mais fortes que os da terra em que aportavam, muitas vezes saqueavam as casas, incendiavam os povoados e arrebatavam mulheres e crianças para vende-las como escravos.
Suas indústrias produziam tecidos, inclusive de lã, utensílios de cobre e bronze, perfumes, incenso, jóias e artigos de cerâmica e de vidro, cuja fabricação melhoraram descobrindo o meio de faze-los transparentes e imitando pedras preciosas. A púrpura era a maior riqueza dos fenícios, que detinham o monopólio da fabricação do corante extraído da concha do murex, utilizado para dar cor às luxuosas vestimentas usadas pelas aristocracias da época.
Voltados para o comércio marítimo, os fenícios não se interessaram pelas artes, conquanto, para satisfazer os seus clientes, copiavam com perfeição os produtos artísticos de outros povos. Provavelmente em razão da necessidade de escriturarem seu comércio, simplificaram o complicado modo de escrever então existente, inventando o primeiro alfabeto. Os fenícios prestaram um grande serviço à civilização, propagando entre os povos ainda incultos da Europa a cultura do Oriente. 
Quanto à cidade-estado de Tiro, o profeta Ezequiel, antes de lançar suas profecias contra Tiro, faz uma histórica descrição da pujança daquela cidade (Ezeq 27:3-25):
Hiram, rei de Tiro e contemporâneo dos reis judeus David e Salomão, era filho e sucessor de Abibal. Nasceu no ano de 1063 a.C. e morreu em 985 a.C. Segundo o historiador judeu Flávius Josefo, seu reinado durou 34 anos. Para outros historiadores, ocupou o trono por 60 anos. Hiram guerreou e submeteu os egeus, que se recusavam a pagar-lhe tributos. Fortificou a cidade de Tiro e realizou obras de terraplanagem entre a cidade de Tiro e o templo de Júpiter Olimpo, o qual embelezou com grande quantidade de ouro. Demoliu os templos em ruínas e construiu outros, consagrados a Hércules. A Bíblia conta que Hiram foi amigo e aliado do rei David, a quem ofereceu homens e materiais para a construção de seu palácio e do templo que pretendia erigir para cultuar a Deus. Com a morte de David, Hiram tornou-se também amigo e aliado de Salomão, a quem renovou o oferecimento feito a seu pai. A aliança entre Salomão e Hiram, com excelentes resultados para ambos os monarcas, era sólida o suficiente para incluir algumas expedições marítimas conjuntas – que se opunham às tradições fenícias de não revelar os segredos de suas rotas – entre as quais a Tarsis e a Ofir, de onde trouxeram ouro, prata e marfim. A pedido de Salomão, Hiram mandou-lhe ainda Hiram Abif para adornar o templo. Pelos materiais e homens postos à disposição por Hiram, os judeus pagavam, anualmente aos fenícios tírios, 20.000 coros (7.288 m3) de trigo e de cevada e 20.000 batos (720.000 litros) de vinho e de azeite. Adicionalmente, Salomão transferiu para o controle de Hiram 20 cidades da Galiléia, limítrofes à Tiro. Segundo a narração bíblica (I Reis 9:11-13), ao inspecionar as 20 cidades que recebera de Salomão, Hiram ficou decepcionado: “Que cidades são estas que me deste, irmão meu?” e chamou-as Terra de Cabul, que significa terra de areia, terra seca, terra de nada, terra desprezível, terra sem valor.
Para a Maçonaria, Hiram representa o atributo da Força, pois as obras do templo foram sustentadas com a força de Hiram, que forneceu homens e materiais a Salomão. Hiram é personificado, nas Lojas maçônicas, pelo Primeiro Vigilante e por Hércules, símbolo clássico da Força e a quem Hiram dedicou, durante o seu reinado, inúmeros templos.
Excertos do livro (no prelo) Maçonaria para Maçons, Simpatizantes, Curiosos e Detratores

