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QUEM FOI HIRAM, REI DA CIDADE-ESTADO FENÍCIA DE TIRO?





Os fenícios, como a grande maioria dos povos da época, eram politeístas. Primitivamente foram adoradores de árvores, rochedos e de certas pedras negras de forma oval, os bétilos. Mais tarde passaram a adorar os astros e as forças da natureza, considerando como divindade maior o Sol. O culto compreendia um conjunto de práticas grosseiras, licenciosas e cruéis, com prostituição sagrada e com sacrifícios humanos, sobretudo de crianças, que se lançavam vivas aos braços incandescentes da estátua de bronze representativa da divindade, aquecida por uma fornalha. Suas divindades celestes chamavam-se Baal (senhor, marido, dono) e havia praticamente um deus para cada cidade: Biblos ou Gebal, Sidom e Tiro adoravam um Baal feminino (Baalat), Astartéia ou Astarte; Cartago venerava Tanit; Dagon era o protetor do litoral; Melcart, o deus das cidades, era também o Baal de Tiro. Inúmeros outros eram cultuados: Adôn (Adônis), Amom, Moloc, etc. (Primeiramente os judeus usavam o nome Baal para designar o seu Deus. Mais tarde, em razão das recordações idólatras do termo, Baal deixou de ser a palavra aplicada ao Deus dos judeus, sendo comum utilizá-la para designar quaisquer das divindades pagãs. Na Bíblia, freqüentemente encontra-se o nome Baal em sua forma plural Baalim).
Além dos deuses celestes, haviam os deuses agrários. O mito da oposição entre Mot e Alein, deuses ligados à colheita e aos frutos, conta suas mortes alternadas: um no inverno, ressuscitando na primavera, e o outro percorrendo o caminho oposto. Astartéia ou Astarte surgiu inicialmente como deusa dos pastores. Com o aumento de seus seguidores, suas virtudes foram se ampliando, vindo a se tornar a grande deusa da Natureza e da fecundidade animal e humana. Na Bíblia, Astartéia é referida como Astarote. Era adorada nas cidades fenícias de Biblos, Sidon e Tiro e por outros povos sob distintos nomes: Istar na Assíria e na Babilônia; Ísis pelos egípcios; Afrodite (Vênus), a deusa do amor e Artemisa (Diana) a deusa da caça e da lua por gregos e romanos. Como o culto de Astartéia era de natureza licenciosa, os judeus constantemente eram por ele atraídos. O próprio Salomão rendeu-lhe homenagens, edificando-lhe um templo em Jerusalém.
Os Fenícios eram grandes comerciantes e navegadores, guardando judiciosamente o segredo de suas rotas marítimas e de seus descobrimentos,assim como os seus conhecimentos sobre astronomia, rotas migratórias de certos peixes, voo das aves, ventos e correntes marítimas. Extremamente zelosos na preservação do segredo de suas rotas, havia uma exigência de caráter comercial, válida para todos os marinheiros fenícios, que obrigavam-nos a afundar suas embarcações se fossem seguidas e estivessem em desvantagem. Chegaram a circunavegar a África, façanha comprovada em razão do historiador grego Heródoto ter considerado um absurdo o relato dos marinheiros fenícios de que, em um determinado momento, o Sol começava a nascer à direita, contrariando todo o conhecimento dos povos de então. Pois esse detalhe é justamente o que comprova que os fenícios contornaram o cabo da Boa Esperança, no sul da África, retomando o rumo norte. Pode-se dizer que os fenícios foram os primeiros a realizar uma política colonizadora de envergadura, expandindo sua influência pelas ilhas do Mar Egeu, Malta, Sardenha, Sicília, Mar Negro, Cáucaso e costa da África, onde fundaram Hipo, Útica e Cartago. Chegaram até a Espanha, à França e às ilhas britânicas.
Como comerciantes, os Fenícios distribuíam produtos provenientes principalmente do Egito, Babilônia, Pérsia, Índia, Arábia e Israel. De Chipre traziam cobre; da Trácia prata; das ilhas do Mediterrâneo mármores, alúmen e enxofre; da Espanha estanho e prata; da Índia especiarias; do mar Negro ao Cáucaso buscavam ouro, prata, cobre e escravos. Além de negociantes, eram também piratas. Quando em pequeno número, desembarcavam num lugar, expunham suas mercadorias e contentavam-se com os lucros; mas, se eram numerosos e mais fortes que os da terra em que aportavam, muitas vezes saqueavam as casas, incendiavam os povoados e arrebatavam mulheres e crianças para vende-las como escravos.
Suas indústrias produziam tecidos, inclusive de lã, utensílios de cobre e bronze, perfumes, incenso, jóias e artigos de cerâmica e de vidro, cuja fabricação melhoraram descobrindo o meio de faze-los transparentes e imitando pedras preciosas. A púrpura era a maior riqueza dos fenícios, que detinham o monopólio da fabricação do corante extraído da concha do murex, utilizado para dar cor às luxuosas vestimentas usadas pelas aristocracias da época.
Voltados para o comércio marítimo, os fenícios não se interessaram pelas artes, conquanto, para satisfazer os seus clientes, copiavam com perfeição os produtos artísticos de outros povos. Provavelmente em razão da necessidade de escriturarem seu comércio, simplificaram o complicado modo de escrever então existente, inventando o primeiro alfabeto. Os fenícios prestaram um grande serviço à civilização, propagando entre os povos ainda incultos da Europa a cultura do Oriente. 
Quanto à cidade-estado de Tiro, o profeta Ezequiel, antes de lançar suas profecias contra Tiro, faz uma histórica descrição da pujança daquela cidade (Ezeq 27:3-25):
Hiram, rei de Tiro e contemporâneo dos reis judeus David e Salomão, era filho e sucessor de Abibal. Nasceu no ano de 1063 a.C. e morreu em 985 a.C. Segundo o historiador judeu Flávius Josefo, seu reinado durou 34 anos. Para outros historiadores, ocupou o trono por 60 anos. Hiram guerreou e submeteu os egeus, que se recusavam a pagar-lhe tributos. Fortificou a cidade de Tiro e realizou obras de terraplanagem entre a cidade de Tiro e o templo de Júpiter Olimpo, o qual embelezou com grande quantidade de ouro. Demoliu os templos em ruínas e construiu outros, consagrados a Hércules. A Bíblia conta que Hiram foi amigo e aliado do rei David, a quem ofereceu homens e materiais para a construção de seu palácio e do templo que pretendia erigir para cultuar a Deus. Com a morte de David, Hiram tornou-se também amigo e aliado de Salomão, a quem renovou o oferecimento feito a seu pai. A aliança entre Salomão e Hiram, com excelentes resultados para ambos os monarcas, era sólida o suficiente para incluir algumas expedições marítimas conjuntas – que se opunham às tradições fenícias de não revelar os segredos de suas rotas – entre as quais a Tarsis e a Ofir, de onde trouxeram ouro, prata e marfim. A pedido de Salomão, Hiram mandou-lhe ainda Hiram Abif para adornar o templo. Pelos materiais e homens postos à disposição por Hiram, os judeus pagavam, anualmente aos fenícios tírios, 20.000 coros (7.288 m3) de trigo e de cevada e 20.000 batos (720.000 litros) de vinho e de azeite. Adicionalmente, Salomão transferiu para o controle de Hiram 20 cidades da Galiléia, limítrofes à Tiro. Segundo a narração bíblica (I Reis 9:11-13), ao inspecionar as 20 cidades que recebera de Salomão, Hiram ficou decepcionado: “Que cidades são estas que me deste, irmão meu?” e chamou-as Terra de Cabul, que significa terra de areia, terra seca, terra de nada, terra desprezível, terra sem valor.
Para a Maçonaria, Hiram representa o atributo da Força, pois as obras do templo foram sustentadas com a força de Hiram, que forneceu homens e materiais a Salomão. Hiram é personificado, nas Lojas maçônicas, pelo Primeiro Vigilante e por Hércules, símbolo clássico da Força e a quem Hiram dedicou, durante o seu reinado, inúmeros templos.
Excertos do livro (no prelo) Maçonaria para Maçons, Simpatizantes, Curiosos e Detratores

Meus Carrinhos de Ferro



Tenho uma coleção de carrinhos de Ferro, desses do tipo Hot Wheels. Entre todos tem um que é muito especial: um Plymouth GTX 1971. Ele é parecido com o nosso Maverick, porém, muito melhor vejam a foto da minha miniatura e outra de um carro original.

Nossa, vocês precisam ver, esse carro tem muita potência.

É pura adrenalina.

Para todas as pessoas que eu conheço eu faço questão de anunciar a minha coleção e faço questão de mostra-lá, e é claro, dando um destaque para o meu Plymouth GTX.

As palavras que mais ouço é “UUUAAUUUU”, “Que lindo” e por ai vai. Só elogios.

Mas quando eles falam:

- Posso Pegá-los???

- UHMMMM!!! Não tem jeito!

A minha resposta era sempre NÃO, nem oferecendo dinheiro!!! É incrível a mudança de comportamento: de entusiasmados para desmotivados.