Nomes de Maçons que Foram Destaque



Abbott, Sir John J.C. - Primeiro Ministro do Canadá 1891-92
ABEL PERA - Ator
Ademar de Barros - médico e político ( Governador de Estado )
Afonso Celso ( Visconde de Ouro Preto ) - estadista
Albuquerque Lins - político (presidente de Estado)
ALCIDES GERARDI  - Cantor
Alcindo Guanabara - político e jornalista
Aldrin, Edwin E. - Astronauta
Altino Arantes - político ( Presidente de Estado )
Alvarenga - cantor popular (em dupla com Ranchinho)
ALVARENGA E RANCHINHO (2º) - Dupla caipira cômica
Amadeu Amaral - escritor
Américo Brasiliense - republicano histórico (Presidente de Estado)
Américo de Campos - diplomata e jornalista
ANSELMO DUARTE - Diretor e ator cinematográfico
Antonio Bento - abolicionista
Antonio Carlos Ribeiro de Andrada - diplomata e jornalista
Antonio Carlos Ribeiro de Andrada III - político (Presidente de Estado)
Aristides Lobo - republicano histórico
Armstrong, Louis - Músico (Jazz)
Armstrong, Neil - Astronauta
Arnold, General Henry "Hap" - Comandante da força aérea do exército americano
Arrelia - artista circense
ARRELIA (Waldemar Seyssel) - Ator circense (palhaço)
Arruda Câmara - naturalista e frade carmelita
Austin, Stephen F. - Pai do Texas
Autry, Gene - Ator
Azeredo Coutinho - bispo, precursor da independência
Bach, Jahann Christian - Compositor
Baldwin, Henry - Justiça do Supremo Tribunal
Balfour, Lloyd - Joalheiro
Barão de Itamaracá - médico, poeta e diplomata
Barão de Jaceguai - almirante, escritor e diplomata
Barão de Ramalho - abolicionista e republicano
Barão do Rio Branco - historiador e diplomata
Barão do Triunfo - militar
Bartholdi, Frederic A. - Fez o projeto da Estátua da Liberdade
Basílio da Gama - político
Bassie, William "Count" - Líder da Orquestra/Compositor
Baylor, Robert E. B. - Fundador da Universidade Baylor
Beard, Daniel Carter - Fundador do Boy Scouts
Bell, Lawrence - Bell Aircraft Corporation
Benedito Tolosa - médico e professor
Benjamin Constant - militar, professor e político ( "o pai da República" )
Benjamin Sodré - almirante e político
Bennett, Viscount R.B. - Primeiro Ministro do Canadá 1930-35
Bento Gonçalves - líder da revolução farroupilha
Berlin, Irving - Artista
Bernardino de Campos - republicano histórico ( Presidente de Estado )
Black, Hugo L. - Justiça do Supremo Tribunal
Blair, Jr., John - Justiça do Supremo Tribunal
Blatchford, Samuel - Justiça do Supremo Tribunal
BOB NELSON - Cantor
Bob Nelson - cantor popular
Borden, Sir Robert L. - Primeiro Ministro do Canadá 1911-1920
Borglum, Gutzon & Lincoln - Pai e filho que esculpiram Mt. Rushmore
Borgnine, Ernest - Ator
Bowell, Sir Mackenzie - Primeiro Ministro do Canadá 1894-96
Bowie, James - Alamo
Bradley, Omar N. - Líder Militar
Brant, Joseph - Chefe dos Mohawks 1742 - 1807
BuBois, W.E.B. - Pedagogo/estudioso
Buchanan, James - Presidente dos E.U.A.
Burnett, David G. - Primeiro Presidente da República do Texas
Burns, Robert - Poeta nacional da Escócia
Burton, Harold H. - Justiça do Supremo Tribunal
Byrd, Admiral Richard E. - Vôo por cima do Pólo Norte
Byrnes, James F. - Justiça do Supremo Tribunal
Caldas Júnior - jornalista
Calvo, Father Francisco - Padre Católico que introduziu a Maçonaria na Costa Rica 1865
Campos Salles - presidente da República
Carequinha - artista circense ( em parceria com Fred )
CAREQUINHA e FRED-  Atores circenses (palhaços)
CARLOS ALBERTO BENTO DA SILVA - Músico
Carlos de Campos - político ( Presidente de Estado )
Carlos Gomes - maestro, compositor
CARLOS GOMES - Maestro, músico, compositor
CARLOS JOSÉ - Cantor
Carson, Christopher "Kit" - Colonizador e explorador
Casanova - Aventureiro italiano, escritor e artista
Castelo Branco - presidente da República. 
CASTRO GONZAGA - Ator
Catton, John - Justiça do Supremo Tribunal
CAUÊ FILHO -  Ator
Cesário Mota Junior - médico, historiador e político
Chrysler, Walter P. - Automóvel
Churchill, Winston - Líder Britânico
Cipriano Barata - prócer da independência
Citroen, Andre - Engenheiro francês e fabricante de carro
Clark, Roy - Estrela ocidental rural
Clark, Thomas - Justiça do Supremo Tribunal
Clark, William - Explorador
Clarke, John H. - Justiça do Supremo Tribunal
Clemens, Samuel L. - M ark Twain - Escritor
Clemente Falcão - advogado ilustre, lente da Faculdade de Direito
Cobb, Ty - Jogador de Beisebol
Cody, "Buffalo Bill" William - Lutador dos índios
Cohan, George M. - Estrela da Broadway
Cole, Nat 'King' - Cantor de ótima balada
Collodi, Carlo - Escritor de Pinocchio
Colt, Samuel - Inventor das armas de fogo
Combs, Earle Bryan - Baseball Hall of Fame
Conde de Lages - político
Cônego Januário da Cunha Barbosa - prócer da Independência
Conselheiro Brotero - político do II Império
Conselheiro Crispiniano - político do II Império
Crockett, David - Colonizador americano
Cushing, William - Justiça do Supremo Tribunal
David Canabarro - um dos líderes da Revolução Farroupilha
Delfim Moreira - político, presidente da República
Dempsey, Jack - Esportista
Deodoro da Fonseca - militar, proclamador da República
Desaguliers, John Theophilus - Inventor do planetarium
Devanter, Willis Van - Justiça do Supremo Tribunal
Diefenbaker, John G. - Primeiro Ministro do Canadá 1957-63
Divaldo Suruagy - historiador e político ( Governador de Estado )
Domingos de Morais - político
Domingos José Martins - líder da Revolução Pernambucana de 1817
Doolittle, General James - Famoso Piloto da força aérea americana
Douglas, William O. - Justiça do Supremo Tribunal
Dow, William H. - Dow companhia química
Doyle, Sir Author Conan - Escritor - Sherlock Holmes
Drake, Edwin L - Pioneiro americano da indústria de Óleo
Dunant, Jean Henri - Fundador da Cruz Vermelha
Duque de Caxias - militar, patrono do Exército Brasileiro
EDUARDO TEMPERANI - Ator circense
Eduardo Wandenkolk - militar e político
Edward VII - Rei da Inglaterra
Edward VIII - Rei da Inglaterra que abdicou o trono em menos de um ano
Eleazar de Carvalho - maestro
ELEAZAR DE CARVALHO - Maestro, músico
Ellington, Duke - Compositor e estilista
Ellsworth, Oliver - Justiça do Supremo Tribunal
Ervin Jr, Samual J. - Cabeça do comite "Watergate"
Esmeraldo Tarquínio - político
Esperidião Amin - político ( Governador de Estado )
Euzébio de Queiroz - político do 2o. Império
Evaristo da Veiga - jornalista e político
Evaristo de Moraes - pioneiro da legislação social no Brasil
Everardo Dias - político e líder das primeiras lutas operárias
Faber, Eberhard - Cabeça do famoso Eberhard Faber Pencil Company
Fairbanks, Douglas - Ator de filme silencioso
Fernando Prestes - político ( Presidente de Estado )
Field, Stephen J. - Justiça do Supremo Tribunal
Fields, W.C. - Ator
Fisher, Geoffrey - Arcebisbo da Canterbury de 1945 - 1961
Fitch, John - Inventor do barco a vapor
Fleming, Sir Alexander - Inventor da penicilina
Ford, Gerald R. - Presidente dos E.U.A
Ford, Henry - Pioneiro da indústria de automóvel
FRANCISCO CARLOS  - Cantor
Francisco Glicério - republicano histórico
Franklin, Benjamin - 1 dos 13 maçons que assinaram a constituição dos E.U.A
Frei Caneca - patriota e revolucionário
Frei Francisco de Sta. Tereza de Jesus Sampaio (prócer da Independência)
Gable, Clark - Ator
Garfield, James A. - Presidente do E.U.A
Gatling, Richard J. - Construiu a "Gatling Gun"
George VI - Rei da Inglaterra
Gibbon, Edward - Escritor - "Decline and Fall of the Roman Empire"
Gilbert, Sir William S. - "Pirates of Penzance"
Gillett, King C. - Fundou a "Gillett aparelho para barbear"
Gioia Júnior - poeta, político
Glenn, John H. - Primeiro Americano na órbita da Terra em uma nave espacial
Godfrey, Arthur - Ator
Golbery do Couto e Silva - militar e ministro de Estado
Gomes Cardim - jornalista e político
Gomes Carneiro - militar
Gray, Harold Lincoln - Criador do "Little Orphan Annie"
Grissom, Virgil - Astronauta
Grock - Palhaço de circo Suíço
GUERRA PEIXE - Compositor, maestro
Guilherme Ellis - médico
Guillotin, Joseph Ignace - Inventor da "Guillotin"
Hancock, John - 1dos 9 maçons que assinaram a Declaração da Independência
Harding, Warren G. - Presidente dos E.U.A
Hardy, Oliver - Ator e comediante
Harlan, John M. - Justiça do Supremo Tribunal
Hedges, Cornelius - "Pai" do parque nacional Yellowstone
Henry, Patrick - Patriota
Henson, Josiah - Inspirou a novela "Uncle Tom's Cabin"
Hermes da Fonseca - presidente da República
HERMÍLIO FRÓES - Radialista
Hilton, Charles C. - Americano Hotelier
Hipólito da Costa - " O patriarca da Imprensa Brasileira "
Hoban, James - Arquiteto da capital americana
Hoe, Richard M. - Revolucionou a impressão dos jornais
Hoover, J. Edgar - Diretor do FBI
Hope, Bob - Comediante
Hornsby, Rogers - Sócio original do Corredor da Fama do Baseball
Houdini, Harry - Mágico
Houston, Sam - Segundo e quarto Presidente da República do Texas
Ibrahim Nobre - tribuno da Revolução Constitucionalista de 1932
Inocêncio Serzedelo Correa - militar e político
IRVING SÃO PAULO - Ator
JACINTO FIGUEIRA Jr. - Apresentador de TV
Jackson, Andrew - Presidente dos E.U.A
Jackson, Reverend Jesse - Ministro
Jackson, Robert H. - Justiça do Supremo Tribunal
Jânio Quadros - presidente da República
Jenner, Edward - Inventor da Vacina
João Alfredo - conselheiro do Império
João Caetano - ator teatral
João Mendes - jornalista, político e grande advogado
João Tibiriçá Piratininga - político, propagandista da República
Joaquim Gonçalves Ledo - prócer da Independência
Joaquim Nabuco - escritor, diplomata e líder abolicionista
Johnson, Andrew - Presidente dos E.U.A
Jolson, Al - Cantor de Jazz
Jones, Anson - Quinto Presidente da República do Texas
Jones, John Paul - Comandante Naval
Jones, Melvin - Um dos fundadores do "Lions International"
Jorge Tibiriçá - político ( Presidente de Estado )
JORGE VEIGA - Cantor
Jorge Veiga - cantor popular
José Bonifácio de Andrada e Silva - " O Patriarca da Independência"
José Castellani - Escritor , Pesquisador , Historiador e Médico .
José Clemente Pereira - prócer da Independência
José do Patrocínio - expoente da campanha abolicionista
José Maria Lisboa - jornalista e político
José Martiniano de Alencar - político ( Presidente de Província )
Júlio Mesquita - jornalista e político
Júlio Mesquita Filho - jornalista e político liberal
Júlio Prestes - político ( Presidente de Estado )
Júlio Ribeiro - escritor
Key, Francis Scott - Escreveu o Hino Nacional Americano
Khan III, Aga - Estatista
Kipling, Rudyard - Escritor
La Guardia, Fiorella H. - Prefeito de New York de 1930- 1940
Lafayette, Marquis de - Partidário americano
Lake, Simon - Construiu com sucesso o primeiro submarino em mar aberto
Lamar, Joseph E. - Justiça do Supremo Tribunal
Lamar, Mirabeau B. - Terceiro Presidente da República do Texas
LAMARTINE BABO -  Compositor
Lamartine Babo - compositor popular
Land, Frank S. - Fundador da ordem DeMolay
Lauro Müller - militar e estadista
Lauro Sodré - militar e político
LEO VAZ - Cantor
Lewis, Meriwether - Explorador
Lincoln, Elmo - Primeiro ator que interpretou Tarzan em 1918
Lindbergh, Charles - Aviador
Lipton, Sir Thomas - Fundador da Companhia "Lipton Tea"
Livingston, Robert - Co-Negociador para compra do território de Louisiana
Lloyd, Harold C. - Artista
Lopes Trovão - propagandista da República
Lourenço Caetano Pinto - político
LUÍS BITTENCOURT - Compositor, maestro
Luis Gama - líder abolicionista e republicano
LUÍS GONZAGA - Cantor, compositor
Luis Vieira - cantor
LUÍS VIEIRA - Cantor, compositor
Luiz Gonzaga - compositor, cantor nordestino   
LUIZ GONZAGA DA SILVA - Músico
MacArthur, General Douglas - Comandante das Forças Armadas nas Filipinas
MacDonald, Sir John A. - Primeiro Ministro do Canadá 1867-73 e 1878-91
Manoel de Moraes Barros - advogado e político
Manoel de Nóbrega - produtor de televisão
MANOEL DE NÓBREGA - Produtor e apresentador de TV
MANOEL PERA - Ator
Manuel de Carvalho Pais de Andrade -
MÁRCIO BERNARDES - Locutor esportivo
MARDEN MALUF – Maestro
Mariano Procópio - político e empresário
Mário Covas - político ( Governador de Estado )
Marquês de Abrantes - político e ministro de Estado
Marquês de Paraná - político e diplomata
Marquês de Paranaguá - político e ministro de Estado
Marquês de São Vicente - político e jurista
Marquês de Sapucaí - político e jurista
Marrey Júnior - jurista e político
Marshall, James W. - Descobriu ouro no "Sutter's Mil" na Califórnia 1848
Marshall, John - Chefe da Justiça do Supremo Tribunal Americano 1801 - 1835
Marshall, Thurgood - Justiça do Supremo Tribunal
Martim Francisco Ribeiro de Andrada III - político republicano
Martinico Prado - republicano histórico
Mathews, Stanley - Justiça do Supremo Tribunal
Maurício de Lacerda - advogado e político
Mayer, Louis B. - Produtor de filme que fundou o Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Mayo, Dr. William and Charles - Fundou a Clínica de Mayo
Maytag, Fredrick - Maytag
McKinley, William - Presidente dos E.U.A
Menninger, Karl A. - Famoso Psiquiatra por tratar de distúrbio mental
Mesmer, Franz Anton - Médico austríaco que praticou o Mesmerismo que conduzio o hipnotismo
Michelson, Albert Abraham - Mediu com sucesso a velocidade da luz em 1822
MILTON GONÇALVES -  Ator
MILTON MELLO -  Músico
Minton, Sherman - Justiça do Supremo Tribunal
Mix, Tom - Marechal norte-americano que virou ator
Monroe, James - Presidente dos E.U.A
Montgolfier, Jacques Etienne - Desenvolveu o primeiro balão de ar quente
Moody, William H. - Justiça do Supremo Tribunal
Moreira Guimarães, general - militar e político
Morris, Dr. Robert - Poeta efundador da "Order of Eastern Star"
Mozart, Wolfgang Amadeus - Compositor
Murphy, Audie - Melhor decorador dos soldados americanos
Naismith, James - Inventor do Basketball
Nelson, Samuel - Justiça do Supremo Tribunal
Nereu Ramos - político, presidente interino da República
New, Harry S. - Agente postal que estabeleceu o correio aéreo
Newton Cardoso - político ( Governador de Estado )
Newton, Joseph Fort - Ministro Cristão
Nilo Peçanha - presidente da República
Nunes Machado - um dos chefes da Revolução Praieira
Nunn, Sam - Senador norte-americano
Octavio Kelly - magistrado e político
OLAVO RODRIGUES -  Músico
Olds, Ransom E. - Pioneiro americano na indústria de automóveis
Orestes Quércia - político ( Governador de Estado - afastado )
ORLANDO CORREA - Cantor
OS TRÊS DO RIO  - Conjunto vocal
OSCARITO -  Ator cômico
Oscarito - ator cômico
Osório, general - um dos maiores militares brasileiros
OSVALDO SOUZA -  Cantor
Otis, James - Famoso por "Taxations without Representation is Tyranny"
Padre Feijó - político e figura da Regência
Padre Roma - prócer da Revolução Pernambucana de 1817
Palmer, Arnold - A favor do golfe
Papst, Charles F. - Cunhou o termo "Altetas caminham"
Paterson, William - Justiça do Supremo Tribunal
PAULO BARCELOS - Cantor
PAULO MARQUES - Cantor
Peale, Norman Vincent - Fundou o "Guidepost"
Peary, Robert E. - Primeiro homem que localizou o Pólo Norte em 1909
Pedro de Toledo - líder civil da Revolução Constitucionalista de 1932
Pedro I - primeiro imperador do Brasil
PEDRO RAIMUNDO -  Cantor
PEDRO RAIMUNDO - Cantor
Penny, James C. - Varejista
Pershing, John Joseph - Decorou o Soldado Americano
Pike, Zebulon - Pike's Peak
Pinheiro Machado - advogado e político
Pitney, Mahlon - Justiça do Supremo Tribunal
Pixinguinha - compositor popular
PIXINGUINHA - Músico, compositor
Poinsett, Joel R. - Ministro norte-americano
Polk, James Knox - Presidente dos E.U.A
PROCÓPIO FERREIRA - ator
Prudente de Moraes - presidente da República
Pushkin, Aleksander - Poeta russo
Quintino Bocaiúva - jornalista e político ( Presidente de Estado )
Quirino dos Santos - jornalista e político
Ranchinho - cantor popular (em dupla com Alvarenga)
Rangel Pestana - jornalista e político
Reed, Stanley F. - Justiça do Supremo Tribunal
Revere, Paul - Americano famoso
Rickenbacker, Eddie - melhor americano na Air Force Ace
Ringling Brothers - Todos os sete irmãos e o pai deles eram maçons
Robinson, Sugar Ray - Pugilista americano
RODOLFO ARENA - Ator
Rodolfo Mayer - ator
RODOLPHO MEYER - Ator teatral
Rogers, Roy - Vaqueiro americano
Rogers, Will - Ator
RONALDO DA CONCEIÇÃO JÚNIOR - Músico
Roosevelt, Franklin D. - Presidente dos E.U.A
Roosevelt, Theodore - Presidente dos E.U.A
ROSALBINO SANTORO - Pintor
Rui Barbosa - jurista, tribuno e político
Rutledge, Wiley B. - Justiça do Supremo Tribunal
Saldanha Marinho - líder republicano
Salten, Felix - Criador do Bambi
Sarnoff, David - "Pai" da T.V.
Sax, Antoine Joseph - Inventou o Saxofone em 1846
Schoonover, George - Fundador do "The Builder"
Scott, Sir Walter - Escritor
Sellers, Peter - Ator
Senador Vergueiro - político e abolicionista
Shakespeare, William - Escritor
Sibelius, Jean - Compositor Finlâdes
Silva Coutinho - político e oitavo bispo do Rio de Janeiro
Silva Jardim - propagandista da República
Silveira Martins - político e tribuno
SILVIO LUIZ - Narrador esportivo
Skelton, Red - Artista
Smith, John Stafford - Escreveu a música que se tornou o Hino Nacional Americano
Sousa, John Philip - Conduziu a marinha norte-americana de 1880 - 1892
Stanford, Leland - Fundador da Universidade de Stanford
Stewart, Potter - Justiça do Supremo Tribunal
Still, Andrew T. - Médico americano que inventou o tratamento de Osteopatia
Stratton, Charles "Tom Thumb" - Artista
Swayne, Noah H. - Justiça do Supremo Tribunal
Swift, Johathan - Escreveu "Gulliver's Travels"
Taft, William Howard - Presidente dos E.U.A
Teets, John W. - Presidente "Dial Corporation"
Teófilo Ottoni - político e colonizador
Thomas, Danny - Ator
Thomas, Danny - Ator, Artista
Thomas, Dave - Fundador do Restaurante "Wendys"
Thomas, Lowell - Trouxe Lawrence da Arábia para advertência pública
Tirpitz, Alfred Von - Oficial naval alemão responsável pela querra submarina
Todd, Thomas - Justiça do Supremo Tribunal
Tonico - cantor popular ( em dupla com Tinoco )
TONICO - Cantor sertanejo, em dupla com Tinoco
Travis, Colonel William B. - Alamo
Trimble, Robert - Justiça do Supremo tribunal
TRIO IRAKITÃ - Conjunto vocal
Truman, Harry S. - Presidente dos E.U.A
TÚLIO COLACCIOPO - Maestro
Ubaldino do Amaral - um dos patriarcas do Partido Republicano
Venâncio Aires - prócer da campanha republicana
VICENTE CELESTINO - Cantor
Vicente Celestino - cantor lírico e popular
VICTOR BRECHERET - Escultor
Vinson, Frederick M. - Justiça do Supremo Tribunal
Viriato Vargas - militar
Visconde de Albuquerque - político do Império
Visconde de Itaboraí - estadista
Visconde de Jequitinhonha ( Montezuma ) - político
Visconde do Rio Branco - estadista
Vitorino Carmilo - político
Voltaire - Escritor francês e filósofo
Wadlow, Robert Pershing - Humano mais alto tinha aproximadamente 9 pés de altura
WALKER BLAS - Locutor de rádio
Wallace, Governor George C. - Candidato Presidencial que foi quase assassinado
Wallace, Lewis - Escreveu "Ben Hur"
Warner, Jack - Warner Brothers Fame
Warren, Earl - Justiça do Supremo Tribunal
Washington Luis - Presidente da República
Washington, Booker T - Pedagogo e autor
Washington, George - Primeiro Presidente dos E.U.A
Wayne, John - Ator
Webb, Matthew - Primeiro homem a nadar o Canal inglês em 1875
Wenceslau Brás - Presidente da República. 
Whiteman, Paul - "Rei do Jazz"
Wilde, Oscar - Escritor
Woodbury, Levi - Justiça do Supremo Tribunal
Woods, William B. - Justiça do Supremo Tribunal
Wyler, William - Diretor de "Ben Hur"
Young, Cy - Cy Young Award
Zanuck, Darryl F. - Co-fundador da vigésima Produção do Século em 1933
ZÉ RODRIX - Cantor, produtor artístico
Ziegfeld, Florenz - As loucuras Ziegfeld's começaram em 1907