Então eu não entendia por que eu ficava extremamente empolgado para mostrar a minha coleção e ao mesmo tempo não deixa ninguém tocá-los.

Mas você deve estar se perguntando, mas o que tudo isso tem a ver com a Maçonaria?

Antes mesmo que os nossos honrados profanos pensem nos mistérios da Ordem eu quero dizer que não há palavras secretas ou mensagens subliminares neste texto ou algo parecido. E irei explicar o motivo desse texto.

Alguns dias atrás estava conversando com um Irmão já com quase 40 anos de Ordem e estávamos comentando sobre o comportamento de alguns Irmãos iniciados e lembrei-me dos meus carrinhos durante esse bate papo, pois há alguns Irmãos que se preocupam demasiadamente com a sua situação de Iniciado e logo querem que todos saibam. Usam broches, pins, adesivos no carro, anunciam abertamente e outras coisas do gênero, mas quando alguém lhe solicita uma ajuda, mesmo que mínima, ele rapidamente se esconde atrás do seu avental ao avesso, como se quisesse assustar a quem lhe solicitou a ajuda.

Por que será que esse Irmão, então, é tão vaidoso ao falar sobre sua situação de Iniciado?

Bem não irei julgar, pois isso não me cabe.

Mas com alegria quero dizer à todos, a minha coleção de carrinhos agora é tocável e sofri um pouco por tal mudança, mas posso garantir que a minha satisfação pessoal é maior quando eu vejo os meus amigos olharem e tocarem nos carrinhos e tem até alguns que ajoelham-se no chão e brincam com eles como se fossem crianças. Esta é a minha realização e vi que posso ajudar ao próximo apenas mudando os meus hábitos.

Como profano e moderador, eu espero um dia ser iniciado na Pura Maçonaria, onde o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade possam ser lidas, faladas e principalmente Praticadas.

Que você possa tem uma excelente leitura desse periódico e vamos juntos transformar o mundo, começando pelo quarto de nossa casa.

Um grande abraço fraterno,

Wenderson Silva
Moderador Lista Maçonaria Brasil


SUGESTÕES PARA APRESENTAÇÃO DE TESES


Anselmo Quadros
São Paulo
Brasil

 
Apresentar o trabalho em duas vias ( uma é para arquivo do irmão, a outra devidamente assinada é colocada na Bolsa de Propostas e Informações para que o V.M.acuse o recebimento e o secretario a registre. Sendo lida entre colunas por ordem do V.M., a mesma poderá ser lida no mesmo dia ou permanecer sob Malhete para a próxima sessão, ou as próximas sessões).
(Apresentar o trabalho, de preferência datilografado ou impresso em computador, evitar teses escrita de próprio punho.)

Atenção: ao realizar a leitura da tese entre colunas, o irmão teve ter em mente a grandiosidade do ato em si, este é um momento sublime para o maçom, pois a partir daí, começa a alçar vôo e se não tiver humildade para querer aprender poderá iniciar o vôo e cair num despenhadeiro, como fazem muitas águias que acham que estão preparadas, aí vem os gaviões e as engolem, sendo por estes devorado, e ai, só servira para adubar as plantas, se tiver sorte de cair em terra fértil, após a digestão dos mesmos.

Assim, o maçom deverá preparar-se devidamente, vestimenta/paramentos apropriada é o primeiro passo, não importa querer discutir se alguns irmãos vão ao Templo com outras roupas, importa é o irmão estar como sugerem os rituais: TERNO, GRAVATA, MEIAS E CINTO PRETOS, CAMISA BRANCA E PONTO FINAL, posição tranqüila, postura ereta e feliz, pronto a aprender, ler o trabalho pausadamente NUNCA passando de duas laudas, pelo amor de Deus, não sejamos ingênuos de querer filosofar e filosofar, não queiram irritar os irmãos com teses medíocres e sem fim, achando que os irmãos vão engolir tamanhas asneiras de neófitos ou até mestres feito a facão, e bater palmas, isto é um absurdo. Seja objetivo e JAMAIS apresente trabalho com mais de duas laudas, se desejar se estender na reflexão, apresente outro trabalho em tempo futuro, em capítulos por exemplo seria uma boa idéia. Saude as Luzes ( caso não estejam muito apagadas....) Faça assim: Venerável Mestre, Primeiro Vigilante, Segundo Vigilante, Meus Irmãos. (ESTAS DEVERIAM SER AS PRIMEIRAS INSTRUÇÕES SUGERIDAS PELOS PADRINHOS AOS SEUS AFILHADOS, MAS, CERTOS PADRINHOS NÃO SABEM NEM PRA ELES)

Apenas e tão somente isto. (PELO AMOR DE DEUS)

Não queiram se (meter) ao ridículo de começar a saudar todo o mundo (ERROS RIDÍCULOS VEMOS DIARIAMENTE ATE COM AQUELES MAIS ANTIGOS QUE LEVAM ATE 10 MINUTOS SAUDANDO CARGOS POR CARGOS
INCORRETAMENTE) e não saber os cargos, pelo amor de Deus! Lembre-se:
 Você é um Aprendiz Maçom. LEMBRE-SE: VOCÊ É UM• APRENDIZ MAÇOM-Ok ? ou ainda não entendeu ?

 Então vamos lá... ninguém irá exigir nada de você• meu querido irmão, (SE PAGAR TUDO DIREITINHO NÃO TEM PROBLEMA MEU QUERIDO) o que deve saber e isto sim é importante, é saber quem são as três principais luzes da Loja, (JÁ DISSE SE NÃO ESTIVEREM APAGADAS OU COM A LUZ FRAQUINHA FRAQUINHA PELA PINGA (MARVADA PINGA) O Venerável Mestre, os Primeiro e Segundo Vigilantes, isto é o que interessa. Com o tempo o aprendizado vem, por meio do exemplo dos BONS Mestres. (É UMA RARIDADE ENCONTRAR UM MAS TENTE QUANDO ELE NÃO TE PEDIR NADA NEM QUE PAGUE O COPO DÁGUA QUEM ESTEJA DIANTE DE UM NUNCA SE SABE)

 APRESENTE SEU TRABALHO ASSIM SEMPRE EM DUAS VIAS, (UMA É• para SEU ARQUIVO, A OUTRA É COLOCADA NA BOLSA DE PROPOSTAS E INFORMAÇÕES, ASSINADA se esquecer será devolvida:

LEMBRE-SE; O QUERIDO IRMÃO DEVERA LER O SEU TRABALHO ENTRE COLUNAS, QUANDO O VENERÁVEL MESTRE ORDENAR AO MESTRE DE CERIMÔNIAS QUE O CONDUZA.

-A SEGUIR MODELO PARA APRESENTAÇÃO DE TESE-


A G.D.G.A.D.U. (COLOCAR OS PONTOS DE PRAXE-MAS TENTE DESCOBRIR O QUE ELES REPRESENTAM, CASO DESCONHECER ENVIE-ME UM E-MAIL - NÃO SE PREOCUPE
99 % DOS MAÇONS AINDA NÃO SABEM - ENTÃO, NÃO FIQUE COM VERGONHA, TENHA CORAGEM DE DIZER QUE NÃO SABE, POIS ASSIM É MELHOR, A HUMILDADE É A MÃE DA VIRTUDE)


VENERÁVEL MESTRE; (comece a falar tranqüilamente, afinal estamos entre irmãos - certo ?)

PRIMEIRO VIGILANTE;

SEGUNDO VIGILANTE;

MEUS IRMÃOS. (evite dizer demais irmãos, pois se torna pejorativo deixe que os mais antigos digam esse demais irmãos pois eles pensam assim mesmo já perderam tudo mesmo)


SFU (coloque os devidos pontos)
( ESTA SIGLA SIGNIFICA; SAÚDE, FORÇA E UNIÃO E É USADA EM TODAS AS PRANCHAS ANTES DO INICIO DO TEXTO, SEJA LÁ O QUE FOR, EM TODOS OS TEXTOS, OU PRANCHAS ENVIADAS)


MINHA INICIAÇÃO MAÇÔNICA
(dar o titulo do trabalho)

(desenvolver o trabalho em no máximo duas laudas, não se preocupe, você terá uma vida inteira pela frente para apresentar trabalhos, não queira ter a pretensão de faze-lo, numa única vez. – não seja idiota por favor)

Fazer a introdução

Desenvolver o tema

Encerrar


Ao encerrar CONCLUA assim:

Que nosso Grande Arquiteto do Universo a todos ilumine e guarde

Fraternalmente

Ir. ( FULANO DE TAL- com os pontos)
A.M. (quer dizer Aprendiz Maçom - com os pontos)
Obreiro da A.R.L.S. ( COLOCAR O NOME DA LOJA NA QUAL ESTA REGULAR, INCLUSIVE O NUMERO, exemplo: AMIGOS DA CANOA 2345 - com os pontinhos) Oriente de (colocar o nome da cidade ) 30 de setembro de 2020 da E.V. (QUER DIZER ERA VULGAR - com os pontinhos)

ESTA PRONTITO O SEU TRABALHO NO MAS... SEM NENHUM PROBLEMA DE VEXAME E NEM QUEIRA (ENSINAR O PADRE A REZAR A MISSA) lembre-se ainda que: OS IRMÃOS QUE ESTARÃO te OUVINDO/AVALIANDO SÃO COM CERTEZA, MAIS INSTRUÍDOS E BEM MAIS EXPERTOS QUE VOCÊ MAÇONICAMENTE FALANDO, ENTÃO VÁ COM CALMA, MEU DESEJO É QUE TENHA VIDA LONGA NA MAÇONARIA, PRIMEIRO SEJA UMA ESCADA PARA UM DIA SER UM TRANSEUNTE - BOA SORTE E QUE NOSSO GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO A TODOS ILUMINE E GUARDE.

Ir.•. Vagner Fernandes
Para Loja Fênix de Brasília Nº 1959

TOLERÂNCIA


"A tolerância é uma das virtude mais discutidas na Maçonaria. A palavra é bonita e usada com muita freqüência. Entretanto, a sua prática é demasiadamente difícil. Não porque evitamos praticá-la, mas porque é terrivelmente complicada, a demarcação dos seus limites, para sabermos onde ela termina, e onde começa a complacência ou mesmo a conivência.

Estabelecer esses limites não é fácil. Em cada caso, em que empregamos a tolerância, devemos analisar uma infinidade de ângulos, nos quais sempre estão em julgamento os procedimentos de Irmãos. Muitas vezes até a mudança de comportamento de um Irmão, nos obriga a usar de maior ou menor tolerância. Daí se nota a existência de uma gradação da tolerância. Como estabelece-se ou situá-la, em determinados problemas. É pôr este motivo, que não se pode colocar em cargos de decisão. Irmãos sem um elevado grau de bom senso e vivência maçônica, pois somente com essas condições, pode o Maçom, estabelecer o grau de tolerância, na gradação citada e adequada a cada caso. O Venerável Mestre ou mesmo o Grão-Mestre, normalmente responsáveis pôr decisões deste tipo, têm o cuidado de estabelecer parâmetros determinantes ou uma espécie de círculo imaginário, em que se circunscreverá a tolerância. Digamos que esses Respeitáveis Irmãos estabeleçam um grande círculo e nele circunscrevam dois círculos menores. No menor estará a tolerância, no médio a complacência e no maior a conivência. O cuidado para não sair do círculo menor, o da tolerância, é uma constante. Isto porque, um descuido na lapidação das informações recebidas, pode dar a idéia de transigência com o erro, a permissão da violação do direito ou a conspurcação da moral. Se, pôr outro lado, mesmo sabendo que o erro foi realmente cometido, que a transgressão dos ensinamentos maçônicos foi verificada, temos que adicionar, como importante ingrediente para a tomada de decisão, os atenuantes inerentes ao faltoso. Como assim? Atenuantes inerentes ao faltoso? Sabemos que o erro é próprio do homem. Determinadas circunstâncias obrigam a pessoa humana, ao deslize do caminho correto. Se um Irmão sempre agiu corretamente e, de um momento para outro, percebe-se um desvio em sua conduta, porque não colocarmos na balança, os dados positivos existentes em seu favor, e que até outro dia era motivo de aplausos. Esse passado bom, representa um fator atenuante de suas faltas. Pelo sentimento de tolerância e porque não dizer de justiça, devemos considerar nesse julgamento, as coisas boas realizadas.

Pela tolerância, também devemos procurar ouvir o Irmão. Saber o que está acontecendo com ele, Quais são os fatos novos em sua vida, que o obrigam a desencarrilhar dos trilhos da virtude. Uns dizem que quando uma pessoa atinge idade avançada, transforma-se em sábio, pelos conhecimentos e vivência obtidos, mas alguns dizem que essas pessoas são simplesmente velhas. No meu conceito, algumas realmente, ficam simplesmente velhas. Isso acontece com pessoas que atingiram a velhice, sem viver a vida, sem adentrar na arena, lutando pôr um ideal, procurando ser útil à coletividade a que pertence. Esses são realmente velhos. Mas aquele idoso que lutou, que não se importou com a possível derrota, que soube levantar-se, que analisou o motivo das quedas, que respeitou os seus adversários, que tirou proveito dos obstáculos encontrados, que compreendeu o procedimento alheio, que defendeu o seu ideal e o seu direito, que não se acovardou diante do perigo, esse não se transformou num simples velho com a idade avançada. Este transformou-se, realmente, num sábio. Na Maçonaria, os velhos são respeitados como sábios. Porque o Maçom é um líder. Na mocidade, eles trabalharam para nos legar esta Ordem, tão tranqüila e promissora. Esses velhos sábios, têm o conceito de tolerância muito nítido dentro de si. Eles sabem aumentar o raio de círculo da tolerância, nas horas em que um Irmão é julgado. Eles viveram o bastante, para se enriquecerem com inúmeros exemplos de comportamento o erro, no extrapolar o círculo da tolerância e algumas vezes, até aceitam uma pequena incursão no círculo da complacência, mas nunca admitem a entrada no círculo da conivência, que seria a degradação moral. Falando nos velhos, lembro-me que certa feita fui visitar uma Loja muito antiga. Lá estavam nas cadeiras do Oriente, quatro velhinhos. Verifiquei, com a minha peculiar observação crítica, que aqueles Irmãos, não faziam corretamente os sinais, cochilavam, conversavam, ficavam muito alheios aos procedimentos ritualísticos. Ao sairmos do Templo, o Irmão que me acompanhava naquela visita comentou: "Você viu aqueles Irmãos do Oriente? Conversavam o tempo todo, alguns dormiam, além do que, faziam tudo errado". Aquilo era um mau exemplo para os Aprendizes e Companheiros que estavam presentes. Achava ele, que o Venerável Mestre exagerava na tolerância, pois devia corrigir aquelas falhas. Outro Irmão pertencente ao Quadro daquela Loja, e que nos acompanhava, respondeu, que um daqueles velhinhos que cochilava, foi o fundador da Loja e Venerável em mais de uma administração. Os outros foram também, verdadeiros baluartes no crescimento da Loja.

Representavam praticamente, a história da Loja. Um deles, tinha cinqüenta anos de Maçonaria. Agora vejam só, a situação do Venerável Mestre.

Poderia ele chamar a atenção daqueles Irmãos? Pedir-lhes que não viessem a Loja, que estavam dispensados? Privar esses Irmãos, que tanto fizeram pela Loja, daquele convívio, que para eles a sua própria razão de viver? É evidente que o Venerável, com todas a sua sabedoria, jamais faria qualquer coisa, que viesse a aborrecer aqueles veneráveis Irmãos.

Os Irmãos Aprendizes e Companheiros, é que deveriam ser instruídos ou informados, da razão porque a Loja aceitava tais comportamentos.(grifo nosso). Hoje nós vemos Irmãos, que querem mudar tudo em Loja, porque tomaram conhecimento através de livros maçônicos sobre os fundamentos de determinadas práticas Maçônicas ou mesmo sobre a simbologia e ritualística. Os Irmãos mais velhos, normalmente reagem a essas mudanças, mesmo ouvindo os fundamentados argumentos. Isso é louvável, porque esse desejo de mudanças nos jovens e o desejo de permanência dos velhos, provoca um equilíbrio, fazendo com que as mudanças, que porventura venham a ser feitas, o sejam de forma racional e aceitas pôr todos, já que a evolução deve existir entre os Maçons, como vemos na simbologia existente na abertura da corda dos oitenta e um nós. Portanto, meus Irmãos, a tolerância é o sentimento que tem o poder de propiciar a recuperação do culpado, conduzindo-o ao caminho do bem, da justiça e do dever."

Extraído do livro "ACONTECEU NA MAÇONARIA" de Alci Bruno
Editora A GAZETA MAÇÔNICA - 1ª edição - outubro/1996
 

 

SATAN



Ir.: José Castellani


O Resp.: Ir.: Manoel Arteiro Silveira Vidal, da Loja "Imparcialidade e Prudência", do Or.:  do Rio de Janeiro (RJ), apresenta a seguinte questão:  

"Fiquei chocado  com a informação contida no livro "Questões Controvertidas da Arte Real", vol. 2, do Ir.: Frederico Guilherme Costa, a propósito do maçom anarquista Roberto das Neves, que usava o nome
simbólico de Satã e que diz que uma alta comissão, presidida por Octaviano Bastos. após demorado estudo, emitira parecer que o nome simbólico por ele usado   "não era ofensivo para o Grande Arquiteto do Universo, porquanto este e satã, ou lúcifer, o portador da luz, são uma e mesma entidade". Ora, considerando que satã, em sua origem hebraica, segundo Nicola Aslan, significa "obstáculo, contraditor, acusador, adversário", sendo, mais comumente, conhecido como satanás, chefe dos demônios, lúcifer, belzebu, bruxo do inferno, etc., não teria, a referida alta comissão maçônica, cometido lamentável equívoco, ultrajando a figura inefável do G.: A.: D.: U.:, invocado em nossos rituais como fonte fecunda de luz, de felicidade e de virtude"?  