Napoleão Bonaparte




Quando o príncipe Clemens von Metternich, recém nomeado embaixador austríaco na França, em 1806, foi para Saint-Cloud apresentar suas credenciais a Napoleão, não teve boa impressão do imperador. Ele - descendente orgulhoso e refinado de uma família da antiquíssima nobreza renana, tão cioso da etiqueta da corte e tão imbuído das formalidades protocolares da diplomacia - encontrou na sua frente, em pé, no meio do salão, rodeado pelo ministro das relações exteriores e outras seis pessoas, um Napoleão de aspecto desleixado, vestindo o uniforme dos guardas de infantaria e usando chapéu na cabeça. Este último detalhe, ainda mais censurável pelo fato de não se tratar de uma audiência pública, deixou-o atônito.Sendo esse seu primeiro encontro com o imperador dos franceses, tinha se apresentado à audiência cheio de curiosidade, e também de admiração pela grandeza do homem que fazia o mundo tremer. Entretanto, o estadista austríaco reconheceu nas suas memórias que Napoleão gozava na França do tipo de popularidade que um soberano conquista quando demonstra saber "segurar as rédeas do poder com mão hábil e firme" e era dotado de um "espírito realista" que lhe permitia identificar as "necessidades de um país cujo edifício social precisava ser construído".(1)
         
Quando Metternich teve oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, Napoleão tinha atingido o apogeu da prodigiosa parábola de sua existência. aqueles traços de caráter e de comportamento que tinham chocado o moderado e aristocrático estadista austríaco, tinham se afinado e apurado com o tempo.
         
Já na juventude, Napoleão revelara uma engenhosidade extremamente fina e uma índole agressiva, mas também um temperamento orgulhoso, que não suportava os fracassos nem as humilhações, que disfarçavam um complexo de inferioridade devido à baixa estatura e às brincadeiras dos companheiros sobre seu sotaque de corso. Pouco sociável por natureza, não tinha muitos amigos com os quais partilhar divertimentos e leituras, entre estes porém, devemos citar Carlo Andréa Pozzo di Borgo, que se tornaria mais tarde, como conselheiro do czar Alexandre I, um dos seus mais ferinos e implacáveis adversários.(2)
         
Sua formação intelectual não foi, na verdade, particularmente profunda nem acurada, sendo fruto da abordagem desordenada e episódica de textos significativos da cultura iluminista e pré-romântica. Demonstrou interesse pelas obras de Voltaire, folheou as obras de Montesquieu e Diderot, deliciou-se com as Liaisons Dangereuse de Laclos, apreciou Rousseau; interessou-se pela história, a geografia, as doutrinas políticas e econômicas, mas não pelas ciências.
         
Mais ainda que a carreira militar, sua verdadeira vocação foi a guerra. Um estudioso francês, Jacques Godechot, notou com muita propriedade que, entre 1792 e 1815, com exceção de um período de 14 meses de 1802 e 1803 e outros onze meses de exílio em Santa Helena - Napoleão sempre esteve empenhado em empreendimentos bélicos.(3)
         
Após sua nomeação a comandante em chefe do exército empenhado na campanha da Itália em 1796, seu gênio militar mudou radicalmente, tanto do ponto de vista tático quanto estratégico e apareceu em toda a sua grandeza. A estratégia de Napoleão, analisada minuciosamente mais tarde pelo general prussiano von Clausewitz que o escolheu como base para escrever seu famoso tratado sobre a arte da guerra (4), era particularmente adaptada aos "campos fechados" da europa central e meridional e se baseava na surpresa determinada pela concentração de forças nos pontos mais fracos da formação inimiga, na rapidez, no uso da artilharia, na ação das massas. Por outro lado, aquela estratégia que na realidade não era extremamente original e retomava idéias já adotadas pelo novo regulamento de manobra do exército francês de 1788, tornou-se vitoriosa pela prodigiosa engenhosidade operacional de Napoleão, pelo fascínio magnético que emanava da sua pessoa, pela habilidade excepcional em infundir nos soldados e nos subalternos sua carga de entusiasmo e de impetuosa vontade de vitória.
         