Resposta:  

SATAN significa ADVERSÁRIO, ou CONTRADITOR, apenas. Em muitas passagens do Evangelho, inclusive, o termo, assim como Satanás, é utilizado nesse sentido e não no de demônio; em Mateus, 16-23, Jesus diz a Pedro: " Afasta-te! Para trás satanás"!, para mostrar que a atitude deste era contrária
às suas idéias. A maior parte dos textos bíblicos, porém, liga mesmo o vocábulo ao chefe dos demônios, como se pode ver em Jó e em Zacarias.  
Os demônios seriam os maus espíritos, que, impedidos de ter a visão beatífica, foram lançados ao tormento eterno. Seu chefe, Satan, é também chamado de Lúcifer (portador da luz), porque ele teria sido um anjo de extraordinária beleza, glória e fulgor, qualidades, essas, que foram perdidas, em decorrência de seus pecados.

Entretanto, os demonólogos distinguem ambas as personalidades  e atribuem,
a Lúcifer, as funções subordinadas de justiceiro, ou de juiz supremo, na hierarquia das dignidades infernais.

Outro nome dado a Satan, indevidamente, é Belzebu, que é uma antiga divindade dos cananeus e que foi convertido, pelo cristianismo, em príncipe dos demônios. Muitos demonólogos consideram Belzebu como o chefe supremo do inferno, confundindo o seu significado diabólico com o de Satan, que foi o anjo expulso do céu, o rebelde luzbel.  

Alguns pesquisadores identificam Lúcifer, o portador da luz, com a entidade da mitologia grega, Prometeu, que deu o fogo divino ao homem. Prometeu, protegido de Atená (a Minerva romana), pediu que a deusa o levasse ao Olimpo e foi atendido; ao retornar, passando pelo carro de Apolo, deus do Sol, roubou-lhe uma fagulha do fogo divino, dando-a ao homem. Zeus (o Júpiter romano), para se vingar, mandou Hefesto (o Vulcano romano) forjar uma bela mulher --- Pandora --- dando, a esta, uma caixa fechada e enviando-a a Prometeu. Este, precavido, mandou Pandora ao seu irmão Epimeteu, que desposou a mulher e, inadvertidamente, abriu a caixa, espalhando, pelo mundo, todas as desgraças e todos os crimes (daí a lenda da caixa de Pandora, ou boceta de Pandora). Zeus, então, ciente de que a armadilha não funcionara contra Prometeu, ordenou a Hermes (o Mercúrio romano), que o acorrentasse ao Cáucaso, para que uma águia lhe devorasse o fígado, por toda a eternidade.  
O fato relatado, referente ao parecer da comissão presidida por Octaviano Bastos, realmente existiu. Diante do que foi abordado nestas notas, o leitor poderá chegar à sua conclusão particular, sobre se essa comissão, no caso, agiu bem, ou mal.


                                            Do livro "Consultório Maçônico" - vol. V
                                                  Editora A Trolha - 1a- ed. – 1997

Ruth e Boaz


Foi assim que tudo isto aconteceu: Nos dias em que os juizes governavam Israel, o povo havia relaxado sua observância da Torá; por essa razão provocou sobre si a punição de D'us. Na terra, reinava a fome.

Um rico mercador, habitante de Yehudá, de nome Elimelech, não acostumado à fome e à pobreza, pensou em escapar da miséria mudando-se para outro lugar. Assim foi viver em Moav com sua esposa Naomi e seus dois filhos.

Ruth, uma princesa moabita, imbuída de elevados ideais, não estava satisfeita com a idolatria de seu próprio povo e quando chegou a oportunidade, abriu mão do privilégio da realeza em sua terra, aceitando uma vida de pobreza entre um povo que ela admirava. Ruth fez amizade com essa família judia e começou a comparar o diferente modo de vida com o seu próprio. Aprendeu a admirar as leis e costumes judaicos, e a insatisfação que já sentia com a idolatria de seu povo, tornou-se uma objeção positiva. Quando um dos filhos de Naomi a pediu em casamento, ela sentiu-se feliz e orgulhosa em aceitar. Não ficou com remorso frente ao que estava renunciando: a vida de luxúria no palácio, o título real, as perspectivas de riqueza e honra no futuro, pois percebia o valor do povo ao qual agora se unia.

Com a morte de Elimelech e seus dois filhos, Naomi, pobre e viúva, ficou sem saber o que fazer ou para onde ir. Portanto, disse a Ruth e à sua outra nora Orpá: "Minhas filhas, devo partir, e decidi voltar a minha cidade natal, Beit Lechem. Lá, as coisas não devem ser muito boas, e não vejo razão porque também vocês deveriam sofrer. Portanto, aceitem meu conselho e voltem à casa de seus pais. Seus maridos estão mortos e, talvez, se permanecerem em sua própria terra, poderão encontrar outros homens com quem se casar. Eu perdi meus filhos para sempre, mas vocês são jovens, poderão encontrar outros maridos."

Orpá despediu-se tristemente de sua sogra. Mas Ruth se apegou a Naomi em prantos e implorou-lhe para partir com ela. Com estas tocantes palavras pediu: "Eu te suplico, não me peças que te deixe, e que retorne após te seguir, porque aonde quer que fores, eu irei; e onde pousares, pousarei; teu povo é o meu povo e teu D'us é o meu D'us; onde morreres, morrerei, e ali serei enterrada; somente a morte me separará de ti." Ruth sabia muito bem o que estava fazendo. Naomi a havia prevenido das dificuldades com que se defronta um judeu em qualquer tempo, mas Ruth estava inabalável em sua determinação de seguir sua sogra e de apegar-se a fé de sua escolha. Só o futuro provaria que Ruth seria justamente recompensada por sua elevada decisão, pois mesmo em seus momentos de pobreza ela não se arrependeu.

Era tempo de colheita quando Ruth e Naomi chegaram à Terra Prometida. Estavam exaustas após a longa jornada e Ruth conseguiu fazer com que Naomi repousasse, enquanto saiu aos campos de Beit Lechem para ver o que poderia encontrar para saciar a fome. Entrou em um campo onde havia muitos homens ocupados na colheita de grãos, enquanto alguns os amarravam em fardos e outros os empilhavam em carretas para transportá-los. Com certa hesitação, mas estimulada por sua fome e pelo pensamento de que deveria levar alguma coisa para sua sogra, Ruth entrou no campo e sentou-se por algum tempo para descansar, enquanto esperava para ver o que a sorte lhe traria.

De repente, foi surpreendida ao ouvir uma voz que lhe disse, suave e gentilmente: "Que D'us esteja contigo, estrangeira!"

Ruth retribuiu a gentil saudação. E ficou grata ao ouvir a mesma pessoa bondosa continuar: "Entra no campo! Não te acanhes! Recolhe algumas espigas, sacia tua fome!" Era o próprio Boaz, juiz de Israel naquele tempo e proprietário daquele campo, que assim se dirigia a Ruth. Ela agradeceu e colheu algumas espigas.

Estava prestes a partir, quando a mesma voz gentil lhe disse para permanecer ali mais um pouco e recolher o que os segadores haviam abandonado pelos cantos do campo, como peá. "O que é peá?" - perguntou Ruth. "A Torá nos diz; que, quando o dono de um campo já apanhou sua colheita, deve deixar um canto para os pobres, os necessitados e os estrangeiros, a fim de que venham e colham eles mesmos" - respondeu Boaz. "Que maravilha!" - exclamou Ruth.
Ela ficou ali, colheu o trigo de um canto do campo, e preparou-se novamente para partir. "Ainda não precisas partir" - sugeriu Boaz. "Por que não ficas e te beneficias do leket?"

"O que significa leket?" - perguntou novamente Ruth. "De acordo com a Torá, se um segador deixa de cortar alguma plantação com sua foice, não lhe é permitido voltar. Deve abandonar o que esqueceu de cortar, ou que deixou cair, e este deve ser deixado atrás como respiga para os pobres e estrangeiros" - explicou pacientemente Boaz. Ruth não disse nada, mas não via razão para recusar e se beneficiar das leis da Torá, as quais ela havia incorporado. Depois de encher todo um cesto, ela foi a Boaz e agradeceu-lhe sinceramente por sua bondade e preparou-se para partir.

"Ainda não precisas ir" - persuadiu-a Boaz. "Ainda podes vegar a shichechá". "A Torá é realmente infinita em sua preocupação com os menos afortunados" - disse Ruth. "Agora, por favor, diga-me o que é shichechá?"

"Quando o dono de um campo está levando sua carga aos celeiros, pode acontecer que ele tenha esquecido alguns fardos no campo. A Torá o proíbe de voltar e recolhê-los, pois ele deve deixar esses fardos esquecidos para os pobres, as viúvas, os órfãos e os estrangeiros."