Os dons que deram corpo e substância à genialidade militar de Napoleão e que contribuíram para transformá-lo num mito fascinante e cativante - em primeiro lugar, a excepcional e ilimitada capacidade de trabalho, a proverbial habilidade em tomar decisões fulminantes na determinação dos seus sucessos, inclusive no terreno político, e na atividade de legislador. De inteligência rápida e sobretudo pragmática, ambicioso e convencido da própria superioridade, amante do poder, Napoleão teve um dom instintivo e natural: o de saber captar os humores da população francesa e responder às suas espectativas. Não elaborou um pensamento político orgânico, não seguiu os ditames de uma teoria política harmoniosa e sistemática, mas soube levar adiante um projeto de estruturação institucional do Estado que recebia sincreticamente muitas motivações e solicitações doutrinárias. Tinha poucas idéias mas eram claras e precisas: constitucionalmente céptico, não nutria nenhuma fé na bondade inata do homem, detestava as revoluções enquanto perturbadoras da ordem e portadoras de lutas e de sangue, desconfiava das assembléias parlamentares que se perdiam em vãs discussões, não acreditava na soberania popular a não ser como elemento de legitimação do poder de fato pelo instrumento do plebiscito.
         

Seu império foi, em substância, uma ditadura militar inédita e iluminada, que ele se esforçou em fazer aceitar pela Europa monárquica e tradicionalista, ora unindo-se em casamento com a filha do imperador austríaco, ora criando uma nova aristocracia que, ao fundir-se com a antiga, deveria ter garantido duração e continuidade ao edifício institucional que ele tinha erguido. Estava convencido que, para desenvolver a obra de reorganização interna, era necessário "amalgamar" as melhores energias do país, independentemente de suas divergências políticas e ideológicas. Foi nesse princípio que se inspirou quando da escolha dos seus colaboradores na base não do passado político mas sim da competência ou da fidelidade pessoal: não foi por acaso que, entre seus ministros, aquele que teve maior autonomia foi o marquês Charles Maurice di Talleyrand-Perigord nas relações exteriores.
         
Sob diversos ângulos, Napoleão embora restabelecendo algumas instituições próprias do antigo regime, foi um dos criadores do Estado moderno. Não somente porque garantiu a permanência na França e a divulgação por toda a europa da época de algumas conquistas da Revolução como, por exemplo a abolição do regime feudal e a proclamação da igualdade de todos perante a lei, mas também e sobretudo por algumas iniciativas legislativas. Entre essas, temos que lembrar em primeiro lugar a promulgação do Código Civil (1804), de Procedimento Civil (1806), do Comércio (1807), de Procedimento Penal(1807) e Penal (1811). O conjunto desses códigos para a realização do qual  foi instaurada uma comissão especial controlada pessoalmente pelo chefe de estado, selou definitivamente o fim do princípio da multiplicidade das fontes de direito que caracterizara toda a história do antigo regime. Particularmente o Código Civil ou Código Napoleônico, imposto em todos os territórios anexados ou vassalos da França, criou um sistema valioso de garantia da propriedade, das liberdades individuais, da igualdade jurídica e tornou-se portanto, muito além das fronteiras francesas, um possante instrumento propulsor da unificação nacional.
         
Durante os seis longos anos passados no exílio no rochedo perdido de Santa Helena, rodeado por uma pequena corte  - da qual faziam parte os generais Bertrand, Gourgaud e de Montholon, o dignitário Las Cases, o camarista Marchand e revezando-se, os médicos Wardem, O`Meara e Antonmarchi -  Napoleão esforçou-se nas conversas cotidianas, em desacreditar, ponto por ponto a "lenda negra" construída pelos seus adversários em torno de sua política e personalidade e substituí-la por uma "lenda positiva" na qual ele aparecia como propagador dos princípios da Revolução, instigador das energias nacionais, precursor dos novos tempos. As duas "lendas", condicionaram as abordagens historiográficas e interpretativas da figura de Napoleão e, como observou Jean Tulard, "O Memorial de Saint-Hélène", publicado em 1823 por um dos "evangelistas de Santa Helena", Las Cases, reabilita a lenda napoleônica de modo apologético.(5) Com objetivo histórico propriamente dito, temos a monumental Histoire du Consulat et de l`Empire, publicada em 20 volumes entre 1845 e 1862, devida à pena de Adolphe Thiers, que se atém predominantemente à história militar, diplomática e financeira e que, elaborada na base de uma rica documentação, é francamente favorável ao imperador; com avaliação negativa registra-se a inacabada Histoire du XIX Siècle de Jules Michelet, editada postumamente em 1875.
         
No século vinte, os estudos sobre o período napoleônico, graças inclusive a novas abordagens metodológicas e hermenêuticas, trouxeram tributos notáveis, deixando de lado as perspectivas apologéticas ou desabonadoras: trabalhos como o de Friedrich Masson, de Georges Lefebvre, de Jacques Godechot, de Jean Tulard, para citar alguns dos nomes mais significativos da historiografia napoleônica, permitiram não só uma avaliação equilibrada desse grande protagonoista da história moderna, mas também um esclarecimento sobre as mais importantes questões historiográficas colocadas pela aventura napoleônica na história francesa e européia.

Orfeu




O mito de Orfeu exerce uma atração fascinante no imaginário da cultura ocidental, tanto no passado como no presente. A primeira ópera conservada até hoje em sua totalidade é o L’Orfeo de Cláudio Montiverdi, estreada em Mântua em 1607. O primeiro balé alemão – Orpheus und Eurydice - foi criado por Heinrich Schütz em 1638. Glück, no século XVIII, criou Orfeo ed Eurídice. No século XIX, Offenbach, não nos legou somente Os Contos de Hoffmann, mas também um Orfeu no Inferno. Orfeu foi tema para os seguintes musicistas: Liszt, Benda, Paer, Milhaud, Malipiero, Casella, Krenek, Birtwistle e Stravinsky. O cinema, no século XX, apresentou-nos os dois Orfeus (Orpheus [1949] e Le Testament d’Orphée [1959]) de Jean Cocteau e o carnavalesco Orfeu Negro (1959) de Marcel Camus, premiado com a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar em Hollywood, baseado na peça de Vinícius de Moraes - Orfeu da Conceição, testemunhando a modernidade do tema. Folheando-se os jornais hoje (maio/1999), depara-se com o último filme de Cacá Diegues - Orfeu - e o último livro de Salman ”Versos Satânicos” Rushdie - O Chão Que Ela Pisa - que, segundo a crítica, é um mergulho no universo pop e traz à tona o mito de Orfeu. Já que se passou para a literatura, não se pode deixar de citar o maior poeta lírico grego – Píndaro; Platão na República, no Górgias e no Banquete; as Geórgicas de Virgílio (principalmente o Livro IV); o Paradise Lost (Canto VII) e o L’Allegro (145) de Milton; as Pastorals de Pope; o romântico Novalis e o nosso brasileiríssimo e monumental poema barroco (no dizer de Murilo Mendes) de Jorge de Lima: Invenção de Orfeu (1952). Na pintura, o poeta Guillaume Apollinaire, em 1912, criou um termo - cubismo órfico - que influenciou Robert Delaunay, Fernand Léger, Francis Picabia e Marcel Duchamp.

O porquê desta orfeumania é o que se tentará enfocar neste artigo.
 
 
II - Lendas sobre Orfeu

 Numerosas fontes históricas relatam a existência dos mitos órficos. Tudo leva a crer que não era conhecido de Homero (antes de 700 a. C.) mas, já no século VI, aparece em algumas tradições. O primeiro escritor grego a fazer menção ao “célebre Orfeu” foi Ibykos em meados do século VI. a. C. A lenda de Orfeu coloca-o como um dos principais poetas e músicos da época heróica, ao lado de Homero e Hesíodo. Determinou a existência de uma religião especial – o orfismo – e de uma seita – os órficos – que se expandiu por todo o mundo grego e a Itália meridional.

Encontram-se alusões ao mito em Píndaro, Ésquilo, Eurípedes, Empédocles etc. É, contudo, o já citado Platão que o entroniza na República em plena época clássica (século IV a. C.). Ele e os neo-platônicos influenciaram vigorosamente o pensamento cristão. A humanidade herdou três obras comple- tas, numerosos fragmentos e uma longa lista de obras, efetuadas pelo lexicógrafo grego Suidas, atribuídas ao próprio Orfeu.