Ruth estava muito feliz com sua boa sorte. Já havia recolhido mais do que poderia carregar. Ela e Naomi estavam agora bem-providas por um bom tempo. Mais uma vez, agradeceu a Boaz, e prometeu voltar. Ruth estava muito contente quando voltou e contou para sua sogra o que lhe havia acontecido nos campos de Boaz. Naomi ficou feliz pelo fato de Ruth ter sido tão bem-sucedida e por ter encontrado favor aos olhos de Boaz, o nobre proprietário das terras. Contou a ela que Boaz era parente de Elimelech. Nesse meio-tempo, Boaz havia inquirido sobre a estrangeira que passou por seu campo e descobriu que ela era a nora enviuvada de Naomi. Quando Boaz pediu Ruth em casamento, Naomi insistiu para que aceitasse. Ruth foi inesperadamente recompensada com riqueza e felicidade.

Ruth e Boaz tiveram um filho chamado Oved. Este, por sua vez, foi pai de Yishai. O filho mais jovem de Yishai foi David, ungido por D'us e amado rei de Israel. Mashiach (Messias) será seu descendente.

(Solicitamos aos IIr.'. que souberem a autoria do texto que nos informe)

1951 - SEPARAÇÃO DAS OBEDIÊNCIAS SIMBÓLICA E FILOSÓFICAS


A 23 de maio de 1951, o Grão-Mestre Geral, Joaquim Rodrigues Neves, sancionava, através do Decreto nº 1.641, a nova Constituição do Grande Oriente do Brasil, pela qual passava, como dizia o decreto, "a reger-se a Maçonaria Simbólica Brasileira". E isso porque a reforma --- que é o que realmente foi feito, em 1951 --- da Constituição de 1938 fazia com que o Grande Oriente do Brasil voltasse a ser uma Obediência estritamente simbólica, separando-se das Oficinas Chefes de Rito, entre as quais a principal era o Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito.

    O artigo 25 dessa nova Constituição era claro --- e bem diferente do texto constitucional anterior (1) --- ao afirmar:

    "As Oficinas regidas por esta Constituição e pelas Leis, Regulamento Geral e Regimentos particulares dela derivados, formam entre si uma Federação que, sob a denominação de Grande Oriente do Brasil, constitui a Maçonaria Brasileira, com sede e foro na cidade do Rio de Janeiro, Capital da República dos Estados Unidos do Brasil, maçonicamente denominada Poder Central, sendo a suprema e exclusiva autoridade simbólica da Ordem Maçônica no Brasil".

    No artigo 70, são asseguradas as relações com as Oficinas Chefes de Rito, ressalvando, porém, a exclusiva autoridade do Grande Oriente do Brasil sobre os graus simbólicos:

    "O Grande Oriente do Brasil, considerada Maçonaria Brasileira, Potência Simbólica universalmente reconhecida, considera as Grandes Oficinas Litúrgicas, que funcionam no Palácio Maçônico, como reguladoras dos ritoa praticados no Grande Oriente ; com elas mantem relações da mais estreita amizade e tratados de reconhecimento, mas não divide com elas o Governo dos três primeiros graus, baseados na lenda de Hiram, que exerce na mais completa independência em toda a sua vasta jurisdição".

    Cessavam, portanto, a partir dessa Carta Magna, não só a esdrúxula e irregular mistura do simbolismo com os Altos Graus (2)  --- que propiciavam, em Loja Simbólica, o uso de paramentos desses graus e a aposição do grau em livro de presenças --- como, também, os inconcebíveis privilégios de que gozavam os portadores de Altos Graus nas Lojas Simbólicas, como, por exemplo, honras protocolares equivalentes às de autoridades do simbolismo e entrega do malhete, pelo Venerável Mestre a qualquer obreiro colado --- no caso do Rito Escocês Antigo e Aceito --- no 18º grau, ou superior, o que é absolutamente irregular, perante os princípios maçônicos universais.

    A partir daí deixava, legalmente, o Grão--Mestre, de exercer, cumulativamente, os cargos de presidente das Oficinas Chefes de Rito, como acontecia anteriormente (sendo o REAA o mais difundido, o Grão-Mestre tinha o título de Soberano Grande Comendador Grão-Mestre).

Em função disso, o Grão-Mestre Joaquim Rodrigues Neves licenciou-se do cargo, assumindo o de Soberano Grande Comendador e entregando-o ao Grão-Mestre Adjunto, José Marcelo Moreira, que havia sido eleito a 20 de fevereiro de 1948.

Notas 
1. O texto anterior, de 1938, inserido no artigo 26, era:
    "As Lojas ou Oficinas, regidas por esta Constituição e pelas Leis, Regulamento Geral e Regimentos particulares dela derivados, formam entre si uma Federação, sob o título de --- Grande Oriente do Brasil ---- o qual, com o Supremo Conselho, que lhe é unido, constitui a Maçonaria Brasileira, cuja sede e foro são na cidade do Rio de Janeiro, maçonicamente denominada --- Poder Central".
2. Tem sido muito usado, através dos tempos, no Brasil, o termo "filosofismo", para designar o universo, ou sistema dos Altos Graus, por analogia com simbolismo, vocábulo que designa o sistema formado pelas Lojas Simbólicas, sob a jurisdição de um Grão-Mestre. Esse termo, todavia, deve ser evitado, pois "filosofismo", no idioma vernáculo, significa falsa filosofia, mania de filosofar. Como termo pejorativo, ou depreciativo, é, portanto, inadequado o seu uso em Maçonaria.

José Castellani

Os segredos da Maçonaria


 Quando se afirma que algo ou alguém tem um grande segredo, logo surgem as lendas, supertições e boatos. Assim ocorre com os segredos do Vaticano e do Governo Americano com relação aos OVNIs. Embora os segredos possam realmente existir, talvez eles não sejam tão interessantes quanto o público espera que eles sejam. Assim ocorre com os segredos da Maçonaria. Tirando as decisões políticas que são tomadas em momentos críticos da História de determinadas nações, como ocorreu, por exemplo, no Brasil, na época da Inconfidência Mineira, restam os considerados "Altos Segredos", que normalmente se resumem em ritos, dogmas e mistérios tirados do judaísmo e do paganismo babilônico e egípcio, de forma bem semelhante às crenças de sociedades espiritualistas. Alguns dizem que o maior segredo do qual o neófito toma conhecimento ao ingressar na Maçonaria é o fato de que a Maçonaria não tem segredos tão incríveis ou surpreendentes quanto se diz. Muitos maçons afirmam até mesmo que a Maçonaria não é uma sociedade secreta e sim apenas uma sociedade discreta, havendo grande diferença entre estes dois conceitos, porém, apesar desta afirmação se adequar perfeitamente às coisas ligadas à Maçonaria, ela é desmentida pelo Juramento iniciático da maçonaria, que diz:

"Eu (cita o seu nome), juro e prometo, de minha livre vontade e por minha honra e pela minha fé, em presença do Grande Arquiteto do Universo e perante esta assembléia de maçons, solene e sinceramente, nunca revelar qualquer dos mistérios da maçonaria que me vão ser confiados, senão a um legítimo irmão ou em loja regularmente constituída; nunca os escrever, gravar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los. Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado e meu corpo enterrado na areia do mar, onde o fluxo e o refluxo das ondas me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrilégio para com Deus e desonrado para os homens, Amém"

(Ritual do Simbolismo Aprendiz Maçom, 2ª edição - Rito Escocês Antigo e Aceito, julho de 1979, pp. 51,54).

A seguir são apresentados alguns símbolos, características e crenças da Maçonaria. Muitas destas coisas são consideradas os "segredos" da Maçonaria, embora se tratam apenas de coisas pouco conhecidas.

A Estrutura da Maçonaria

A Maçonaria é organizada em ritos, sendo estes divididos em graus. O rito escocês tem 33 graus, sendo que o grau 33 é honorário. Os 33 graus do rito escocês equivalem aos 10 graus do rito York. Os graus 1 a 3 são os mesmos nos dois ritos aqui mencionados e são chamados de graus da Loja Azul, pois são comuns a qualquer rito maçônico. Ao atingir o grau 3, o maçom tem que escolher entre estes dois ritos, se pretender subir na escala hierárquica. Apenas após passar pelos três primeiros graus é que o aprendiz é considerado maçom.


Graus do Rito Escocês

Loja Azul ou Graus Simbólicos
1. Aprendiz
2. Companheiro
3. Mestre
Graus Capitulares
 4. Mestre Secreto
 5. Mestre Perfeito
 6. Secretário Íntimo
 7. Chefe e Juiz
 8. Superintendente do Edifício
 9. Mestre Eleito dos Nove
10. Ilustre Eleito dos Quinze
11. Sublime Mestre Eleito
12. Grande Mestre Arquiteto
13. Mestre do Arco Real de Salomão
14. Grande Eleito Maçom
15. Cavaleiro do Oriente ou da Espada
16. Príncipe de Jerusalém
17. Cavaleiro do Leste e Oeste
18. Cavaleiro da Ordem Rosa Cruz
Graus Filosóficos
19. Grande Pontífice
20. Grande Ad-Vitam
21. Patriarca Noachita ou Prussiano
22. Cavaleiro do Machado Real (Príncipe do Líbano)
23. Chefe do Tabernáculo
24. Príncipe do Tabernáculo
25. Cavaleiro da Serpente de Bronze
26. Príncipe da Misericórdia
27. Comandante do Templo
28. Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto
29. Cavaleiro de Santo André
30. Cavaleiro Cadosh
Graus Superiores
31. Inspetor Inquisidor
32. Mestre do Segredo Real
33. Grande Soberano Inspetor Geral



Confissão do primeiro grau
No primeiro grau da maçonaria o candidato admite que é profano, que está em trevas em busca de luz, pois a maçonaria afirma que todos os que não são maçons estão em trevas.