Orfeu, do grego VuejrO, é um herói lendário grego dos tempos antigos com extrema habilidade na música, no canto e na poesia e que se tornou o patrono de um movimento religioso ritualizado por um corpus de escritos sagrados que teria sido composto pelo próprio.

Remanescem dúvidas se Orfeu teria sido um personagem histórico. A lenda, contudo, reza que teria nascido na Trácia e era filho de u’a Musa (provavelmente Calíope, patrona da poesia épica e a mais importante das musas) e Eagros, rei da Trácia. Outra versão, apresenta-o como filho do próprio Apolo.

Orfeu é considerado como o maior músico da antigüidade, não só pela música como pelo canto. Todos os poetas antigos celebraram sua lira e sua cítara, pois, até mesmo esta, teria sido inventada ou aperfeiçoada por ele, pois aumentou-lhe o número de cordas, de sete para nove, numa homenagem às Nove Musas. Seus acordes eram tão melodiosos que os homens e os animais quedavam paralisados para o escutar. Os animais ferozes deitavam-se a seus pés como cordeiros; as árvores vergavam para melhor escutá-lo; os homens mais coléricos sentiam-se penetrados de ternura e bondade. Educador da humanidade, conduziu os trácios da selvageria para a civilização. Iniciado nos ‘mistérios’, completou sua formação religiosa e filosófica viajando pelo mundo. Ao retornar do Egito, divulgou na Hélade a idéia da expiação das faltas e dos crimes, bem como os cultos de Dioniso e os mistérios órficos, prometendo, desde logo, a imortalidade a quem neles se iniciasse.

Juntou-se à expedição dos Argonautas, assim chamados por causa do navio Argos no qual embarcaram para a Cólquida em busca do Tosão de Ouro. Este célebre navio transportou a fina flor da mocidade grega, cerca de 55 heróis, dos quais cita-se: Jasão, promotor e chefe da empresa, Héracles (que participou só no começo da missão), Argos, Castor e Pólux, Deucalião, Glauco, Laertes, pai de Ulisses, Oileu,  pai de Ajax, Peleu, pai de Aquiles, o nosso poeta Orfeu e muitos outros. Teve participação expressiva, pois salvou-lhes a vida em diversas oportunidades: seja acalmando o mar encapelado; seja dando cadência, com a sua música, aos remadores; seja entorpecendo o dragão da Cólquida, o guardião do Tosão de Ouro, ao som de sua cítara; seja recobrindo a música maléfica das Sereias com o som de seu instrumento. Passaram pelo Helesponto, pelo Ponto Euxino, pelas Ciâneas (recifes móveis) também chamadas de Simplégades, por Cila e Caribdes etc. No tocante as Simplégades, seria interessante realcionar seu simbolismo com os ritos de iniciação. Spencer diz que “as Sympleglades, eram duas rochas em luta, na entrada do Mar Negro, e por entre as quais Jasão e os Argonautas tinham de passar em seu barco. As Sympleglades simbolizam a passagem para um outro mundo e têm uma tripla significação: elas representam o guardião do umbral; representam o terror do umbral e a ameaça de deixar a familiar condição mundana; quando a passagem é realizada, elas representam a união dos opostos. Quando o homem deseja tranferir-se deste mundo para outro, ele deve passar através de um intervalo sem dimensão e sem  tempo, que divide duas forças relacionadas porém contrárias. No momento real da passagem, o herói abraça amabas as forças e deste modo anula os opostos. Nesse preciso momento ele se encontra no outro mundo” (Spenser, pg.31). Mircea Eliade também dedica grandes parágrafos ao simbolismo iniciático das Simplégades (Eliade, 1975, pg. 108).

Ao regressar da expedição dos Argonautas, casou-se com a ninfa Eurídice a quem amava perdidamente. Acontece que no dia de suas núpcias, o apicultor Aristeu tentou violar a esposa de Orfeu. Eurídice, ao fugir de seu perseguidor, pisou uma serpente que a picou, causando-lhe a morte. Possuído por um desgosto inconsolável, o poeta deixa de cantar e tocar e permanece em silêncio soturno pela morte da esposa. Resolveu, então, descer às profundezas do Hades, para trazê-la de volta ao mundo dos vivos. Orfeu desce aos infernos, nos versos imortais de Virgílio e, com sua cítara e sua voz divina, encantou de tal modo o mundo plutônico que a roda de Exíon parou de girar; o rochedo de Sísifo deixou de oscilar; Tântalo esqueceu a fome e a sede e as Danaides descansaram de sua faina eterna de encher os tonéis sem fundo. Às margens do Styx, tange de tal modo sua cítara que Caronte e Cérbero deixam-no atravessar o rio. Comovidos com tamanha prova de amor, Plutão e Perséfone concordaram em devolver-lhe a esposa. Impuseram-lhe, contudo, uma condição penosa: ele seguiria à frente e ela lhe acompanharia os passos. Enquanto caminhassem pelas trevas infernais, acontecesse o que fosse, Orfeu não poderia olhar para trás, até que o casal  transpusesse os limites do império das sombras. Orfeu aceita a imposição e inicia a sua peregrinação. Estava quase alcançando a Luz quando uma dúvida lhe assalta o cérebro: e se tudo não fosse uma enganação dos deuses? E se sua amada não estivesse atrás dele? Acutilado pela incerteza, olhou para trás, transgredindo a ordem dos deuses. Ao voltar-se, viu Eurídice, esvaindo-se para sempre, “morrendo pela segunda vez...” Tentou ainda retornar, mas o barqueiro Caronte foi implacável na sua recusa.

Inconsolável, tomado de amor pela sua musa, o vate passa a repelir todas as mulheres da Trácia. Por causa disso, uma vertente da lenda rezava que Orfeu foi estraçalhado pelas enfurecidas mulheres do seu torrão. A outra vertente, afirmava que tinha sido esquartejado pelas Mênades por ter abandonado o culto de Dioniso pelo de Apolo. Sintomático é que em ambas as versões, nota-se uma certa similaridade com o esquartejamento de Osíris e a junção dos pedaços por Ísis no Antigo Egito. É o tema da degradação do ovo original.

Sua cabeça foi lançada ao rio Hebro, cantando e recitando em versos órficos, o nome de sua amada. Desgostosos com esse crime, os deuses resolveram castigar o país com uma grande peste. Consultado o oráculo de como acalmar a ira divina, foi dito que o flagelo só terminaria quando se encontrasse a cabeça de Orfeu e lhe fossem prestadas honras divinas. Após longas buscas, um pescador encontrou a cabeça na embocadura do rio Meles, na Jônia, onde foi erguido um templo em homenagem a Orfeu, cuja entrada era proibida às mulheres. Se a lira do poeta foi parar na ilha de Lesbos, berço principal da lírica grega, pespegaram-na também no firmamento onde se tornou a Constelação da Lyra, que tem Vega como uma das estrelas de primeira grandeza.


III – Comentários sobre o Mito

Orfeu dirigiu-se ao Hades para buscar Eurídice morta. E aqui convém salientar que pela cultura cristã, imagina-se o Hades, o mundo inferior, como o inferno. No orfismo, a topografia do Hades está divida em três regiões: i) o Tártaro, a parte mais abissal, profunda, ou seja, infernal, pois os castigos eram cruéis e violentos; ii) o Érebo, com castigos não tão horrendos como o Tártaro e iii) os Campos Elísios, destinados àqueles que, tendo passado pelos horrores dos dois primeiros, aguardavam o retorno.  

Ao descer à mansão do Hades, Orfeu teria trazido Eurídice de volta ao mundo dos vivos se não tivesse olhado para trás, ou seja, mostrou estar ainda, preso ao passado, à matéria, enfim, a Eurídice. “Um órfico autêntico, segundo se verá mais adiante, jamais ‘retorna’. Desapega-se, por completo, do viscoso do concreto e parte para não mais regressar. Certamente o citaredo da Trácia ainda não estava preparado para a junção harmônica e definitiva com sua anima Eurídice. Seu despedaçamento pelas Mênades, supremo rito iniciático, o comprova. Como Héracles, que, apesar de tantos ritos iniciáticos e até mesmo uma catábase [ida] ao mundo das sombras, somente escalou o luminoso Olimpo após uma morte violenta numa fogueira no monte Eta. Orfeu olhou para trás, transgredindo o tabu das direções. Estas, bem como os lados e os pontos cardeais, possuíam, nas culturas antigas, um simbolismo muito rico” (Brandão, vol.II, pg. 144).

Convém comparar essa parte do mito com o Gênesis (19, 17-26) quando os dois anjos recomendam a Lot que não olhasse para trás quando fugisse com sua família da destruição de Sodoma e Gomorra. Ao fugirem, a esposa de Lot olhou para trás e foi transformada numa estátua de sal. Este olhar para trás dela representa a volta ao passado, o apego a uma cidade do pecado. A desobediência, tanto a Javé como a Plutão, causa a desgraça do infiel.

Na macumba, após o despacho na encruzilhada, quem elabora nunca deve olhar para trás. As culturas tradicionais sempre privilegiaram o silêncio e o interdito do olhar para trás: seja o agricultor ao plantar; a mulher ao fiar o tecido; o coveiro ao abrir a sepultura; os desfilantes ao acompanhar o cortejo fúnebre.

Com a harmonia (em grego, harmonia significa junção das partes) perdida ou rompida, Orfeu não mais podia tanger a lira e o seu canto perdeu a magia. Perdeu tudo: Eurídice, a música, o canto, ele mesmo.

O despedaçamento de Orfeu está ligado a ritos antiquíssimos, pois como se sabe, o neófito ou iniciado, despedaçava um animal e o comia, para significar seu renascimento em Dioniso ou algum deus tribal. O rito frenético de Dioniso, executado pelas bacantes, reflete a originalidade do deus no panteón bem comportado da religião estatal grega. A participação das bacantes demonstrava que Dioniso era um deus das mulheres. Tanto assim que uma delegação de mulheres atenienses, a cada três anos, se dirigia ao campo para serem possuídas pelo charme e a ‘folia’ do deus, longe das cidades, corriam e dançavam ao som de uma flauta, sobre as montanhas e as florestas.

A cabeça de Orfeu sendo lançada ao rio Hebro, também tem um significado lapidar. A cabeça sempre foi considerada, nas mais diversas culturas, como uma das partes mais nobres e sagradas do ser humano, pois hospedava a alma. Possuir a cabeça de um inimigo, quanto maior a hierarquia maior a honra; era um troféu digno de um rei ou de um chefe tribal. Os deuses somente deram descanso aos mortais depois que foi encontrada a cabeça de Orfeu e lhe foram prestadas honras fúnebres. Mesmo decapitada, a cabeça continuava a viver, pois é o símbolo da voz, do verbo, da imortalidade.
 
 
III – Orfismo

Possui-se hoje uma visão razoável do orfismo através dos diversos escritos, principalmente os textos de Platão e Virgílio que o integraram no seio de suas obras. O orfismo é um movimento religioso complexo onde se detectam influências dionisíacas, pitagóricas, egípcias, apolíneas e obviamente orientais.

O orfismo oscila entre Dioniso, que sempre desejou romper a camisa-de-força da religião tradicional da pólis grega, e Apolo, que corrigia os excessos e os desvairios dionisíacos. Esta aproximação que Orfeu faz dos dois deuses antagônicos tem um certo sentido: segundo Eliade, o espírito grego exprime por ela sua esperança de encontrar uma solução às crises desencadeadas pela ruína dos valores das religiões homéricas.

Rejeita daquele os ritos, nos quais os iniciados despedaçavam a vítima viva e ainda palpitante, e a consumação imediata da carne e do sangue do animal, pois eram radicalmente vegetarianos. A antropologia órfica tem como consequência o crime dos Titãs, contra Zagreu, o primeiro Dioniso, a mando da ciumenta Hera. A mitologia conta que Dioniso-Zagreu era filho de Zeus com Sêmele, uma mortal que, aconselhada pela deusa esposa Hera, pediu a Zeus que o queria ver com os olhos mortais, o que era um verdadeiro suicídio. Ao se apresentar a Zeus, a mortal não pôde suportá-lo em toda a sua radiante epifania. Morreu carbonizada e o feto foi recolhido por Zeus e agasalhado em sua coxa até o nascimento. Mais tarde, os Titãs, ainda a mando de Hera, após raptarem Zagreu, mataram-no e cozinharam-no num caldeirão. Em seguida, o devoraram-no. Zeus, possesso, fulminou os Titãs, transformando-os em cinzas. Dessas cinzas, nasceram os homens, com sua dupla natureza: o mal advindo de sua natureza titânica e o bem, representado pelo menino Dioniso-Zagreu que os Titãs tinham devorado. A chispa do divino, que o homem carrega dentro de si, advém pois de Dioniso, deus da fertilidade e também da morte. Na religião dionisíaca, inexiste, contudo, esperança escatológica, enquanto o orfismo é essencialmente soteriológico. Além do mais, o êxtase dionisíaco manifestava-se de modo coletivo tanto quanto o orfismo é, por princípio, individual.

De Apolo, herdou uma componente da catarsis, ou seja da purificação, tão praticada no oráculo apolíneo de Delfos, mas era radicalmente contra a weltanschauung de Apolo. Este comandou a religião estatal com mão-de-ferro, freando qualquer inovação que significasse um rompimento com o métron, tão conhecidos na lição apolínea por excelência: ‘conhece-te a ti mesmo’ e ‘nada em demasia’. A inteligência, a ciência e a sabedoria são consideradas pelos epígonos de Apolo como modelos divinos. A serenidade apolínea tornou-se, para o homem grego, o emblema da perfeição. A divergência residia até mesmo na catarsis, enquanto em Apolo, esta visava prioritariamente a purificar o homicídio. Os órficos purificavam-se nesta e na outra vida, visando libertar-se do ciclo das existências. A religião apolínea era o bem viver; a órfica, o bem morrer.

Os órficos substituíram a ‘folia’ dionisíaca pela catarsis apolínea. Através da prece e da oferenda, a purificação – catarsis – é um dos ritos principais das religiões antigas. Tudo que é impuro provoca a repulsão dos deuses e, por impuro, entende-se tanto a alma quanto o corpo. Convém notar que, por purificação, entende-se tanto a individual como a coletiva. Na antigüidade grega, quando se cometia um crime, o castigo recaía não só sobre o criminoso como sobre todo o seu clã. Assim, uma pretensa purificação de um crime, tinha que ser não só individual como coletiva. Ao contrário dos cultos dionisíacos, os apolíneos eram públicos, pois rejeitavam os mistérios das iniciações e dos ritos secretos. Por sinal, conhece-se muito pouco destes ritos secretos e destas iniciações órficas. Eliade nota uma semelhança entre os ritos apolíneos e os xamânicos, pois ambos procuram o conhecimento, a sabedoria e a exaltação do espírito, ao contrário das histerias (no sentido grego) e das possessões dionisíacas. Os órficos resolveram o problema da culpa de forma original na cultura grega: a culpa é sempre de responsabilidade individual e por ela se paga aqui; quem não conseguiu purgar-se nesta vida, pagará por suas faltas no além e nas outras reencarnações até a catarsis final.

A semelhança entre o orfismo e o pitagorismo, nos aspectos religiosos, é por demais sintomática: o dualismo corpo-alma, a crença na imortalidade da alma, a metempsicose, a punição no Hades, a glorificação final da psiqué nos Campos Elíseos, o vegetarianismo, o ascetismo e a importância das purificações. Por outro lado, o orfismo era menos elitista do que o pitagorismo, menos esotérico e não se imiscuia em política.