Alguns Símbolos Maçônicos


Avental
Usado por todos os maçons durante as sessões. É o símbolo do trabalho. É a parte principal do vestuário maçônico, constituindo-se um dos símbolos mais importantes da Maçonaria. Tem a forma de um retângulo, encimado por um triângulo; nos dois primeiros graus são simples, sem enfeites ou adornos, e de tecido branco. Os aventais dos demais graus, tem cor e desenhos variados, conforme os graus que representa e conforme o rito adotado. O fundo porém é sempre branco.


Cinzel
Sugere o trabalho inteligente. É manejado pelo aprendiz com a mão esquerda. Como o cinzel é uma ferramenta que exige o auxílio de outra ferramenta, o malho, representa a inteligência humana, que isolada nada constrói.

Colunas
São três as colunas no templo maçônico. Elas representam o masculino (força), o feminino (beleza) e a sabedoria.


Compasso
O Compasso é considerado um símbolo da espiritualidade e do conhecimento humano. Sendo visto como símbolo da espiritualidade, sua posição sobre o Livro da Lei varia conforme o Grau. No Grau de Aprendiz, ele está embaixo do esquadro, indicando que existe, por enquanto, a predominância da matéria sobre o espírito . A abertura indica o nível do conhecimento humano, sendo esta limitada ao máximo de 90º, isto é ¼ do conhecimento. A sua Simbologia ainda é muito mais variada, podendo ser entendido como Símbolo da justiça, com a qual devam ser medidos os atos humanos. Simboliza a exatidão da pesquisa e ainda pode ser visto como Símbolo da imparcialidade e infalibilidade do Todo-Poderoso. 


Delta Luminoso
Também chamado de Triângulo Fulgurante, representa a presença de Deus, demonstrando a sua onisciência. É um triângulo com um olho no centro.


Espada
É o símbolo da igualdade, da justiça e da honra. Corresponde à consciência e à presença divina na construção do templo.


Esquadro
Significa a retidão, limitada por duas linhas: uma horizontal, que representa a trajetória a percorrer na Terra, ou seja, O determinismo, o destino; e outra vertical, o caminho para cima, dirigindo-se ao cosmo, ao universo, ao infinito, a Deus. É instrumento passivo e auxiliado pelo compasso.. Seu desenho permite traçar o ângulo reto e, por tanto, esquadrejar todas as formas. Deste modo, é visto como símbolo, por excelência, da retidão. É também a primeira das chamadas Jóias Móveis de uma Loja, constituindo-se na Jóia do Venerável, pois, dentre todos, este deve ser o mais justo e eqüitativo dos Maçons. O Esquadro, ao contrário do Compasso, representa a matéria; por isso é que, em Loja de Aprendiz, ele se apresenta sobre o Compasso. Predominância da Matéria sobre o espírito. 


G
A letra "G" representa o Grande (ou Divino) Geômetra, que é Deus. Uma das razões de ser tomada como símbolo sagrado da Divindade, é que, com ela, a palavra Deus, se inicia em vários idiomas. GAS, em Siríaco; GADA, em persa; GUD, em sueco; GOTT, em alemão; GOD, em inglês, etc. 


Malho
É a representação da força, da vontade, da iniciativa e da perseverança. o malhete é manejado pelo venerável mestre (chefe da loja).


Nível
Representa a igualdade - todos os homens devem ser nivelados no mesmo plano.


Pentagrama
Representa um homem de pé, com as pernas abertas e braços esticados. Indica o ser humano e a sua necessidade de ascensão.


Prumo
Indica que o maçom deve ser reto no julgamento, sem se deixar dominar pelo interesse, nem pela afeição.


Sol
É a fonte da vida, a positividade da existência do homem.


Trolha
Ou colher de pedreiro.   Trata-se de uma espécie de pá achatada com a qual os Pedreiros assentam e alisam a argamassa. Sendo um instrumento neutro, deve ser visto como um Símbolo da tolerância, com que o maçom deve aceitar as possíveis falhas e defeitos dos demais Irmãos. Pode ser vista, também, como um Símbolo do amor fraternal que será, então, o único cimento que uniria toda a Maçonaria. Desta forma, passar a Trolha, significa perdoar, desculpar, esquecer as diferenças. Entendida desta forma, pode ser vista como símbolo da paz que deve reinar entre os maçons.






O compasso e o esquadro reunidos tem sido mais antiga, bem como a mais comum representação da Instituição Maçônica. Tanto se apresentou este símbolo compasso-esquadro, que ele é prontamente reconhecido, até mesmo pelos profanos (pessoas não iniciadas na Maçonaria). É o sinal distintivo do Venerável Mestre (Presidente da Loja)  uma vez que esotericamente representa a "Justa Medida".
Justa Medida quer dizer em última análise a Retidão. Faz lembrar aos maçons em geral e a cada instante que todo as suas ações deverão ser plantadas com serenidade, bom senso e espírito de justiça. Faz recordar o compromisso solene assumido pelo iniciado, de sempre agir dentro de uma escola de perfeita honestidade e retidão.



O Tempo Maçônico



A - Altar dos Perf.·.
C - Altar dos Juram.·.
D - P.·.B.·.
E - P.·.C.·. (ou polida)
M - Mar de Bronze
P - Pira
B e J - CCol.·. Papiriformes
R e S - CCol.·. Toscanas



CCol.·. Zodiacais
a - Áries
b - Touro
c - Gêmeos
d - Câncer
e - Leão
f - Virgem
g - Balança
h - Escorpião
i - Sagitário
j - Capricórnio
k - Aquário
l - Peixes



Cargos em Loja
1 - V.·.M.·.
2 - Past M.·. Imed.·.
3 - Past MM.·.
4 - 1º Vig.·.
5 - 2º Vig.·.
6 - Orad.·.
7 - Secr.·.
8 - Tes.·.
9 - Chanc.·.
10 - M.·.CC.·.
11 - Hosp.·.
12 - 1º Diác.·.
 
13 - 2º Diác.·.
14 - Porta Band.·.
15 - Porta Esp.·.
16 - Porta Estand.·.
17 - 1º Exp.·.
18 - 2º Exp.·.
19 - G.·.T.·.
20 - Cobr.·.
21 - M.·. Arq.·.
22 - M.·. Bibliot.·.
23 - M.·. Banq.·.
24 - M.·. Harmonia
 

Ritos Maçônicos


Rito Escocês Antigo e Aceito - REAA
- Origens do Rito Escocês Antigo e Aceito
- História da Fundação Gr-33-REAA

R.E.A.A. retificado
- Breve História do Rito Escocês Retificado
- Regime Escocês Retificado

Rito Brasileiro
- O Rito Brasileiro
- A Criação do Rito Brasileiro

Rito Schröeder 
- Origem do Ritual Schröeder
- O Rito Schröeder

Rito Moderno ou Francês
- O Rito Moderno ou Francês-I
- O Rito Moderno ou Francês-II
- O Rito Moderno
- Rito Moderno-Um Pouco de sua História

Rito de York
- O Rito de York

Rito Adonhiramita
- A Origem do Rito Adonhiramita
- Origem do Rito Adonhiramita
- A Escada de Jacó na Simbologia Adonhiramita
- Maçonaria Adonhiramita

Outros Ritos:
- Rito Maçônico Oriental de Misraim e Memphis
- O Rito de Memphis

Rito - Substantivo masculino (do latim: ritus), designa o Cerimonial próprio de um culto, determinado pela autoridade competente; a ordenação de qualquer Cerimônia. Sempre existiram dezenas de Ritos maçônicos, com muitos deles já desaparecidos, pois, embora a estrutura doutrinária não apresente diferenças palpáveis entre eles, podem ser distinguidas diferenças motivadas por diferente interpretação de fatos históricos, por diferenças de análise do esoterismo básico, por influências religiosas, sociais e políticas e, até, por situação geográfica. Isso, longe de mostrar um enfraquecimento, ou uma divisão, sugere, mais, a grande riqueza moral e intelectual da ciência maçônica, que possibilita diversas correntes de pensamento, as quais acabam convergindo para um ponto comum, segundo a doutrina da Maçonaria ( Castellani).

Ritos Maçônicos 

Se  denomina  de  rito maçônico  um  conjunto  sistemático  de  cerimônias e ensinamentos maçônicos,  esses  variam  de  acordo  com  o  período  histórico,  conotação,  objetivo  e temática dada pelo seu criador, os ritos hoje mais difundido no mundo são: O rito de York, o  rito  Escocês  Antigo  e  Aceito,  O  rito  Francês  ou  Moderno.  No  Brasil se exercem todos esses, mais se destacam também o rito brasileiro e o adonhiramita. 

Ritos:(Características): 

Adonhiramita: Criado pelo Barão de Tschoudy, ilustre escritor,  em Paris, França no ano de 1766, de caráter místico e cerimonial, atualmente só em funcionamento  no  Brasil 

Brasileiro: Rito que se originou em 1878 em Recife,  com  o  primeiro  movimento  maçônico brasileiro, ficou  adormecido  até  que em 1976  por  iniciativa  de  Lauro Sodré,  Grão Mestre,  deu o caráter de regular,  legítimo  e  legal para o rito.  Este sofreu ainda atualizações,  para  a  sua forma atual. 

Escôces Antigo e Aceito:  Derivou-se  do  Rito  de  Heredon,  em 1º de maio de 1786 foram fixados as regras e seus fundamentos, composto até hoje de 33 graus, atualmente é o rito mais difundido nos países latinos. 

Escôces Retificado(1782):  Como o próprio nome afirma, este rito consiste numa reformulação do R.E.A.A.  e  o  objetivo  era  retirar  um conteúdo por alguns considerado desnecessários. 

Estrita Observânça: Criado em 1764 pelo Barão Hund, com fundamento nas antigas "Ordens de Cavalaria".Era composto de 12 graus,esse rito deu origem aos ritos da Alta Observância e o da Exata Observância. 

Francês ou Moderno:  A  história  deste  rito se inicia em  1774, com  a  nomeação  de  uma comissão para se reduzir os graus,  deixando  apenas os simbólicos,  no  princípio houve uma forte oposição,  então a comissão decidiu,  deixar  4  dos  principais  graus filosóficos,  com o decorrer do tempo,  lojas adotaram o rito,  hoje  em  dia  é  muito praticado  na  França e nos países, que estiveram sob sua influência. 

Heredom ou Perfeição: Iniciado em Paris, no ano de 1758. 

York (ou Real Arco): Acredita-se  ter  sido  criado por volta de 1743,  foi levado a Inglaterra por volta de 1777,  inicialmente foi composto de 4 graus,  hoje possui 13,  atualmente é o rito mais difundido no mundo. 

Mizraim ou Egípcio: Acredita-se  ter  surgido na Italia em 1813,  e  em  seguida  foi  levada a  França  por  Marc, Michel  e  Joseph Bédarride,  Mizr  significa  Egito  em  hebráico,  e seus divulgadores afirmam ser derivado dos Antigos Mistérios Egipcios, possuem  90  graus, dividido em quatro classes. 

Mênphis ou Oriental:  Foi  introduzido  em  Marselha(França) pelos Maçons Marconis de Négre e  Mouret,  no ano de 1838, esse rito dirige seus ensinamentos  como o de  Mizraim para a tradição Egipcia, compões-se de 92 graus, dividido em 3 séries. 

Mênphis-Mizraim:  Rito  criado com a reunião dos ritos de  Mênphis  e  Mizraim em 1899 no Grande Oriente da França. 

Mizraim-Mênphis:  Rito criado com a reunião dos dois ritos,  com conotação mais voltada ao Mizraim. 

Adoção:  Criado  pelo  grande  Cagliostro  na França em 1730, e reconhecido pelo Grande Oriente  da  França em 1774,  trata-se de um rito voltado de temática egípcia,  voltado  para mulheres. 

Schröeder:: Criado  por Frederick Louis Schoröeder, em 1766  na  Alemanha, com a idéia de  a  Maçonaria  conter  apenas  a  sua características  fundamentais  iniciais,  sem   nenhum acréscimos, estudou muito as origens maçônicas para compor este rito. 

Swenderborg: Criado  em  1721  pelo Sueco  Emmanuel Swenderborg,  grande  iluminista, teósofo,  filósofo,  psicólogo, e  fisico,  e estudioso dos mistérios maçônicos desenvolveu este rito com oito graus, e deu origem posteriormente aos ritos denominados de Iluministas.

A Corda de Oitenta e Um Nós


A Corda de 81 Nós é um dos ornamentos do templo maçônico em alguns ritos, e é encontrada no alto das paredes, junto ao teto e acima das colunas zodiacais (no caso do REAA). Sua origem mais remota parece estar nos antigos canteiros — trabalhadores em cantaria, ou seja, no esquadrejamento da pedra informe — medievais, que cercavam o seu local de trabalho com estacas, às quais eram presos anéis de ferro, que, por sua vez, ligavam-se, uns aos outros, através de elos, havendo uma abertura apenas na entrada do local.

O nó central dessa corda deve estar acima do Trono (cadeira do V.:M.:) e acima do dossel, se ele for baixo, ou abaixo dele e acima do Delta, se o dossel for alto, tendo, de cada lado, quarenta nós, que se estendem pelo Norte e pelo Sul; os extremos da corda terminam, em ambos os lados da porta ocidental de entrada, em duas borlas, representando a Justiça (ou Eqüidade) e a Prudência (ou Moderação).

Embora existam cordas esculpidas nas paredes, em alto relevo, o ideal é que ela seja natural — de sizal — com os nós eqüidistantes em em número de oitenta e um mesmo, coisa que nem sempre acontece, na maioria dos templos, tirando o simbolismo intrínseco da corda. E ela deve ter 81 nós, por três razões:

1. O número 81 é o quadrado de 9, que, por sua vez, é o quadrado de 3, número perfeito e de alto valor místico para todas as antigas civilizações: três eram os filhos de Noé (Gênese, 6-10), três os varões que apareceram a Abraão (Gênese, 18-2), três os dias de jejum dos judeus desterrados (Esther, 4-6), três as negações de Pedro (Matheus, 26-34), três as virtudes teologais (I Coríntios, 13-13). Além disso, as tríades divinas sempre existiram em todas as religiões: Shamash, Sin e Ishtar, dos sumerianos; Osíris, Ísis e Hórus, dos antigos egípcios; Brahma, Vishnu e Siva, dos hindus; Yang, Ying e Tao, do taoismo, etc., além da Trindade cristã.

2. O número 40 (quarenta nós de cada lado, abstraindo-se o nó central) é o número simbólico da penitência e da expectativa: quarenta foram os dias que durou o dilúvio (Gênese, 7-4), quarenta dias passou Moisés no monte Horeb, no Sinai (Êxodo, 34-28), quarenta dias durou o jejum de Jesus (Matheus, 4-2), quarenta dias Jesus esteve na Terra, depois da ressurreição (Atos dos Apóstolos, 1-3).

3. O nó central representa o número um, a unidade indivisível, o símbolo de Deus, princípio e fundamento do Universo; o número um, desta maneira, é considerado um número sagrado.

Esotericamente, a Corda de 81 Nós simboliza a união fraternal e espiritual, que deve existir entre todos os maçons do mundo; representa, também, a comunhão de idéias e de objetivos da Maçonaria, os quais, evidentemente, devem ser os mesmos, em qualquer parte do planeta.

Embora alguns exegetas afirmem que a abertura da corda, em torno da porta de entrada do templo, com a formação das borlas, simboliza o fato de estar, a Maçonaria, sempre aberta para acolher novos membros, novos candidatos que desejem receber a Luz maçônica, a interpretação, segundo a maioria dos pesquisadores, é que essa abertura significa que a Ordem maçônica é dinâmica e progressista, estando, portanto, sempre aberta às novas idéias, que possam contribuir para a evolução do Homem e para o progresso racional da humanidade, já que não pode ser maçom aquele que rejeita as idéias novas, em benefício de um conservadorismo rançoso, muitas vezes dogmático e, por isso mesmo, altamente deletério.

José Castellani
*  *  *
Do livro "O Rito Escocês Antigo e Aceito - História, Doutrina e Prática" - Edit. A Trolha - 1a. ed. 1988 - 2a. ed. 1995

A Espiritualidade do R.E.A.A.


Quem somos nós, os maçons? O que é que nos caracteriza?


Em primeiro lugar, o nosso denominador comum é a inquietude pelo conhecimento em liberdade, sem partir de convenções às quais não tenhamos chegado mediante a reflexão pessoal: um maçom não é dogmático, mas mais axiomático na sua maneira de proceder, porquanto o seu pensamento parte do que é mais evidente para todos, procurando aceder àquilo que não é evidente. O seu processo reflexivo é maiêutico, socrático. Além disso, propõem-se reconhecer a sua própria liberdade a todos os homens honrados, sem distinção de raças, sexos, religiões ou convenções políticas que respeitem a ética fundamental dos direitos humanos: persegue a tolerância ativa ou construtiva, que é virtude vivida, e não a mera tolerância constitucional ou legal. Em suma, beneficia com o diálogo livre e baseado na sinceridade, vendo em cada homem ou mulher ou irmão ou irmã na humanidade. Ama a fraternidade e apóia-se nela para conhecer melhor a si próprio e aos demais, buscando pessoalmente a realização prática da Verdade, da Justiça e dos arquétipos do pensamento humano em geral.