Orfeu é essencialmente um reformador. O orfismo quebra com a religião homérica, principalmente no tocante à sua teogonia. Salienta-se que a teogonia de Homero foi transmitida pelos rapsodos gregos. Sumariamente, a teogonia órfica afirma o seguinte: na origem estava Cronos (o Tempo) e dele saíram o Éter e o Caos que geraram o Ovo Cósmico, um ovo de prata imenso (daí a proibição de se comerem ovos). Desse Ovo surgiu o deus andrógino Fanes, mais tarde chamado de Eros. Após seu nascimento, a parte superior do ovo tornou-se o céu e a parte inferior, a terra. Fanes criou a lua e o sol, o outros deuses e o mundo. Zeus, contudo, engole Fanes e toda a criação. Houve a produção de um mundo novo, tornando-se, a partir daí, o criador único. Um papiro, descoberto em 1962, revela uma teogonia ainda mais radical: um verso, atribuído a Orfeu, proclama que “Zeus é o começo, o meio e o fim de todas as coisas”. A seguir, Zeus criou um numeroso panteão no qual é preciso salientar Dioniso-Zagreus que terá realce fundamental no culto do orfismo.

É importante aqui salientar o carácter monoteísta dessa teogonia que representa uma ruptura importante com os mitos olímpicos advindos dos rapsodos homéricos. O orfismo propugna por uma noção de um deus criador, soberano, simbolizando a vida universal. Contudo, o rompimento mais radical com o mito homérico é na parte escatológica, ou seja, na ciência dos fins últimos do homem, naquilo que deverá seguir à vida terrestre. A descida ao Hades, simboliza a vida após a morte. A concepção órfica da imortalidade advém de um crime primordial: a alma está enterrada no corpo como se fosse um túmulo (soma-sema, que significa em grego corpo-túmulo). Como conseqüência, a existência encarnada se assemelha mais a uma morte e o falecimento constitui o começo da verdadeira vida. Esta verdadeira ‘vida’ não é obtida automaticamente; a alma será julgada segundo as suas faltas e os seus méritos. Após um certo período, ela reencarna. A influência egípcia – julgamento de Osíris e reencarnação – é insofismável no orfismo. Nessa via crucis de reencarnação em reencarnação, até mesmo em corpo de animais, a alma vai se purificando. Nesses intervalos reincarnacionistas, a alma chega a demorar uns 1000 anos no castigo do inferno, onde sofre um ciclo de pesadas penas. Quando completamente purificada, sai desse ciclo de gerações para reinar entre os heróis. O destino, obviamente, não será o mesmo para os iniciados órficos e os profanos. O mortal comum profano deverá percorrer dez vezes o ciclo antes de escapar.

São outro artefato importantíssimo no orfismo. As lamelas órficas ou orfo-pita-góricas. Lamelas são pequenas lâminas ou placas de ouro, descobertas na Itália meridional e na Ilha de Creta, e em túmulos órficos. São, também, todas marcadas com o sinal secreto Y, até hoje um mistério. Delgadas e elegantes, enroladas sobre si mesmas, eram depositadas em pequenas placas hexagonais. Estas, presas a correntes de ouro, eram colocadas no pescoço dos iniciados, como talismãs, à maneira de passaporte para a eternidade.

Numa das lamelas encontradas, estão incrustados versos de aconselhamento à alma do morto para sua viagem em direção ao Hades. Em lá chegando, deve escolher entre um caminho da direita e um da esquerda. “À esquerda da morada do Hades, tu encontrarás o Lago da Memória, e os guardiões estarão lá. Diga-lhes... eu sou o menino da Terra e do Céu estrelado, mas estou morrendo de sede. Dá-me rapidamente a água fresca que flue do Lago da Memória”. Para a alma que deve retornar a terra para reencarnar-se, essa água do Lethes tem por função não esquecer sua existência terrestre mas eclipsar a recordação do mundo pós-morte. O orfismo assim reverte a função da água do Esquecimento pela nova doutrina da transmigração. O esquecimento não simbolisa mais a morte, mas o retorno à vida. A alma que teve a imprudência de beber na fonte do Lethes reencarna e será novamente projetada no ciclo do devir.

Para aquelas almas que não precisam mais se reencarnar, é aconselhado evitar a água do Lago da Memória e passar ao caminho da direita. E esta escrito numa das lamelas: “Venho de uma comunidade de puros, ó puro soberano dos Infernos”. Ao que Persófone replica: “Saúdo-te, toma o caminho da direita em direção aos prados sagrados e aos bosques de Perséfone”.

A sede da alma, comum a tantas culturas, configura não apenas o refrigério, pelo longo caminhar da mesma em direção a outra vida, mas sobretudo, simboliza a ressurreição, no sentido da passagem definitiva para um mundo melhor. Se, para os gregos “os mortos são aqueles que perderam a memória”, o esquecimento para os órficos não mais configura a morte, mas o retorno à vida.
 

IV – Conclusão

Orfeu não morreu com a Grécia antiga. A sua figura continuou a ser reinterpretada pelos teólogos, tanto judeus quanto cristãos. Nos afrescos das catacumbas romanas, encontram-se imagens de Orfeu, tangendo sua lira no meio de animais simbólicamente cristãos: carneiros, ovelhas, cachorros, pombas. Noutros, encontram-se duas ovelhas: uma simbolizando Orfeu e outra, o Cristo. Nos mosaicos do mausoléu de Gala Placídia, em Ravena, é representado como Bom-Pastor. Uma antiga cena de crucificação chega mesmo a chamar Cristo de “Orfeu báquico”.

A semelhança dos simbolismos são flagrantes: o crime primordial dos Titãs e o pecado original de Adão e Eva, a consumação do corpo do deus cristão e do deus grego, Cristo como filho de Deus assim como Orfeu era filho de Apolo, são pontos comuns entre as duas doutrinas religiosas, numa visão simplista.

Para os filósofos da Renascença até Pope, para os poetas do seicento, passando pelos hermetistas até os dias atuais, o Mundo Ocidental teima em não esquecer Orfeu. Se pouco restou dos mistérios órficos, a figura de Orfeu tem cadeira cativa no inconsciente coletivo de nosso mundo.
 
 
V -Bibliografia
BRANDÃO, Junito de Souza, Mitologia Grega, 3 vols., Ed. Vozes, Petropólis, 1987.
COMMELIN, P., Nova Mitologia Grega e Romana, Ediouro, Rio de Janeiro, s/d.
COSTA, Hippolyto Joseph da, The Dionysian Artificers, London, 1820, reimpresso por HALL, Manly P., The Philosophical Research Society Press, California, 1936
ELIADE, Mircea, Iniciaciones místicas, Taurus Ediciones, Espanha, 1975.
ELIADE, Mircea, História das Crenças e das Idéias Religiosas, 4 vols., Zahar Editores, 2ª ed., Rio de Janeiro, 1983.
ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA, 30 vols., University of Chicago, USA, 1982.
FILHO, Zito Batista, A Ópera, Ed. Nova Fronteira, 1987.
LIMA, Jorge de, Poesia Completa, vol. II, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1980
MAYNADE, Josefina, Orfeo, Editorial Orion, México, DF, 1959.
MILTON, John, Paraíso Perdido, Clássicos Jackson, vol. XIII, W.M. Jackson Inc. Editores, Rio de Janeiro, 1952.
MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas, Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1987
PLATÓN, Obras Completas, Ed. Aguilar, Madrid, 1990.
SADIE, Stanley (ed), Dicionário Grove de Música, Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1994.
SHURÉ, Édouard, Orfeu, Ediouro, Rio de Janeiro, 1987.
SPENSER, Gertrude, O Drama da Iniciação, Biblioteca Rosacruz, Ordem Rosacruz – AMORC, Grande Loja do Brasil, Paraná, 1983.
VIRGIL, Great Books of the Western World, vol. XII, Ed. Encyclopaedia Britannica, Chicago, 1992.