O que atrás se disse descreve o perfil maçônico em geral que resulta da análise objetiva dos princípios que inspiram a Maçonaria como Ordem iniciática Universal. Representa o maçom realmente iniciado e não precisamente a quem considera que a iniciação consiste em ter sido recebido ou admitido como membro da Fraternidade ou Ordem maçônica por ter ingressado numa Loja ou Oficina de trabalho, sem mais. O avanço até a transformação pessoal é um lento processo gradual que começa pela busca do conhecimento de si próprio em fraternidade e tem como meta alcançar a autêntica Sabedoria humana. Isto é o que entendemos como via iniciática, e a Maçonaria entendeu sempre que os seus iniciados (quando a sua maturidade iniciática o permita) devem constituir um fermento que contribua para conseguir a Paz universal e a melhoria da Humanidade.

Como em toda a escola de aprendizagem, nem todos entendem tudo, nem entendem de forma idêntica, nem praticam da mesma maneira. Houve, certamente, circunstâncias e períodos históricos nos quais determinadas pessoas ou determinadas Lojas, influenciadas pelas tendências filosóficas transitoriamente dominantes (sobretudo a do positivismo, durante o século XIX e parte do Século XX) ou por situações sociais que requeriam, sem dúvida, uma atenção imediata, centraram o melhor das suas energias na busca de uma ordem social considerada mais justa aqui e agora, minimizando o progresso iniciático pessoal como premissa prioritária para alcançar o bem da Humanidade (não é o mesmo que o bem transitório de um grupo social, ainda que isto seja também importante).

Os maçons do Rito Escocês Antigo e Aceito, reconhecem como Irmãos todos os homens que buscam honradamente o seu gradual aperfeiçoamento, contamos, no nosso Rito, com um vetor muito especial da Tradição iniciática. As circunstâncias sociais mudam e continuarão a mudar ao longo do tempo, mas mudará o que é substancial no homem. E é essa essência humana a que o nosso Rito contempla. Daí, que os seus valores, adogmaticamente contemplados, constituem um tesouro permanente e inalterável para orientar o homem do século XXI na sua busca de sentido.

Atribui-se a Aristóteles a expressão de uma convicção milenar da qual foi provavelmente o seu divulgador solitário:

“A luz do sol é una, por mais que se disperse sobre uma infinidade de objetos. Do mesmo modo, não há mais que uma “matéria”, inclusive se parece dividir-se em coisas separadas, uma só alma, inclusive se reparte entre milhares de seres, e uma só inteligência, inclusive, se esta parece também dividir-se”.


O nosso Rito concebe a Realidade como um processo universal em que cada coisa é manifestação de um aspecto diferente, em função do dinamismo próprio e interativo do observador, do maçom.

Utilizando os símbolos como meio de aproximação aos diversos aspectos da realidade aparente, o método que é o nosso Rito conduz à reunião do que está “disperso”, a partir de uma tomada de consciência do sujeito como parte integrante da mesma realidade. O conhecimento da sua relatividade através das múltiplas manifestações.

O método da análise implícito no Rito Escocês Antigo e Aceito aplica-se no ternário homem – templo – universo, considerando o Homem como manifestação do Ser universal, com uma história evolutiva que só conhecemos em parte. Cada ser humano é, por sua vez, uma versão concreta desse Homem universal ideal; um templo igualmente em construção, capaz de “orientar-se” dentro do nosso universo, se utilizar ao máximo as suas potencialidades, já que cada um de nós é um microcosmo construído com os mesmos elementos que o macrocosmo. No nosso templo pessoal vamos descobrindo os utensílios de trabalho necessários para avançar nessa construção que será prefiguração do grande templo de uma Humanidade melhorada, no qual pode reinar a paz e a harmonia. Os maçons do Rito Escocês Antigo e Aceito chamam virtudes às potências ou capacidades virtuais que residem em cada ser humano, desenvolvido conscientemente, fazendo-o avançar até ao seu próprio aperfeiçoamento, e simbolizamo-las como utensílios da construção física: régua, prumo, esquadro, compasso, em correspondência com números, medidas e formas. De igual maneira que os antigos maçons ou construtores físicos consideravam que a Geometria era a síntese de todas as ciências, estrutura de todas as artes, e que a arquitetura era a sua expressão compendiada, a Maçonaria livre do Rito Escocês centra-se no desenvolvimento de uma Geometria espiritual, cujos múltiplos símbolos apontam apara a mesma síntese.

Só através das virtudes, concebidas como utensílios orais, seremos capazes de ver o mundo como com novos olhos e compreender que tudo quanto existe é, em primeiro lugar, aparência. Em todas as aparências de tudo quanto se nos apresenta como “realidade” subjaz um fio condutor que relaciona as coisas entre si, apontando para a fonte comum. Tudo quanto existe é manifestação simbólica de um Todo que é o Ser universal: o que “é” por si mesmo, inacessível ao Homem em sua plenitude, porquanto a nossa mesma natureza humana, como manifestação parcial desse Todo, limita a nossa capacidade de percepção ao manifesto que não é o análogo, ficando fora do nosso alcance o não manifestado, o que procedeu ao momento “zero” da criação.

Os Mestres do Rito Escocês Antigo e Aceito sabem, como lendário Moisés no Sinai, que o que podem contemplar não é senão o esplendor, a “glória”, do Princípio criador do Universo; de um universo cujas regras e proporções há de descobrir e imitar porque surgem manifestadas, de uma ou outra forma, nas estruturas de todo o existente. Somos certamente buscadores daquilo que nos transcende, do que aponta até ao Ser Supremo universal, agitando-se dentro de nós mesmos em primeiro lugar a sede do conhecimento do mundo, porque sentimos que cada homem e quanto o rodeia contem e reflete a Revelação do Ser. Preocupa-nos o fundo e a forma do humano. Interessa-nos aprender a sua Grande Obra Universal, da sua profunda estrutura, porque formamos parte dela e de cada homem é a sua imagem reduzida. A Maçonaria contempla a Natureza com manifestação ou expressão de uma misteriosa ordem universal. As pautas e normas que o regem, o seu estudo e o seu conhecimento, interiorizado como sentimento consciente, constitui a meta maçônica. Não nos opomos a nenhuma expressão religiosa do processo universal, porque simbolistas, tendemos a opinar que a Verdade é de todos e está em todos. Pensamos que se devem transcender as concretizações que a religiosidade humana tem vindo a produzir ao longo do tempo. Cremos que é possível construir em comum uma humanidade melhor na Terra, reunindo o disperso, e aceitamos para ela todos os ensinamentos nobres que estimulem a tolerância, com o ânimo de caminhar até à Sabedoria, que é o compêndio das autênticas virtudes humanas.

Pensamos também que existem outros planos da realidade universal cujo acesso está individualmente condicionado. O desenvolvimento ulterior de essa fase pessoal e íntima está em si mesma contemplada no nosso Rito Escocês Antigo e Aceito que nos adverte para não nos deixarmos impressionar pelas palavras, mas que analisemos as idéias que nelas atuam. O Grande Arquiteto do Universo é o grande símbolo verbal que para uns denominam maçonicamente o Deus pessoal das religiões e, para outros, designa a Inteligência ou Força geradora, ordenadora, todavia indefinível ou inominável do cosmos, cuja essência transcende a nossa capacidade e não podemos definir com outro nome mais descritivo. São duas vertentes sempre presentes e compatíveis dentro da Ordem, posto que em definitivo, a Maçonaria centra a sua atenção na Obra universal, ficando fora dos nossos templos as teologias, precisamente por respeitar todas as opiniões.

Para nós, os maçons do Rito Escocês antigo e Aceito, o que se pretende designar como objetivamente “certo” ou “real” é só uma aparência ou um aspecto do contemplado. A percepção dependerá da nossa postura, do nosso momento, dos nossos sentidos… e também do momento e lugar em que o contemplado surja. Diz Mircea Eliade que, por outro lado, “o sagrado é o real por excelência… O desejo do homem religioso de viver no sagrado equivale, de fato, ao seu afã de situar-se na realidade objetiva, de não deixar-se paralisar pela realidade sem fim das experiências puramente subjetivas, de viver num mundo real e eficiente e não numa ilusão… Esta é a razão que conduziu à elaboração de técnicas de orientação, as quais, propriamente falando, são técnicas de construção do espaço sagrado.”

Para o Rito Escocês Antigo e Aceito, o espaço sagrado por excelência, o primeiro templo, está dentro do próprio homem. A sua primeira análise há de orientar-se para o seu próprio interior, donde surge a pedra oculta que há de conhecer e trabalhar para contribuir de imediato para a construção de uma sociedade humana fraterna, na qual o Amor, que é o nome místico que damos à força que impele à união organizada de todos os elementos do cosmos, determine as nossas relações e a nossa evolução. Essa realidade virtual, essa utopia, é o novo espaço sagrado querido pela Ordem.


Amando Hurtado
Mestre Maçom.
R.·.L.·. Iberia Fraternitas.
Grande Loja Nacional Portuguesa